Em Busca Do Amor Da Lua
1 Olhos Prateados!
Notas iniciais
A chegada de uma nova guerreira trouxe um grande burburinho no santuário. Esses comentários eram mais intensos por causa do mistério que ela carregava. Era uma guerreira solitária que havia despertado seu dom e treinado nas serras da fronteira Amazônica. Seus mestres foram indígenas da locais e os animais. Quase todo o seu treinamento foi realizado a noite, pois a mesma tinha uma maior concentração naquele momento.
Enquanto todas as guerras aconteciam, a guerreira ficou oculta, desviando-se da atenção dos deuses por motivos desconhecidos para ele.
Com o fim de Hades, Athena conseguiu com muitas preces e seu cosmo libertar os dourados do limbo em que foram aprisionados pelos deuses. Athena não se enganava, sabia que uma nova guerra estava por vir. Sabia até quem eram os adversários tentando destruir o mundo. Com esse conhecimento, chamou a guerreira da deusa aliada Selene. A mesma guerreira já estava sobre aviso, vivendo no litoral brasileiro se adaptando a viver com as pessoas.
Isa era da classe das lunares, guerreiras a serviço de Selene. Essa classe de guerreiras era pouco conhecida pois havia um relato que somente Athena conhecia. Ela era a única guerreira representante de Selene, a deusa-lua, aliada de Athena de épocas remotas.
Acompanhada por um cavaleiro de bronze, Isa subiu até a sala do Grande Mestre, passando pelas doze casas com o salvo-conduto, pois era convidada de Athena.
__ Obrigada por vir nos ajudar, Isa. Espero que tenha gostado da sua casa na vila das Amazonas.
__ Eu agradeço a hospitalidade. Será uma honra ajudar a aliada e amiga da deusa Selene.
__ Selene! Há muito que ela não aparece na Terra, desde aquele dia...
__ Tenho um vago conhecimento sobre isso. Minha armadura foi me entregue por um faixo de luz. A deusa não apareceu.
__ Certo. Mandei chamar os cavaleiros dourados para te conhecerem já que estará nas missões.
Alguns momentos depois, os dourados começaram a entrar e fazer reverência a Athena. Isa se mantinha coberta pelo manto com capuz
__ Cavaleiros quero apresentar nossa aliada. A lunar Isa, guerreira da deusa Selene. Selene é minha aliada de tempos remotos.
Isa se aproxima retirando o manto revelando seus cabelos claros e pela pálida. Seus olhos castanhos brilharam em meio ao sorriso caloroso que lançou. Sua roupa lembrava as cores da noite: vestido leve azul claro e legging azul escuro. Nos pés sandálias estilo gladiador.
__ Prazer, sou Isa. – Seu sorriso ficou ainda mais amplo.
Os Cavaleiros de Ouro menearam com a cabeça em resposta.
__ Athena! Por que a existência dessa guerreira é tão desconhecida? – Aioria parecia desconfiado.
Athena olhou para Isa que concordou imediatamente com o pedido silencioso da deusa.
__ Selene não se manifesta na Terra há muitos séculos. Não há necessidade de procurar outras lunares sem a deusa para defender. Eu sou responsável pela busca de outras guerreiras caso a deusa Selene apareça. – Isa respondeu tranquilamente.
__ Nós não sabemos o motivo de Selene não surgir. Mas como minha aliada, sua guerreira foi incumbida de nos ajudar, já que nossos inimigos são os inimigos de Selene.
__ Sendo mulher, ela deveria estar usando máscara.
__ Não Shura! Selene tem somente lunares, nenhum guerreiro. E como nossa convidada, não vou exigir isso. De agora em diante peço que deem passagem livra a Isa.
__ Certo! – Eles responderam e foram dispensados.
Isa, Athena e o Grande Mestre caminharam observando algumas partes importantes do Santuário. Athena lembrou a Isa que a mesma tinha autonomia dos dourados, mas que pedir passagem pelas casas era regra se não quisesse ser atacada. Foram até a arena onde alguns aspirantes a cavaleiro lutavam uns contra os outros.
