Em 5 passos

1 Capítulo único


Notas iniciais
Oi, gente!
Essa é a minha primeira fic pro Jilytober e é um headcanon do que eu tenho como canon (que no caso seria o James pegando coisas trouxas para impressionar a Lily)... espero que gostem!

Eu juro solenemente não fazer nada de bom.

Oi, Aluado! Como você está?

Desculpa não ter escrevido nesses últimos 15 dias, fui para Londres, como você sabe, com meu pai e, enquanto achei que ficaria algum tempo em algum quarto parado, foi totalmente o contrário: Ele me levou para cima e para baixo como se fosse um guia turístico. Foi divertido ver ele animado, porém cansativo demais!

Mal espero para nos vermos na segunda-feira, nem acredito que passou tão rápido (e também não acredito que fazem 15 dias que não nos vemos, mal cheguei em casa e minha mãe já disse que está com saudades de vocês. Não de mim. De vocês.)

Encontrei o Sirius em Londres, mas ele estava com os pais, não sei bem o por quê. Emprestei a capa para ele antes de irem embora naquele dia, então ele conseguiu escapar algumas vezes para ir me ver e conversamos bastante. Parece que as brigas e castigos tem aumentado, não sei por quanto tempo mais ele vai aguentar, e nem por que ele aguenta.

Quer dizer, sei por QUEM ele aguenta.

Enfim, só passando para dizer que ele vem amanhã para cá de novo para irmos juntos para a plataforma… se quiser aparecer.... queria contar o meu mais novo plano de conquista para Evans, mas é melhor ser pessoalmente.

De qualquer forma, até daqui alguns dias!

Se cuida, tá?

Com carinho,

James P.

Mal feito, feito.

James dobrou o papel com cuidado e pegou o envelope ao seu lado para lacrá-lo. A carta para Remus era a última, visto que já havia escrito a de Peter e Frank antes. Para Sirius não havia mais o que escrever — além de ser arriscado mandar qualquer coisa para o amigo, poderia arranjar algum tipo de confusão para ele.

Estava acostumado em receber Sirius em sua casa desde o segundo ano que estavam em Hogwarts, e sua mãe sempre esteve disposta a receber qualquer um de seus amigos por ali, porém, por Sirius ela sentia algo especial, então, não era de se espantar que sempre o recebesse de braços abertos — e materiais prontos para ajudá-lo em algumas feridas que tinha pelo corpo.

O amigo viria daqui um dia mas James sabia que não conseguiria fechar os olhos até saber que Black estaria ali em sua casa finalmente seguro e pronto para mais um ano na escola de magia e bruxaria ao seu lado. Ainda mais por que precisava da ajuda dele para organizar todo o seu novo plano em relação à Lily Evans, sua grande paixão.

Olhou para a sacola no canto do quarto e suspirou fundo, seguido de um sorriso de lado. Esperava fielmente que desse tudo certo. E que não acabasse com um chute na canela e um braço quebrado como na última semana antes do quinto ano acabar.

Lily ficara realmente brava com aquela última tentativa de interação.

Estava tão fixo em seus pensamentos que apenas percebeu que sua mãe o chamava quando Marlene, sua amiga desde a infância e também vizinha, entrou em seu quarto anunciando o ocorrido:

— Você não ouve mais não? Sua mãe tá gritando há tempos; — a garotafoi em direção à cama e se jogou nela — Oh… estava pensando na Lily, tenho certeza!

— Não…

— Ora, James, você já é um péssimo mentiroso normalmente, quando se trata daquela famosa ruiva, fica ainda pior. — Ela tinha um sorriso malicioso de canto, que lembrava muito Sirius, e que James sempre se perguntava se era por isso que o garoto era seu melhor amigo, já que ele era a imagem e semelhança de Marlene, sua melhor amiga — me conta o que foi dessa vez.

— Não! Quando vocês ainda não se davam bem pode até ser que eu contasse, mas agora que vivem de amizade e que ela até passou uma parte das férias com vocês? Nunca!

— Sua amizade é mais importante, estamos anos juntos!

— Nem mesmo você acredita nisso.

— O que te faz pensar que sou tão fofoqueira assim?

— Por que você é!

— Tem alguma prova pra essa acusação ou só gosta de ficar falandomesmo?

— Você vai descobrir no tempo certo…

— Aposto que vai contar para Remus o que é tudo isso — Ela cruzou os braços e arqueou uma das sobrancelhas — sabe que ele é melhor amigo dela, né?

— Sei, mas ele é mais meu amigo primeiro! — James se levantou da cadeira em que estava sentado e andou até a cômoda onde estavam as outras duas cartas que ele enviaria para os amigos.

— Se você acredita nisso dizendo em voz alta… — Marlene deu de ombros, ela costumava ter a mania de querer provocar o amigo e deixá-lo confuso, às vezes ela e Sirius apostavam quem conseguiria fazer ele ficar com a menor coisa possível. Marlene estava ganhando até então.

— Para com isso! — Ele pega um outro sapato para descer ver os pais da amiga — Sirius está para chegar hoje a tarde.

— Eu sei, ele me escreveu.

— Ai! — O garoto colocou a mão esquerda no peito fingindo dor. — Ainda dói saber que vocês são melhores amigos e me trocam.

— Não é uma troca, é apenas… procurar por algo melhor. — Ela fez uma cara de explicação enquanto James revirou os olhos. — Vamos! Sua mãe ainda tá esperando.

James deu um empurrão nela, que a fez tropeçar e cair no chão, causando uma crise de riso nos dois e que, mesmo com Fleamont, pai de James, indo ver o que aconteceu, não cessou a risada — e lágrimas — que saiam dos dois amigos.

(...)

— Sirius ainda não chegou. — Já eram 7h da noite e James andava de um lado para o outro pela sala de estar preocupado com o sumiço do amigo — E se aconteceu alguma coisa, vocês sabem, não na rua mas na casa dele.

— James, Sirius logo chega. Fique tranquilo, se continuar assim vai ter mais cabelos brancos do que seu avô! — Fleamont falou sem levantar os olhos do jornal que estava lendo na poltrona.

— Falo sério! Como podemos saber de algo?

— Ouça seu pai, James, ele está bem! Sabe que é um garoto esperto e que nos avisaria qualquer coisa. — A mãe de James, Euphemia, disse vindo da cozinha — Fleamont venha me ajudar!

