Elfen Lied – Um Novo Futuro

2 Capítulo 2 – Assuntos para Resolver


Notas iniciais
Segundo Capítulo dessa história. Espero que gostem.

Kouta, Yuka, Lucy, Kurama e Hiromi estavam lá, prontos para começar a conversa.

– Agora, vamos ao assunto importante. – disse Kurama. Ele olhou diretamente para Kouta. – Primeira coisa: Sua irmã ainda não descobriu a verdade, descobriu?

– Sobre ela ser um clone? – perguntou ele. – Não. E creio eu que ninguém vá contar.

Kurama pareceu aliviado com aquilo, mas Yuka pareceu confusa.

– Eu sei que vocês me explicaram um monte de vezes, mas poderiam me explicar novamente? Eu ainda não entendi direito essa história toda.

Kurama ajeitou os óculos.

– Bem, a empresa para qual eu trabalhava fazia pesquisas sobre os diclonius, que são as crianças com chifres. – explicou. – Eu não sabia até pouco tempo, mas eles instalavam um chip no cérebro de todos os membros do laboratório e de seus familiares, mais necessariamente na área responsável pela memória. – ele coçou a cabeça, como se aquilo desse um mal estar. A ideia de ter algo dentro de sua cabeça devia ser muito ruim. – Esse chip era instalado para guardar as memórias de cada um, para que as informações que cada um carregava pudessem ser utilizadas depois.

– Essa é a parte que eu entendi. – disse Yuka.

– Bem, a outra parte realmente é confusa. – disse Kurama.

Kurama olhou para a esposa, como se pedisse permissão para continuar. Ela sorriu e ele continuou:

– Eles tinham tecnologia muito avançada. Um exemplo disso foi a Kanae, eu, a Hiromi e a Mariko termos sido clonados. Aparentemente, eles queriam saber se poderiam recolocar memórias em clones. Para isso, eles fizeram vários testes com vários clones. O problema foi que eles clonaram a Mariko... E isso que acabou com eles...

Yuka parecia ter outra dúvida.

– Eles não poderiam fazer isso com vocês ainda vivos?

– Não. – respondeu Kurama. – Cada chip tinha o que podemos chamar de “memória interna”. Tudo que fosse guardado nele só poderia ser acessado por meio dele. Mas uma coisa é coloca-lo. Outra é retira-lo.

– Entendo... – disse Yuka.

– Mas continuando: Como eles haviam clonado Mariko, eles acharam que poderiam evitar que ela tivesse os poderes da original. Eles erraram... Ela destruiu todo o laboratório e matou todos os cientistas que estavam lá. Ela acabou encontrando a mim e me soltou. Logo depois, encontramos a Hiromi. A Kanae foi encontrada por acaso, desacordada. Aparentemente, ela havia sido um teste para envelhecimento dos clones além de sua idade na hora da morte. Eles também implantaram memórias falsas para ver se dava certo.

– E por isso que ela tem memória dos últimos anos, mesmo ela estando morta nesse tempo. – disse Kouta.

– Mas porque ela teria esse “chip” implantado? – perguntou Lucy. – Isso você não explicou da outra vez.

Ele olhou para Kouta.

– Aparentemente, Kouta, seus pais eram ligados à empresa. – disse Kurama. – Tanto ela como você tem esse chip. Eles implantaram novamente o chip nela para colocarem novamente as memórias. Fizeram isso em todos. Eles fizeram cópias desses chips, mas foram destruídas no incidente.

Kouta passou a mão na cabeça, sentindo o mesmo que Kurama.

– Tá ok. – disse Kouta. Então ele se lembrou de algo. – Espera ai! Quer dizer que poderiam clonar meu pai?

– Bem... Poderiam, mas provavelmente não o fizeram ou o clone foi destruído.

Kouta se sentiu um peso ao pensar nisso. Seu pai poderia estar vivo, mas não.

– Mais alguma coisa que não entenderam? – perguntou Kurama.

– Não. – respondeu Yuka, ainda confusa.

Lucy pareceu desconfiada.

– Mas você não veio só para saber sobre a Kanae, veio?

Kurama ajeitou novamente os óculos.

– Bem, vocês já devem saber que eu não sou mais ligado à empresa em questão.

Todos assentiram.

– Bem, eu quero desfazer o erro que eles cometeram e usar o vírus diclonius para o bem da humanidade. A Doutora Arakawa, que estudou o vírus por muito tempo, também está me ajudando. Ela foi a única cientista que sobreviveu ao incidente no laboratório.

