Em Busca Do Amor Da Lua

29 A Maldição é Quebrada!


Notas iniciais
Bom gente! Um capítulo emocionante em todas as suas formas. Agradeço de montão os meus leitores Marin, Nyx, Bi 167gamer e Luna del Rey. Vamos ao capítulo?? :-)

Shina acabava de percorrer a trilha para a vila das amazonas quando viu Isa saindo de sua casa. Num impulso, correu chamando pela amiga, que se assustou. Mas Shina se assustou mais quando viu Mú saindo atrás da lunar carregando algumas caixas.

__ Oi Isa. – A amazona abraçou a amiga. – Pensei que tivesse vindo ficar aqui. Oi Mú! Parece que vocês se resolveram né?

Isa olhou para o Mú que mantinha um sorriso travesso no rosto.

__ Não amiga. Ele está só me ajudando, por que o escorpião sumiu e não encontrei ninguém que pudesse me acompanhar. – Isa suspirou resignada.

__ Poxa, pensei que estava tudo resolvido. – Shina falou triste. – Mas você tinha que ter pisado na bola tão feio assim, carneiro? – Ela deu um tapinha no braço do dourado.

__ Eu sei que mereço, mas já estou pagando por isso. – O ariano respirou fundo.

Isa estava impassível. Mas no seu interior uma luta era travada. Não adiantava. Ela sempre cederia seu controle para o dourado. Parecia que fazia até feliz. Seu orgulho controlava sua razão e seu desejo controlava o amor. E é claro que algum dos lados venceria. Ela não sabia qual e quando.

__ Shina, nós vemos depois. Preciso ir descansar. Esses últimos dias tem sido mais difíceis do que antes. – Isa falava cansada.

__ Eu imagino por quê! – Shina murmurou e olhou para o ariano que carregava aquele ar de satisfação que Miro havia falado. – Cuide bem dela, dourado! – Shina gritou.

__ Pode deixar Shina! – Mú respondeu já se distanciando.

__ Preciso ir visitar a Isa! Temos que conversar. – Shina murmurou para si.

O casal caminhava em silêncio até entrada de Áries. Isa acreditava que dali em diante iria sozinha. Mas não contava com a teimosia do dourado.

__ Você não pode ficar andando sozinha e carregando peso. Já está completando nove meses e quer ser como uma adolescente. Pode me punir da forma que quiser, mas não fique arriscando a sua vida e nem a do nosso bebê.

Mesmo contrariada, Isa consentiu. Subiram às casas se teleportando de uma casa a outra até que estivessem no templo de Athena.

__ Obrigada cavaleiro. __ Isa ia se virando, quando não resistiu. – Sabe, eu odeio admitir: mas somos melhores quando estamos juntos. – E virou-se para entrar no templo.

Mú sorriu feliz por seus planos caminharem bem e pela confirmação daquilo que também pensava.

__ Boa noite minha deusa! – Mú se despediu.

Ele nunca tinha percebido como havia uma parte de sua personalidade que era teimosa, insistente e sedutora. Agora que havia conhecido cada um dos seus talentos, conquistaria todos os dias à mulher que havia dado novo motivo de vida.

***

Havia passado duas semanas desde o último encontro com Mú, e Isa se limitou a ficar próximo do templo de Athena. Ainda não conseguia pensar em confiar e voltar para o dourado. Estava com exatas trinta e oito semanas e finalizando aquela gestação. O bebê era grande e já estava na posição para o parto conforme o médico do santuário havia dito.

Mas naquele dia, Isa não conseguiu ficar parada. Era incomodo ficar deitada. Sentada parecia faltar lhe ar. Em pé era a melhor posição naquele dia. E foi nessa montanha-russa de incômodos que decidiu ir até os jardins próximos da vila das amazonas.

Por sorte, Isa não encontrou Mú em sua casa. Aquilo foi de grande alívio para seu orgulho que não queria ceder à sedução do ariano.

O jardim estava repleto de flores que eram de plantas perenes. Isa abaixou-se para colher alguns galhos de lavanda e camomila. Era de uma fragrância agradável para colocar em seu quarto. Quebrou o primeiro galho. Abaixou-se para pegar outro galho e o arrepio veio forte.

