Elle n'est pas Rena Rouge
2 Bônus — Tissus
Notas iniciais

(Bônus — Tecidos)
Quando o sino do Françoise Dupont tocou, todos os alunos colocaram seus tablet’s, cadernos e estojos dentro de suas bolsas e mochilas de maneira organizada. Os professores deram os últimos recados e lembretes, logo desejando o bom resto de tarde aos jovens.
Lila Rossi estava calada desde o começo das aulas. Ainda estava furiosa com o ocorrido com Alya mais cedo e, era capaz de passar feito um furacão sobre qualquer um que cruzasse seu caminho. Não ligava se isso pudesse arruinar sua reputação de boazinha, já que, ela poderia inventar qualquer coisa que os outros iriam acreditar cegamente nela.
Enquanto guardava seu caderno vermelho e laranja, lembrou-se que Adrien e Marinette iriam até à Alfaiataria das Marcas Agreste. Então, decidiu que iria junto aos dois para atrapalhar a filha do padeiro e ter a atenção do famoso modelo toda para si.
— Adrien! — Lila chamou com um sorriso falso enquanto se aproximava. Plagg, discretamente, reclamou e implorou para que a garota disse embora, já o modelo, perdeu todo o ânimo que sentia ao ver a mentirosa.
— Oi, Lila. — Cumprimentou de maneira desanimada, contrária a que usava com os amigos e Marinette.
— Fiquei sabendo que você e a Marinette estão indo à Alfaiataria das Marcas Agreste. — A garota disse animada, dando ênfase ao local, enquanto Marinette se aproximava e já fechava a cara, cruzando os braços ao estar ao lado do loiro. A italiana logo quebrou a distância entre si e o menino, passando o dedo indicador sobre o ombro esquerdo do garoto, logo fazendo círculos. — O meu tio é um grande alfaiate italiano. Eu poderia ir junto, pois entendo mais que a Marinette e seria mais útil para ajudar você a-...
— Não, obrigado, Lila. — Adrien cortou a mentirosa e Marinette sorriu, vitoriosa.
— Mas-... — Ela tentou argumentar.
— O meu convite foi para a Marinette — o loiro apontou para a amiga — porque só tem lugar para uma pessoa na limusine para me acompanhar. Fico feliz que seu tio, ou quem quer que seja, é um alfaiate famoso. Mas, não é com ele que vou experimentar e ajustar as roupas. Quem sabe quando ele vier, eu a veja com ele? — O Agreste dizia na voz mais calma, serena e educada possível.
— O quê? — A italiana se assuntou.
— Até outro dia, Lila. — Adrien se despediu. — Vamos, Marinette. Quero te mostrar o estoque de tecidos do meu pai, você vai adorar. — Marinette saiu junto ao loiro, sem dar atenção para a italiana, que havia ficado mais furiosa ainda.
Desde que Ladybug havia estragado seu encontro com Adrien Agreste, revelando sua mentira, ele nunca mais confiou em uma só palavra dela. Era impossível manipular o loiro e, a sua amizade com a filha do padeiro só arruinava mais ainda seus planos. A garota imaginava que, mexer com a meio-chinesa, seria afundar todas as suas oportunidades com o garoto. Ele a protegia demais...
Mas, para sua sorte, mais uma pessoa além dela odiava a Dupain-Cheng mais do que qualquer um: Gabriel Agreste. O famoso estilista tinha desprezo pela filha dos mais famosos padeiros de Paris, já que era a garota que fazia Adrien querer ver e conhecer o mundo, ter amigos, sair. Era ela quem o inspirava viver. Ou seja, era a menina que fazia o filho querer “sair das vistas do homem controlador e ser um adolescente normal”. Lila ainda se lembrava de uma conversa que ouviu entre o adulto e sua assistente pessoal.
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— “Se Emillie estivesse aqui, ela nunca teria permitido Adrien ir à escola ou fazer amizade com esse tipo de gente.”. — O Agreste disse com desprezo amassando a foto do filho com Marinette, que a italiana havia levado para ele. — “Ela iria fazer o Adrien esquecer dessa ideia e continuar com os nossos planos de futuro para ele. Estou sendo muito liberal com meu filho, minha querida esposa vai ficar furiosa quando voltar.”.
