Em Busca Das Estrelas
1 Snow Flower (One-shot)
Notas iniciais
- Carolis.
Era inverno quando tudo aconteceu. A neve caía solenemente quando Wendy saiu porta afora para brincar no bosque perto de sua modesta casa.
— Wendy! – gritou sua mãe. – Não se afaste muito, entendeu?
A pequena virou na direção da mãe e, com um sorriso no rosto, gritou em resposta:
— Pode deixar, mamãe! Tomarei cuidado! – e começou a aventurar-se no bosque.
Mas a criança de seis anos deveria ter escutado sua mãe. Quem sabe, isso talvez evitasse o que aconteceria a seguir...
***
— Mamãe! Papai! Onde vocês estão?! – Wendy gritava por socorro em meio a uma nevasca horas depois de o Sol já ter se posto. Ela havia se perdido e precisava encontrar ajuda.
Suas mãos e seu rosto já haviam perdido toda e qualquer sensibilidade devido ao frio. A pequena mal podia andar e o vento cortava-lhe com a sua enorme força e velocidade. Apesar de ter se perdido, Wendy sabia que não estava muito longe; não havia se afastado demasiadamente de casa. Mesmo perdida, a pequena de seis anos tinha consciência de que não estava longe de casa. Não, ela decididamente não se distanciara demais de casa e, uma hora ou outra, alguém viria socorrê-la ou ela encontraria o caminho por si só.
Mas não. Ninguém veio e Wendy sabia que estava nisso há um bom tempo.
“Ninguém virá” uma voz dizia-lhe repetitivamente em sua mente. “Ninguém virá, ninguém virá, ninguém virá, ninguém virá...” ela não podia apenas calar a boca?!
Por mais que seu rosto estivesse insensível, ela pôde sentir lágrimas riscando-lhe a face. Uma a uma, as lágrimas traçavam o seu caminho no rosto de Wendy. Uma a uma, elas demonstravam a tristeza, o medo e o desespero que dominavam a mente e o coração da garota.
“Mais alguns passos” ela pensava, “eu reconheço esse lugar.” Wendy recusava-se a desistir. “Estou perto... eu sinto que estou chegando...”
Momentos depois, a pequena já se via em casa. Entrou e fechou a porta rapidamente. Apesar do frio que ainda sentia, a lareira estava acesa e ela logo se aqueceria. Foi até o quarto, pôs um pijama quente e pegou alguns cobertores e um livro infantil para passar o tempo.
Wendy não sabia ler, pois não frequentava a escola, mas sua mãe já lhe lera aquela história várias vezes e ela sabia como era. Acomodou-se no chão da sala, próxima à lareira, usou os cobertores para se aquecer e começou a folhear o livro ilustrado.
O livro contava a história de uma garotinha que estava à procura de uma estrela mágica. No livro dizia que, se você encontrasse a estrela, ela realizaria o desejo mais aclamado pelo seu coração. E então, quando esse desejo se realizasse, como presente de despedida, a estrela deixaria uma flor dourada onde fora encontrada.
No livro que tinha em mãos, “Em Busca Das Estrelas”, a protagonista pedia à estrela que ela lhe concedesse a felicidade eterna. Dito e feito. A estrela mágica concedeu-lhe o pedido no mesmo instante. Um final feliz.
— Mamãe, você acha que eu ainda vou encontrar a estrela mágica do livro? – Wendy perguntou, esperando uma das típicas respostas da sua mãe.
Ela esperava ouvir algo como “mas é claro, querida!” ou “se você acreditar com o coração irá encontrá-la facilmente!”. Mas não foi isso que ouviu. Tudo que ouviu foram o silêncio ensurdecedor da casa e a nevasca do lado de fora.
— Mamãe? Papai? – chamou, quase desmoronando em lágrimas.
Ela estava sozinha e só agora havia notado.
Wendy pensou em sair e procurá-los, mas o medo que sentia foi maior e ela se obrigou a ficar em casa esperando até que eles voltassem. Ela fechou os olhos e dormiu durante o resto da noite.
***
O dia amanheceu e Wendy levou alguns momentos até se lembrar do por que estava dormindo no chão da sala.
Notando a falta de seus pais, ficou preocupada. Vestiu roupas quentes, comeu um pouco e foi procurá-los, mas não sem antes de pôr um pouco de pão nos bolsos para eventualidades.
Depois de horas e horas, nada. O Sol já estava se pondo e nada ainda.
