Em Busca Do Amor Da Lua
15 A Dor da Separação!
Notas iniciais
Na manhã seguinte, Mú e Isa subiram as escadarias até o templo de Athena ansiosos com o desfecho da conversa. Estavam calados, embora tivessem o vislumbre da aprovação da deusa já declarada a lunar.
__ Athena! – Ambos reverenciaram a deusa.
__ Fiquem a vontade. Vamos ao meu escritório. Sei que é assunto particular.
Os dois guerreiros apenas assentiram e seguiram Athena até a sala delicadamente decorada repleta de livros e símbolos da deusa. Athena sentou-se numa poltrona convidando o casal que se acomodou imediatamente. Mú tomou discretamente a mão da lunar e apertou. A lunar fitou o rosto do cavaleiro que estava sereno.
__ Senhorita Saori, viemos informa-la de algo, antes que qualquer boato apareça. E pedimos também sua bênção. – Mú fitou a lunar. – Nós nos apaixonamos e estamos namorando. Sei de todas nossas responsabilidades como guerreiros, mas assumimos os riscos por tudo. Queremos que nos dê sua bênção.
Saori deu seu sorriso mais doce, e sua expressão parecia denunciava seu conhecimento sobre o fato.
__ Fico feliz que tenham vindo me informar. Demonstraram grande reverência comigo. De certa forma eu já sabia do fato. E com muita alegria dou minha bênção. – Saori caminhou até o casal e tomou a mão dos dois unindo-as. – O que mais desejo para vocês, cavaleiros de ouro é justamente a felicidade. E Isa é com certeza portadora de tal. Ainda somos humanos, mesmo que com poderes e missões tão difíceis.
Isa e Mú estavam paralisados com o consentimento tão rapidamente concedido. Alguns minutos depois um sorriso surgiu no rosto da deusa.
__ Talvez juntos, vocês terão mais chance de enfrentar qualquer obstáculo presente no caminho. Certo Isa?
A lunar assentiu acenando com a cabeça.
__ Vocês devem assumir oficialmente o relacionamento. Quem sabe alguém mais tome coragem. Quero tanto ver os cavaleiros felizes.
Mú fitou a deusa intrigado.
__ Não se assuste Mú. Quem defende a vida e o amor tem que entender o que significa de fato. – Saori explicava com todo o carinho sua intenção.
__ Entendo!
O casal se despediu da deusa envoltos em felicidade. Já não era mais o silêncio que os acompanhava e sim os risos exuberantes que exibiam.
Como queriam muito anunciar a notícia, se encaminharam direto a arena onde alguns amigos estavam.
__ Nós já sabíamos. Mas agora é abençoada pelo deusa. Quem diria que Athena seria tão moderninha assim? – Milo falava debochadamente.
__ Não acho modernidade nenhuma. A felicidade e o amor são participantes da vida. E como defensora, a deusa deve ter entendido isso. – Shina falou enquanto refletia sobre a notícia dos amigos.
__ Pois é. Agora ninguém precisa ficar jogando indireta para nós. – Isa falava fitando Milo. – E detalhe, a deusa espera que vocês tomem como exemplo e se arrumem na vida. Nada de farra viu. – Gargalhou da expressão de Milo.
__ Você tem uma irmã ou prima para mim? Porque aqui está difícil de encontrar. – Milo entrou no ritmo da lunar, gargalhando da indireta.
__ Ah Milo, não tenho. Mas às vezes nosso amor pode estar do nosso lado e não percebemos. – Isa apontou para as duas pessoas do lado de Milo, Shina e Shura.
Milo deu uma olhada sem graça e corou.
__ Definitivamente não!
Todos entraram no clima rindo dos três envolvidos.
Havia um mês que a paz e a felicidade reinavam no santuário. Ártemis não havia mais se revelado e o casal 20 do santuário parecia viver nas nuvens de tanta paixão e amor que sentiam.