— Não se alguma coisa tenha a ver com Regulus… — O ponto fraco do amigo era o irmão mais novo que, mesmo não falando direito com Sirius há uns 5 anos, o garoto continuava indo à casa da família para se certificar de que o irmão estava bem, mesmo James e todos os outros terem insistido diversas vezes para isso parar — Vocês sabem que ele é protetor e sensível e fica na defensiva quando se trata dele.

— Sabemos também que você não gosta de Regulus, mas tem de entender o lado dele. — A mulher falou.

— Qual lado é esse exatamente?

— James, entendemos você se preocupar com seu amigo, vocês são como irmãos também, e nós entendemos… mas ele também tem outro irmão e assim como se preocupa com você, se preocupa com ele — Fleamont parou de falar para reclamar de algo com a esposa, mas logo retomou — mas, em alguns momentos, quem precisa de mais atenção dele é Regulus, e não você.

— Isso não me deixa mais tranquilo, sabe? — Logo que terminou a frase ouviu uma batida na porta e foi até a porta atender. Sabia que em tempos como os atuais não era correto fazer algo sem analisar, tirar provas, até nas tarefas mais básicas, mas estava cheio de preocupação e não se sentia no momento de analisar tudo — embora, talvez, esse fosse um dos principais momentos para investigações.

Mas, logo quando viu o amigo com a camiseta rasgada, algumas marcas pretas como sujeira pelo braço, o cabelo comprido preso para trás e desarrumado, e uma mala na mão, James não conseguiu pensar no protocolo do qual teriam de seguir.

Ele apenas o abraçou.

E Sirius o abraçou de volta.

Sirius e James se conheceram no primeiro ano de Hogwarts e desde o trem se entenderam, e, conforme o ano foi passando, ficaram cada vez mais próximos até que, agora, no sexto ano, eram irmãos — Sirius chamava Euphemia de mãe. Ainda tinham os outros amigos e, em principal, os dois amigos Remus e Peter, que dividiam quarto e formavam um grupo íntimo.

Porém, a relação dos dois era algo exclusivo a eles, e nada poderia quebrar aquele elo que haviam estabelecido. Sendo assim, vê-lo ali, após horas de preocupação e centenas de cenários trágicos do que poderia ter acontecido ao amigo, fez com que James não pensasse e apenas o abraçasse, para saber que ele estava ali realmente.

Quando, enfim, se separaram, foram para dentro da casa, onde os pais de Potter já estavam ali para receber o garoto e fazerem as perguntas habituais: ‘’Vocês está bem?’’, ‘’Como foi a viagem?’’, ‘’Aconteceu alguma coisa?’’, ‘’Como Regulus está?’’, ‘’E em casa?’’

E, após essa pergunta, Sirius começou a chorar. E James tinha o visto chorar daquela forma poucas vezes.

— Six… o que aconteceu? — James perguntou, sentindo uma raiva subindo por seu corpo mesmo sem saber o que havia acontecido.

— Nada… — O garoto disse ainda cobrindo o rosto com as mãos e assoando o nariz nos papéis que Euphemia havia pego no banheiro.

— Sirius… fale com a gente, somos sua família. — Ela lhe ofereceu um sorriso, mesmo que ele não estivesse vendo, e colocou sua mão em cima da mão livre dele.

— Finalmente saí de casa. De vez.

— E isso é uma má notícia? — James deixou escapar, recebendo um olhar ameaçador dos pais — Quero dizer, você sempre sofreu lá, Six!

— James, você sabe qual era a minha questão ali, não sabe? — Sirius olhou para o amigo — E além de ter ele, eu tive algumas tarefas propostas pela Ordem por ali e que precisavam serem cumpridas, e agora nada mais eu posso oferecer.

— Seu irmão disse algo?

— Você sabe que não! E não me venha querendo me dar aquele sermão sobre deixar ele pra lá, por que sabe bem que não faria isso com nenhum de vocês, quem dirá com ele!

— Só acho que tá na hora de você seguir em frente!

— DEIXANDO ELE LÁ? — Sirius se levantou do sofá que estava e foi em direção a Potter que o imitou. — Sabe bem que é meu irmão, Potter… Mas sabe também que não tem permissão de falar um A sobre Regulus, não perto de mim. Ele tem os motivos dele.

— Os quais ele nunca fala!

— ACHA QUE É FÁCIL SE VOLTAR ASSIM? PRINCIPALMENTE QUANDO ESTÁ TÃO ENVOLVIDO COMO ELE ESTÁ?

— NÃO JUSTIFICA NADA! VOCÊ FEZ ISSO!

— POR QUE EU CONSEGUI ENTENDER, JAMES, MAS TALVEZ EU NÃO TIVESSE A MESMA OPORTUNIDADE, REGULUS TEM ALGUM CARINHO DA MINHA MÃE AO MENOS!

— PAREM DE GRITAR, OS DOIS! — Euphemia se levantou e colocou a mão entre eles. — Sentem agora!

— James, você sabe que ainda não é fácil para mim, mas eu nunca quis me envolver. Nunca fui aceito ou amado, ou recebi o mínimo de atenção que não fosse de Regulus ou Andy, você sabe disso. — Sirius suspirou — Regulus, mesmo sem mim, tinha pelo menos alguma atenção não tão agressiva. Não sei como ficou após eu ter me afastado, mas até então era assim. Você também sabe que ele era uma criança quando se envolveu realmente, e descobrimos a pouco que ele é visto como um prodígio para Você-sabe-quem… como espera que ele se vire contra, James?

— Eu entendo… mais ou menos. Mas você não merece passar por isso, Sirius, e finalmente está fora. — Potter sentia muito, mas não conseguia deixar de ficar aliviado pelo amigo finalmente estar fora de lá.

A sala ficou em silêncio por um tempo, todos analisando o que havia acontecido nesses poucos momentos em que presenciaram juntos.

— O que acham de subirem, arrumarem tudo, virem comer e esquecermos tudo isso por hoje? Amanhã é um novo dia, ainda têm 3 dias para vocês irem para Hogwarts, o que significa que é um bom tempo para conversarmos e acertarmos algumas coisas. — Euphemia quebrou o silêncio se levantando e batendo as mãos — Vamos, os dois subam sem se matarem, arrumem tudo e daqui a pouco eu chamo para o jantar. Fleamont, vamos terminar.

Dito isso Sirius e James se encaminharam para a escada que levava para o andar de cima, enquanto o homem ia até a cozinha para ajudar a esposa.