***

Próximo da arena, Mú estava presente numa das avaliações dos aprendizes. Ele era um dos avaliadores junto com outros dourados e prateados, como Shina. Vendo as aspirantes a amazonas se enfrentando, Mú lembrou-se do incidente em que conheceu de fato Isa. Sentia muita falta dela, mas nos últimos dias não havia visto nem sua sombra, que dirá da dona dos seus pensamentos. O que ela deveria estar fazendo agora?

__ Não é mesmo, Mú? – Shina chamou o ariano.

__ É... é sim. – Mú pensou um pouco. – É o que?

__ Está no mundo da lua, Mú? – Miro gracejou do amigo ao seu lado.

__ Ele está sonhando com a deusa da lua, Mir. – Shina gargalhou.

Mú ficou mudo vendo os dois rindo dele. Ele vivia mesmo, no mundo da lua com sua deusa da lua.

__ Desculpe-me, vocês poderiam repetir. – Mú falou se entregando.

***

Que sensação era aquela. Aquele cosmo era envolvido por uma áurea agressiva, mas conhecida. A lunar se levantou devagar. Quem quer que fosse, era inimigo, e provavelmente a mando de Ártemis.

__ O que procura aqui? – Isa se virou e reconheceu à invasora.

__ Ah quanto tempo, Isa. Fico feliz que tenha me reconhecido.

__ Não esqueço facilmente o rosto de uma víbora como você. E pelo jeito andam se associando. Mande lembranças à invejosa Ártemis. – Isa sorriu travessa.

__ Pode deixar. E mande um olá a Hades... – A guerreira atacou a lunar com um golpe certeiro atingindo de raspão no ombro de Isa.

__ Redoma de Vidrooo. – Isa gritou e uma energia a envolveu.

A guerreira passou a atacar com violência a lunar, que sentiu suas defesas começarem a ceder. O ombro doía, mas não era nada para ela se entregar. Um golpe mais, e a redoma ruiu. Isa atacou com seu golpe luzes lunares, acertando a perna da adversária que lançou outro golpe antes de cair, pegando Isa de surpresa. A lunar teve uma das coxas cortada. O impacto do golpe a jogou contra as flores dando um baque forte.

Vendo que no estado atual não tinha como se defender e não arriscar o bebê, Isa se isolou dentro da redoma de vidro novamente. E tentou enviar um pedido de ajuda através do cosmo.

__ Pedindo ajuda, Selene? Não está aguentando o baque? Vamos, lute! – a inimiga jogou outro golpe.

__ Ártemis sempre encontra pessoas invejosas como ela. Que foi? Foi muito para seu orgulho me ver sem máscara? Ou foi ver que os dourados me davam atenção que você não tinha? – Isa tentava distrair a inimiga.

__ É mesmo. Será que não se lembra de que seu ‘amorzinho’ me defendeu do seu golpe? – A inimiga gargalhou.

__ Pois ele errou feio. Deveria ter me deixado de aniquilar. Mas ele é assim. Bondoso demais para quem não merece. – Isa desdenhou.

A guerreira inimiga lançou outro golpe contra a redoma de vidro que estava ruindo, quando bateu em algo e retornou com toda força a sua origem.

__ Ainda bem que chegou... Mú! – Isa cedeu caindo ao chão.

__ Isa! Aguente! – Mú a segurou.

__ Ei dourado, você não vai atrapalhar minha batalha. Sai daqui! – A inimiga gritou.

__ A sua batalha é comigo. Você teve uma chance aprendiz, e não a usou. – Mú gritou irado.

__ Eu não sou uma aprendiz. Sou uma satélite de Ártemis. – Gritou a inimiga histérica. – Sou Elis, caçadora a serviço de Ártemis.

– Uma traidora! Então recebo seu prêmio. Extinção Estelar!!! – Mú havia perdido sua calma costumeira.

O golpe acertou em cheio a inimiga que tentou fugir, mas estava presa na rede de cristal! Elis caiu já sem vida no chão.

O dourado correu para socorrer sua amada lunar, que estava no chão entre dores. Seu ombro e pernas machucados estavam sangrando. Precisava urgente de estancar o sangue. Rasgou parte de sua capa e pressionou sobre o machucado. No ombro, Mú tentou enfaixa-lo com tiras da capa. Envolveu a lunar no restante da capa e passou a subir as escadarias das doze casa o mais rápido que podia.

Entre os movimentos de suas passadas, Mú viu a lunar abrir os olhos, ainda desnorteada.