Naquele dia ensolarado, alguns dourados e a guerreiras treinavam na arena. Naquele exato momento estavam fazendo um intervalo, conversando sobre amenidades. Pouco depois foram surpreendidos pela chegada de um cavaleiro que carregava um comunicado do Grande Mestre para Mú e Milo. Era uma reunião na manhã seguinte. Mú pressentiu que seria algo sério demais. Afinal, calmaria era presságio de tempestade.
Ao mostrar a mensagem para Isa, Mú percebeu que os olhos da lunar haviam perdido o foco. Ela não respondeu por alguns instantes, voltando em seguinte sem entender a expressão de terror de Mú.
__ Tive uma visão, uma lembrança. – Isa falou séria.
__ Você não está desmaiando mais? – Mú perguntava intrigado.
__ Não! Tem algum tempo que tenho conseguido me manter consciente.
__ O que foi que viu dessa vez? – Shina perguntou à amiga.
__ A mulher prateada que descobri ser Selene discutia com Ártemis falando que ninguém tinha o direito de decidir nada por ela. E Ártemis falava que jamais Selene humilharia os deuses se apaixonando por humanos, e vivendo como e com eles. E Ártemis falou que atingiria aquilo que Selene mais amava: o homem dourado.
__ Você consegue entender por que essas visões tão ocorrendo? – Shura se pronunciava depois do silêncio que se fez.
__ Shaka falou que eram memórias minhas. Eu não entendo como são minhas. Será que presenciei esses fatos num outro momento da vida? – Isa falava mais para si.
__ Quem era o homem? – Mú perguntou dessa vez.
__ Não consegui descobrir. – Isa murmurou tensa.
__ O que será que Athena tem para nos falar? – Milo segurou o comunicado.
__ Espero que não seja nada grave. – Mú pela primeira vez desejava apenas a companhia da amada e nada mais.
O grupo prosseguiu treinando e auxiliando os aprendizes. Mú e Isa se enfrentavam apontando um ao outro os pontos fracos dos golpes. Ao final do treino, todos se dirigiram a casa de Isa para um almoço entre amigo.
Durante a tarde, o casal que havia ficado às sós, aproveitou para curtirem os carinhos um do outro. Mú tinha quase certeza que Athena daria alguma missão, pois sabia que a guerra contra os deuses se iniciaria logo.
Na manhã seguinte, como já suspeitavam, os dois dourados receberam uma missão totalmente torturante para Mú nesse momento. Ele deveria voltar a Jamiel e reconstruir dezenas de armaduras que haviam sido destroçadas na guerra contra Hades. Armaduras essas que seriam premiadas aos aprendizes. Havia urgência em recompor o exército de Athena. Além desse trabalho exaustivo, havia informações que a região estava sofrendo ataques das guerreiras de Ártemis, os satélites.
Por essa razão Milo iria acompanhar Mú para ajudar na defesa da sua terra natal. A única informação que eles não tinham era quanto tempo isso demoraria. Kiki estava em Jamiel em companhia de alguns cavaleiros de bronze protegendo os destroços das armaduras. Mesmo com a ajuda, poderia demorar muito para o trabalho ser concluído. Mú apenas assentiu concordando com a missão. Era de sua natureza acatar as ordens da deusa. E antes mesmo de pensar em sua amada, deveria pensar no seu dever como cavaleiro.
Como era uma missão urgente, Mú apenas teve tempo de se despedir da lunar e recomendar a Aldebaran que protegesse a primeira casa. E ainda recomendou aos amigos que protegessem também Isa e que o mantivessem informado caso algo acontecesse. Temia sempre pelo bem estar da guerreira, pois poderia vir a desmaiar novamente por causa das lembranças que via.
Com um beijo cheio de paixão e desejo, o casal se despediu temerosos por nunca mais se encontrarem. A vida de guerreiro sempre foi assim. O amanhã talvez nunca existisse.
Nesse clima difícil de despedida, os dois dourados partiram, deixando a vida em suspense para aquele que ficaram.
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