Elo Carmesin
15 Sobre Faces e Mortes
Notas iniciais
O sol começava a raiar , fazendo o céu se tornar extremamente lindo . Mesmo naquela lugar , tudo era tão bonito para min que me fazia desejar que o tempo parasse. E mesmo que cada minuto se dobrasse a minha vontade ,ainda era pouco. O vento morno bagunçava meus cabelos , e banhava meu corpo , como um toque.
Era bom esta sozinha , porque mesmo com Mika em um tempo tão longo comigo , como estávamos , pensar em cada movimento , em cada palavra tentando ser pelo menos um pouco normal, era exaustivo.
Eu gostava de ficar parada , gostava de observar o mundo e além dele. O céu se abria para min , como um livro nas minhas mãos. Talvez fosse uma dadiva de Hórus , eu enxergar perfeitamente bem quando queria. Como as corujas voltando para a toca , as folhas caindo do outro lado do cemitério, pequenas criaturas que rastejavam pelas árvores. E as sombras que perdiam o brilho.
Mesmo não querendo , me levantei , sentindo falta da grama que tocava minhas pernas, precisava voltar antes que Mika acordasse. Mas não queria. Era diferente ter que me preocupar com a preocupação de outra pessoa. Mesmo sendo ela minha irmã. Todavia , a anotação mental estava no topo da minha lista de afazeres . Mika estava tão abatida que não queria dar motivos para ela se preocupar.
Ao caminhar no solo sagrado do cemitério , vendo as sombras irem embora . Um barulho irritante e alto fez-me voltar para encarar a estrada depois dos portões. Lá luzes vermelhas e azuis , como grandes vaga-lumes fez eu ampliar minha visão , quando me dei conta , não era nada demais , só carros de polícias, dando a volta no cemitério. Meus passos fizeram o mesmo , mas como estava mais perto do final do cemitério , aonde árvores grandes criavam uma pequena floresta , cheguei antes ouvindo vozes. Duas pessoas estavam em pé em frente a uma pequena clareira. O cheiro de sangue seco , que escorria por todos os lados do corpo morto de um homem no chão , dizia que ele estava morto fazia horas.
A curiosidade não me impediu de sair dali , e finalmente meus passos anunciaram minha chegada , quando as pessoas em pé se viraram me vendo.
– Adele? – A voz confusa de Damon Salvatore me fez encarar seus olhos claros por um segundo.
A mulher do lado dele , baixa , usava uma roupa séria demais para qualquer mulher. Ela encarou ele e depois a min. Sua mão estava em uma arma humana no cinto ao redor da cintura.
– Não se aproxime , não vai querer ver isso. – Mandou ela , e mesmo eu, não tinha notado que ainda caminhava em direção a eles.
– Tá tudo bem Liz é a sobrinha de Alaric. – Contou Damon apreensivo. – Tenho certeza que ela tem uma boa explicação para esta aqui.
Eu encarava completamente estarrecida o corpo do homem morto . Em seu peito a causa da morte era evidente , uma estaca de madeira preta e entalhada a mão estava enfiada a uns bons centímetros na sua caixa tóraxica . Seu rosto cinza com hematomas roxos , de uma possível luta , fizeram eu encarar suas mãos , aonde suas unhas estavam quebradas e seus dedos , em direções opostas ao natural , quebrados.
– Eu estava caminhando por aqui , ouvir um barulho. – Disse voltando a encarar Damon e a mulher loira e pequena que esperavam minha resposta. – E dei a volta , encontrando vocês.
– Eu sou a Xerife Forbes. – Se apresentou a mulher seriamente. – A quanto tempo estava “caminhando”?
– Vinte e dois minutos. – Não entendia porque ela me encarava tão séria , sua aura em um verde e marrom mostrava que ela era uma pessoa confiável , mas estava claramente se segurando para não demostrar pelo menos animosidade para com minha pessoa.
– Você esta caminhando desde as cinco da manhã? – A Xerife caminhou até ficar a um passo de min , ela não era muito alta, comparado a minha altura , e isso enfraquecia um pouco a visão de autoridade que ela queria passar.
