Em Busca Do Amor Da Lua
23 Rastreando a deusa Selene!
Notas iniciais
Passava das sete da manhã, e Isa não conciliara o sono desde a conversa com Mú. Este não havia voltado desde então. Isa estava na cozinha preparando o café da manhã, ciente de que não teria a companhia do dourado.
Pouco depois de sentar a mesa para comer, Isa perceber a presença de Kiki que ainda estava sonolento.
__ Bom dia Senhorita Isa!
__ Bom dia, Kiki! – Isa tentou soar animada, mas falhou.
__ O mestre Mú já acordou? – O pupilo tomava um pão para si.
__ Sim, Kiki. Ele saiu, mas não disse aonde ia. – Isa ficou quieta.
A refeição foi tomada em silêncio. Isa se sentia mal, por isso comeu pouco. Suas emoções a flor da pele estavam a deixando sensível demais, e por diversas vezes alguma lágrima inundava seus olhos. Ela disfarçava e enxugava a lágrima.
Quando haviam terminado o café, Mú apareceu na cozinha. Não olhou para Isa, apenas se dirigiu a Kiki.
__ Vamos treinar Kiki, já está atrasado. – Mú virou as costas e caminhou para fora da casa.
__ Certo mestre Mú! – O menino fitou a lunar sem entender, e seguiu o mestre.
Isa sentiu seu coração gelar. A dor que corria por si era de um amargor tão grande que só aumentava os enjoos que sentia ultimamente.
Aquele dia passou como um pesadelo. Isa adormecia para logo ter pesadelos que a faziam despertar sobressaltada. Fora assim o tempo todo. À noite, nem Mú e nem Kiki apareceram. Cansada pelas emoções do dia, Isa adormeceu no sofá.
Acordou na cama de Mú, sem vestígios ou presença do dourado. Na cozinha, observou a mesa posta e as louças sujas. Eles estiveram em casa. Pelo horário, tanto mestre como pupilo já estava em treino.
E nesse ritmo uma semana inteira passou. A aparência da dor estampava o rosto da lunar, que outrora havia sido tão alegre. Mas essa noite seria decisiva. A lunar iria esperar quanto tempo fosse pelo dourado.
Passava da meia-noite quando Mú apareceu carregando o pupilo adormecido. Caminhou até o quarto e o colocou na cama, ajeitando as cobertas do pequeno.
Quando voltou a sala, o dourado encontrou a lunar trajando seu robe e o fitando muito triste.
__ Você me deve uma explicação. Pelo menos isso. – Isa estava pálida com essa constatação.
__ De fato, deusa Selene. Mas não há muito que explicar. Apenas tomei a decisão mais correta. Não quero ser o responsável pela sua morte nem a do meu filho. Se soubesse de tudo, não teria me envolvido com você. Isso foi um erro. E vou fazer de tudo para que essa maldição não se realize
__ Então é isso! De repente, tudo o que me disse, que me fez acreditar era mentira? – Isa estava enraivecida.
__ Não, deusa Selene. Nunca foi mentira. Mas já sacrifiquei minha vida uma vez por um bem maior, e agora estou sacrificando o meu amor, por um bem maior. _ Mú se levantou do sofá que havia sentado anteriormente. – Fique o tempo que quiser aqui em minha casa. Apenas preciso cumprir minhas responsabilidades como cavaleiro. Entre elas está abrir mão da minha felicidade para derrotar um inimigo, como é o caso de Ártemis.
__ Então é isso! Você está rompendo comigo. Entendo! De certa forma eu esperava isso. Só não sabia que ia doer tanto. Boa noite, cavaleiro! – Essa despedida doeu tanto na lunar quanto no dourado.
Ela caminhou para a cama que ocupava até pouco tempo. Tentou segurar os soluços. Mas as lágrimas, essas não eram possíveis de conter. E Isa chorou silenciosamente até perder as forças e adormecer.
