Em Busca Da Sobrevivência
18 O Ultimo Ingrediente
Notas iniciais
– Sei que Morgana e Lucas merecem a morte, mas... Eu sempre achei que anjos devem proteger as pessoas. Todas elas. – Nayara respirou fundo. – Tudo bem, eu não tenho planos para hoje.
Nayara desceu rapidamente em direção à entrada da mansão, forçando a porta para entrar o mais rápido possível. Tudo estava banhado por chamas altas, e no meio de tudo aquilo, Morgana continuava a proferir seus feitiços contra alguém que Nayara não havia identificado na hora pela grande nuvem de fumaça que cercava o salão de entrada, mas, pelo menos, havia percebido que a culpada desse desastre foi a própria dona da mansão.
Ninguém havia percebido sua presença, o que permitiu que Nayara observasse bem a cena, e consequentemente, descobrisse quem era o adversário de Morgana. E foi quando percebeu a presença de Maria.
– PARADAS! – Gritou Nayara impulsivamente.
– Ora, mais uma mosqueteira! – Morgana abriu um enorme sorriso irônico. – Que belas asas.
– Não me irrite. – Falou Nayara movimentando suas asas de forma rápida e precisa, fazendo todas as chamas se apagarem de uma vez.
– Tudo bem então... – Morgana novamente sorriu. – Eu irei para o plano B. Invisibilis Obice! – Gritou.
– Qual plano?! – Nayara perguntou bastante confusa.
– Sequestrar você. – Morgana foi até a saída da sala, pronta pra ir. – Essa é a deixa para você ir embora, senhorita. – Concluiu apontando para Maria.
– Eu não vou sair daqui sem ela. – Maria falou mantendo sua casca de “confiante”.
– Eu já estou indo... – Nayara se esforçava para ir até Maria, no entanto, não conseguia se mover de jeito nenhum. – Droga. Maria, por favor, vá sem mim. Eu certamente conseguirei sair dessa! – Sorriu de canto.
Maria se sentiu um pouco mais com a situação, mas ainda sim obedeceu a garota, pois sabia que apenas sua força de vontade não era o suficiente para ajudar a outra. Pelo menos não agora.
[...]
– Nayara está demorando demais... – Gabriel resmungou, começando a ficar preocupado com a demora.
– Está tudo bem, Gabriel? Você parece nervoso. – Bruna perguntou, parando no seu lado.
– É a Nayara... Ela saiu há alguns minutos, mas até agora não voltou. – Sentou-se no chão. – Você acha que algo pode ter acontecido?
– Olha, tenho certeza de que ela não está completamente fora de perigo. Porém você a conhece, ela não ficaria presa em qualquer coisa. – A menina disse calmamente, tentando confortá-lo.
– Socorro! – Maria gritou enquanto corria em direção da casa do grupo. – El... A... E-ela...
– Acalme-se! – Regeu Bruna, preocupada. – Respire um pouco, não conseguimos entender nada...
– Ela quem?! – Gabriel indagou levantando-se rapidamente.
– Nayara. – Respondeu quando finalmente recuperou seu folego. – Morgana a pegou.
– Droga! – Bufou Gabriel. – Eu vou até lá, em busca dela. Vocês cuidem dos outros.
– Entendo que esteja ansioso para ir até lá, mas tome cuidado. – Maria falou seriamente. – Morgana transformou Pedro em um monstro -
Maria não teve nem tempo de terminar a frase, quando foi perceber, ele já havia saído em busca da garota.
– O que está acontecendo aqui? – Júlio perguntou, saindo da casa.
– Júlio! É de você que precisamos! Por favor, vá atrás de Gabriel e avise que...
[...]
– Por que você me quer aqui? – Nayara indagou em um tom alto e na tentativa de ser intimidador.
– Em primeiro lugar, não fale desse jeito comigo! – Morgana respondeu alto, porém de forma que parecesse indiferente. – Lucas, venha cá.
– O que? – Perguntou ele.
Nayara ainda não tinha o encontrado, teve que passar alguns segundos rondando os olhos para ver Lucas escorado na parede do lado das escadarias. De qualquer forma, ele estava ali antes?
– Não acha que isso está um pouco chato? Vamos animar essa noite! Vá até Gabriel e Júlio, eles estão a caminho daqui, quando encontrá-los, deixe que eles desfrutem um pouco da nova personalidade de Pedro. Depois disso, você pode acabar com a casa dos refugiados. – Cantarolou de forma doentia, formando um sorriso malicioso em seu rosto.
– Como descobriu que estão vindo? – Lucas desencostou da parede, estando abismado com a notícia.
