Em Busca Da Felicidade.

6 Pelo Menos Por Enquanto.


Notas iniciais
Espero que gostem ;D

POV. Cornélios.

Era a manhã do dia seguinte, o sábado do jantar que teria como convidado o príncipe calormano. Após o café da manhã o rei Franco se retirou para a sala do trono e eu vi a oportunidade que queria, aproveitando o raro momento em que Franco estava sozinho. Ao ver-me indo em sua direção, ele sorriu.

— Doutor! Que bons ventos o trazem?

— É raro encontra-lo assim, majestade, sozinho. – comentei.

— Sim, são poucos os momentos em que consigo ouvir meus pensamentos. – ele riu.

— E eu aqui já penso demais...

— Esse é seu ponto forte, Doutor!

Eu sorri.

— Eu preciso falar com você, Franco, sobre Susana.

— Susana? Oh, Aslam, o que ela fez agora? – sentou-se em seu trono, massageando os lados da testa.

— Não acha que ela já tem idade para casar? – testei. Franco ergueu os olhos azuis confusos abaixo das sobrancelhas unidas.

— O que quer dizer?

— Acho que seria bom para ela...

Franco riu, balançando a cabeça negativamente.

— Não, Doutor, acho que ela ainda não está pronta.

— Helena tinha a idade dela quando se casou com você. – lembrei.

— Mesmo assim... – ele permaneceu em silêncio, fitando vazio enquanto um sorriso suave preenchia sua face. – Para falar a verdade, Doutor, acho que eu ainda não estou preparado para aceitar que ela cresceu... Ainda vejo Susana como minha princesinha... – Eu ri de leve. – E se fosse para casá-la... Não encontrei alguém digno para entrega-la... – deu de ombros. Era a minha deixa, aproximei-me de Franco, sentando nos degraus que levavam ao trono.

— O que o senhor sabe, Doutor? – perguntou urgente, como pai.

— Há algum tempo venho observando Susana e ontem tive minha confirmação. Ela está apaixonada, Franco... Sinceramente não sei como você não percebeu... – olhei-o por cima dos óculos. – E pelo que eu também soube, ela é correspondida à altura.

Franco estava sem reação. Quando ele conseguiu respirar, começou a gaguejar.

— A-a Susana? A-a mi-minha Su?

— Sim. Qual o problema? – questionei. Ele parecia engasgado.

— Tem certeza do que você soube?

— Claro, informações de fontes muito seguras. – afirmei. – Vai dizer que não é uma boa noticia?!

— Vou. Isso é uma péssima notícia! – ele levantou e começou a andar de um lado para o outro, passando as mãos no rosto e no cabelo.

— Quando você se apaixonou por Helena você não achou péssimo. – acusei. – Você pôde, porque Susana não?

— Por que ela ainda é a minha princesinha, tá?! Praticamente ontem ela ainda corria por esse castelo carregando a boneca preferida... Eu até lembro o nome da boneca... Lila.

— Lisa. – corrigi. Franco nem ligou. – Susana já não é mais uma criança, Franco, você se dedicou tanto ao seu reino que não viu o tempo passar. Ela já tem 17 anos e Pedro já um homem, Franco, encare a realidade!

— Não quero encarar essa realidade!

— Só lembrando que você também não é mais uma criança.

Ele parou ficando em silêncio por uns segundos, respirou profundamente.

— Eu detesto admitir... Mas o senhor tem razão... Quem diria... – ele riu, voltando a se sentar ao meu lado. – Então quer dizer que Susana está apaixonada?

— Está – concordei. – Bastante por sinal.

— E... – ele tentou esconder o ciúme zeloso de pai. – Quem é o rapaz...? Você disse que ela é correspondida...

— Franco, por a caso você não se perguntou por que cargas d’água Caspian ficou tão feliz com esse novo trabalho? – perguntei pacientemente.

— Achei que fosse pela remuneração... – Franco sussurrou para si mesmo.

— Caspian não é interesseiro...

— Então ele ficou feliz daquele jeito não porque seria bem recompensado, mas sim por que iria passar mais tempo com Susana...

— É evidente... – confirmei. Ele levantou e voltou a andar, agora mais calmamente, segurando as próprias mãos de modo pensativo. – Franco?

— Fico feliz que seja Caspian. – ele falou ainda sério, mesmo ele sendo sincero, não pude deixar de observar.