Os dois garotos ficaram quietos por um tempo, analisando suas próprias falas e pensamentos. Sirius colocou as roupas nas duas gavetas já reservadas para ele na cômoda do amigo, e James pegou um lençol novo para a cama de cima da beliche em que dormia — essa que foi adquirida após os pais dele perceberem que Sirius passaria muito tempo por ali.

Após arrumarem tudo, James deitou em sua cama e encarou o estrado da cama de cima, e Black sentou-se na cadeira próxima à mesa que tinha no quarto, parando os olhos na sacolas no canto.

— Vai mesmo fazer isso, hum? — Ele perguntou com um sorriso de lado.

— Você quem me incentivou…

— Sabe que só faço isso por que gosto de te ver levar alguma bronca da Evans, certo?

— Eu sempre imaginei que esse era o principal motivo mesmo… as máscaras sempre caem. — James havia se apoiado em um braço e sorriu para o amigo — E você e Remus?

— O que tem? — Sirius começou a corar.

— Estamos agindo como se os últimos anos não existissem e, em principal, o quinto ano, onde finalmente se beijaram e coisa assim?

— Eu beijo muitas pessoas, Potter. — O garoto deu de ombros.

— Mas só fica atrapalhado perto de uma, Black.

— Ele vai vir pra cá.

— Eu não sei, não recebi resposta. — James se arrumou, sentando no colchão.

— Eu tô afirmando: ele vai vir. Eu havia comentado que viria pra cá antes de Hogwarts, como sempre, e ele disse que iria vir também.

— POR QUE VOCÊ TÁ CONVIDANDO GENTE PRA VIR PRA MINHA CASA?

— VOCÊ SEMPRE DISSE QUE ERA MINHA TAMBÉM.

— Touché. — James apontou para o amigo — Vocês são namorados agora?

— Não sei.

— E se sim?

— Não sei.

— Você fica nervoso?

— Talvez.

— Isso é muito engraçado, agora eu entendi por que você implica comigo gostar da Lily.

— Só é engraçado quando é com você, James. — Sirius rebateu.

— Te garanto que estou me divertindo muito agora.

— Você é um idiota. — Black disse bem a tempo de ouvirem a mãe de James gritar para eles irem jantar — E isso aí — Ele apontou para a sacola — não vai dar certo não, não sei quem te aconselhou a isso.

— VOCÊ!

— Tem alguma prova? — Sirius se levantou da mesa e foi indo em direção da porta, enquanto James o imitou e foi seguindo ele.

— Por Merlin, você e Marlene são iguais e insuportáveis. — James disse e fechou a porta atrás de si.

(...)

— Você realmente nunca vai desistir, né? — Remus disse após James explicar empolgado seu plano e Sirius complementar por vezes, ainda mais empolgado.

— Desistir é algo que não conheço no meu vocabulário. — James deu um sorriso largo.

— Vamos torcer para que dê certo, já é quase nosso último ano… não vão ter mais chances depois disso… — Remus deu de ombros.

— Como assim?

— Ah, é só que vamos viver coisas separadas quando tudo isso acabar, sabe? Não vai ser tão fácil como é hoje.

— Tá falando que não vamos mais ser amigos? — Sirius colocou a mão no peito e fez uma cara de triste.

— Não é isso, Sirius, é só que vai ser mais difícil de nos vermos e tudo o mais. Com uma vida adulta e tudo o que vem acontecendo… — Remus explicou — Por Merlin, James! Não é para chorar! Não é o fim do mundo, é só a vida normal!

— NÃO É VIDA SEM VOCÊS! — James abraçou Sirius que lançava um olhar feio para o mais alto.

Já era sábado e Remus havia chego mais cedo naquele dia. Após conversarem com os pais de James, almoçarem, arrumarem a louça e tudo mais o que Euphemia pediu, subiram para o quarto do Potter mais novo para conversarem sobre o tempo que passaram sem se ver e sobre o que James havia planejado para Lily esse ano.

Remus Lupin era, o que se poderia chamar, o sensato do grupo de amigos — contando eles, Peter e Frank — e, era comum que ele ou melhorasse os planos para que não sofressem muitas punições ao final deles, ou apenas falava o quão ruim era a ideia de tudo aquilo.

Seja de uma forma ou de outra, ele normalmente participava das brincadeiras, mas quase nunca ficava em problemas como eles. E esse era o motivo pelo qual James torcia muito para a aprovação dele para essa nova ideia: Além de ser um de seus melhores amigos, o garoto também era melhor amigo de Lily. Se ele falasse que funcionava, Potter com toda a certeza poderia seguir firme em seu plano.

— Mas você gostou ou não? — James disse se recompondo da cena dramática de alguns segundos antes.

— Achei interessante… — Remus se levantou da cadeira onde estava e andou até eles — Pelo menos não vai ser nada mortal ou coisa assim.

— Mas ainda tem as chances dele sair machucado… — Sirius bateu a mão na costa do de óculos e sorriu.

— Você se diverte com a minha dor?

— Nunca!

— Falso.

— Falou com Lily essas férias? — Sirius perguntou puxando Remus pela mão para que sentassem lado a lado na cama.

— Bem pouco… Ela passou as férias com os pais e Petúnia, mas passaram em uma casa de praia meio que escondida por conta de, bom, tudo. — Remus passou a mão pelo cabelo claro e se apoiou nos joelhos — Dávamos o mínimo de informação possível sobre onde estávamos ou detalhes assim que poderiam ser usados. Algumas cartas eram até em alguns códigos que eu, ela, Alice e Mary fizemos antes do verão para nos comunicarmos, mas às vezes o medo era maior então ficávamos básicos.

— Alguma notícia de Snape? — James sentou na mesa e cruzou as pernas.

— Não que eu saiba… a última vez que soube dele foi antes de ela sair para a casa de praia, aparentemente coisas aconteceram com Petúnia. Lily tem a impressão que foram mágicas, mas não tem como provar nada.

— Desgraçado.

— Ele é. Ela ainda fica meio insegura, principalmente quando anda sozinha, mesmo no castelo.

— Eu lembro, várias vezes ela pediu pra eu acompanhar ela até algum lugar e esperar um tempo pra ela ver se tinha alguém conhecido ali e ela poderia ficar. — Sirius jogou o corpo para trás e se apoiou nos braços.