Pela manhã, Isa arrumou suas coisas e esperou o cosmo do dourado se afastar. Quando saiu, no entanto, foi surpreendida por Kiki que se assustou com a mala na mão da lunar.
__ Para onde está indo, senhorita Isa? – Kiki olhava curioso.
__ Kiki, que susto. – Isa colocou sua mão sobre o peito que se movimentava rápido. – Estou indo para minha casa.
__ Mas e o mestre Mú? Ele sabe disso?
__ Não estamos mais juntos, Kiki. Acho que deve ter percebido como ele anda distante de mim. Decidi voltar a minha casa. – Isa sorriu fraco. – Por favor, cuide do seu mestre por mim. – Isa fitou o pupilo que concordou com um gesto de cabeça. – Sempre que quiser, pode me visitar. Estarei na vila das amazonas. – Isa deu um beijo na testa do pupilo que corou. – Até mais.
Descendo as escadas de Áries, Isa se teleportou para sua casa na vila. Estava exatamente como deixara. Só um pouco mais empoeirada.
E assim, mais uma semana passou. E logicamente, a notícia correu pelo santuário surpreendendo a muitos pela decisão de Mú. No entanto, poucos sabiam realmente a realidade sobre Selene.
Como de costume, mas atenuando, Isa continuava a treinar com Shina. Apesar da barriga que já estava proeminente, Isa se mantinha ativa e preparada, pois sabia que Artémis poderia atacar a qualquer momento.
Para evitar encontrar com Mú, Isa treinava bem cedo com Shina. Ás vezes treinava com Milo ou Shura, mas raramente.
Naquele dia, no entanto, o treino se estendera mais do que habitualmente e chamou a atenção de alguns cavaleiros que haviam vindo treinar. Isa, apesar de grávida tinha uma resistência fora do comum.
Enquanto enfrentava Shura e Aioria, Isa percebeu a movimentação na arquibancada da arena. E num olhar rápido viu Mú sentar-se ao lado de Seiya, o cavaleiro de Pégaso.
Ficou nervosa, mas tentou não transmitir isso se concentrando no treino. Mú se mantinha atento ao combate. Tinha receio que a lunar se machucasse e acabasse perdendo o seu filho. Mas o que fazer quando ela era tão cabeça-dura?
__ Ela é muito forte, né Mú? – Seiya se dirigia ao dourado concentrado no treino.
__ Mas do que o comum, Seiya.
__ Cá entre nós, esse rompimento de vocês foi tão estranho. O que aconteceu? – Seiya falava no seu tom desligado de sempre.
__ Responsabilidades acima do amor, Seiya. Havia segredos que quando revelados, nos separaram de vez. – Mú tentava encurtar a conversa.
__ Acho que entendo! – Seiya falou um pouco pensativo. – Mú! Acho que temos mais uma vítima do Eros. – Seiya indicou com a cabeça para o escorpião dourado.
__ Não percebi nada. – Mú se fez de desentendido.
__ Eu acho que tem uma mulher deixando Miro nas alturas. O cara anda com um ar sonhador demais. – Seiya gargalhou do seu jeito espalhafatoso.
__ Talvez! – Mú se levantou. – Preciso ir treinar Kiki. Até mais Seiya.
Seiya acenou para o ariano ainda sorrindo. Quando não era mais observado, Mú puxou o escorpião para longe dos demais.
__ Miro! Você está dando bandeira para todos. Logo descobrirão o que você e a amazona andam fazendo na casa de escorpião. Se não querem pessoas bisbilhotando, acho melhor disfarçar esse ar de noite bem aproveitada. – Mú falava falsamente irritado.
__ Como você sabe?
__ Eu sei, é só o que precisa saber. – Mú sorriu.
__ Certo! Obrigada pelo aviso, mas isso não te absolve da sacanagem que fez com a minha amiga Isa.
__ Tudo bem! Foi só um aviso mesmo! – Mú deu de ombros deixando um escorpião um tanto perdido.
***
Enquanto isso, na arena, Isa terminava seu treino. Despediu-se de Shina e dos dourados indo para sua casa. Percebeu que Mú já não estava na arquibancada. Lembrar-se disso trazia tanta dor, que jamais se lembrara de ter sentido tal antes.