– Ela é do Egito Liz! Fuso horário sabe. – Esclareceu Damon , como se achasse que eu precisa-se de uma voz amiga.
– Isso não explica porque ela esta em uma cena de crime Damon. – Sussurrou ela para ele , com um olhar severo.
– Quem é esse? – Perguntei dando a volta no corpo , absorvendo a cena detalhadamente.
– Brian Walters , o médico legista . – Respondeu Damon automaticamente. Ao mesmo tempo que ficava em minha frente me impedindo de ver mais. – Agora , nos diga o que esta fazendo aqui, antes que a Xerife leve você para uma conversa particular tá?! – Damon fazia caras e bocas ao falar. O que era estranho.
Me voltei para a mulher que também tinha se aproximado. E falei pausadamente , achando que eles tinham problemas de audição. Porque já tinha tido o que estava fazendo ali .
– Eu estava caminhando por aqui , ouvir um barulho e vim ver o que era. – Achei que era uma boa explicação.
Damon encarou a xerife , que o encarava de volta.
– Ela é uma criança Liz , qual é?! E é meio óbvio que o corpo esta aqui faz tempo. – Damon gesticulava com as mãos enquanto falava.
A xerife suspirou fundo e seus olhos , levemente aliviados , assim como todo seu rosto, dizia que ela acreditava em min.
– Leve-a embora Damon , e obrigado pela ajuda , mas meu reforço já chegou. – Liz se virou ,ficando de costa para nós , e pude ver os carros com as sirenes se aproximando, da pequena estrada de barro ali.
– Na verdade não precisa me levar , eu já estou indo … – Tentei recusar logo , andando de costas, mas a mão de Damon já segurava meu braço . Mas a contornei o fazendo me soltar em segundo.
– Calma lá florzinha. – Pediu ele rindo , como se achasse engraçado eu não gostar de contato físico entre a gente. – Eu te levo , só preciso pegar meu carro , o outro.
– Não será necessário Damon . – Garantir o encarando séria. Ele me encarou um pouco desnorteado , e até parou de piscar , por alguns segundos , mas logo consentiu com um balançar de cabeça.
Todo minha mente , minimamente organizada pensava no que havia visto, enquanto saia do cemitério , de vez, no corpo do legista , no corpo do homem . Sem vida. Só um recipiente de algo maior que poucas pessoas entenderia, uma alma.
Não era exatamente tristeza que sentia , mas … Eu não sabia definir. Encarava meus sentimentos como uma lagoa rasa e cristalina. Não havia mudanças como o mar poderoso , que era as emoções, de Mika.
Vendo meu rosto na lagoa , a água límpida , sem ondulações como se o vento não chegasse naquele lugar afastado de min mesma. Eu não via conteúdo também. Só havia meu reflexo ali , outro rosto completamente , minimamente, detalhadamente , idêntico ao meu , mas parecia que não era eu , porque nos encarávamos com mútua curiosidade.
Perguntei a ela o que estava sentindo quando vimos o corpo do homem. Ela sorriu, quase , maldosamente .
Eu não me importo.
Abrir meus olhos , sentindo meu coração bater mais rápido , eu não entrava muito dentro de min. E quando entrava, via coisas daquele tipo. Olhando ao redor da rua , aonde passava poucas pessoas matutinas , esperei ver qualquer pessoa que pudesse ter falado aquilo. Porém , como sempre , não havia.
Faltava cerca de dois quarterões para eu chegar no apartamento de Alaric , que não tinha dormido em casa . Porque quando sair só havia a aura de Mika ali. Eu tentava o entender. Devia ser difícil ser conduzido a um mundo como o nosso. Mas era tão fácil para min conviver naquele mundo , que não o entendia completamente.
Desloquei meu corpo para o meio da calçada , quando vir algo muito rápido vindo na minha direção, um garoto de bicicleta passou perto de mais da calçada , aonde andava , jogando o que parecia jornais em uma porta.
– Desculpa moça! – Gritou ele constrangido, mas apresado.