— Ela, Mary, até mesmo Emmeline tem tido esse medo, no caso das duas primeiras é por serem trouxas, no caso de Emmeline é por que recebeu bilhetes escritos ‘’Traidora’’, e alguns feitiços. Ela até mesmo perguntou se poderia trocar pra um dormitório sozinha pois, mesmo que as meninas do dela tenham tratado ela bem, morre de medo de isso mudar do nada. — Remus falou.

— Ela foi na casa dos Black quando eu estava lá, cumprimentei ela mas não podíamos falar muito, até por que né… Mas, como ela é amiga de Reg, ficaram por bastante tempo conversando. — Sirius suspirou — Pelo menos sei que ele tem uma boa influência nessa parte, Cissa também não conversou muito com ele dessa vez.

— Vai me contar o que aconteceu com você por lá? — Lupin olhou para o garoto, que encarava o chão com um olhar triste.

— Finalmente estou com a minha belíssima cara queimada na tapeçaria da família, pertinho de Andy! — Ele abriu um sorriso — A perda é deles, sabe? O meu rosto é extremamente bonito, dava um brilho à mais para tudo aquilo.

— Você é um idiota.

— Só por que você gosta muito. — Sirius disse mandando um beijo para o mais alto logo após.

Era bom tê-los ali, algo em James se confortava quando tinha notícias de seus amigos ou quando os via. Principalmente em tempos como os que estavam vivendo desde muito novos, em meio à uma guerra, um encontro de ideologia terrível e que pregava pelo ódio e morte, que ameaçava pessoas que amavam, e se sentiam com medo de uma forma constante.

James não gostava de pensar que aquele era o seu penúltimo ano em Hogwarts, e muito menos gostava de pensar no que acontecia no mundo lá fora. Não que ele não se importasse, mas, quando o jornal costumava chegar, ele tinha mania de ignorar quando seu pai contava algum atentado que acontecera, ou, simplesmente saía do cômodo para não ter de ouvir. Isso fazia com que ele não se culpasse tanto por não estar lá fora fazendo algo de útil; fazia com que ele não sentisse tanto medo por aqueles que conhecia; fazia com que ele não sentisse uma raiva extrema dentro de si que sentia que era impossível de controlar.

Portanto, focar em coisas como, qual matéria terrível ele escolheria odiar esse ano; quais pegadinhas eles fariam; quantas festas conseguiriam organizar; e como iria tentar conquistar Lily Evans, faziam com que ele não perdesse a cabeça de vez.

Pensou no que Remus disse sobre códigos e não falar muito sobre localizações e não havia pensado nisso um momento se quer. Durante todas as cartas citava onde estavam, ou como estavam e chamava os amigos para virem para sua casa sem problema algum. E, não é que não houvesse percebido que Remus e Frank estavam sendo mais diretos e ríspidos nas cartas, mas apenas pensou que estavam sendo eles, já que tinham mania de serem sérios ou ficarem nervosos por coisas acontecendo ao redor.

Não havia percebido que já estavam nesse nível.

Ou até havia, só não queria admitir para si mesmo isso.

— Mas, então, acha que vai realmente dar certo esse ano com Lily? — Remus o trouxe de volta dos pensamentos.

— TENHO! — James pulou novamente no chão — Dessa vez Evans não vai resistir a mim.

— Tenho minha dúvidas nisso, campeão. — Sirius se levantou e se espreguiçou — Vamos lá fora um tempo fazer alguma coisa? Ficar enfurnado aqui me lembra a grande casa.

— Você está comparando a minha casa com a sua, Sirius Black?

— Meu amigo, agora é NOSSA casa. E você entendeu o que quis dizer.

— Que não se repita.

— Vamos logo. — Remus foi em direção à porta e esperou que os dois passassem, em meio à risadas.

James nunca falaria isso para eles ou para qualquer outra pessoa, mas, considerando tudo, sempre tinha medo de que aquelas fossem suas últimas risadas.

(...)

Haviam chegado a pouco tempo em Hogwarts. Todos já estavam com o uniforme e esperavam em filas bagunçadas a permissão de algum supervisor para poderem entrar no castelo e começarem a seleção dos novos alunos para as quatro casas — Grifinória, Sonserina, Lufa-lufa e Corvinal.

James já havia encontrado o resto dos amigos no trem, mas ainda nada de Lily ou Alice por perto. Remus garantiu que já vira elas em uma das cabines, e que logo apareceriam, mas, conforme o tempo ia passando o garoto ficava mais nervoso que Frank, que era namorado de Alice.

Ele finalmente relaxou quando, segundos após a professora Minerva chamar para entrarem no castelo, Lily Evans passou por ele com seu cabelo ruivo-avermelhado, com um grande sorriso no rosto, as bochechas vermelhas como se tivesse corrido, enquanto puxava a mão de Remus, que momentos antes estava perto de James:

— Opa, Potter! Olha por onde anda! Fez os exames de vista nessas férias? — Lily disse ainda andando.

— Sempre, Evans. Fica ainda melhor para te ver, sabe? — Mas James não recebeu nada mais do que uma revirada de olhos com um sorriso de canto, pois a garota já estava lá na frente.

— VEJO VOCÊS DEPOIS! — Remus gritou, mais direcionado a Sirius do que qualquer outro.

Os dois eram monitores da casa da Grifinória desde o ano anterior, por suas notas e comportamentos, o que James e Sirius levaram como uma ofensa terrível já que eles tinham comportamentos bons: quase sempre alegravam as pessoas à sua volta. E suas notas também eram boas.

Mas ficavam felizes pelos amigos. Além disso, era uma boa forma de conseguir se safar de algumas coisas que faziam durante à noite — não sempre, pois Remus conseguia ser bem chato quando queria.

Depois de entrarem e se sentarem na mesa da Grifinória, ouviram um discurso de Dumbledore sobre os tempos em que têm se passado, e a importância de cuidarem um dos outros, mesmo em dependências como as do castelo. E deixou explícito que, qualquer tipo de ação de ódio contra um grupo ou pessoa, seria firmemente punida.

James não pôde se conter a lançar um olhar para um grupo específico na mesa na extremidade esquerda do salão, onde conseguia ver Severus Snape sentado com a cara fechada como sempre. Potter sabia dos ‘’acidentes’’ que aconteceram no último ano com alunos trouxas ou mestiços e que, coincidentemente, ou Snape ou algum amigo seu sempre estava por perto no momento em que acontecia, e sabia também que Lily e o sonserino não se falavam mais após ele ofende-la na frente de muitas pessoas — James e os amigos inclusos nisso.