– A assistente do Professor Kakuzawa? – perguntou Kouta.

– Sim. – respondeu Kurama.

– Como você a conhece, Kouta? – perguntou Yuka, desconfiada.

Kouta pareceu nem perceber.

– Foi quando eu fui buscar a Nyu na faculdade. – ele se lembrou da cabeça do professor jogada no chão do laboratório e um frio passou por sua espinha.

– Entendi. – disse Lucy. – Mas por que veio aqui para nos contar isso?

Kurama olhou para Lucy.

– Porque eu preciso de seu sangue, de seu DNA. – disse. – Preciso dele e de uma amostra do vírus de seus vetores. Por você ser a diclonius original, o vírus original está em você. Sendo assim, seu DNA é a base original para o projeto.

– Entendo. – disse. – Se é só isso, então tá ok.

– Segunda você deve ir à faculdade junto com Kouta e Yuka. Meu laboratório fica lá.

Kouta se lembrou de algo.

– Seria o antigo laboratório do Professor Kakuzawa?

– Sim. – respondeu Kurama. – Aquele laboratório tem muitas anotações e parte da pesquisa dele.

Ele percebeu o porquê dele ter feito aquela pergunta.

– Eu entendo sua preocupação, mas não pense nisso. Ele já foi há muito tempo. – ele olhou para Lucy, como se jogasse uma indireta.

Kouta tentou tirar aquilo da cabeça. A ideia de seu professor ter morrido naquele lugar lhe dava calafrios.

– Era só isso que eu queria. – disse Kurama. – Agora vamos ter que esperar pelas crianças.

– Se é assim, – disse Hiromi. – vocês poderiam deixar as garotas conversarem um pouco. Vocês só falam de trabalho e más lembranças. – ela olhou para Lucy e Yuka. – Eu não sei vocês, mas eu não aquento mais isso.

As outras assentiram. Kouta e Kurama as deixaram a sós para conversarem.

Enquanto isso...

– Muito obrigado. – disse Mayu, pagando o caixa do mercado.

– Eu que agradeço. – disse o rapaz.

Miguel pegou a maior parte das sacolas, mas carregava sem nenhum problema, Nana pegou a com os doces e ficou comendo no caminho, Mariko e Kanae não levaram nenhuma e Mayu pegou as que sobraram em cima do balcão. Assim, eles pegaram o caminho de volta.

– Nos fale um pouco sobre você, Miguel. – disse Kanae. – Seus gostos, sua família.

– Bem... – ele parecia nervoso. – Eu gosto de música clássica e um pouco de rock. Sou o filho do meio. Meu irmão mais novo está morando com minha mãe e meu pai no Brasil. Tenho problemas com kanjis, já que não se ensina isso na escola primária brasileira.

Kanae foi a única que riu da piada. As outras ficaram olhando para ela.

– Qual é? Foi engraçado.

As outras fingiram que não ouviram aquilo. Mayu se lembrou de algo que tinha que fazer.

– Gente, ainda tem o dever de casa para segunda! – disse, preocupada.

– Quais matérias? – perguntou Miguel antes que as outras pudessem dizer algo.

– Ciências e matemática. – disse Nana. – Por quê?

– As matérias universais... – disse ele. – Eu posso ajudar. Se fosse história ou japonês, não poderia fazer nada, mas ciências e matemática são a mesma coisa, não importa onde esteja.

– Você pode mesmo ajudar? – perguntou Kanae.

– Claro que ele pode. – disse Mariko. – Ele é muito inteligente. Ouvi o irmão dele dizer que ele só tirava a nota máxima em tudo.

– Nem tanto. – disse ele, envergonhado. – Nem sempre era assim.

– Nem sempre? – perguntou Kanae. – Isso quer dizer 99% dos casos?

Ele ficou com mais vergonha ainda.

– Nós já estamos chegando. – ele apontou para a escadaria. – Vamos! Rápido!

Ele correu até lá e subiu na frente de todas. Elas o seguiram até a casa.

– Estamos de volta! – gritou Nana, entrando em casa.

– Bem vindos de volta. – disse Yuka. – Trouxeram tudo direito?

– Sim. – disse Mayu, indo até a cozinha.

Miguel a seguiu até lá, levando as sacolas. Logo depois, Yuka entrou na cozinha.

– Quer que ajude com o almoço mais tarde? – perguntou Mayu.