Tentei falar alguma coisa , mas ele já tinha ido para a próxima casa. Quando chegava perto da porta , novamente ele perdia o controle da bicicleta na beira da calçada. Fiquei pensando como alguém , tão novo , podia gostar , de perder o controle . Porque se ele não gostasse , porque ainda faria aquilo?
Dei de ombros e voltei ao meu caminho. Quando cheguei perto da virada de uma quadra pequena de futebol , um ambulância me chamou atenção , porque dois homens de brancos , provavelmente dois serventes colocava nas mãos do vampiro Finn Mikaelson caixas brancas de isopor térmicas. Finn pegou as duas sem dificuldades , e os serventes voltaram para a ambulância ,, enquanto o vampiro colocava as caixas , na mala aberta , do carro , de trás.
Assim como eu o vir tão rápido , ele me viu. Ele pareceu meio encabulado , mas lhe dei um sorriso pequeno , de quem gostaria de se aproximar. Finn assentiu com a cabeça como se disse sem palavras que eu podia fazer.
– Bom dia . – Cumprimentou ele polidamente educado , mas tão controladamente calmo e suave quanto eu.
Eu sorrir ficando em sua frente. E mesmo sabendo que não era educado , olhei para dentro do porta malas com uma pergunta muda. Finn ficou melancolicamente estarrecido.
– Sangue , é assim que vivemos. – Disse ele mais para si mesmo do que para min. Seu olhar era distante e contemplativo. – Criaturas amaldiçoadas , que precisam hipnotizar pessoas para ter o que o querem.
Eu não entendia Alaric , meu próprio tio. Mas entendia completamente um estranho , um vampiro original , mesmo que não soubesse porque.
– Criaturas que tem um proposito Finn. – Ele me encarou como se me visse pela primeira vez. – Não acredita nisso?
Pela primeira vez ele riu , ao mesmo tempo que abaixava o porta malas do carro. Ele era bem alto e não havia muitos sentimentos ao seu redor , o que tornava esta perto dele agradável.
– Acredito que foi bom eu te encontrar. – Seu rosto ficou sério e sua voz saiu em timbre baixo. – Kol , meu irmão , não gostou nada do que aconteceu ontem.
– Esta falando do fato da minha irmã quebrar o pescoço dele? – Perguntei achando divertido imaginar que tipo de vingança ele tinha para Mika.
Ele nem poderia tocar nela , se ela não quisesse , bem , era o que eu acreditava fielmente.
– Exato . A noite não foi nada boa não é?! – Finn cruzou os braços se encostando atrás do carro , ao mesmo tempo que encarava seus pés. – Eu disse a minha mãe que não era uma boa ideia , mas ela não desistiu.
– Bem , não foi um fracasso total. – Tentei o animar , eu não era a melhor pessoa naquilo , mas pareceu que deu certo quando ele disse.
– Realmente não foi , até pensei que poderia tirar um cochilo , mas depois de dormir por novecentos anos , dormir se torna meio difícil . – Ele riu de uma piada particular , que fez minha curiosidade ser atiçada como uma coceira incomoda.
– Dormir como assim? – Não segurei a pergunta que saiu dos meus lábios , de forma tão natural , como receber uma resposta.
Finn me contou como seu irmão , Niklaus o havia , com a ajuda de um objeto mágico , o posto para dormir por novecentos anos. Encostei meu ombro no carro , ficando com o corpo relaxado e virado para ele.
– Você deve ter muita … – Mordi meus lábios pensando nas palavras usadas para a expressar o que eu queria saber. – Raiva dele.
– Sinceramente , eu sentir. – Finn deixou sua voz grossa com um sotaque , deixar aquela frase quase em outra língua . – Mas agora , ao pensar em como o tempo evoluiu , para que bolsas de sangue ,possam substituir uma pessoa . Acho que não sinto mais.
– Achar não é ter certeza. – Comentei cruzando os braços , o fazendo me encarar com a sobrancelha levantada. – Era o que minha mãe dizia. Mas … Porque você veio receber a encomenda da sua família?