Ele não podia deixar de imaginar como seria fazer algo grande com Snape, algo com que fizesse ele realmente se arrepender de tudo o que fazia, o que faria, e o que pensava. ‘’Como era ridículo, andando com o nariz empinado por todo o colégio, como se realmente tivesse alguma importância ou fizesse algo de bom para o mundo.’’ James pensava, ainda encarando o garoto que prestava atenção em algum discurso que Slughorn dava no palanque.

— Você vai estragar o garfo. — James ouviu uma voz suave em sua orelha o fez estremecer.

— Não chegue perto de mim assim, Evans, sou um homem com reflexos de lutador ágil, podia estar te atacando agora mesmo. — Ele soltou o garfo que não havia percebido que estava o apertando com tanta força, e viu Lily jogar a cabeça para trás em uma risada alta.

A chegada de Lily fez ele se lembrar por que não machucava Severus: ela não se sentiria bem se algo acontecesse com ele, mesmo depois de tudo ainda sentia um sentimento de compaixão por ele, e James não queria jogar a amizade que estavam construindo no lixo por algum tipo de vingança. Ele sabia que quando fosse a hora, Snape iria pagar por aquilo tudo.

— Você faz com que eu solte boas risadas, Potter! Você não consegue matar nem um inseto!

— Está me subestimando. — Ele revirou os olhos.

— Acha que não lembro daquela aula de que tivemos de encarar o nosso bicho papão e você desmaiou com a barata que apareceu quando Dorcas foi à frente?

— ELA SUBIU EM MIM!

— Não subiu nada, ela tava lá na frente ainda, você que é medroso.

— Sua diversão é me ofender?

— Me mantém com o espírito vivo. — Ela sorriu e ele arqueou a sobrancelha.

— O que acha então de manter esse espírito vivo e o meu me dando a honra de um encontro em Hogsmeade?

— Você sabe como estragar o clima, né, Potter?

— Não custa nada tentar, Evans. — Ela revirou os olhos e deu um tapa nele indicando para olhar para frente, o que fez com que ele soltasse um ‘’Ai!’’ e recebesse um olhar de advertência de Remus, que estava com as mãos na de Sirius por baixo da mesa.

James sorriu ao pensar que um dia Lily aceitaria, finalmente, o pedido de encontro que ele fazia desde o terceiro ano ali, sorriu também ao ver os dois amigos felizes à sua frente, e ao ver Frank e Alice conversando baixo. Ficou satisfeito de ver Peter e Marlene debaterem algo sobre posições de quadribol na Copa, e como Dorcas estava mais solta para interagir.

Não se censurou a virar novamente para a garota ruiva ao seu lado e a admirar, mesmo que ela estivesse de costas falando com alguma aluna do quarto ano. Ele apenas não conseguia evitar pensar em como ela era bonita, gentil e engraçada, e como parecia não fazer o mínimo para conseguir encantar qualquer um que encontrasse com ela.

O garoto não conseguia não pensar em como Lily o fazia se sentir, como ela o alegrava e como era divertido estar perto dela, desde que se conheceram, e mesmo que muitas dessas vezes tenham sido por meio de xingos que ela soltava. James não poderia dizer que sempre que estavam em aula em dupla, que ele não tentava ficar com ela ou, pelo menos, perto dela — já chegara a subornar Mary para que ela deixasse ele ficar perto dela na aula de Runas Antigas.

Lily não devia fazer a mínima ideia do efeito que tinha sobre James. Quer dizer, ela sabia que James tinha uma queda por ela, não tinha quem naquele lugar que não sabia. Minerva até se oferecera para tentar ajudá-lo, pois, segundo Sirius, ela já estava com pena do garoto.

Mas Lily não devia saber que o efeito era tanto que James passava dias planejando o que faria como forma de conquista para a garota, e de como se sentia se acabava magoando a mesma com alguma brincadeira ou atitude. Depois que Lily e Snape pararam de se falar — o que fora um processo que vinha acontecendo desde o terceiro ano, pois eles se afastaram consideravelmente, mas teve fim realmente no quinto ano — ela passou a ficar mais próxima de Potter, e até o ajudou em uma ou duas brincadeiras que ele fizera com Peter e Sirius, onde Sirius disse que a consideraria uma marota substituta, mas Lily disse que não nascera pra ser substituta de ninguém.

Quando a garota se voltou novamente para a frente, deu de cara com ele a encarando, apoiado em uma das mãos com o cotovelo da mesa, e, naquele momento, era impossível dizer qual dos dois ficara mais vermelho, se Lily por ter ele tão perto de si encarando com a cara boba que sempre fazia perto dela, ou se James por, basicamente, o mesmo motivo.

Os dois fingiram que nada havia acontecido, mas Alice, que estava na frente deles com Frank, vira, e com certeza não deixaria Lily esquecer daquilo tão cedo. Mas, mesmo que Evans quisesse, ela iria para a cama naquela noite tendo flashes desse momento, e, como que involuntário, dormiria com um sorriso no rosto ao pensar em James a vendo próximo daquela forma de uma forma tão adorável.

E ela odiava pensar em como ele era adorável.

(...)

— Então… — Frank disse sentado ao lado de Remus na cama do mesmo — Seu plano é conquistá-la com coisas de trouxas? Como exatamente você vai fazer isso?

— Dessa vez decidi não usar coisas extraordinárias, apenas o comum. — James mexeu na sua mala.

— E isso tudo em uma revista? — Peter perguntou.

— Exato, meu amigo! Veja, eu e Sirius achamos essa em uma daquelas coisas que tem revistas.

— Bancas. — Sirius disse. Ele estava deitado em sua cama levantando uma bola de papel com a varinha.

— Isso. Então, passamos lá e na capa está escrito ‘’5 Passos para você conquistar (ou reconquistar) o coração de sua amada’’, e eu pensei, Por que não?

— Porque é estúpido. — Remus revirou os olhos.

— Vamos ver se vai dizer isso quando eu conquistar a Evans.

— Quais os cinco passos? — Frank perguntou.

— Ainda bem que perguntou, Longbottom… — James limpou a garganta — 1º passo: vista-se com elegância, com roupas limpas e cheirosas, onde possa ficar bonito aos olhos de quem quer impressionar.

— Perdemos um ponto aí, não existe roupa limpa para o James. — Sirius disse se apoiando em um dos braços e dando um sorriso.

