Em Busca Da Sobrevivência
20 O Brilho
Notas iniciais
Bruna continuava folheando mais e mais livros em busca de sua resposta quando de repente uma dor de cabeça a tomou. Sentia-se tão atingida com a dor que mal aguentou ficar em pé, seus pés tremelicaram e seu corpo desabou no chão.
– Dói muito... – Bruna resmungou, segurando-se para não berrar.
– Droga Bruna, você está bem? – Thalia correu até ela.
– Não muito, agora, sobre o Gabriel, não tenho tanta certeza... Deve ter acontecido algo com ele. Algo que em breve acontecerá comigo também. – A garota apoiou-se na mesa, levantando-se de forma desajeitada.
– Eu irei te ajudar a encontrar um feitiço, não se preocupe. – Thalia disse, pegando o primeiro livro que viu em sua frente, logo o abrindo e dando uma primeira passada de olhos. – ... Hum, acho que não ajudarei em muita coisa.
– Já sei, deve ter algum feitiço de reversão. – Lucas chegou mais perto delas após um longo intervalo silencioso.
– É verdade! – Bruna forçou um sorriso.
Lucas passou a ajudar as duas, vendo o quão desesperadas elas estavam para prosseguir com a tarefa. Pegou o primeiro livro que viu na frente e folhou rapidamente, forçando-se para entender o que estava escrito, já que as palavras eram em um dialeto diferente.
Os olhos de Bruna lacrimejavam ao ver seu corpo sendo tomado por enormes queimaduras; E mesmo que não tenha sido ela a queimada, ardiam como se tivessem sido feitas naquele mesmo instante.
– Está piorando! – Thalia gritou, apressando os dois que continuavam a procurar desesperadamente.
– ACHEI! – O berro de Lucas tomou a sala, tirando todo o som de papeis virando. – Pegue, é esse daqui.
– Você tem certeza? – Bruna perguntou desconfiada, pegando o livro de suas mãos e olhando para as palavras aparentemente sem sentido.
– Pode não parecer, mas eu entendo várias línguas.
– Eu não tenho outra escolha mesmo... – A garota olhou para os dois, respirou fundo e por fim recitou o feitiço: – Vires lucis carmina novis me et da mihi virtutem.
As palavras da garota saíram como se já tivessem sido aprendidas há décadas. Bruna sentiu toda sua dor ser sugada por um feixe de luz que iluminou toda a sala, no entanto, junto da dor, ela mesma também se perdeu e seu corpo caiu desmaiado no chão.
[...]
– Você irá se arrepender. – Nayara levantou-se, encarando Morgana com os olhos que carregavam puro ódio e raiva.
– E o que você poderá fazer? Começar a brilhar? – Morgana olhou-a de volta, incrédula com a expressão da garota que um dia fora taxada como anjo.
– Exatamente. – Nayara sorriu de canto.
A sala silenciosa fora tomada pela troca de olhares vorazes. Maria e Júlio, logo que entraram na mansão, se entreolharam, sentindo toda a pressão e ódio que as duas tinham apenas em se olhar.
– Eu irei ajudar ela. – Maria sussurrou para o parceiro.
– Mas... – Começou o outro.
– Nem comece! Olhe para você, está sangrando. A última coisa que precisamos é que você morra por uma hemorragia. – Maria olhou. – Essa mansão é enorme, com certeza há algo aqui que possa curar isso. Vá rápido!
– Tudo bem... – Júlio sentiu-se chateado por não poder ajudar a amiga, mas sequer tentou insistir em conversar Maria a deixá-lo lutar.
O garoto caminhou cautelosamente até uma salinha da mansão, esperando encontrar lá uma coisa que o ajudasse. Enquanto isso, Maria correu para o lado de Nayara, oferecendo-se para ajudar a garota que continuava a encarar a bruxa.
– Cheguei para a festa. – Maria brincou, mas logo depois de ver a expressão mortal de Nayara, desfez seu sorriso.