– Era isso ou ficar em casa , com aqueles híbridos …. – Ele parou abruptamente de falar em inglês e murmurou uma ofensa , no que parecia búgaro ou até mesmo grego.
– Híbridos? – Eu precisava urgentemente parar de fazer perguntas , mas quando as pessoas respondiam tão facilmente, como ele estava fazendo , ao demonstrar que eu, não incomodava em nada seu tempo , era meio difícil.
– Híbridos , metade lobisomens , metade vampiros. – Finn explicou fazendo uma careta. E depois completou – Como se só ser vampiros não fossem o suficiente. Quero dizer , eles são completamente diferentes ao meu ver de vampiros , mas mesmo assim … Curiosos.
– Gostaria de conhecer um híbrido. – Pedi um pouco ansiosa , e ele me encarou com um sorriso mínimo divertido. Como se imaginasse pela primeira vez que tipo de pessoa eu era. – Sim eu sou muito curiosa. – Dei de ombros , já completamente ciente do meu defeito. – Mas você não iria entender. – Terminei cabisbaixa , porque duvidava que alguém podia entender o tipo de ser que eu era.
– Então explique. – Pediu ele cruzando os braços também e se apoiando , agora , completamente no carro.
– Tudo é tão novo para min . – Fiz um gesto com os braços , incluindo tudo ao meu redor. – Até você é novo, quero dizer esta perto de um vampiro . Só quero conhecer as coisas. Eu tenho uma fome por informações entende?! E se eu não souber , me sinto , vazia.
Tentei ao máximo me explicar para ele . Mas não acho que ele entendeu tudo. Mesmo assim , balançou a cabeça ouvindo atentamente.
– Bem … Meu irmão é um híbrido. O híbrido original.– Finn contou-me em um sussurro revelador.
Minha mente logo abriu todas as informações guardadas de Klaus Mikaelson. O jeito que sua aura era metade animalesca . O jeito que seus sentimentos oscilavam em todas as cores. E o jeito que eu me sentia estranhamente mais , bem mais , curiosa ao redor dele.
– Oh . – Meus lábios se abriram em um O perfeito.
Sentia que finalmente tinha descobrido algo bem grande. E uma coceira incomoda tinha ido embora. Uma peça grande do quebra cabeça tinha sido posta.
Minha mão antes um pouco fria , estava estranhamente quente , tanto que eu a olhei. O sol já tinha raiado.
– Eu preciso ir. – Disse apreensiva imaginado que já tinha dado minha cota de esta longe de Mika.
– Mas já ? – Perguntou Finn , claramente confuso , enquanto ficava novamente ereto.
– Sim , eu não pretendia demorar tanto. – Olhei para os lados e em ambas as ruas pessoas já andavam , e carros passavam por ali.
– Hoje é sábado , o que tem de tão importante para fazer? – Fiquei pensando na pergunta do vampiro por um tempo antes de responder.
– Preciso ver com Mika , as regras para sair de casa sozinha , antes de planejar algo. – Contei suspirando fundo. Ao mesmo tempo que colocava uma mexa do meu cabelo , levantado pelo vento, atrás da orela.
Porém , quando eu fiz aquilo , também tive que virar meu pescoço , e vir vindo em nossa direção , no final da rua, Klaus. Sua postura ereta , mesmo ao caminhar , era suave e sem barulho. Me voltei para Finn que também encarava o irmão que se aproximava.
– Parece que não é só minha irmã que é super protetora. – Brinquei colocando minhas mãos nas costas para entrelaçar meus dedos na base da minha cintura nua.
– Ele esta desconfiado que estou tramando algo. – Finn sussurrou balançou a cabeça negativamente , obviamente não gostando de ser claramente seguido pelo irmão.
Me virei girando meus calcanhares bem na hora que Klaus parou uns dois passos de distancia de nos. Ele me encarou por alguns segundos e depois seus olhos , estreitos , encararam o irmão. Novamente sua aura era tão potente e diferente que me dava uma pontada de dor de cabeça , mesmo que só a encare-se por cinco segundos.