Todos estranharam a companhia de Athena: uma guerreira sem máscara. Ao final do passeio, Isa se despediu dos companheiros de caminhada e ficou para treinar com Shina, uma das guerreiras que havia ido levar a convocação de Athena.
__ Já te apresentaram, Isa? – Shina se posicionou para o embate.
__ Sim, agora é treinar e aguardar. – Isa sorriu e partiu para o ataque.
O embate começou. Entre socos, defesas e quedas, as novas amigas se divertiam com a batalha.
__ E os dourados aceitaram você ficar sem máscara? – Shina fazia uma pequena pausa para tomar um gole de água.
__ Não sei, mas nem questionaram as ordens de Athena. Na verdade, acho que o problema não será com eles e sim com os aprendizes. Olha lá a cara deles. – Isa acenou com a cabeça o grupo de aprendizes cochichando e olhando as guerreiras. – Quer ouvir o que elas dizem?
Shina assentiu e viu a mão de Isa repousar na lateral de seu rosto. Automaticamente pode ouvir todo o burburinho das aprendizes. Estavam revoltadas, não aceitavam que uma estranha tivesse mais liberdade que elas. Não aceitavam a acepção que Athena fez com a lunar aliada. Ao ouvir isso, Shina se irou com as aprendizes.
__ Ei, vocês. Deviam estar treinando ao invés de questionarem as ordens de Athena. Vamos, pararam por quê? – Shina era a própria ira naquele momento.
Rapidamente as aprendizes passaram a treinar novamente, ainda que com as expressões cerradas.
__ Shina, vou para minha casa. Não vou atrapalhar seu treino. Amanhã venho cedo para treinarmos. Até.
Isa virou as costas para amiga, caminhando em direção a trilha para a vila das amazonas. Naquele mesmo instante, um som estrondoso chamou a atenção da lunar. Como reflexo disparou um feixe de luz que partiu em migalhas a rocha jogada pelo golpe de uma aprendiz. Até o momento, a calma Isa teve os olhos transformados em prata e uma expressão furiosa se instalou.
__ Por que não fala mais alto, aprendiz? – Isa virou para uma das meninas.
Todos ficaram espantados com Isa. A distância em que estava, Isa jogou o golpe de luz de antes em direção a aprendiz. Quando a aprendiz se preparou para o impacto, uma barreira invisível segurou o golpe repelindo contra Isa que o absolveu rapidamente.
Os olhos prateados sumiram, e Isa teve uma tontura, se escorando na árvore ao seu lado.
__ Isa!!! – Shina correu para apoiar a amiga.
__ Não foi nada, Shina. Acho que fiquei muito irritada. – Colocou a mão na cabeça apertando a fronte.
__ A senhorita está bem?
Isa se assustou com a voz masculina e ergueu o olhar identificando o local de onde vinha.
__ Foi você que fez a barreira, não é? – Isa se levantou e fitou o cavaleiro.
__ Desculpe, foi necessário. Com aquela potência a aprendiz iria morrer. – Ele falou calmamente.
Os olhos prateados brilharam de novo.
__ Você ouviu o que ela falou. Merecia esse golpe, cavaleiro. – Um sorriso cínico surgiu no rosto de Isa.
__ Ouvi sim, mas ela não merece esse fim.
Isa voltou a caminhar.
__ Está certo, cavaleiro. Até mais Shina. – Isa acenou para a amiga com os olhos castanhos novamente. – Cuidado cavaleiro, quem cria cobra, acaba mordida por ela.
Num instante, Isa não estava mais ali.
__ Sua amiga tem uma personalidade instável, Shina. – Mú olhava para o caminho que a lunar havia feito.
__ Mas ouça o conselho dela. Cuidado com as peçonhas que protege. – Shina virou-se para a aprendiz abusada. – Todas dispensadas, exceto você.
O treino continuou pesado com a aprendiz rebelde. O cavaleiro continuou a pensar nas palavras da guerreira da deusa Selene.
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