Em órbita
6 Mal amado
Notas iniciais
Uma semana se passou, e durante esse tempo a paciência de Elizabeta para com todos fora testado diversas vezes e de diferentes formas possíveis. Lógico que tudo que se passava ali estava sendo visto por Undie; esse sim fazia um ótimo proveito de seu trabalho observando aqueles seis entrando em atrito, era a sua maior diversão.
— Quem diria que um trabalho monótono pudesse ser tão interessante assim… — enfiava uma colher cheia de cereais e leite a boca.
Ele já havia levado um esculacho de Ludwig ainda naquele mesmo dia por estar comendo em frente a aparelhos eletrônicos “ — Se esse leite derramar nesses computadores; pode jurar que meus cães terão uma grande remessa de carne pra semana inteira. A não ser que queira vender seus rins para comprar o que for perdido”. Óbvio que nem se importava com aquelas ameaças do outro, estava mais que acostumado com o pavio curto dele.
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Berwald tinha adotado um cachorro novo para seu companheiro, Tino. Agora não sabia fazer outra coisa a não ser andar pela casa com pequeno animal que vivia em seu encalço, latindo para ganhar um afago.
— Aqui Hanatamago. — Tino deixou uma tigela cheia de comida para o cãozinho.
— Não o alimente tanto, ou ele virará uma pequena bolinha. — Berwald se arrumava para mais um dia de trabalho. Teria de conversar com Ludwig sobre começar os testes com a alface no espaço. Tinha pressa, mas o seu noivo pareceu nem dar o chamego de toda manhã. Lógico que ficaria enciumado.
— Eu sei. — sorriu — E não precisa dizer algo assim só para disfarçar seus ciúmes. — agarrou o outro e o abraçou, passou a perna direita em sua cintura fazendo menção de escalar seu corpo — Sabe que só tenho olhos para ti, meu querido!
Tino era um finlandês tímido no começo… mas quando se encontrava a sós com o noivo ou quando tinha intimidade suficiente para com outra pessoa ele fazia questão de soltar seu lado carinhoso — que no caso do outro poderia vir com aquele famoso bônus de fofura; carismático, alegre e extremamente caseiro. Digamos que era a mulher da relação e a rainha da casa.
Berwald é totalmente o contrário; sério e sisudo; responsável e antissocial; costumava falar somente o necessário. Só que tinha problemas para demonstrar seus verdadeiros pensamentos, mas por dentro era um molenga e muito sensível. Morou durante sua infância na Suécia onde acabou conhecendo o finlandês e tiveram uma longa amizade, durante cinco anos acabaram não mantendo mais contato, pois o sueco fora morar nos EUA. Tino, nessa época e com a falta do outro acabou percebendo que amava aquele loiro enigmático. Após descobrir seu endereço e viajar para revê-lo é que descobriu que tinha os sentimentos correspondidos.
Óbvio que a descoberta deu no que eles são hoje. Noivos.
— Então eu estou indo. — disse rapidamente Berwald após um longo selinho no loiro.
— Volte logo, e não esqueça que hoje teremos o nosso jantar. — pegou o seu “filho” nos braços e lhe deu um último abraço — Por favor, não esqueça.
— Não esquecerei.
E entrou no carro. Suspirou.
Terei de ver o que estava acontecendo dentro daquele escritório, se é que Undie ainda não o botou abaixo.
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— Por que ainda não se jogou para fora da nave? — Berrou Lovino.
O italiano havia chegado ao seu auge de irritação, passando a atirar coisas no pobre espanhol que mal entendia o que estava ocorrendo ali. Tudo graças a um pequeno esbarrão do moreno no outro, derrubando assim seu pote de tiras de tomate seco. Bom, tomates é praticamente a vida do italiano; mas o que não sabia era que Antônio também tinha esse mesmo pensamento sobre as frutas — ou tentava não entender, já que era tapado o suficiente para isso —, então acabou por aceitar qualquer tipo de punição que fosse submetido.
Ciel a tudo observava, durante toda a semana ignorou os comentários irônicos de Sebastian:“— É como se eu tivesse um carrapato grudado em mim, e estou me mantendo o mais neutro possível para evitar botar fogo nesta nave com ele dentro. Então respeite o meu tipo de repelente contra parasitas.” foi a resposta que Gilbert conseguiu arrancar do garoto quando perguntou o por que de estar se mantendo longe do inglês.
— Se eu soubesse que o clima da nave inteira seria afetado por causa de briguinha desses mal amados, eu teria os jogado na cabine de lixo antes mesmo de acoplar. — resmungou Elizabeta. Um pequeno alarme dentro da cabeça de Lovino apitou o avisando que “aquela semana vermelha”estava a todo vapor.
— Estou sem fome por hora. — largou uma cueca que estava prestes a ir parar na cara de Antônio e tratou de sumir da vista da morena, ou era morte certa.
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