Em Busca Do Amor Da Lua
43 Dor Alucinante
Notas iniciais
Dentro da sala do trono do templo, Selene e Artémis se enfrentavam.
__ Então você quebrou minha maldição. Inteligente sua estratégia. Mas não vai servir para nada agora. Pois vou derrota-la de vez. – Artémis empunhou seu arco já com a flecha.
__ Flecha Divina. – Artémis atirou a flecha que foi rebatida pela muralha de proteção de Selene.
A deusa lunar sorriu olhando a face assustada da deusa caçadora.
__ Terá que se esforçar mais Artémis. Sua flecha só atinge quem tem medo de você. E definitivamente esse não é meu caso. – Isa lançou seu golpe Brilho Fatal.
A luz fulgurante envolveu a deusa da caça que perdeu a visão da adversária. Num instante Isa estava às costas de Artémis com seu golpe Luzes Lunares atingindo a deusa da caça que foi arremessada ao chão com violência.
Isa ia sorrir em vitória naquele golpe quando Artémis virou-se rapidamente no chão e movimentou a mão. Uma flecha surgiu das mãos dela que disparou sem arco. Com uma velocidade incrível a flecha voou em direção ao coração de Isa, que só teve tempo de invocar sua proteção, vendo uma pequena ponta da flecha atingir sua armadura.
A flecha se dissipou assim como surgiu. Do nada. Artémis sorriu maldosa e Isa teve certeza que alguma coisa estava para acontecer.
***
Enquanto tudo transcorria entre as deusas, Ariana e Calisto se enfrentavam.
A satélite havia se levantado bem machucada, mas ainda não tinha nada fraturado.
__ A gata virou leoa? – Calisto gargalhou debochada. – Ainda assim você não conseguirá me vencer.
Onde estava Calisto reuniu energia nas mãos e disparou contra Ariana que se preparava para o embate.
__ Choque caçador! – Uma grande descarga elétrica atingiu Ariana.
A lunar tentava conter a energia, mas aos poucos o golpe se sobrepôs a força de Ariana que recebeu parte do choque. Caiu então muito machucada.
__ Agora é seu fim. Rugido da Ursa! – Calisto então golpeou novamente a lunar que foi jogada longe, para o pátio mais baixo do templo.
Calisto olhava sua adversária com um grande sorriso.
__ Agora vamos acabar com a deusa traidora. – A maldade desenhava o rosto de Calisto.
Ela virou-se rapidamente entrando na sala do trono.
***
Artémis só movimentou as mãos e diversas flechas apareceram em volta de Isa. Segundo depois as flechas se direcionavam a deusa lunar
Num primeiro momento Isa conseguiu manter as flechas longe de si com sua barreira, mas a força de Artémis fazia as flechas persistirem até que Isa sentiu a primeira ponta nas costas lhe perfurar raso. A segunda e terceira entraram no abdômen fazendo sangue descer respingando o chão enquanto Isa era acertada pelas outras flechas e caia ajoelhada.
Artémis se levantou rapidamente do chão. Ao se preparar para atacar Isa, viu sua satélite se aproximar por trás da lunar.
__ Que lamentável ver uma deusa tão lutadora morrer assim, de joelhos. – o desdém era perceptível na voz da deusa.
A lunar levantou os olhos, e a expressão obstinada trouxe surpresa a Artémis que acreditava vê-la derrotada.
__ Luzes Lunares. – Isa desferiu o golpe mesmo ferida.
Pega de surpresa, Artémis foi lançada pelo ar. Ao cair, seu rosto escorria o sangue divino.
Calisto ao ver a cena decidiu agir em defesa da deusa da caça atacando Isa pelas costas.
__ Choque Caçador! – A satélite desferiu o golpe que acerta Isa em cheio a levando ao chão.
__ Agora é só finalizar minha deusa. – A satélite fez uma reverência.
Artémis sorriu vitoriosa. Isa estava caída no chão, mas ainda consciente. Muito machucada, ela apenas teve força para derramar algumas lágrimas.
Com a mão arqueada, a deusa caçadora materializou outra flecha e desferiu o golpe final...
***
Aos poucos a lunar se acostumava com a luz do sol. Nila levantou após o que pareceu ser um longo descanso. Seu corpo estava novo, sem arranhões ou machucados.
