Em Busca Do Amor Da Lua

36 Amizade Para Todas As Horas


Notas iniciais
Olá pessoal! Não poderia deixar de agradecer a todos leitores comentaristas. Suas palavras me motivam a continuar. :-*

Cerca de uma semana havia passado desde o dia que havia recebido a visita de Shaka. As colegas lunares carregavam um sorriso travesso e sussurros eram ouvidos durante os treinos, apesar da seriedade dos combates.

Ariana também não andava com seus pensamentos muito certos, pelo menos era o que pensava. Sempre pensava nas palavras do virginiano. Aquilo a incomodava de fato. Num momento de descuido, levou um golpe de seu oponente, o leonino.

__ Ariana! – Aioria correu para o lugar onde a lunar caiu. – Você está bem?

A guerreira apenas balançou a cabeça afirmativamente e levantou-se batendo a poeira de sua roupa. Ela não estava concentrada, por isso havia sido presa fácil.

__ Quer continuar o treino? – Aioria perguntou preocupado. – Parece que anda literalmente no mundo da lua. – o gracejo foi só entre eles.

__ Ás vezes o passado devia ficar no seu devido lugar. Mas eu o revivo todos os dias. – Aioria fitou a lunar que tinha o olhar perdido em direção às casas zodiacais. – São coisas pessoais. Aioria, se não se importar, vou resolver um problema.

A lunar sorriu para o dourado que assentiu silenciosamente com a cabeça. Logo a lunar estava se afastando da arena.

“__Tem muita coisa estranha acontecendo no santuário. – Pensou Aioria.”

***

Enquanto isso em Áries...

Isa estava com um Valentim irritado e chorando muito. Havia acordado depois de deitar para uma soneca matutina.

__ Mú, eu não sei mais o que fazer. Talvez no seu colo ele se aquiete. – Valentim foi para o colo do pai ainda aos berros enquanto era embalado por uma cantiga.

Aos poucos o bebê foi se acalmando, acalmando, e seu cosmo se equilibrando. Mú tentou entender o que deixou o bebê irritado, mas havia sempre um bloqueio na mente do pequeno. Os deuses tinham essas características, o que só reforçava a ideia de Valentim ser um novo deus.

Nem ao menos Isa conseguia fazer o mesmo. Mas o inexplicável aconteceu quando Mú segurou o bebê perto do rosto, esse encostou a cabecinha no pai, e logo imagens vinham em correntezas para a mente de Mú.

Mú se manteve quieto enquanto as imagens fluíam. Parecia um sonho. Um sonho tranquilo inicialmente, e que se tornou conturbado. Era um sonho ou premonição?

Quando as cenas cessaram, Mú tentou agir naturalmente perto de Isa, mas estava muito atordoado com as imagens. Então seria esse o desfecho da luta com Ártemis?

***

Ariana já estava passando pela casa de Leão. Como Aioria havia ficado pela arena, a lunar passou sem mais interrupções. Ao começar a subir as escadas de virgem, a guerreira se anunciou usando seu cosmo. Era lógico que Shaka já sabia da sua presença, mas Ariana sempre tentava evitar qualquer embate desnecessário.

Ao alcançar os últimos degraus para a casa de virgem, Ariana viu o defensor de prontidão, mesmo estando com os olhos fechados. Não usava sua armadura, trajava apenas uma túnica branca com uma calça larga do mesmo tecido.

__ Onde está sua armadura, cavaleiro? – Ariana usou um tom sarcástico.

__ Não preciso receber amigos com tal proteção. – Sua expressão relaxou um pouco. – Será que decidiu aceitar minha ajuda?

__ Está tão aparente assim? – Ariana sorriu de lado.

__ Se os sentimentos que sinto sempre que estou meditando vierem de você, acredito que esteja a um passo da loucura, lunar. – Virou-se e começou a caminhar para o interior da casa. – Eu no seu lugar já teria aceitado ajuda muito antes.

Ariana balançou a cabeça rindo travessamente como se risse de uma piada pessoal. Seguiu silenciosamente o guardião da casa até a sala onde o mesmo meditava. Shaka sentou-se em posição de lótus seguido pela lunar que olhava tudo com descrença.

__ Então por onde começamos? – Ariana já estava impaciente com o silêncio.

__ Começamos com você ficando em silêncio...

***

As demais lunares conversavam distantes dos dourados que agora lutavam entre si.

__ E essa cara de malícia que vocês estão? Se olhar arrancasse pedaço, os dourados estavam todos aleijados. – Nila ria debochadamente das amigas.

A lunar que representava a energia do eclipse lunar era alta, com musculatura resistente. Seus cabelos platinados e encaracolados eram aparados na altura do antebraço, sua a tez morena clara dava um ar de exótico a sua aparência.

__ Por mim não teria problema, contanto que ele continuasse safado na cama. Ai, por Selene, esse homem é uma delícia... – Lucy sorria e fitava o dourado de capricórnio enquanto mordia o lábio inferior.

Dona de uma beleza espetacular, Lucy era mediana, com corpo delicado e definido, sua tez morena lembrava a cor do café com leite. Seus cabelos negros e cacheados tinha comprimento abaixo do ombro. Seus olhos dourados como o mel lhe conferiam uma aparência doce, quase de uma fada.