– Não precisa. – disse ela. – Eu cuido de tudo. Podem ir.

Mayu foi para o subiu a escada para o primeiro andar. Miguel ficou esperando no pé lá em baixo.

– Pode vir. – disse Mayu. – As outras já vieram pra cá.

Ele a seguiu, um pouco nervoso.

Quando Mayu abriu a porta do quarto, Nana e Mariko estavam comendo todos os doces sozinhas.

– Deixa um pouco pra mim. – disse Kanae, tentando pegar alguma coisa delas.

Miguel riu da situação.

– O que foi? – perguntou Kanae, olhando pra ele, ainda tentando pegar algo.

– Nada, nada. – respondeu ele. – Isso me lembra como eu e meu irmão fazíamos quando ganhávamos doces. Era ganhar e não sobrar nada.

Mayu entrou, mas Miguel ficou na porta.

– Pode entrar. – disse Mayu, pegando os cadernos.

– Posso mesmo? – perguntou.

– Vem logo! – disse Mariko, levantando ele com os vetores e soltando-o no quarto.

Ele ficou de pé, vendo se não tinha se cortado em nenhum lugar.

– Desnecessário isso! – disse ele. – Podia ter me cortado ao meio!

Nana ficou surpresa.

– Você sabe sobre... Sobre isso? – perguntou.

– Sim. – respondeu ele. – Ela me contou depois de ter me salvado de um acidente. Se não fosse por ela, eu não estaria aqui.

– Entendo. – disse Kanae. – Agora vamos estudar?

– Ok. – disse Miguel.

Eles estudaram no chão mesmo. Miguel parecia um professor dando aula: Explicava cada coisinha duas, três vezes, tirava dúvidas e até passou algumas questões a mais de matemática para explicar Nana, que não estava entendendo bem a matéria. Mariko ficou lá, entediada, andando de um lado ao outro do quarto, mexendo nas coisas das meninas...

– De quem é esse sutiã? – perguntou ela, pegando uma peça de roupa preta e com aparência muito ousada para uma garota de 15 anos.

– É meu! – gritou Kanae, pegando-o da mão dela e guardando para Miguel não ver.

– E esses? – ela estava com vários sutiãs nas mãos.

E começou a bagunça: As garotas corriam atrás dela pelo quarto, mas ela puxava suas roupas com os vetores. Miguel abaixou a cabeça para não ver a situação.

Depois de uma hora de aula e bagunça, eles haviam terminado ambos os deveres de casa.

– Muito obrigado, Miguel. – disse Mayu, agradecendo.

– De nada. – disse ele, sem jeito.

– Se você não nos ajudasse, nós íamos ficar aqui pra sempre. – disse Nana.

– Principalmente você, Nana. – Kanae deu um tapinha nas costas de Nana.

– Ei!

E todo mundo riu.

– O que vamos fazer agora? – perguntou Mariko.

– Podíamos pedir a Lucy pra deixar a Nyu brincar conosco. – disse Nana.

Kanae se levantou no mesmo instante.

– Nem vem! Não depois de ontem! Meus seios ainda estão doendo por causa daquilo!

Ela só percebeu o que tinha dito depois de alguns segundos. Ela olhou para Miguel, que estava com uma cara de paisagem.

– Esqueça o que ouviu, por favor! – pediu ela, com as mãos juntas.

– Você disse alguma coisa? – disse ele, fingindo não ter ouvido.

– Nada, nada. – disse ela, balançando os braços.

De qualquer forma, Lucy trocou de lugar com Nyu um pouco para brincar com eles.

– Nyu! – disse ela, abrindo a porta do quarto. – Alguém me chamou?

Mariko pareceu notar a diferença nela, a mudança de personalidade.

– Pode entrar. – disse Nana, se levantando e indo até a porta do quarto.

Ela entrou e se aproximou de Miguel, se ajoelhando de frente pra ele. Ela o olhou bem de perto, mas ele parecia que ia desmaiar.

– Nyu! – disse ela, abraçando-o.

Ele retribuiu o abraço, um pouco nervoso. Ela o soltou e sorriu.

– Amigo! Nyu! – disse ela. – Meu nome é Nyu.

– Meu nome é Miguel. – disse ele, um pouco envergonhado.

– Miguel! Nyu! – ela sorria alegremente.

Ela se levantou e estendeu a mão para ele. Ele a segurou e levantou. As meninas também se levantaram.

– Então, de que vamos brincar? – perguntou Nyu.