__ Minha deusa, foi minha culpa. – Ele a abraçou forte sem parar de correr

__ Não meu amor! Você é o meu herói. Não se culpe, jamais. – Isa fechou os olhos novamente.

A cada momento ela fechava a mão firme no braço dele. Parecia sentir muita dor.

Pelo cosmo, Mú avisou do ocorrido para Athena que havia chamado o médico e preparado o quarto para Isa. Aquele seria sem dúvida um momento difícil para lunar.

Quando passou pelo templo do grande mestre, sentiu-se aliviado por sentir a presença de Athena. A mesma o encontrou indicando o local para descansar o corpo da lunar, onde várias servas a esperavam para fazer os curativos.

E a porta do quarto se fechou para Mú, que ficou angustiado esperando qualquer notícia que lhe desse alento.

Athena acompanhava o médico que verificava cada sinal de Isa. Mas o que ocorreu depois foi o mais grave. Isa havia perdido grande parte do líquido amniótico e estava em trabalho de parto. Já apresentava seis centímetros de dilatação e com contrações vindo a cada cinco minutos. Logo o bebê nasceria tudo que poderiam fazer era providenciar a assistência necessária para que tudo ocorresse tranquilo.

__ Mú! – Athena chamou próximo a janela do corredor. – O bebê irá nascer em breve. Isa já está em trabalho de parto.

__ Eu quero estar com ela... – Mú fez movimento para sair sendo segurado por Athena. – Sinto muito, mas você não poderá fazer isso. Ártemis fará de tudo para se apossar de você.

__ Athena, Isa utilizou a técnica de proteção mental para impedir Ártemis.

__ Ela te disse que a técnica poderia falhar? – Athena estava séria.

Mú então se lembrou das palavras de Isa. A técnica não era cem por cento eficaz, mas ajudaria por um tempo.

__ Ela me disse algo sobre isso, mas não me explicou. – Mú estava transtornado com a situação.

__ A técnica que ela aplicou usa as ondas do seu próprio cosmo. Mas agora, Isa estará passando por um dos momentos mais delicados. Apesar de deusa, seu corpo é mortal. E o parto exigirá toda energia. Ou seja, você estará suscetível aos ataques de Ártemis.

Mú ficou pálido com a possibilidade que o rondava. Mesmo tendo um grande domínio mental, poderia perder o controle para Ártemis.

__ Estarei com Isa no quarto e protegerei o local com meu cosmo. Mas preciso que fique fora do quarto. Essa vai ser uma prova muito grande para vocês. – Athena segurou firme a mão do dourado.

__ Certo! Cuide dela por mim. – Mú falou baixo. – E diga a ela que a amo! – Mú suplicou.

__ Pode deixar comigo! – Athena sorriu. – Miro, Aioria e Shura estão aqui. – Athena apontou para o corredor onde os dourados estavam esperando.

Os companheiros de batalha se reuniram com o ariano. Eles seriam uma forma de contenção caso Mú ficasse descontrolado por causa de Ártemis.

Athena voltou ao quarto e trancou-o. A barreira de cosmo foi criada envolvendo o cômodo. Os dourados se aproximaram, cumprimentando Mú num gesto de apoio.

Algum tempo depois, os primeiros gritos de Isa foram ouvidos. O parto havia começado. Athena se mantinha ao lado da lunar a ajudando nos momentos das contrações e a incentivando a não desistir, pois todos estavam torcendo por ela.

Shina havia acabado de chegar ao templo, e se aproximou de Mú, abraçando-o em lágrimas. Todos estavam angustiados com os gritos que Isa dava com pequenas pausas. Quando todos haviam se esquecido da ameaça da deusa da caça, o ariano corre contra a porta do quarto, quase a derrubando. Os dourados assustados se posicionam contra Mú. Seus olhos haviam mudado do verde esmeralda para o vermelho vivo. Sua expressão era de pura fúria. Mesmo sendo um, ele se debatia contra os três amigos, forçando-os a não diminuírem a força contra seu corpo.

Em quase dez minutos de luta com o ariano jogado no chão, Miro decidir fazer a única coisa que poderia que era aplicar o golpe restrição. A repetição desse golpe num mesmo momento poderia causar sequelas no sistema nervoso. Mas ele esperava que Mú fosse forte o suficiente para resistir a isso.