__ Espera. Lucy falando com toda essa malícia. Por favor, me acordem, devo está no mundo dos sonhos ou pesadelos, sei lá onde. Onde está menina tímida que me fazia passar raiva no templo de Selene por não ter coragem de conversar com os pretendentes? – Nila gargalhava descontrolada. – Posso dizer que já presenciei um milagre. – Nila deu uma cutucada e fitou Lucy. – Hein, mas fala aí Lucy, o dourado tem uma excalibur comprida?

As outras lunares coraram um pouco, mas, esperaram pela resposta.

__ Aquela espada é divina, deve ser um presente dos deuses. – Lucy falava quase como lembrando. – Agora já que eu contei, e vocês, podem começar a contar. – Lucy estreitou os olhos para Nila. – E aí Nila, o touro faz jus ao seu título? É touro mesmo ou pode mandar para o abate?

Jô e Ana olhavam as outras duas se segurando para não rir. De fato, Lucy estava muito mais relaxada e feliz, diga-se de passagem.

__ Esse dourado é perfeito. Perdoe-me, mas o meu touro é um cavalheiro na hora certa, e um amante experiente na cama. Ui, abana que estou com calor. – Nila se abanava com as mãos e ria.

__ Acho que esses dois vão acabar se casando. – Ana sussurrou.

__ Meu sonho, Aninha. – Nila deu uma piscadela para a lunar. – E vocês duas estão quietinhas, podem começar a compartilhar experiências.

As meninas se entreolharam. Quase como se conversassem pelo olhar. Ficaram naquele bate e rebate silencioso, até que Nila o interrompeu.

__ Vai Ana, começa para a Jô tomar coragem, você sabe, ela é a mais inocente de nós. – Nila deu uma piscadela para a Ana.

Observando Jô com atenção, era possível ver seus olhos amendoados, que distante pareciam apenas castanhos. Seus cabelos lisos e castanhos claríssimos caiam como cascata pelas costas da menor das lunares. Seu corpo de aparência delicada escondia uma guerreira hábil. Era a mais tímida delas.

__ Minha amiga do coração está muito envergonhada mesmo, mas é bom conversar conosco, Jô. – Ana sorriu sendo correspondida pela amiga. – O que posso dizer, o italiano tem sangue quente, selvagem na cama, mas super atencioso. Acho que ele mantém essa fama de ruim para os colegas. Mas sabe não é. Aqui é só amizade colorida. – Ana sorriu travessa. – Agora nossa Jôzinha está aprendendo tudo.

As três fitaram a menor delas. A menina era a mais inexperiente e jovem das quatro. Mas num momento de terrível carência pediu o improvável para Afrodite. Sim, o cavaleiro que era temido pela maldade e egoísmo, mas que cumpriu o pedido feito pela delicada lunar. De fato, os dois tinham muito em comum. Eram julgados pela aparência, mas se mostravam fortes surpreendendo seus inimigos.

__ Nós conversamos tanto, e nunca alguém entendeu tanto meus medos. – Seu olhar tímido estava sobre suas mãos. – Eu fiquei tão alegre aquele dia, que fui falando, falando, e ele me escutava com tanta atenção. Ele me levou para casa de peixes, mas não rolou nada. – Jô fitou a amiga Ana. – Vocês sabem que eu nunca... sabem... eu nunca fui para cama com um homem...

Ana se aproximou e passou o braço por cima dos ombros de Jô. Ela sabia dos medos e obstáculos que essa lunar passava para superar sua própria vergonha.

As duas eram amigas antes mesmo de serem guerreiras da deusa Selene. E Jô havia se apegado demais a Ana, que apesar de ser mediana, era brava como um leopardo, e enfrentava homens maiores que ela. Seu corpo cheio de curvas era coberto por uma pele dourada pelo sol. Seus cabelos ondulados negros atingiam o meio de suas costas, e seus olhos verdes cristalinos davam um ar exuberante.

__ Mas o Afrodite te tratou bem? – Nila olhou compassiva para a amiga.

__ Ele foi um fofo, não ficou insistindo. Teve paciência para me mostrar algumas coisas bemmmmm quentes. Aqueles lábios são divinos. – Jô corava enquanto contava as amigas.

Nila e Lucy se juntaram as amigas num abraço, para impulsionar Jô a superar seus limites pessoais.

***

Enquanto isso...

Ariana estava finalmente conseguindo meditar, depois de tanto Shaka chama-la de volta ao exercício. Ela era muito ansiosa e isso atrapalhava para se concentrar.

__ Ariana! – Shaka falava dentro da mente da lunar. – Não se assuste. Você irá me ajudar a encontrar o foco de todo esse sentimento ruim que emana de seu cosmo.

Aos poucos, bem receosa, Ariana se deixou levar por suas memórias, seus sentimentos e dores. Suas conquistas e perdas. Um imenso universo embaralhado para a lunar. Sua mente era guiada apenas pela voz do dourado de virgem.

Notas finais
Gostaram de conhecer melhor nossas lunares? Comentem comigo! ;-) :-* SA