– Eu vim ver a causa da sua demora , mas acho que já vir. – Disse Klaus de maneira sarcástica e seca , tanto quanto intimidadora encarando o irmão que se pôs um pouco na minha frente.
– Não sabia que se preocupava tanto comigo Niklaus , estou … Comovido. – Finn colocou a cabeça de lado e a balançou de maneira apática.
– Não fique. – Pediu o outro irônico , se voltando para encara-me. Sua feição mudou completamente , ficando amistosa e gentil. E curiosa , muito curiosa. – Olá linda.
Era impressionante o quanto aquele jeito americano de ficar chamando as pessoas por apelidos , como Damon também fazia comigo , parecia incrustado em todos.
– Senhor Mikaelson. – Eu tentei soar até mesmo gentil , mas não conseguir. E aquilo não o agradou.
Klaus levantou a sobrancelha , ao mesmo tempo que perdia o sorriso , quando Finn começou a rir com a cabeça abaixada. As mãos do loiro se fecharam em punhos. Sua mandíbula ficou trincada e seus dentes , um pouco a vista , morderam seus lábios fortemente.
A onda vermelha e roxa da aura de Klaus foi dirigida completamente a Finn. , dirigida a Finn. Raiva mesclada a impaciência. Ele encarou seu irmão que parou de rir no mesmo estante.
– Não sabia que estava contratando assistentes para sua tarefa, irmão. – Klaus soou , se fosse possível , mais irônico do que Mikaela e Damon , juntos. Sua voz parecia pinicar como agulhas direcionadas ao irmão.
– Não estou ajudando Finn com nada agora.– Falei chamando a atenção dos dois para min , mas Klaus mordia os lábios de forma irritada , talvez pela interrupção. Ou pelo fato de eu ficar do lado do irmão , falando por ele.– E mesmo se ele pedisse ajuda não vejo por que não ajudá-lo um pouco.
– Não se incomode, Adele, Klaus só está tentando perturbá-la. Ou ser engraçado.– Disse Finn virando-se para Klaus.– Em todo caso, seja lá o que estiver tentando não está funcionando.– Debocha.
– Eu digo o mesmo.– Respondeu Klaus sarcástico , dando um passo para ficar frente a frente com o irmão.– Afinal... Todos sabemos que você não é de cooperar muito então se está mesmo fazendo todas suas obrigações é por que realmente está tramando alguma coisa. — O tom sombrio e ameaçador do híbrido , fez sua aura se torna tensa e preta , como uma sombra.
O silencio reinou por alguns minutos. Me movi , dando um passo para trás e os dois me encararam , como se lembrasse que eu estava ali.
– Nos vemos depois Finn. Preciso realmente ir. – Disse suavemente , em uma clara era uma despedida , não ia ficar para ver até aonde os irmãos podiam ir com aquelas farpas de olhares mortais , que ele se lançavam.
Finn voltou sua cabeça para min , e acendiu com a cabeça , em um até logo mudo. Encarei os olhos azuis do híbrido , e novamente a sensação de perder algo , ou mesmo procurar algo , era vista naqueles olhos cheios de perguntas e nenhuma resposta. Balancei a cabeça para ele também me despedindo e caminhei de costas até me virar completamente para atravessar a rua.
Quando voltei para o apartamento de Alaric , minha mente novamente estava desorganizada. E tinha a nítida sensação que era por causa do híbrido. Híbrido.A curiosidade novamente me atacou como uma coceira incômoda e inalcançável.
Mas abandonei aqueles pensamentos quando vir Mika no sofá , coberta , com um pote grande de sorvete , assistindo TV. Melancolicamente ela me encarou e depois colocou uma colher na boca.
Mordi meus lábios me sentindo mal por ela. Mesmo não sabendo porque, eu queria , não , eu precisava que ela estivesse bem, porque se não , eu não estaria.
Tirei minhas sandálias e me sentei aos seus pés , puxando a saia longa azul , para me acomodar melhor.
– Não vai me perguntar aonde estava? – Encarei Mika , que encarava a TV aonde um desenho animado passava.