— Eu posso confirmar! — Remus se levantou e foi até o de óculos, e o cheirou, e James o empurrou segundos depois.

— Saibam que sou um garoto muito cheiroso e elegante. Continuando… 2º passo: Tenha cara de pau, porém, não se esforce tanto. Toda mulher gosta de um pouco de atitude, mas, se conhecer alguém e logo já mandar flores e ligar sempre, ou perguntar como ela está, verá que logo ela irá se cansar e parar de falar com você.

— Ou seja, pare de falar com ela? — Lupin se sentou na cama de Sirius, que levantou rapidamente.

— Claro que não! É apenas um jogo de interesses, estou interessado e não estou, é simples.

— Alice me bateria se eu fizesse isso.... — Frank passou a mão no cabelo.

— Ainda bem que você sabe. — Remus sorriu.

— 3º passo: Faça ela rir. Nesse momento aproveite para observar a linguagem corporal dela, se ela se aproxima de você, se se afasta, se há algum sinal de fingimento nas rugas do rosto, e assim saberá se pode avançar mais.

— Calma...Você está falando sério, James? Eu achei que era brincadeira quando me contou aquele dia. — Lupin falou.

— Estou.

— James.

— Eu.

— Só...Continua.

— Ok! 4º passo: Tenha amigas. Você não sabe como as mulheres se sentem competitivas perto de outras, veja nisso algo para avançar, tenha amigas por perto e verá ela lutando por você.

— Sim, por que, como bem se lembram, semestre passado Lily arrancou os cabelos daquela quartanista que você saiu. Por Merlin, Potter! — Remus falou incrédulo.

— Eu tenho um plano.

— É isso o que eu tenho medo.

— 5º e último passo: Saiba conversar bem, e aprenda isso na nossa revista ‘’5 dicas para iniciar uma conversa com uma mulher’’, ok, não temos essa então irei me virar. — James fechou a revista com um ar de triunfo. — O que acharam?

— Que não vai dar certo. — Peter disse.

— Obrigado pelo apoio, Pete!

— James… eu quero muito ver onde isso vai dar. — Frank falou.

— E vocês verão, amanhã já coloco meu plano em prática e vocês vão ver que até o passeio a Hogsmeade, Lily estará comigo.

— Isso vai ser ótimo. — Remus jogou a bolinha de papel em James e se jogou na cama de Sirius.

James acreditava que tudo ficaria certo no fim de tudo, e que aquilo realmente funcionaria. Já vira Lily rir diversas vezes dele, e eles conseguiam uma boa conversa quando ele não fazia algo para irritá-la… A parte do ciúmes era algo suspeito mas James esperava conseguir algo com isso.

E o primeiro passo: sua mãe sempre lhe disse que era um garoto muito cheiroso. Não tinha como falhar.

Ele estava confiante disso tudo.

(...)

— É o primeiro passo hoje? — Sirius perguntou ao lado de James enquanto colocavam a gravata correndo pelo corredor, já que haviam perdido o horário e não queriam chegar atrasados na primeira aula do ano. Não era um bom jeito de se iniciar.

— Isso!

— Cadê as roupas?

— São essas, mas mais tarde vou usar roupas arrasadoras, para impressionar mesmo.

— Essas estão fedidas.

— Para de ser idiota! É a primeira vez que tô usando!

— Então, o problema é você…

— Você é um idiota.

Entraram na sala de Feitiços e respiraram ao ver que o professor Flitwick ainda não estava por ali. Foram até a mesa próxima dos amigos, e James cumprimentou Lily com uma piscada — havia lido que talvez fosse efetivo, como um charme a mais — ao passo que ela perguntou se ele estava com alguma coisa no olho, e causou risadas no resto do grupo, e uma cara de confusa em Evans.

Durante toda a aula, Lily perguntou que cheiro era aquele, e James estufava o peito de orgulho e virava para trás perguntando ‘’Você também está sentindo?’’ e soltando um sorriso logo após, mesmo que, na verdade, não estivesse sentindo nada pois ainda estava com o nariz trancado devido o seu último resfriado.

Ao fim da aula, Marlene chegou mais perto dele e perguntou o mesmo, e ele se sentiu realmente orgulhoso do efeito. Havia passado um frasco de perfume que achou jogado nas coisas de Sirius e não imaginava que era algo tão bom dessa forma.

Até que, no almoço, sentou-se perto de Remus e o amigo quase caiu do banco.

— O que diabos é isso, James? — Lupin dizia cobrindo o rosto.

— O que tá acontecendo? — Peter perguntou à frente deles.

— O cheiro de James, o que é isso? Eu pensei que era algo errado em alguma coisa de ar do castelo, ou Pirraça fazendo alguma brincadeira nojenta, não imaginei que era você! — Remus falou ainda com a mão cobrindo o nariz. — Você não avisaram ele? — Ele se virou para os amigos que estavam ali.

— Eu perguntei que cheiro é esse e ele só perguntou se eu também estava sentindo… achei que sabia. — Marlene falou em defesa.

— Espera… eu tô cheirando mal? — James perguntou.

— Muito! — Alice respondeu.

— POR MERLIN! — James se levantou do banco rápido — Sirius, vem comigo.

— Por que?

— Agora! — E os dois saíram do local em disparada.

Quando estavam mais próximos do dormitório e James focava em sua mente nos banheiros, onde poderia se esfregar para tirar qualquer cheiro que tivesse e que, aparentemente, era horrível, tiveram o obstáculo de encontrarem a professora Minerva, que conversava com alguns calouros próximo à entrada da Sala Comunal da Grifinória.

— Oh, Senhor Potter e Senhor Black! Que ótimo ver vocês aqui. — Ela chamou, fazendo com que os dois virassem novamente para ela, já que já se preparavam para correr para longe.

— Minnie! Quanto tempo! — Sirius se aproximou dela e tirou algumas risadas dos mais novos ali.

— Senhor Black, tenha respeito! Bom, será que vocês poderiam ajudar esses novos alunos com as regras? Parece que não entenderam bem ontem…

— Remus e Lily não são tão bons, não é? — Sirius fez uma cara de decepção.

— Eles são incríveis, mas sejam bons e talvez eu os libere da detenção.

— Não pegamos detenção hoje.

— Ainda. — Ela se afastou de Sirius e, ao passar por James, parou e se virou para ele — Potter, isso é você? O que aconteceu?