O primeiro golpe Restrição foi atirado. Mú ficou paralisado por cinco minutos, e logo estava se libertando do poder do golpe. Mas uma vez, o golpe restrição e aplicado. O ariano passa a gritar incoerências.

__ Eu vou mata-la, Selene. Você não escapará a maldição. Sua prostituta de mortais. Você não irá afrontar os deuses. – O ariano lutava contra o golpe de Miro.

Enquanto no quarto, Isa se esforçava entre uma contração e outra, trazer seu bebê a vida. Seu suor corria pelas têmporas a fazendo enfraquecer. Entre as contrações descansava rapidamente para começar novamente. Uma vez, mais uma e na última o bebê veio ao mundo. Seu choro foi tão forte, que foi ouvido até pelos dourados. Mú que ainda era controlado por Ártemis, conseguiu se libertar. Lágrimas correram por seu rosto ao ouvir o bebê.

Alguns minutos depois, Athena saiu do quarto extremamente feliz. E avisou de que havia sido um sucesso, e que Isa estava bem e já se recuperava do parto.

__ Já iremos te chamar Mú! Deve estar ansioso por conhecer seu herdeiro. – Athena sorriu.

Logo os amigos o estavam felicitando pela bênção que havia recebido. Shina chorava sob a máscara e gargalhava ao mesmo tempo.

Algum tempo depois, o médico saiu felicitando o ariano e dizendo que tudo estava bem. Tudo estava bem. Era isso o que mais ele queria naquele momento. Era saber que tudo estava finalmente bem!

Athena, acompanhada das servas chamo por Mú que rapidamente entra no quarto, sendo deixado a sós com a lunar.

A cena que assistiu era a mais doce que havia presenciado. Isa segurava o bebê rosado enrolado em mantas que sugava com toda a força o seio da mãe. A mão de Isa descia pela bochechinha do bebê indo até o bracinho e por fim segurou a mão do pequeno, que num ato reflexo fechou os dedinhos em volta dos da mãe.

Então pensou consigo: seu bebê não era a prova da afronta aos deuses, e sim, era a prova de um amor maior que os deuses.

Ao ouvir a porta ser fechada, Isa fitou o dourado que ali estava parado. Mú sorriu como uma criança que acaba de ganhar seu maior presente. A lunar correspondeu ao sorriso.

__ Como você está meu amor? – Mú deu um beijo terno nos lábios da amada.

__ Feliz! Muito feliz! Estamos livres da maldição! Meus poderes estão voltando finalmente. Olha o meu ferimento. – Ela puxou o curativo do ferimento no ombro. Havia somente escoriações.

__ Então a maldição de Ártemis foi quebrada? – Mú falava encantado com o bebê.

__ Sim! A prova de que nosso amor é maior que a vontade dos deuses está aqui no meu colo, sugando gulosamente. – Isa acariciou o narizinho do bebê. – Agora estamos fazendo exatamente o que eles nunca aceitaram. Com uma diferença. Meus poderes estão de voltar. E temos um motivo a mais para lutar pela terra. Certo?

__ Com certeza, minha deusa. Ainda mais! – Mú acariciava a mão da lunar.

__ Quer pega-lo? Ele está dormindo.

Mú sorriu segurando o pequeno no colo que dormia tranquilo alheio a tudo ao seu redor. Encostando o rosto no bebê, o ariano sentiu a respiração frágil. Todas as sensações presentes fizeram o dourado sentir um sentimento maior aquecer seu coração. Um sentimento que lhe dizia para lutar até as últimas forças para defender aquelas duas vidas a sua frente. O amor era de fato algo realmente difícil de explicar e maravilhoso de sentir.

__ E nome será o que escolhemos aquele dia, Mú? – Isa o fitava feliz.

__ Sim! Valentim! Nosso bebê valente e cheio de saúde!!! – Mú deu um pequeno beijo no narizinho do bebê.

__ Puxou ao pai! – Isa falou pegando no sono.

__ À mãe também! – Mú deu um beijinho nos lábios da lunar que havia cochilado.

Mú colocou o bebê no berço para ajeitar a lunar na cama. Ele a acomodou e cobriu-a para que descansasse do grande esforço. Depois pegou o bebê no colo e o levou para conhecer os amigos que esperavam do lado de fora.

Notas finais
E o que acharam do capítulo? Espero comentários! Bjus SA :-)