— Não parece feliz.

Ele deu um leve sorriso melancólico, parando de andar.

— Eu fico feliz sim, Doutor, Caspian é um ótimo rapaz, tenho muito apresso por ele, mas...

— Mas?

Com um suspiro pesado, Franco sentou ao meu lado novamente, lamentou.

— Mas nossa relação com a Calormânia é praticamente de guerra... E se as coisas continuarem assim eu temo que a única saída para estabelecer a paz entre Narnia e Calormânia... Seja casar Susana com o Príncipe Rabadash.

POV. Caspian.

Susana cobriu a boca com a mão. Os olhos incrédulos e assustados estavam cheios de lagrimas e o sorriso largo que antes ocupava nossos rostos sumiu no momento seguinte. Eu estava paralisado, não sabia o que fazer.

Susana, meio que sem folego, seguiu para a porta de “emergência” da sala do trono. O que acabamos de ouvir ali foi o suficiente. Fui atrás dela, saindo em silêncio. Aquele lugar atrás da sala do trono era praticamente deserto por se tratar de salas vazias. Susana estava apoiada na parede, tentando conter o choro que irrompia em sua garganta. Toquei seu ombro tentando pensar em algo para fazer ou no mínimo falar.

— Su, fica calma, — pedi quando nem eu conseguia ficar.

— Eu não acredito... – ela soluçou.

— Susana, seu pai não confirmou nada, fique calma.

— Eu não posso ficar calma com essa possibilidade, Caspian...

Afaguei seu rosto, olhando em seus olhos marejados tentando pensar em algo para dizer, mas eu não sabia por que eu também não conseguia ficar calmo com aquela possibilidade de Susana nos braços daquele imbecil, nos braços de outro homem. Só de pensar...

— Eu... Eu não vou deixar nada separar a gente, viu? – prometi, olhando em seus olhos, bem no fundo deles. Susana voltou a chorar e eu a abracei, ela deu a volta em minha cintura, deitando a cabeça em meu peito, beijei o alto de sua cabeça e afaguei seus cabelos enquanto a abraçava de volta.

POV. Lilliandil.

Caspian, Caspian, onde você está? Já rodei o castelo todo atrás de você... Esbarrei em alguém ao dobrar em um corredor.

— Ai... Desculpe – olhei para cima a fim de identificar minha vítima. Sorri. – Bom dia, papai.

— Para quê toda essa pressa? – perguntou, delicado como uma pedra.

— Eu estou procurando Caspian, você o viu?

Papai suspirou.

— Não, eu não o vi. – respondeu. – Talvez ele tenha saído.

— Ele está no castelo, Pedro disse que está. Eu vou continuar procurando, até logo. – desviei dele e segui pelo corredor.

— Até logo.

Bom, só havia aquela parte atrás da sala do trono onde eu acho bem improvável que ele esteja, afinal, praticamente ninguém utiliza aquelas salas desde que a Rainha Helena morreu. É ali, virando à esquerda. Ouvi vozes e ao reconhecer a de Caspian encostei as costas na parede bem ao lado da curva do corredor e fiquei escutando.

— Susana, seu pai não confirmou nada, fique calma. – pediu Caspian. Alguém chorava. Susana? O que ele estava fazendo ali com a princesa?

— Eu não posso ficar calma com essa possibilidade, Caspian... – ouvi a voz dela e depois se seguiram alguns segundos de silêncio. Resolvi dar uma espiada, discretamente olhando para o corredor, ainda escondida atrás da parede. Vi Caspian e Susana, ele tinha uma das mãos no rosto molhado de lagrimas dela.

— Eu... Eu não vou deixar nada separar a gente, viu? – disse ele, fazendo meu coração palpitar. Em seguida a abraçou, com a cabeça dela em seu peito. Voltei a me esconder totalmente atrás da parede para que ela não me visse.

Não!

Então é a princesa...

Não entendo como Caspian pôde se apaixonar por essa garota...! O que ela tem que eu não tenho?!

Ah, mas o rei vai gostar de saber que a filhinha anda de caso com o “confiável” general...

Espera... Isso pode ser-me útil em algum momento... Para trazer Caspian para mim. O rei não pode saber disso... Pelo menos por enquanto.

Notas finais
Estou aberta a sugestões, se quiserem dar alguma fiquem a vontade ;D
Beijokas!!