– Aonde estava? – Perguntou ela automaticamente. Péssimo sinal.
Mika era forte , fisicamente , mas emocionalmente , era estável. Ela tentava disfarçar , mesmo sabendo que eu podia ler seus sentimentos sem problemas. O que só mostrava o quanto ela não queria tocar naquele assunto.
– Fui caminhar. – Contei enrolando a manga da camisa branca nos meus dedos que encarava. – Tio Rick ainda não voltou?
– Voltou? – A ruiva se levantou um pouco do sofá , desnorteada , encarando a porta trancada do quarto de Alaric. – Posso sentir ele ali , você não?
– Hun . – Mordi meus lábios acentindo com a cabeça. Realmente ele estava ali.Mesmo eu tendo certeza que ele não estava quando eu sair , não falei nada. – Escuta , porque não saímos um pouco? Para você se animar.
– Ainda nem é sete horas Adele! – Exclamou Mika rindo um pouco , suspirei aliviada de ver ela tentando pelo menos parecer bem. Era um começo. – Deveríamos esta dormindo.
– Eu nunca tive muito sono … Mika. – Chamei ela que me encarou dando outro colherada no pote de sorvete. Seus grandes olhos azuis me fitaram apreensiva. – Esta tudo bem?
– Tudo ótimo. – Garantiu ela forçando um sorriso que não chegou nos seus olhos. – Só não curto tanta calmaria sabe?
Não entendi exatamente o que ela falava , mas me lembrei que Mikaela não era tão caseira , e aquilo podia estar a deixando triste. Eu não entedia , mas ajudaria ela a melhorar. Então me lembrei do aviso pequeno de Finn
– Há um monte de vampiros na cidade , e um parece esta preparado para uma vingança , então você deveria treinar , ou algo do tipo estilo sentinela. – Sentir que tinha dado uma ideia até que boa , porque ela ficou pensativa, o que era bom.
Mikaela tinha uma necessidade de se movimentar que eu nunca entenderia.
– Acho que uma corrida depois , pode ser algo legal . – Uma fagulha de animação nasceu dela , me fazendo levantar mais calma. – Ei! Porque não me chamou para caminhar com você?
Realmente aquela era Mikaela Saltzman. Ate o bico infantil que me fazia sorrir desacreditada estava ali.
– Escuta sobre isso. – Me sentei ao seu lado a encarando. – Acho que não precisa se preocupar tanto comigo , eu sempre sair por aí sozinha …
– Meio que sozinha né?! Você tinha sentinelas guardiãs – Me cortou ela inteligentemente. – Mas entendo aonde quer chegar. Você quer um pouco de liberdade. – A ruiva se voltou para a TV e riu de algo que eu não entenderia nem se quisesse. – Acho que tudo bem , mas vamos comprar um celular pra você , e marcar uma hora pra você retornar pra a casa … Isso soou muito a mamãe não foi?
Rir concordando e gratificada dela me entender. Mesmo assim não pude deixar de perguntar.
– Porque isso agora?
– Kenshin me fez perceber que essa cidade não é exame um perigo pra você . – A ruiva deu de ombros voltando ao seu sorvete e ao seu desenho.
Entendi a tristeza da noite anterior de Mika , e a melancolia pela manhã. Era impressionante como o antigo homem tinha um poder tão grande sobre ela. Como Nerfetiti disse uma vez. As vezes certos amores só machucam. Relaxei um pouco no sofá tentando prestar atenção no desenho , péssima ideia. Porque precisava ficar fazendo perguntas para entender o que irritava Mika.
Quando Tio Rick saiu cambaleante do seu quarto nos olhar com um olhar culpado.
– Parece que eu não recebi alta consistência a álcool da sua parte tio Rick . – Comentou Mika divertida.
Alaric colocou a mão no rosto , gemendo de dor.
– Sinto muito meninas , não deveriam me ver assim. – Alaric foi direto para a cozinha procurando nos armários algo.