— Eu não sei…

— Vá tomar um banho! Rápido! E Sirius, ajude eles. — Ela balançou a cabeça e seguiu o caminho — Não sei o que faço com esses dois.

— Encontro você daqui a pouco. — Sirius avisou e James entrou, indo direto para o banheiro.

James realmente não sabia o que havia acontecido. Havia planejado tudo muito bem e muitas vezes repassou. Iria chegar em Lily, ela sentiria seu cheiro e o elogiaria ao longo do dia, pois é muito tímida para isso, mas James faria como se não fosse grande coisa, como o 2º passo manda, mas elogiaria de volta, dando de ombros para mostrar que não se importa tanto assim.

Mas, agora, ali estava ele, embaixo do chuveiro se esfregando torcendo para que aquele cheiro saia. E o pior? Não conseguia sentir nada então torcia para que Sirius estivesse de volta logo.

Após alguns minutos se esfregando, James teve a certeza de que teria de faltar nas aulas de hoje, pois apenas uma hora não seria suficiente para se esfregar. E apenas uma hora não seria suficiente para superar a vergonha de hoje.

Algum momento depois ouve alguém chamar:

— James?

— Aqui.

— O que aconteceu? — Sirius perguntou.

— Você tá se segurando para rir, né?

— Só faço isso quando você estiver bem, não sou tão ruim assim, principalmente com meu irmão.

— Você é um falso… — James falou, ainda se esfregando e conversando com o amigo pela cortina — Eu passei um perfume que estava nas suas coisas.

James não ouviu uma resposta além de uma gargalhada alta do outro lado.

— É sério, Sirius?

— Desculpa… é só que… ai ai — Sirius respirou fundo tentando recuperar a respiração — Aquilo era pra uma pegadinha mesmo com algum de vocês… não acredito que não tive de fazer NADA! HAHAHAHAHAHA.

— NÃO TEM GRAÇA! E você não faria com qualquer um de nós… tem alguém em específico que está a salvo…

— Acha mesmo que vai conseguir tirar o foco de você, Potter? Ainda tô sentindo o cheiro.

— Eu te odeio.

— Mentir é feio.

Ficaram por um tempo em silêncio, onde James analisou se seria uma boa ideia pedir para Sirius esfregar suas costas. Já haviam se visto sem roupa, mas aqui corriam o risco de alguém entrar e ver algo a mais.

— Quer ajuda pra esfregar as costas? — Black falou.

— Como você sabia que eu tava pensando nisso? Enfim… o que é aquilo no frasco?

— Não sei, comprei numa loja no beco diagonal, pelo menos sei que valeu a pena.

— Se eu não me casar com a Evans eu vou culpar você.

— Eu deixo você morar comigo e com Remus.

— Eu te odeio.

Depois de muitas conversas, esfregadas — das quais Sirius teve participação em alguns momentos — e reclamações por parte de James, eles finalmente saíram do banheiro e foram para o dormitório, que ainda estava vazio.

Os outros provavelmente estavam na penúltima aula, então Sirius e ele ainda tinham algum tempo sozinhos. James tentou pensar no próximo passo a seguir, sem que tudo desse errado dessa vez.

— Não sei por que ainda tento, sabe? Se essas coisas acontecem eu deveria tirar como um aviso do céu? — Potter falou se sentando frustrado na cama e Sirius sentou logo ao seu lado.

— É porque você sabe que ela deve sentir alguma coisa.

— Ter fé e saber são coisas diferentes.

— Sei lá, só fico, cansado às vezes.

— Eu entendo… Mas mesmo assim você continua.

— Por que sou idiota.

— Sim.

— Obrigado.

— Por nada.

Passaram o resto da tarde discutindo sobre planos para pegadinhas que poderiam fazer durante o ano, algum ritual de passagem com os alunos do primeiro ano de todas as casas e um só com os da grifinória. Algo diferente para fazer com os amigos, como uma festa temática. E, principalmente, algo que deve ser feito com a fragrância que Sirius trouxe para dentro da escola.

Esconderam bem e pensaram no que dizer como desculpa pelo o que aconteceu com a roupa, para não entregarem de vez a arma secreta deles. A história seria: Uma suposição sobre a roupa ter ficado exposta em algum lugar quando estava em casa e algo gambá soltou seu odor em cima, como James está com o nariz trancado não sentiu nada e guardou na mala, dando no que deu.

Conseguiam ser convincentes quando queriam e esse era um grande momento para isso.

Mais tarde, quando Remus e Peter apareceram e perguntaram o que aconteceu, a história foi contada da forma que treinaram e, aparentemente, aceita pelos dois. Remus ainda deu a James um bilhete que seria de Lily para ele.

"James,

Fiquei sabendo da infame cena de hoje e extremamente triste de ter perdido sua cara ao sair correndo pelo Salão — Marlene disse que foi incrível.

Mas, sério, o que aconteceu? Quero saber tudo depois.

Fiquei pensando muito em alguma piada pra fazer mas acho que não sou muito boa com isso, só rir da sua cara eu consigo mesmo.

Espero que nos vejamos no jantar pra isso acontecer.

Atenciosamente,

Evans."

James não desceu naquela noite para jantar — Peter disse que ainda conseguia sentir o cheiro e Frank, que apareceu depois, não falou nada, só riu, o que levou ele à pensar que talvez fosse melhor não descer.

Ao invés disso ficou olhando para o bilhete recebido e releu ele algumas vezes mais, apreciando cada palavra e sorrindo ao pensar em Lily tentando aplicar alguma piada a ele. Sorriu ainda mais de imaginar ela rindo, e ele apreciando seu sorriso, o som da sua risada e os barulhos que ela fazia entre uma risada e pausa para pegar o ar.

Ele esperou Sirius, que saiu com Remus e a capa pouco depois, aparecer com a comida e, após comer, adormeceu rapidamente pensando em como aplicaria o próximo passo. E em como dessa vez daria tudo certo.

(...)

James se encontrava na Sala Comunal, sentado no meio de uma festa, bebendo frustrado enquanto pessoas falavam alto ao fundo. Seu último plano não havia dado certo, embora sentisse que o outros três — sem contar o de se vestir bem e ser cheiroso, pois agora seu olfato havia voltado e confirmava o quão bom era seu cheiro — estavam indo bem.

Mas Lily realmente não sentia ciúmes ou incômodo algum no fato de ele estar com garotas à sua volta. Ela, inclusive, estava com garotos à sua volta — e algumas garotas também.

