Notas iniciais
Boa leitura!

Houve um silêncio mortal em toda a sala e julguei que o único som que se podia ouvir era o da minha respiração. Por incrível que pareça, eu estava calmo, estava confiante. O silêncio prevaleceu por mais um tempo, com todos os olhares pousados em mim. Então o Rei Franco falou.

-E por que não poderia, general? — perguntou ele, calmamente, do mesmo jeito que falou quando queria saber minha resposta sobre o que fazer a respeito das fugas de Susana, com o mesmo olhar analisador.

-Por vários motivos, Majestade. — comecei. Fiquei em silêncio, não consegui continuar. Ele me analisou novamente por algum tempo.

-Está querendo me contar alguma coisa, general...?

É claro que ele sabia a resposta, mas creio que quis me ajudar a falar de uma vez.

-Sim, senhor... — engoli. — Majestade, eu... Eu sempre fui apaixonado por Susana, sempre... Sei que isso não seria motivo para cancelar esse casamento tão importante... Acontece que o Príncipe calormano descobriu isso, não sei como, embora suspeite. Descobriu também que havíamos nos encontrado algumas vezes e está usando isso para obrigá-la a casar com ele ameaçando contar tudo ao Rei o que talvez ocasionasse minha condenação, por isso Susana aceitou se casar com ele... — respirei. — Eu juro, Majestade, juro por minha honra que nunca desrespeitei Susana ou a deixei desprotegida.

De relance pude ver a expressão neutra de Dr. Cornélius, a confusa de Miraz, a apreensiva de Pedro e a chocada de Rabadash. Ele fora destituído de uma de suas principais armas e ele definitivamente não esperava por isso. O Rei também não. O silêncio que se seguiu fez meu coração chegar à boca.

-Então... As fugas de Susana...? — constatou o Rei. Eu assenti e ele pareceu inquieto em seu trono.

-Eu nunca a desrespeitei, nem a deixei desprotegida. — repeti.

O Rei suspirou. Então voltou-se para o príncipe.

-Isso é verdade, alteza? — ele lhe lançou um olhar um tanto quanto inquisidor. Todos olharam para Rabadash. Se ele mentisse, morreria aqui e agora. Ele demorou alguns segundos para responder, parecia nervoso.

-O que quer que eu tenha feito, foi com a intenção de ajudar nossos reinos. Porém – ele me encarou, olhando em meus olhos firmemente. — O General não é o único que nutre fortes sentimentos pela princesa. — falou sério. — Eu amo Susana.

-Você pode sentir qualquer coisa por ela, menos amor! — rebati, mas o Rei ergueu a mão para que eu calasse, e assim fiz.

O Rei Franco se levantou de seu trono, desceu os dois degraus e caminhou até Rabadash, passando por mim, sem tirar os olhos dele. Parou a sua frente, olhando-o nos olhos.

-Se ama tanto minha filha como diz... Como foi capaz de chantageá-la? — perguntou calmamente. O calormano não respondeu. — Caspian? — chamou o Rei, ainda olhando nos olhos de Rabadash.

-Sim?

-Você, Miraz, Pedro e Cornélius podem esperar lá fora... Eu preciso conversar com nosso convidado. — disse a última parte enquanto dava as costas para ele, retornando ao seu trono.

Rabadash me encarou com um ódio mortal enquanto eu saía da sala com os outros, pondo-me pacientemente a esperar do lado de fora.

Pov. Rabadash

Após sentar em seu trono, Franco passou a me encarar com uma expressão indecifrável por incontáveis minutos. Ele não falou, então decidir quebrar o silêncio.

-Majestade, eu... — dei um passo à frente, mas ele me interrompeu.

-Ainda não lhe dei permissão para falar. — repreendeu. Parei automaticamente. Ele continuou. — Minha confiança em meu general é muito forte, alteza, assim como também confio em minha filha, então espero que seja capaz de se defender sem seus conselheiros... Pois muito bem... Explique-se.

Notas finais
Com certeza Rabadash perdeu todos os pontos que tinha com o rei. E agora, o que será que ele vai dizer?
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Beijokas!!