– Aspirinas na gaveta embaixo da pia , acabei de fazer café. – Mika riu falando alto e se virou no sofá esquecendo o sorvete no lado do seu corpo. – A proposito tio … – A ruiva tirou algo da cintura e jogou no ar . Demorou alguns segundos para eu ver que se tratava de uma estaca de madeira , muito familiar. Alaric arregalou os olhos e Mika pegou a estaca entre seus dedos quando ela parou de girar. – Tem algo a nos contar?
Quando tomando café , tio Rick nos contou seu próprio segredo Mika não segurou a risada.
– Isso é ótimo! Um caçador de vampiros , amigo de vampiros. – Ela levantou as mãos como quem se rende. – Não me leve a mal , mas você mata mesmo vampiros com uma estaca de madeira?
– Sim , é um bom jeito , mesmo que não faça isso há muito tempo. – Ele me encarou , como se se sentisse no dever de falar aquilo.
– A decapitação é mais fácil , estaca de madeira demora muito , e … – Mika levantou o dedo em riste preparada para dar uma lição. – Você precisa chegar muito perto do vampiro para acertar o ponto certo , se não tá morto antes de piscar.
– Eu acho que não vou querer saber como você sabe disso. – Rick suspirou colocando as mãos na cabeça e os cotovelos na mesa. – Eu estou com uma dor de cabeça dos infernos. Por favor me digam que não me viram bêbado ?
– Eu não vir nada , a não ser um monte de armas escondidas pelo loft. – Mika me encarou , perguntando sem palavras se eu tinha visto algo , dei de ombros. – Aliás , tem como sua culpa por não ser um exemplo tão bom como adulto ... Me dar a chance de pedir uma besta daquelas? – A ruiva levantou as sobrancelhas sorrindo persuasiva.
Alaric balançou a cabeça negativamente , rindo.
~~x~~
O pequeno jardim de plantas negras e florescentes estava aberto aquela manhã , na grande estufa , era aquelas poucas horas do dia que ela esquecia um pouco os protocolos e problemas de toda sua terra. Suas mãos se moviam rapidamente criando pequenas linhas que criavam um pequeno pote de cerâmica preta , para Lilith poder colocar as pequenas mudas ali.
– Sabe o que eu estava pensando. – A voz fininha , fez ela abaixar a cabeça para pode ver seu amigo , que era tão pequeno que batia abaixo de sua cintura. – Porque não vamos para fora?
– Sabe que eu não posso sair , não possuo corpo fisico … – Começou ela secamente.
– Não quis dizer isso. – Bes o senhor dos anões pulou com força ficando em cima da mesa. – Quis dizer pelo seu reino , pelas suas terras.
– Bes , não seja pacóvio! — Ela revirou os olhos crispando os lábios . – O que tem pra fazer lá? Esta tudo calmo.
Bes não era nenhum sinônimo de beleza , pelo ao contrário , sua feiura espantava os piores espíritos de todos os mundos. Suas sobrancelhas eram tão grossas e juntas que podiam ser uma , seu nariz era grande e anguloso , seus dentes escuros , lhe davam uma aparência que fazia qualquer um desviar os olhos. Mesmo assim Lilith não parecia ver o que todos viam , ou mesmo se importava , já que o único deus que vinha lhe visitar era o pequeno anão.
– Você esta meio rabugenta , isso é falta de um consorte não é? – Apontou o anão cinicamente malicioso , levantando um dedo torto para ela , que revirou os olhos em completo descaso.
– Não quero consortes! Kenshin foi o último. – Lilith sussurrou tão baixo, mas convicta ,que ele teve que ler os lábios carnudos avermelhados dela.
– Bah! E lá volta ela a Kenshin! – Exclamou ele levantando as mãos para os céus alaranjados que podia ser visto por além dos vidros da estufa. – Falando nisso como vai sua procura?
– Você sabe muito bem como vai Bes! – Lilith deixou o vaso cair no chão e não fez menção de que ia pegar , uma rainha nunca se abaixava. – A balbúrdia é geral! De um lados os sentinelas me deixando para trás escondendo minha criança , de outro as sacerdotisas malucas que não servem para nada a não ser pedir favores não sabem de nada . E ainda tem a fênix desaparecida , tanto o animal quanto a sentinela.