As conversas estavam indo bem, eles debatiam mais do que discutiam como antes e, mesmo ele e os meninos ainda pregando algumas peças, ele sempre explicava para a Lily o plano, e algumas ela até mesmo ajudou a aprimorar. Estavam com uma relação mais próxima e James tentava aplicar tudo o que a revista explicava, mesmo algumas vezes ele falhando na tática do "não parecer tão interessado". (Ele acabou a ignorando em certos momentos, o que levou ele à receber chutes na canela, mas nada muito grave ou além do que já receberá antes).

Mas ali, em uma festa que organizou com o intuito de estarem em um ambiente diferente do que o acostumado após semanas conversando juntos e se dando bem como nunca antes visto, ele estava sentado no sofá com um chapéu pequeno em formato de leão que alguém lhe ofereceu, bebendo firey whisky.

— Você me deixa muito triste, sabia? — A voz de Marlene chegou à orelha dele. A garota estava apoiada no sofá e vermelha de tanto dançar.

— É por que eu estou.

— Lily gosta de você, James, para de se martirizar.

— E como sabe disso?

— Oh, não sei, James… será que é por que sou uma de suas melhores amigas?

— Achei que Alice e Mary eram.

— Se vire, Potter. — Ela foi se afastando.

— Eu tô brincando!

— Ela gosta de você. Eu sou sua melhor amiga e não tem por que eu mentir. Ela sempre gostou mas… talvez agora ela esteja ficando mais pronta pra aceitar isso. Só espera mais um tempo e não dê uma de idiota! Vai dar certo…

— Tá.

— E levanta daí!

— Ok! — Ele se levantou e seguiu a amiga — Eu só estava tentando fazer ciúmes, sabe? Me disseram que talvez funcionasse e, não sei, só fui.

James não conseguiu terminar o raciocínio, pois Marlene estava grudada a ele pelos lábios e conseguia sentir seu corpo bem perto. Quando se separaram ele olhou por trás da amiga e viu Remus com um sorriso de lado balançando a cabeça e Sirius com os polegares para cima com um sorriso no rosto.

Marlene olhou para ele — os dois eram da mesma altura — e sorriu, piscando um dos olhos.

— Vamos ver se algo vai funcionar agora… bom beijo, Potter! — E ela se afastou e foi para perto de Dorcas, onde provavelmente estava antes de tudo.

James não sabia onde se esconder ou o que pensar, só viu Lily do outro lado da sala encarando onde ele estava com uma das sobrancelhas arqueadas enquanto mordia o lábio inferior. Funcionado ou não, ele não podia falar que ficará na seca na primeira festa oficial do ano.

E ele realmente não tinha ideia do questionamentos que fez surgir na cabeça de Lily — junto de uma imensidão de sentimentos — que mais tarde virariam um interrogatório para Marlene, esta que só riria e falaria para Lily admitir logo o que sente pelo garoto, mas a mesma negativa até o fim.

E, em um paralelo onde ambos nem sabiam que estavam vivendo esse paralelo, encararam o teto de seus próprios quarto com a imagem do beijo que presenciaram nessa noite, e o rosto de cada um em sua cabeça, antes de adormecerem com o conforto do quente que sentiam dentro de si.

(...)

— Vai dizer que não quer me beijar de novo, Mcckinon? — James deu uma volta no mesmo lugar e abriu a jaqueta jeans que vestia.

— Vou. Mas você tá bonito.

— Concordo. Se eu não tivesse namorado… — Remus falou sem levantar os olhos de um livro que lia em sua cama.

— Digo o mesmo. — Sirius disse ao lado dele.

— Sabem que estamos atrasados, certo? Lily tinha me dito dez minutos e já se passaram quinze. — A garota falou se levantando da cama.

— Ela mentiu. Só quer que vocês fiquem prontos logo, mas, como já estão, já podemos ir descendo… — Remus falou dando um sorriso e pegando seu casaco e gorro.

— Hoje sim você vai arrasar o coração da Lily. — Sirius falou batendo nas costas do amigo.

— Quem sabe…

Ao chegarem do lado de fora do Castelo, no ponto de encontro, ficaram próximos aos da grifinória, mesmo eles fugindo para os grupos das outras casas eventualmente e ainda puxando Emmeline para junto deles. Quando a professora McGonagal anunciou que poderiam seguir caminho, todos começaram a andar, e com o grupo não foi diferente. Cada um que tinha par ficou próximo, mas todos conversando e rindo — e com algumas guerras de bolas de neve ao longo do caminho, começadas por James ou Sirius.

Quando já estavam quase na entrada da aldeia, James é puxado para trás e dá de cara com Lily e seus olhos verdes brilhando, como sempre faziam, em qualquer ocasião que fosse. James sentia-se bem de ver ela ali, perto dele daquela forma, e ficava feliz de saber que a amizade que vinham construindo estava sendo boa para ela também — essa última parte informação de Sirius e Remus, que acharam uma boa forma de animar o mesmo para ir até Hogsmeade.

— Oi! — Ela falou meio tímida. Isso era inesperado.

— Oi.

— Isso com certeza não é um encontro ou algo parecido, não ache que é! — Lily foi ficando vermelha, e James não sabia dizer se por irritação ou vergonha.

— Eu não disse nada.

— Que me fazer companhia tomando e comendo algo no três vassouras?

— Um encontro? — James falou, rindo após, já que a garota começou a marchar pela neve que a afundava, tentando se mostrar brava. — Eu tô brincando, Evans. Eu aceito comer e beber algo com você de forma que não seja um encontro.

— Ótimo!

— Ótimo.

Os dois ficaram parados olhando ao redor, enquanto vários alunos passavam por eles e eventualmente cumprimentavam.

— Você não vai me oferecer o braço? — Ela perguntou.

— Achei que só quem estava em encontros fazia isso. — Ele deu de ombros com um sorriso no rosto.

— Você é um idiota, Potter, eu já estou me arrependendo.

— Eu duvido muito, Evans.

E, assim, ela olhou para cima encarando os olhos dele, e ele encarou os dela. E como sempre, sentiu que poderia ficar olhando para eles — e para Lily — por um tempo indeterminado, sem que se cansasse. Mas com toda a certeza não poderia dizer isso à ela, era algo muito pessoal por agora.

Portanto, numa forma de elogiar e não se entregar tanto, disse:

— Seria legal se seu filho tivesse os seus olhos.

— Você é muito esquisito, Potter.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!