Quando Wendy já estava quase desistindo, viu algo familiar: o cachecol de lã vermelho que a sua mãe usava na última vez em que a vira.
— Mamãe! – ela gritou, com lágrimas de felicidade nos olhos.
O que viu, porém, não era nada para se ser comemorado. Seus pais estavam soterrados debaixo da neve.
“Não! Não, não pode ser! Eles não estão mortos!” era do que Wendy tentava se convencer, mas algo dentro dela sabia que isso era mentira. Eles estavam mortos e era tudo culpa dela.
Ela não sabia dizer o porquê, mas correu até o monte de neve e começou a cavar até eles. Seus dedos sangravam e doíam, mas ela perderia as mãos antes de desistir!
Eles não poderiam estar mortos! Eles viveriam para sempre ao lado dela! Eles a veriam crescer e amadurecer! Eles a veriam se casar, ter filhos, ser feliz... E tudo ao lado deles! Eles definitivamente não morreriam antes dela! Todos eles procurariam juntos pela estrela do livro e encontrariam a sua felicidade! Seria assim! Eles não morreriam antes disso!
Era para ser assim... Felizes... Para sempre...
“Para sempre!” Wendy repetia em sua mente.
Sonhos ingênuos de uma garotinha que não queria aceitar a realidade. Que não queria aceitar a fria, dolorosa e triste realidade...
Mas, infelizmente, a realidade possui esse nome exatamente por isso: ela é real, por mais dolorosa que seja.
Wendy caiu de joelhos na neve e começou a chorar como nunca chorou.
— Vocês não morreram! – ela gritava para a vazia escuridão da noite. – Vocês não podem ter morrido!
Brilha, brilha estrelinha
Quero ver você brilhar
— Vocês não vão me deixar aqui! Eu...
Foi quando surgiu uma luz atrás dela. Em meio às suas lágrimas, a estrela da história ouvia sua tristeza.
Faz de conta que é só minha
Só pra ti irei cantar
-... Eu amo vocês! Por favor, não me deixem!
Notando uma luminosidade incomum vinda de trás de si, Wendy secou os olhos e virou-se, vendo um pequeno ser cintilante que emitia uma luz dourada, ali, parado à espera de uma reação da menina.
Brilha, brilha estrelinha
Brilha, brilha lá no céu
— A estrela mágica! – exclamou Wendy.
Ela existia e estava bem diante da criança. Wendy olhou para os corpos soterrados de seus pais e sentiu as lágrimas chegando. Mas não as deixou cair. Ao invés disso, levantou-se e estendeu a mão em direção à estrela.
Brilha, brilha estrelinha
Quero ver você brilhar
Só mais um pouco e ela voltaria a estar com seus pais. Só mais um pouco, apenas alguns poucos centímetros para realizar esse desejo.
Faz de conta que é só minha
Só pra ti irei cantar
— Mamãe... Papai... Nós ficaremos juntos novamente... – ela fechou os olhos, sentindo uma lágrima solitária percorrer-lhe a face.
Brilha, brilha estrelinha
Brilha, brilha lá no céu
Wendy tocou na pequena estrela dourada e sentiu uma imensa felicidade.
— Você achou, Wendy – ouvia a sua mãe dizer-lhe. – Venha, está na hora de dormir...
Vou ficar aqui dormindo
Pra esperar Papai Noel
Depois disso, nada. Nada além de uma rosa dourada que nascera no mesmo instante em que Wendy encontrou-se com seus pais.
Wendy foi dormir, pois já estava tarde. Ela agora dormiria para sempre sob o zelo de seus pais e aquela rosa dourada que foi deixada para trás tornaria a florescer todo ano, naquele mesmo dia congelante de inverno.
Wendy morrera feliz, e a rosa era a prova disso.
Brilha, brilha estrelinha
Quero ver você brilhar
Faz de conta que é só minha
Só pra ti irei cantar
Brilha, brilha estrelinha
Brilha, brilha lá no céu
Vou ficar aqui dormindo
Pra esperar Papai Noel
Notas finais
Eu realmente espero que tenham gostado e que comentem, pois, como eu disse nas notas da fanfic, essa é a minha primeira short-fic e talvez não tenha ficado oq vcs esperavam (se esse for o caso, me desculpem e eu me esforçarei mais da próxima vez), então, se não gostaram, comentem e me digam como melhorar e, se gostaram, comentem também pra me deixar feliz ^-^
Beijinhos e eu espero que tenham apreciado a leitura *3*
- Carolis.
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