Elfos Guerreiros
2 Capítulo 1- Olhos negros
Florência– Cidade das flores. 30 de novembro de 1997. 10:30 a.m.
–Eles são lindos, não são? -Disse Rose.
–Claro que são, querida.
Vozes calmas de pais que acabaram de ter gêmeos. Não eram univitelinos, um menino e uma menina, em comum apenas os olhos negros e grandes.
–Juliano, não escolhemos os nomes deles ainda, mas...estive pensando em alguns pra ele. Qual você prefere, Daniel ou Castiel?
–Hum, acho mais bonito Castiel.
O bebê abriu os olhos.
–Ah olha só, parece que ele gostou. Mas..e ela? Como vamos chamá-la, querido?
–Ela? — Juliano ergueu a menininha. — Roseli, podemos chamá-la de Nicole?
5 anos se passaram, os bebês cresceram, treinavam espadas no quintal coberto com gama.
–Não pense que estou dando mole, maninha.
Sons das espadas se cruzando.
–Parece que está. Você luta feito uma garota.
Os pais os observavam da varanda.
–Eles mandam muito bem com espadas. Mas acho que a Nicole está ficando inteligente demais pra idade dela, não acha Rose?
–Verdade, ela é um gênio. Aprende tudo bem rápido. — O casal se beijou.
Sobre aparências, Castiel, assim como a mãe, tinha os cabelos louros. Com 5 anos eram lisos até demais, e olhos escuros. E Nicole, tinha enormes cílios marcantes com olhos negros, magricela. Seu cabelo batia nos ombros, eram castanho-claros e lisos.
Assim como a rosa, o dia estava lindo, mas assim como a rosa que tem espinhos, a noite se tornou um pesadelo.
...
Castiel e Nicole assistiam televisão. Seus pais discutiam na cozinha. Nicole os observava, estavam aflitos, preocupados e nervosos com alguma coisa. A mãe balançava a cabeça e chorava, fazendo o rímel borrar. Juliano andava para todos os lados da cozinha, puxando os próprios cabelos, era impossível compreender qualquer palavra que estavam dizendo. A casa onde moravam, era muito grande, estava sempre iluminada, com a decoração moderna e agradável. Alguns trovões foram ouvidos e a chuva começou a cair em pingos grossos.
Nicole não prestava atenção mais nos pais, estava a encarar a porta da entrada, o vento batia com força, fazendo-a se mexer, mesmo sendo de madeira grossa. A maçaneta girou, a porta foi se abrindo lentamente. A figura que entrou estava com a cabeça baixa, usava uma capa preta que tampava o corpo, era um homem alto, os pingos do cabelo caiam no próprio rosto, não era velho, poderia ter 17 anos ou um pouco mais. Levantou o rosto vagarosamente, sem expressão. Abriu os olhos, e viu uma pequena garotinha à sua frente. Nicole o olhava com a cabeça virada para baixo e para à esquerda, com as mãos seguras atrás das costas.
–Quem é você? -Perguntou ela.
–Eu?...Eu sou o pesadelo de todas as criancinhas. — Respondeu, abrindo um sorriso medonho.
–O que veio fazer aqui, ninja das trevas?
Ele hesitou por alguns segundos, como aquela garotinha poderia reconhecer sozinha um ninja das trevas? Respirou fundo, deu um passo para frente, Nicole estendeu a mão, como se quisesse pará-lo. Ela o olhou fixamente nos olhos, firme e disse:
–Você não respondeu minha pergunta.
Ele agora gargalhou, e foi ouvido pelos pais de Nicole, que vieram correndo pra a entrada.
–Nicole, sai daqui.- Rose ordenou.
–Mas..
–Vai filha, fica perto do seu irmão.
Ela afirmou que sim com a cabeça e os obedeceu.
–Que bela filha vocês tem, é muito inteligente. Chegou a reconhecer um ninja do clã das sombras.
–Cala a boca, Luck!- Juliano se irritou com o modo de como aquele estranho disse aquilo.
Os olhares agora eram faiscantes.
–Porque diabos o filho de Poseidon está aqui?
...
–Nicole, o que está acontecendo lá?- Perguntava Castiel. — Nicole! Me responde.
Ela apenas olhava para o chão, estava com os olhos parados, como se esperasse algo ruim.
–Nicole!
–--------------------------------------------------------------------------------------------
–On..onde estou?- Sua visão estava embaçada.
Quando voltou a si, Nicole viu sangue no chão da sala, foi se levantando devagar, se escorando nos móveis, mas notou que também havia sangue em sua mão. Quando se manteve em pé, foi possível ver dali dois corpos ensanguentados no chão da entrada, eram seu pai e sua mãe. Nenhum sinal de seu irmão. As cenas da noite passada foram voltando à sua mente, se lembrou de quando Luck lançou seus pais contra a parede, depois veio à sala e soltou pela boca um veneno de cor lilás, fazendo com que os irmãos desmaiassem. O motivo de ele fazer aquilo? Luck era filho de Poseidon, não o deus Poseidon, mas seu pai recebera esse nome em homenagem ao deus grego, a mesma coisa de Luck, homenagear o verdadeiro Luck das histórias gregas.
Nicole foi para perto da porta, estava aberta e a luz do sol cobriu seu rosto, até que uma sombra a tampou. Um homem negro careca de óculos de sol e terno preto entrou.
–Oi. Sou Alex, tudo bem? Ahn, vamos investigar o que aconteceu por aqui está bem, mocinha? Não se preocupe com nada, sabemos que a casa foi invadida ontem à noite.
–Pra onde eu vou agora?
–Sabe, eu era muito amigo dos seus pais. Eles me disseram sobre uma tia sua, que mora aqui perto. Ela vai cuidar de você. Mas me faça um favor, fique longe de escolas, algumas pessoas podem ter medo e vão acabar oprimindo você.
Aquilo assustou Nicole, por que ele estaria dizendo aquilo pra ela? Ela queria saber tanta coisa, mas mesmo vendo seus pais mortos aos seus pés, não desceu nenhuma lágrima de seus olhos.
–Alex, me faça um favor também?- Pediu ela.
–O que você quer, garotinha?
Ela suspirou:
–Quero esquecer tudo! Só você pode me fazer esquecer que meus pais estão mortos, não é?
Ele hesitou, ficou chocado por ver que ela reconheceu um... Alguém que poderia controlar as memórias dela, alguém que amenizaria a dor que ela sentia por dentro. Alex encostou a mão na testa de Nicole. O poder de um duende, Nicole foi se sentindo cada vez mais com sono, ficou feliz pois esqueceria tudo no próximo dia, sussurrou para Alex:
–"Encontre meu irmão...faça o mesmo com ele. Não quero que ele sofra...não quero que ele se lembre ..."- Adormeceu.
Fale com o autor