Bes encarou o rosto tão lindo e poderoso de Lilith , seus olhos azuis acinzentados transbordando lágrimas que nunca cairiam.
– Poque não se satisfaz com o que tem? – A pergunta já tinha sido tantas vezes pelo anão, que ela respondeu sem pensar.
– Porque eu cumprir minha parte do trato! Voltarei a poder sair desse mundo , com o meu receptáculo , queira os sentinelas ou a fênix deixarem ou não. – Lilith levantou o dedo em riste e murmurou mais juras de vinganças , como se fosse um vulcão prestes a explodir. – Terei minha vingança e todos que ficarem no meu caminho ,terão seus ossos transformados em nada mais do que pó embaixo dos meus pés.
– É impossível não amar você . – Murmurou o anão , fazendo ela gargalhar alto , ao mesmo tempo que seus olhos mudavam de cor, um verde musgo quase preto preencheu os olhos dela .
~~x~~
Adele segurou a maçaneta da porta a girando , e sem nem um oi , viu Caroline entrar como um furacão. A loira sorrindo encarou todo o apartamento , aparentemente vazio, pois Rick estava tomando banho , e se virou para a morena.
– Cadê sua irmã? – Aquilo , notou Adele , soou mais como uma acusação , o que ela só entendeu depois. – Tínhamos combinado de fazer um tour pela cidade, lembra?
– Ela foi correr um pouco …
– Correr? Como assim? – Adele deu um passo para trás automaticamente , quando a loira ficou bem na sua frente.
– Correr , se movimentar , é um exercício . – Explicou a morena em termos leigos.
– Ok então , tudo bem , podemos fazer isso. – Caroline levantou as mãos como quem se rende , pensando em toda mudança de planos que teria que fazer. – Você vai se arrumar e vamos , Elena e Bonnie estão nos esperando lá embaixo.
– Caroline. – A voz de Adele percorreu todo o corpo da vampira , todos seus instintos travaram . A loira teve seus olhos , estranhamente captados pela morena que estava séria. – Vai ficar tudo bem , desde que você se lembre de respirar.
Aquilo parece uma ordem , que Caroline fez de bom grado. Ela acabou rindo sem graça , franzindo o cenho quando viu os olhos de Adele.
– Você usa lentes de contato? – Perguntou a loira seguindo a passos rápidos , a outra, para seu quarto .
– Não . – Adele respondeu simplesmente não dando brecha para mais conversas enquanto se trocava.
Estranho. Pensou Caroline mordendo os lábios para não falar mais nada . Mais jurava que os olhos de Adele na noite anterior eram um azul acinzentado. Não verde musgo , quase pretos.
Caroline ouvindo um barulho fora do quarto , decidiu ver o que , deixando Adele sozinha.
– Rick … – O dedo em riste do caçador ao telefone fez ela parar de falar.
– Não xerife , eu não sei de nada. – O tom preocupado de Alaric fez Caroline ouvir mais atentamente ao mesmo tempo que se aproximava da bancada da cozinha . – Não sei , ligarei para ela para irmos aí. – Rick balançou a cabeça e depois sem demoras desligou suspirando fundo.
– O que foi agora? – Se a mãe estava envolvida , então tinha algo a ver com mortes , o que Caroline não poderia esta mais certa.
– O ex da Meredith foi morto , Brian Walters o legista , e o pior , com uma estaca minha , a xerife só não veio nos prender por consideração . – Contou ele em um sussurro apresado. Caroline abriu a boca pra falar algo , mas ele não deixou. – Continue com os planos do dia , se algo acontecer eu ligo pra você , não quero envolver as garotas mais ainda nisso. Posso te pedir isso?
– Claro que sim! – Prometeu a loira , balançando a cabeça afirmativamente .
Rick suspirou fundo esperando que aquela dor de cabeça fosse embora. Era como ter outra pessoa futucando seu cérebro.

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