– E isso é importante? – Morgana bufou ao ver a cara de Lucas. – Ei, pare de me olhar dessa forma... – Alegou de forma estranha logo em seguida. Por fim, desistiu: – Certo, eu contarei. Gabriel está envolvido em um romance meloso com Nayara, então obviamente viria até aqui. Já sobre Júlio, eu acabei por sentir sua presença logo que entrou no perímetro da floresta.
– Okay, estou indo. – Lucas respondeu baixo, saindo por uma passagem atrás da estante de livros.
[...]
– Entendeu? – Perguntou Maria, quando finalmente terminou de explicar a situação para Thalia e Bruna.
– Por que semp- – Thalia começou sua frase, porém sem sucesso considerando que teve de correr para o banheiro.
– O que deu nela...? – Maria questionou praticamente o ar, já que não imaginava uma resposta de Bruna.
– Quanto tempo você esteve na mansão? – Bruna a interrompeu, dando a certeza de que Maria não entenderia o que estava acontecendo tão cedo. Ou talvez entendesse.
– Acredito que uma semana. Talvez um pouco mais, ou um pouco menos. – Sorriu. – Eu não me lembro.
– Ela está assim desde esse dia. – Bruna olhou pensando em outra coisa. – Será?
As duas se entreolharam, com um sorriso grande formando nos lábios.
– Oi, saudades? – Falou em tom irônico e seguido de uma risada falsa, entretanto, ninguém sabia de onde vinha a voz. – Vim fazer uma visitinha.
As duas moveram suas cabeças para todos os lados em busca do dono da voz, quando acabaram se deparando com Lucas saindo do arco da cozinha, em direção ao sofá da sala.
– O que está fazendo aqui?! – Bruna perguntou furiosa, armando-se para lançar um feitiço sobre ele.
– Eu não irei me enrolar, estou aqui porque Morgana me enviou e blá, blá, blá. – Ironizou bastante ao desenrolar da frase, e então continuou: – Mas não se preocupem com minha presença, vamos dizer que estou aqui em paz. E, até porque, eu nunca machucaria uma criança inocente.
– Crianças? Do que estão falando ai? – Perguntou Thalia animada, achando que encontraria um assunto interessante. – LUCAS!
– Não grite desse jeito, Thalia. Não sabemos se essas coisas podem fazer mal ao bebê. – Falou Bruna naturalmente.
– Tem alguma criança aqui?! – Exclamou Thalia, mesmo que tentasse fazer um pouco de silêncio para não incomodar o “bebê”.
– Você está grávida, Thalia. – Completou Bruna, não aguentando mais ver a amiga se desesperando por outras hipóteses.
A gestante não teve nem tempo de gritar mais uma vez, recebeu a notícia como um nocaute e caiu de uma vez só.
[...]
– Gabriel! – Berrou Júlio no meio da corrida, na esperança de parar o outro. – Maria queria te dizer algo, mas você saiu correndo feito um louco! Você tem noção do quanto... Do quanto eu tive que correr para te encontrar? – Respirou fundo, tentando recuperar seu folego.
– O que foi? Não se enrole tanto, diga logo o que ela queria! – Gabriel começou impaciente com a situação, ainda mantendo-se correndo no lugar para não perder seu ritmo.
– É sobre Pedro. Maria disse que Morgana o transformou em um Cérbero. – Respondeu Júlio.
– Você só pode estar brincando, cães de três cabeças nunca existiram. – Alegou Gabriel parando de correr, e encarando Júlio crédulo de que aquilo era uma brincadeira sem graça.
O som das árvores balançando se tornou bem audível após o silêncio momentâneo dos dois, porém o som agradável durou muito pouco já que fora interrompido por um alto som de pegadas. Os dois se viraram de uma vez só, dando de cara com um enorme animal com pelos escuros e patas assustadoramente grandes.
– Vocês irão se arrepender! – Grunhiu o animal em uma voz grossa e bastante distorcida, similar a um alto rugido de leão. – Vocês irão morrer!
A criatura animalesca em sua frente virou-se para os dois, mostrando mais duas silhuetas saindo de seu pescoço. Após um longo e tenebroso rugido, as silhuetas se revelaram como mais um par de cabeças.
[...]
– Responda! – Gritou Nayara perdendo o que restava de sua paciência.
– Já que faz questão de saber, vou te contar. – Começou a mulher mais velha rodeando o corpo preso da outra, observando a barreira antes sem cor tornar-se amarelada. – Eu não gosto de vocês. Nem um pouco. Por isso, sinto a necessidade de acabar com todos vocês! Mas, para isso, eu precisava de uma poção... – Olhou para o rosto de Nayara com um olhar completamente insano, forçando uma voz fina e doce. – Uma poção onde o ingrediente principal é o seu coração.
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