– Você não fará nada. Apenas leve o corpo dele daqui. – Nayara deu uma simples e fria olhada para ela e novamente voltou a secar Morgana.
– Não, eu quero te ajudar... – A morena realmente queria ajudar, mas desistiu logo na primeira investida, pois Nayara não estava brincando.
Maria locomoveu-se até o corpo carbonizado, e sem mesmo perceber de quem era, tirou-o da zona de batalha.
[...]
Júlio passou a mão em todos os medicamentos que viu, jogando-os para o ar assim que percebia que não era o que queria. Resmungava para si mesmo, lamúrias entristecidas, imaginando que não acharia nada que pudesse tirar a dor de seu braço.
“Droga, será que não há nada de útil aqui?!” Perguntava a si mesmo, enquanto jogava mais e mais frascos no chão.
Seu sangue continuava a sair pelo seu braço, sua mão já não conseguia estancar o fluxo sozinha. Foi quando acabou por se encontrar com uma seringa de sangue. Não era o suficiente para repor tudo que perdeu, no entanto, com certeza o ajudaria a aguentar mais um tempo em pé.
“Agora sim.” Pensou consigo mesmo abrindo um sorriso no rosto. “Parece que, finalmente, vou poder usar as aulas de transfusão de sangue que meu pai me ensinou.”
Suas mãos seguraram a seringa de forma trêmula, e ainda que soubesse que isso poderia resultar muito mal, preferiu usar isso como sua última chance de escapar de um coma hemorrágico. O sangue foi injetado devagar e calmamente, e em seguida já fora sentido circulando o corpo. Assim que terminou, sua cabeça começou a pesar.
[...]
– MEU PAI! – Maria deu um enorme berro ao perceber que o corpo que carregava pertencia a Gabriel.
Ela olhou uma ou duas vezes para ele, não acreditando que realmente fosse aquele que vira há tão pouco tempo. Ela não o conhecia há muito tempo, era verdade. Mas, ainda assim, não podia deixar de sentir uma tristeza intensa ao ver o corpo daquele que já considerava um amigo daquele jeito, tão irreconhecível.
– Bem, acho que terei de dar um jeito para poder te enterrar. – Olhou firmemente para a floresta. – Lá é um lugar calmo, acho que você irá gostar. Eu gostaria que meus amigos parasse de morrer...
Ainda segurando o corpo, Maria partiu em direção à floresta.
[...]
Morgana saiu em disparada na direção de Nayara, que rapidamente impulsionou suas asas, voando em direção ao teto da mansão.
– Você precisará de muito mais do que isso para me derrotar. Achei que soubesse. – Nayara cantarolou em meio a risos e uma respiração descontrolada. – Mostre-me algo melhor.
A bruxa olhou para a garota que voava livremente, com os olhos queimando de ódio. A chama negra passou a contornar suas mãos, e logo foram miradas e atiradas contra Nayara. Aquilo fora rápido demais para alguém que não tinha tanta experiência em voo, a anja conseguiu desviar apenas das duas primeiras, já a terceira atingiu sua asa esquerda e derrubou-a imediatamente.
– Agora está melhor. – Morgana caminhou até a outra, colocando seu pé em cima de sua cabeça, impedindo-a de se levantar. Não demorou muito até que sua mão fosse, mais uma vez, circundada por uma flama preta e brilhante.
– Eu dou nota nove. – Zombou respirando fundo.
Assim que jogou a esfera contra Nayara, uma enorme e brilhante barreira formou-se, protegendo a garota de uma morte tão trágica quanto a do garoto. E, assim como no ditado, o feitiço virou contra o feiticeiro. A esfera flamejante foi expelida pela barreira, atingindo a malvada, que caiu no chão logo em seguida.
– Bom, agora é minha vez. – Nayara levantou-se em um pulo, sem sentir a dor de ter tido uma das asas quebradas. – Você é as trevas, e eu a luz. Com isso, poderei acabar contigo.
– E o que vai fazer? – Morgana perguntou.