Nila se apressou a subir as escadarias em meio à colunas caídas. Precisava ajudar sua deusa. Sabia que a batalha não seria fácil.
Ela sentia um aperto grande, parecia que algo triste estava por acontecer.
***
Em algum lugar, Miro tentava encontrar o caminho em meio àquele labirinto de colunas e ruínas. Sentiu alguns cosmos desaparecerem, logo depois o cosmo de Mú se apagou e agora tinha mais dois quase se apagando.
A angústia tomou sua mente e o escorpião se apressou mais ainda que podia.
***
Tudo pareceu congelar. A flecha, a energia que a guiava, a sensação de que era o final. Isa se despediu de todos. Não sabia o que era maior, a dor física ou emocional.
E esperou. E esperou. Esperou. Mas nada aconteceu. E nada. Nada lhe atingiu.
Isa abriu lentamente os olhos. Mú havia entrado na frente e recebido a flecha no coração no lugar de sua amada. Parou. Uma batida no coração de Isa falhou.
Amargo. Muito amargo era o gosto que aquela imagem lhe proporcionava.
Isa se ajoelhou recebendo o corpo de Mú que tombou aos poucos até estar completamente no colo da lunar.
A voz sumiu. A voz falhou. O grito parecia não ter força para ser emitido.
Por fim, o coração bateu. A voz voltou. O grito ecoou.
__ Mu, nãoo! Meu amor, nãoo. – As lágrimas correram pela face de Isa.
Ela abraçou o dourado com cuidado como se pudesse quebra-lo com um pouco mais de força.
Artémis que foi surpreendida pela intromissão do dourado, sorria, mas sem força, sem vontade.
__ Esse é seu destino Selene. Seus amados sempre morrem por causa de você. – Sua voz era melancólica.
Com um olhar ardendo em fúria, Isa fitou a deusa que se assustou com a expressão.
__ Não se confunda, Artémis. A única que tem culpa pela morte do amado é você. Se esqueceu de como Órion morreu. Os deuses sempre tentam esconder seus crimes.
Surpreendida pelas palavras ácidas de Isa, Artémis estremeceu com a menção.
Por trás da Lunar, Calisto se erguia para desferir mais golpe contra Isa. Artémis não reagia. No momento que Calisto ergueu seu punho envolto em cosmo...
Uma rajada passou pelas deusas, acertando em cheio a satélite que caiu próximo ao corpo de Ifigênia. A destreza era obra de Ariana, que ainda se mantinha em posição de ataque, tendo o braço fraturado caído ao lado do corpo.
__ Eu sabia que vocês eram vingativas, mas atacar pelas costas supera qualquer covardia. – Ariana caminhou em direção de Isa.
__ Coloque o dourado deitado, Selene. Precisamos terminar o que começamos. – Ariana se pôs a frente de Isa a protegendo. – Eu cuidarei de Calisto. Não falharei.
Isa se levantou irada. O sangue que descia das flechas estancaram. Com seu cosmo, a deusa fez cada flecha dourada desaparecer. Se surpreendeu, pois não tinha ideia de sua força.
Artémis teve novamente a atenção de Selene que caminhava tomada pela ira.
__ Você vai pagar por tudo. – O golpe Vibração Lunar se formou em torno da deusa. – Sinto muito dor, como os humanos sentem. Vibração Lunar! –
Artémis tentou bloquear o golpe, mas como se fosse uma folha de papel, sua proteção de energia se rasgou deixando o golpe acerta-la.
Artémis estava toda machucada, como se fosse uma simples mortal. Isa caminhava lentamente para desferir o último golpe contra a deusa, e despacha-la para o limbo.
“__ Não!”
Uma voz ecoou na mente de Isa.
Ela ficou perdida sem saber se era ilusão ou verdade.
“ __ Você é melhor que isso. Você é a luz serena que ilumina a noite.”
Estava ficando louca. Ouvia a voz de Feres.
Olhava para Artémis que tentava se levantar com dificuldade.
Se preparou para golpea-la novamente.
“ __ Não! Você não precisa.”
Era mesmo Feres, atualmente chamado de Mú.
Isa olhou para o corpo desfalecido no chão. Com muito pesar entendeu que onde estivesse, o dourado a guiava.