— “A Senhora Emillie vai entender que o senhor estava em um momento de vulnerabilidade e empenho para trazê-la de volta, por isso permitiu Adrien sair. Assim que a Senhora voltar, ela vai fazer o seu filho esquecer todas essas coisas e voltar a desejar ser o que os senhores desejam que ele seja.”. — Nathalie acalmou. — “As coisas irão voltar ao normal, senhor. Confie. A Senhora Emillie vai restaurar tudo e fará Adrien voltar a ser amigo apenas da filha do Prefeito e da senhorita Tsurugi.”. — Lila sorriu maldosamente, encostada na parede ao lado esquerdo da porta, ouvindo a conversa no escritório.
— “Quer dizer que a Senhora Agreste é uma mulher manipuladora e, possivelmente, narcisista, assim como o senhor Agreste?!” — Lila estava contente com a informação que descobrira. A italiana saiu andando em direção a gigantesca porta para ir embora. — “Se eu mostrar um bom trabalho para o Senhor Agreste em afastar Adrien dos amigos e da filha do padeiro ridícula, eu poderei ser muito bem recompensada por ele e pela esposa manipuladora, quando ela voltar.”. — Lila planejava as melhores vantagens para si. — “Se o Adrien faz tudo o que a ‘mamãezinha boa’ dele diz, eu posso me mostrar uma aliada, ganhar sua atenção e confiança e, assim, eles forçariam o Adrien a namorar comigo. Até mesmo casar no futuro!”. — Lila estava hipnotizada pelo grandioso plano que traria-lhe fama e fortuna. — “Eu seria a Nova Senhora Agreste e seria famosa, apareceria em várias capas, seria rica e, o melhor de tudo: Acabaria com os sentimentos da Marinette!”. — Lila riu de sua ideia genial. — “E ainda: eu continuaria a controlar e manipular o Adrien, tanto para mim, quanto para os pais dele. Ele seria o fantoche da família para sempre e eu seria extremamente bem recompensada por isso!”.
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Adrien abriu a porta da limusine para a amiga, que entrou sorrindo. O caminho para o prédio das Marcas Agreste foi cheio de conversa entre os dois, que riam muito das trocas de palavras da azulada e falavam dos acontecimentos do dia. Quando chegaram, Marinette se encantou com o prédio executivo. Ele não era grande como os outros ao redor, mas a sua arquitetura e estilo eram infinitamente superiores e denunciavam que o dono, era alguém de bom gosto finíssimo.
Os jovens foram recebidos por Nathalie, que já os esperava com o tablet em mãos. Cumprimentou ambos de maneira breve e os guiou pelo lugar até a sala do Alfaiate, um senhor muito gentil e carismático. E de estilo único. Nathalie conversou com o homem por uns instantes e saiu em seguida.
— Aqui, senhor Agreste. — O senhor entregou a muda de roupa, sorrindo. — Vista com cuidado e vamos fazer os ajustes.
— Eu volto logo. — Adrien avisou a amiga e seguiu para um canto da sala, com provadores.
— Você é a namorada do senhor Agreste? — O homem perguntou gentilmente após alguns instantes, fazendo Marinette corar.
— N-não! — Marinette disse afobada, estando extremamente vermelha. — Q-quero dizer... Eu e o Adrien, somos apenas bons amigos, sabe? Somos da mesma sala. — Sorriu.
— Eu entendo. — O homem disse com um sorriso diferente. Sabia muito bem o que estava acontecendo ali: a amiga, apaixonada pelo amigo, que não percebe e ela não consegue se declarar ou agir normalmente. Coisas de adolescentes.
Adrien saiu rapidamente do provador, deixando Plagg escondido comendo seu Camembert. Marinette o olhou admirada, o que deixou o garoto um pouco constrangido. Achava adorável a maneira como a amiga o olhava.
O alfaiate pediu para que subisse no pequeno palco para que pudesse ajustar as mangas e calça com mais precisão. Então, enquanto fazia seu trabalho, Marinette e Adrien conversavam tranquilamente. Às vezes, parando para que a azulada prestasse atenção no serviço do homem. De fato, era algo extremamente bem feito e de boa qualidade. O homem precisou sair, deixando ambos sozinhos.
— O que está achando, Marinette? — Adrien perguntou, querendo saber se sua amiga estava gostando do passeio.
— É tudo maravilhoso, Adrien! — A azulada estava encantada com a imensa e maravilhosa Sala de Prova e Costura. Totalmente equipada com tudo do bom e do melhor. — Eu não fazia ideia que seria tudo incrível!