– Eu seguirei teu conselho. Começarei a brilhar.
Todo o saguão foi tomado por uma forte e ardente luz branca, que cegaria qualquer um que estivesse lá. Nem Morgana e nem Nayara enxergavam algo, e as únicas coisas que poderiam ser ouvidas eram os gritos de desespero da mais velha e os risos fracos do anjo.
– Você não pode! Ahh... Como ousa?! – Berrava. – Você não irá me derrot-
Antes que a vilã pudesse terminar sua frase, toda sua escuridão foi resumida em pó. Deixando apenas Nayara sozinha com as cinzas da outra na sala. Nayara virou-se de costas para o estrago da mansão, indo em direção à saída, para encontrar-se com Maria e ir embora dali. Sentia-se triste por ter perdido Gabriel, mas, por outro lado, estava orgulhosa de ter acabado com Morgana de uma vez por todas.
No entanto, invés de encontrar com a garota a esperando, ela viu algo diferente. Maria realmente estava lá, mas toda esfolada.
– Minha nossa Maria! O que aconteceu?! – Perguntou assustada vendo o estado da outra.
– Eu não sei... Júlio me atacou. – Maria disse receosa. – Ele me atacou como um animal... Era como se tivesse se transformando em um...
Uma pausa.
– Um...?
– Em um vampiro. – Completou. Sua mão desviou-se para a cabeça, apoiando-a. – Isso não pode estar acontecendo...
– ... Droga. Temos que avisar os outros. – Nayara pegou Maria pelo braço, apoiando a garota em seu ombro. – Vamos.
As duas caminharam durante um tempo, e quando finalmente chegaram se depararam com uma carta escrita as pressas, jogada ao pé da porta.
– É do Júlio, para Thalia. – Nayara pegou a carta e entrou na casa com Maria.
Depois de uma longa e triste conversa explicando tudo que acontecera, incluindo o final trágico de Gabriel, Nayara acabou por entregar a carta nas mãos de Thalia.
“Talvez eu não esteja sendo corajoso o suficiente para te contar pessoalmente, mas eu fiz uma transfusão de sangue. Eu estava perdendo muito sangue, não podia continuar daquele jeito, no entanto, a sorte não estava ao meu favor. Logo que transfundi o sangue, minha cabeça parecia que estouraria, e quando fui perceber o que tinha acontecido, descobri que havia injetado em mim mesmo sangue de vampiro.
Eu sinto muito por isso, eu realmente não queria... Eu não posso te submeter a isso, eu não quero que você esteja em perigo. Eu quase matei Maria na floresta, não quero que aconteça algo parecido com você.
Não pensei nisto como um adeus, mas sim, em um ‘até logo’. Eu irei tentar controlar isso, e quando fizer, voltarei para viver com você.
Aliás, acabei por encontrar um nome de uma nova cidade, Brightblade, onde vocês poderão se manter! Vão todos para lá, com certeza será mais seguro.
Eu amo você e todos aí.
— Júlio.”
[...]
Em um dos cantos mais escuros da floresta, três pessoas se encontravam. Não podia ver qual eram seus rostos, apenas a cor dos cabelos; Sendo o do primeiro branco, o do segundo vermelho e o do terceiro loiro. E, em frente a todos eles, o que parecia ser o líder se encontrava, revelando apenas seus olhos incrivelmente brilhantes e azulados.
– Morgana falhou. Mas, pelo menos, conseguiu coletar dados suficientes. – A voz grossa e misteriosa do líder declarou. – Mark, Matt e Maxwell, agora é vez de vocês.
– Sim, senhor! – Um dos rapazes disse. – Mas, qual é nosso objetivo?
– O bebê de Thalia. Mas não se apresse, tudo tem seu tempo.
– Mas não é mais fácil ir e atacá-los logo? – O rapaz do meio perguntou.
– Não. Eles estão em alerta. Deixe-os livres por enquanto, e quando pensarem que estão seguros, atacaremos.
– Certo então, senhor. – O terceiro completou.
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