Baixou sua mão e imediatamente uma figura envolvida em luz apareceu a sua frente.
__ Não vai se vingar de Artémis? – a figura sugeriu.
Sorrindo fracamente acenou negativamente com a cabeça.
__ Não! – Lágrimas desceram de seu rosto. – Sabe o que de mais valor recebi dos humanos. – Selene agora falava.
__ Amor?! – A figura respondeu.
__ Não Zeus. Foi o dom de perdoar. Amar só é possível quando se apreende a difícil tarefa de perdoar.
Zeus, o pai dos deuses olha intrigado. A figura a sua frente estava bem abatida e maltratada, mas tinha um belo sorriso e um olhar brilhante.
__ Artémis vá embora. Não quero mais rixa com você. – Selene suspirou tristemente. – A única coisa que ganhamos com essa maldição foram séculos e séculos de sofrimento. Pegue seu tempo divino e vá aprender a amar. Quem sabe Órion não esteja por aí a procura de sua deusa caçadora.
Zeus se aproximou da filha que não esboçou nenhuma reação. Estava estática diante da reação da deusa lunar. Como era possível? Ela havia matado o amado de Selene, e agora a própria a perdoava por todos os sofrimentos.
Zeus segurou a filha que parecia que ia desfalecer e sorriu para Selene.
__ Estás livre de qualquer julgamento e condenação, Selene. Passe seu tempo como quiser.
Selene apenas assentiu. As duas figuras desapareceram envolvidas por uma luz ofuscante.
***
Do outro lado da sala, Ariana assistia tudo abismada com a presença de mais um divino se envolvendo. Mas quando viu Artémis desaparecer, pode entender que a batalha havia sido finalizada.
Olhava Calisto caída já sem vida. Nunca pensou que teria força para derrota-la com um golpe, mas quando a fé surgia, não havia limites para transpassar.
Era uma pena. Uma guerreira forte mas que havia sido cegada por um ideal tão fútil.
***
Selene desapareceu, deixando só Isa naquele cenário. As duas eram uma só, mas agora a consciência de Selene que se manter longe da realidade.
Isa sentou-se no chão e acomodou o corpo do amado sobre seu colo. Com muito amor se concentrou retirando a flecha e estancando o sangue. Mas ela sabia que era tarde. O coração havia parado. Seu dourado fizera tudo por ela.
Em meio às lágrimas, Isa viu Miro se aproximar com Valentim no colo.
O dourado não estava menos assustado. Mas sabia que era o preço pago pelas batalhas que enfrentavam.
__ Isa, eu sinto muito, mas Valentim precisa de você. – Miro entregou o bebê à mãe, que não se conteve e soluçava triste. – Deixa que levo o Mú.
Ariana apoiou Isa e começaram a descer calados, num silêncio torturante. Valentim estava quieto, mas não chorava mesmo vendo a mãe tão triste.
***
Mais a frente encontraram todas as lunares, inclusive Nila que havia encontrado às amigas paralisadas. Sem muito entender, viu de repente as três serem libertas de sua prisão invisível, e as mesmas estavam contando o que haviam presenciado.
__ Foi obra de Calisto. Ela deve ter paralisado e transportado vocês para cá. Assim ficamos em menor número. – Ariana falava devagar por causa da dor no braço.
As lunares conversavam mais atrás, enquanto apenas Lucy amparava Isa.
__ Posso restaurar seu braço, Ariana. – Nila tentou animar a amiga.
__ Eu queria que pudesse trazer ele. – Ariana fitou o dourado desfalecido nos braços do escorpião.
Nila olhou triste. Tentaria. Mas se estivesse morto, nada poderia fazer.
Em silêncio, convocou seu cosmo e sussurrou emanando a energia.
__ Restauração eclíptica. – As lunares sentiram de imediato a intensa energia de Nila.
Isa e Miro viraram para as lunares. Sentiam a energia emanando em direção de Mú.
Fitando o carneiro, Isa aguardava ansiosa que algo acontecesse. Já quase exaurida, Nila suspendeu o golpe restaurador. Quase foi ao chão, mas foi amparada pelas amigas.
__ Você tentou Nila. Só posso te agradecer. – Ariana sorriu fracamente.
O restante do caminho foi feito lento e silenciosamente. Como se uma mortalha tivesse sido jogada sobre todos.
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