— Fico feliz que esteja gostando. — Adrien sorriu muito contente por ver Marinette tão hipnotizada por tudo. O loiro não sabia, mas estava sentindo-se imensamente feliz por estar sozinho com a amiga. — Assim que eu terminar, vou te levar num lugar. Você vai adorar. — Marinette sorriu apaixonada, para o loiro. Sempre tão gentil e cavalheiro.
O senhor logo voltou e terminou de fazer as marcações. Adrien retirou as roupas com cuidado e voltou com as peças habituais — e com Plagg escondido na camisa. Rapidamente, puxou a melhor amiga pela mão e foram para outro andar.
— Aonde vamos? — Perguntou quando entraram no elevador.
— Você vai ver. — Disse super empolgado.
Adrien levou Marinette até o andar dos tecidos e das estampas. As estampas diferentes das Marcas Agreste eram feitas ali mesmo, exclusivamente por estilistas do lugar.
O loiro guiou a amiga até o fim do corredor em uma porta dupla branca com a logo da empresa, destrancando ela com uma chave dourada. Quando entraram, o queixo de Marinette caiu. A sala era enorme, cheia de prateleiras e estruturas para guardar os mais diversos e lindos tecidos. Tinha de tudo e a garota parecia no paraíso.
— Bem-vinda à Sala de Tecidos Pessoal de Gabriel Agreste! — Adrien estava empolgado para mostrar a amiga. Sabia que seu pai era o estilista favorito dela e sua fonte de inspiração. Então, que maneira melhor de surpreender a amiga do que levá-la até a sala de tecidos do pai?
— Adrien, isso é maravilhoso! Incrível! — Marinette rodopiou no local, incrédula.
— Meu pai tem diversos tecidos caros e muito raros. São maravilhosos, mas eu não entendo porque ele entulha tanta coisa aqui. — Explicou enquanto via a amiga pular de amostra em amostra sentindo as texturas, cheiros e admirando as cores. Era maravilhoso observar a amiga, na cabeça do jovem Agreste.
A surpresa veio depois, quando Adrien pediu para uma das estilistas cortar alguns pedaços dos tecidos que Marinette mais gostou e embrulhar — tudo em segredo, pois daria a amiga mais tarde —, pois tinha certeza que, a criatividade da garota tornaria simples tecidos em peças maravilhosas.
— Pra você! — Adrien disse num sorriso, entregando cinco embrulhos para a amiga. Já estavam em frente a padaria dos pais da garota.
— O que é? — Perguntou curiosa.
— Vai descobrir depois. — Disse de maneira muito divertida. — Obrigado por ter ido comigo, Marinette. — O garoto agradeceu. — Normalmente, eu sempre vou sozinho. Foi bom para quebrar a rotina. — Marinette deixou os embrulhos no chão e abraçou o loiro, que retribui após alguns segundos de surpresa.
— Estarei sempre aqui se precisar, Adrien. Não se preocupe! — O garoto se aconchegou no abraço da garota e sorriu, fechando os olhos.
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[Dois dias depois...]
— Suas aulas de esgrima e chinês foram canceladas. — Nathalie avisou quando o garoto pisou na mansão. — Seu pai quer que treine piano esta tarde. — Adrien suspirou.
— Claro. — Respondeu seguindo em direção as escadas.
— A sua amiga Marinette deixou um embrulho para você. — Adrien parou e olhou esperançoso para Nathalie. — Está em cima da sua cama. Não esqueça de estudar. — Disse, para logo se retirar.
Adrien correu o mais rápido que pôde para seu quarto. Marinette havia deixado um embrulho, provavelmente um presente, e ele queria mais do que tudo, descobrir o que era. No quarto, jogou a bolsa no chão e pulou em cima da cama, pegando o embrulho prateado.
Quando abriu, deparou-se com uma maravilhosa surpresa: um cachecol novo em verde e preto. Era lindo e Adrien lembrou-se das cores de seu uniforme de Chat Noir. Ele aproximou o trabalho carinhoso do rosto e cheirou. Tinha o perfume doce da amiga.
— A Marinette é incrível! — E se jogou na cama, abraçando o trabalho.
— “Quando é que ele vai perceber que está apaixonado pela Marinette?” — Plagg questionou-se internamente enquanto comia o seu queijo e observava o portador apaixonado pelo presente.
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