Em Busca Da Sobrevivência
7 O Uivo Do Lobisomem
Notas iniciais
— O que você olha tanto ai? — Nayara se meteu na frente de Gabriel.
— Nada não, achei que tinha visto alguém. — Gabriel se fez de desentendido.
— Ata... Temos que achar o Pedro e a Bruna de uma vez. — Nayara ainda duvidava do que Gabriel havia afirmado, mas resolveu deixar pra lá.
— Claro. — Disse Gabriel.
— Olha! — Bia gritou.
— O que foi? — Indagou Nayara.
— Tem restos de zumbi por aqui, e tem pegadas de duas pessoas na lama. — Bia apontou para o corpo do zumbi e para o canto onde a poça de lama se encontrava.
— Deixa comigo. — Gabriel se abaixou perto das pegadas dos dois.
— O que você vai fazer? — Bia estava achando estranho ele se abaixar, para ver as pegadas deles.
— Se eu encostar nestas pegadas, eu poderei ver se eles estão em perigo e para onde eles vão. — Gabriel encostou uma de suas mãos em uma das pegadas. — Ai meu Deus.
— O que foi? — Nayara chegou perto dele.
— Nada... Vocês duas precisam voltar para casa, eu quero que vocês se salvem. — Gabriel estava nervoso.
— Para de falar essas coisas sem sentido, e diga de uma vez o que vai acontecer. — Nayara também estava começando a ficar nervosa.
— Hoje... Hoje é noite de lua cheia... Lobisomens. — Gabriel seguiu na direção em que Pedro e Bruna foram.
— O que você vai fazer? Você tem que voltar conosco. — Nayara segurou-o pelo braço.
— Vão vocês, eu quero que vocês fiquem bem, eu vou salvar a Bruna e o Pedro. — Gabriel se soltou do aperto dela.
[...]
— Está começando a anoitecer. — Disse Thalia entrando na loja de armas.
— É melhor corremos... — Começou Lucas.
— Porque iríamos fazer isso? — Julio não ligava para nada que ele falasse.
— Hoje é dia 24, dia de lua cheia. Você sabe o que significa? — Lucas encarava-o.
— Ah, droga vamos. — Julio pegou as mochilas com as armas e colocou-as em suas costas.
[...]
— Vamos ter que acampar— Disse Bruna.
— Que? Hoje é noite de lua cheia! Acampar aqui é pedir pra morrer. — Rapidamente Pedro cortou a fala dela.
— Espera... O que é aquilo? — Falou Bruna apontando para uma foto que estava jogada no chão.
— É uma foto, me deixa ver. — Pedro se agachou para ver a foto. — É de uma guria, será que é a Ana? — Pedro pegou e mostrou a foto para Bruna.
Bruna ao pegar a foto ficou pálida e seus olhos se encheram de lágrimas.
— O que foi? — Pedro não sabia o que fazer para consolar Bruna.
— Essa é minha irmã, a Ana. — Bruna passou uma de suas mãos nos olhos para limpar as lágrimas, que insistiam em cair.
— Como assim? Quando eu falei Ana você não disse nada. — Pedro pegou a foto da mão de Bruna.
— Poderia ser qualquer Ana, em meio a esse caos qual seria pouca a possibilidade de uma criança como ela sobreviver. — Bruna pegou a foto de sua irmã novamente.
Sua irmã tinha olhos esverdeados, pele clarinha e cabelos loiros iguais de Bruna.
— Pedro? Bruna? — Disse Gabriel ao sair em meios as árvores que havia no local, ele parecia cansado.
— Gabriel? Porque você ta aqui? — Pedro ficou indignado.
— Eu preciso manter Bruna segura, um lobisomem vai tentar matar ela. — Gabriel começou a ficar aflito.
— O que? — Gritou Bruna.
— Pedro volte pra casa e proteja os outros. — Gabriel falou tentando acalmar os dois.
— Eu vou... — Pedro começou. — Vais conseguir manter ela viva? Eu só não quero que ela morra, não ela.
— Eu vou deixar ela segura. — Gabriel começou a mexer em uns dos bolsos de sua calça. — Pega isso. — Falou ele retirando uma faca de prata. — Eu também tenho uma.
— Mas você poderia matar lobisomens sem essas facas, não? — Pedro perguntou pegando a faca.
— Sim. Só que se eu usar muito poder, morrerei rapidamente. — Gabriel sorriu para ele. — Vá agora.
— Ok. — Pedro se retirou e seguiu em direção a casa que eles estavam se refugiando.
— Eu ouvi a conversa e vi que tu tens uma foto da Ana, eu preciso que você a pegue e tente imaginar onde sua irmã está. — Gabriel estava sério.
— Tudo bem. — Bruna pegou a foto do bolso de seu moletom cinza. — Vou tentar imaginar, eu vejo... Vejo uma cabana não muito longe daqui... Á uns 100 passos.
— Eu sabia. — Gabriel ficou apreensivo. — Você é a Bruxa substituta, foi você que queimou aquele zumbi.
— Bruxa substituta? — Bruna ficou assustada com o que Gabriel lhe disse.
— Sim. Antes de morrer, preciso achar alguém que me substitua. — Gabriel falava calmamente para não assustá-la.
Os dois que ali estavam conversando, nem se tocaram que a lua cheia estava completa. Apenas se deram conta, quando um uivo soou, os colocando em estado de alerta.
— Droga! Pega isso. — Gabriel tirou duas facas de prata do bolso e entregou uma para Bruna. — Agora... Calmamente corra em direção ao lugar em que a Ana está.
— Tem como correr calmamente? — Bruna pegou a faca, e saiu correndo em direção ao lugar que sentiu que Ana poderia estar.
— Acho que não. — Gabriel também começou a correr. — Vamos rápido.
Eles correram tanto, que depois de uns 2 minutos já estavam cansados. Finalmente avistaram uma cabana, ela era meio pequena, completamente feita de madeira, sem pintura nenhuma.
— Entra. — Gabriel correu mais a frente de Bruna e abriu a porta.
— Tudo bem. — Bruna entrou.
Após ela entrar, Gabriel fechou a porta. A única coisa que iluminava aquele local, era a luz da lua. Por sorte, Gabriel enxergou uma lareira; esticou seu braço, e dele saiu uma chama, que acendeu a lareira.
Em um canto que anteriormente estava escuro, eles vislumbraram uma garota dormindo. Bruna tentou chegar perto dela e sem querer bateu com o pé em uma pedra que havia ali.
— Quem está ai? — A voz doce de Ana indagou, ao olhar pra Bruna um sorriso se abriu. — Bruna? É você mesmo?
— Sim, sou eu, Ana. — Bruna correu para abraçá-la.
— Não faça barulho. — Gabriel falou baixinho.
Na mesma hora em que Gabriel falou, o mesmo notou que havia algo andando por ali. O bruxo foi até uma janela tentando avistar algo. Assim que bisbilhotou por uma fresta da cortina, um lobisomem entrou em seu campo de visão. Ele era idêntico a um lobo, pelos acinzentados, olhos sem expressão, um olhar de um animal que não pensaria duas vezes antes de matar alguém.
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