– Que tal pique-esconde? – perguntou Miguel.

– Não estamos muito velhos pra isso? – perguntou Kanae.

Miguel se sentiu ofendido.

– Nunca se é velho para esconde-esconde. Eu mesmo brinquei com meus amigos há alguns meses, lá no Brasil. – disse ele, se lembrando do tempo no Brasil.

As garotas pareceram concordar.

– Então vai se esconde-esconde. – disse Kanae. – Mas vamos ter que ir para outro lugar.

– Aqui perto tem um bosque. – disse Nana. – Podemos ir lá.

– Nyu!

Os outros assentiram. Eles avisaram para o pessoal e foram. Eles pararam no meio do bosque, perto de uma árvore.

– Quem começa contando? – perguntou Mayu.

– Eu voto no Miguel. – disse Kanae.

– Eu também. – disse Nana.

– Eu também. – disse Mariko.

– Nyu!

Miguel teve que obedecer.

– Vou contar até trinta e procurar. – disse ele, se virando para a árvore ao seu lado.

– Conte até cem! – gritou Kanae, correndo para se esconder.

– Nem ferrando! – gritou ele de volta. – Um! Dois! Três!

Ele ficou lá, contando.

– ...Vinte e oito! Vinte e nove! Trinta! Prontos ou não lá vou eu!

E saiu procurando por elas.

Olhava para os lados e tentava perceber cada som a sua volta.

– Achei você Nana! – disse ele, olhando para o alto de uma árvore de uns 3 metros.

– Ah! – gritou ela, escorregando e caindo.

– Eu te seguro! – gritou ele, de impulso.

Ele esticou os braços e segurou-a, mas caiu junto com ela no chão.

– Desculpe! – gritou ela, se levantando. – Me desculpe!

– Tudo bem. – disse ele, se sentando no chão. – Acontece.

Nana esticou a mão e ajudou ele a levantar. Ela nem havia se sujado com a queda. Já Miguel, estava com as roupas todas sujas.

– Agora fique esperando lá na árvore. – disse Miguel. – Eu vou procurar as outras.

Ele dobrou a barra da calça e saiu procurando as outras.

Achou Nyu em uma velha construção, que parecia um lugar para se abrigar na chuva.

– Te achei, Nyu! – gritou, chegando por trás dela.

– Nyu! – ela se assustou e pulou pra trás, derrubando ele.

– Ai! – gritou ele.

Nyu saiu de cima dele.

– Nyu! Desculpa! Nyu!

– Tudo bem. – disse ele, se levantando novamente.

Ele foi procurando as outras.

“Espero que mais ninguém caia em cima de mim...” – pensou.

Achou Kanae próxima de um riacho, escondida nas pedras; Mayu, perto de onde tinha contado para começar, atrás de uma árvore; e Mariko, olhou para o alto de uma árvore e disse:

– Pode descer, Mariko. Eu sei que você está ai.

Ela desceu, resmungando.

– Você sempre faz isso. – disse ela, mal humorada. – Sempre me acha, mas eu nunca te acho.

– É uma questão de habilidade. – disse ele, brincando. – Habilidade e experiencia.

Eles foram até a árvore onde começaram a contar.

– Agora é a vez da Nana. – disse Miguel.

– Ok. – disse ela, triste. – Vou contar.

Todos saíram correndo para se esconder. Ficaram brincando até perto da hora do almoço. Depois disso, voltaram para a casa.

– Estamos de volta! – gritou Mayu, entrando em casa.

– Sejam bem vindos. – respondeu Kouta, olhando pela porta. Quando viu o estado de Miguel, ele se assustou.

– O que houve com você, Miguel? – perguntou Kurama, chegando à porta.

– Isso? – ele olhou para suas roupas. – Foi só um acidente.

– Sua cunhada vai te matar.

– Eu sei.

Kurama passou a mão na testa, mostrando sua preocupação.

– Kouta, você tem alguma roupa para emprestar para ele?

– Vou ver lá em cima. Vem comigo, Miguel.

Eles subiram, deixando as meninas lá em baixo. Nyu trocou o controle com Lucy.

– Vou lá ajudar com o almoço. – disse. – Vocês podem ir ajudando colocando as coisas na mesa.

Elas assentiram, indo até a sala de jantar. Aquele almoço seria uma grande bagunça.

Notas finais
Este não teve notas, mas não quer dizer que vocês não podem perguntar. Qualquer dúvida, é só chamar.