***
Duas semanas mais tarde, e Isa completava seis meses de gestação. A dor, no entanto, fazia seu estrago na beleza da lunar. A palidez resultante dos enjoos se tornava cada vez mais acentuada. As olheiras eram mais escuras. O sofrimento a marcava demais. Pior de fato, era ter que encontrar Mú pelo santuário ou até no templo de Athena e não perder o controle. Isso era a tortura mais dolorosa.
Foi pensando nisso, que Isa tomou a decisão mais difícil até aquele momento. Se Mú achava que era um erro tê-la em sua vida, então ela tornaria tudo mais fácil para os dois. Foi com muito planejamento, que no meio da noite, Isa saiu com sua moto e uma pequena mala presa na garupa da moto.
No outro dia, como de costume Shina foi ver como a amiga estava. Mas não encontrou nem vestígio da lunar. Preocupada, se dirigiu a arena torcendo para encontra-la ali. Nada novamente. Temeu pelo pior.
Enquanto subia as casas do zodíaco, encontrou o ariano descendo. Na hora Mú entendeu que havia algo de estranho.
__ Mú! Não consigo encontrar a Isa. Ela não está em casa e nem na arena. Estou indo à casa do Grande Mestre. Não sei o que fazer. Ela pode ter passado mal, mas não entendo por que não pediu ajuda.
__ Certo Shina. Vamos a casa dela primeiro.
Os dois guerreiros desceram até a vila das amazonas. Na casa, Mú observou que faltavam coisas que eles haviam comprado para o bebê. Roupas e pertences da lunar não estavam nos armários. A moto que ela tanto gostava também havia desaparecido.
Mú sentiu seu coração dilacerar. Alguma coisa havia acontecido e não havia nem sinal de cosmos estranhos ali. O que poderia ter acontecido?
Sem pensar em mais nada, o ariano voltou às casas zodiacais subindo o mais rápido que podia. Chamou pelo Grande Mestre se anunciando sem mais delonga.
__ Grande Mestre, preciso sair à procura da guerreira lunar, a deusa Selene. Ela desapareceu da sua casa e não há rastro algum. – Mú lutava para manter seu controle.
__ Certo cavaleiro. Vá e leve outros com você. Encontre-a. Estaremos aqui tentando rastreá-la pelo cosmo.
Mú saiu sem mais demora. Convocou Miro, Shura e Shina para ajuda-lo. E alguns cavaleiros de bronze acompanharam os dourados na missão. Para chamar muita atenção, saíram sem suas armaduras.
Shaka se comprometeu em busca-la pelo cosmo. E se ela usasse o teleporte já saberiam onde estava. Então provavelmente ela ainda estava na cidade ou na região próxima.
No centro da cidade encontraram a moto de Isa. Descobriram que ela havia vendido a moto há uma hora. Havia recebido o valor, parte em espécime, parte depositada numa conta. Então, passaram as informações para o santuário, onde Athena pediu para seus assistentes rastrearem a movimentação daquela conta. Benefícios que tinha por causa das empresas herdadas do avô.
Mas para surpresa, não houve nenhuma movimentação na conta. Já passara duas semanas, e nada havia sido encontrado para que direcionasse na busca da lunar. Haviam procurado por hospitais, delegacias e até necrotérios. Nada. Mesmo apresentando uma foto de Isa e falando que estava grávida, o que não passaria despercebido, ninguém havia visto a guerreira.
Após dividirem a região em entre si, os dourados passaram a excluir os locais já procurados. Se ela ao menos usasse o cosmo, pensava Mú. Ao mesmo tempo isso era bom, pois provavelmente não estava em perigo, ou estaria?
Tudo era apenas especulação. Nada concreto de fato. Nenhuma pista, nenhum indício da presença da lunar.
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