Notas iniciais
Vamos lá, galera! Vamos ler! Se bem que nem sei se tem alguém lendo...

De manhã, Kouta e Yuka foram os primeiros a acordar. Logo que acordaram, foram fazer o café da manhã. Enquanto preparavam o café, Kurama e Hiromi também levantaram. Por último, o pessoal do quarto da bagunça.

– Miguel, você roncou a noite toda! – disse Kanae, descendo as escadas.

– Desculpe. – disse ele, por último na fila. – É de família.

Quem tinha ido dormir era Nyu boazinha, mas quem acordou foi Lucy raivosa.

– Esse seu ronco foi infernal, garoto. – ela estava bem revoltada.

– Nyu? – perguntou ele, na maior inocência, enquanto se dirigiam a copa. – Tudo bem?

– Claro que não! – gritou ela. – E a Nyu é a outra! Eu sou a Lucy!

Eles estavam na entrada da sala de jantar. Kurama fez alguns movimentos com os lábios, os quais Miguel conseguiu intender dessa forma: “Não se preocupe. Dupla personalidade. Uma boa e a outra má.”.

Todos se sentaram para comer. Havia pão, biscoitos, leite, café, chá, etc.

– Podem se servir. – disse Yuka.

O que houve foi um verdadeiro “Quem Come Mais e Mais Rápido”. Na hora de comer, Nyu tomou o controle de volta. Ela e Nana fizeram um verdadeiro campeonato. Miguel ficou na dele, comendo uma coisa ou outra.

Depois do café, todos foram para seus quartos para se trocar. Como as suas roupas estavam sujas, Miguel ficou com as que Kouta havia emprestado para ele. Ele esperou do lado de fora do quarto, enquanto as meninas se trocavam.

– Meninas? Terminaram? – perguntou ele, do outro lado da porta.

– Sim. – disse Kanae. – Pode abrir.

No que ele abriu, todas saíram em um piscar de olhos. Mariko estava usando o mesmo vestido que havia usado no outro dia, o qual parecia nem ter sujado. Mayu estava com uma camisa branca de manga longa e uma calça roxa, Nana estava com uma camisa azul clara de manga curta e calça preta, e Kanae estava com um vestido azul claro.

Ele entrou, se trocou e saiu.

Já era umas oito e meia. Miguel já estava cansado de esperar por Kurama. Ele e Hiromi demoraram um pouco para se trocar. Quando terminaram, Miguel já estava muito impaciente. Estava com uma sacola, provavelmente com suas roupas sujas. O tênis, mesmo um pouco sujo, era só o que tinha pra usar.

– Olá, doutor. – disse ele. – Vejo que o senhor se atrasou mais que os médicos brasileiros.

Mais uma vez, só Kanae riu.

Eles foram para frente da casa para se despedir. Fizeram-se o grupinho das crianças e o dos adultos.

– Nos vemos de novo no próximo semestre. – disse Kanae para Miguel.

– Na verdade, acho que já vou começar a estudar amanhã, pelo que meu irmão disse. Amanhã nos vemos de novo.

– Ok. – disse ela.

– Eu vou te mostra o colégio inteiro. – disse Nana. – As áreas para ir, para não ir, para brigar, para namorar, etc.

Miguel ficou um pouco vermelho na parte do “namorar”.

– Ele não vai querer saber dessa área pra namorar. – disse Mariko. – A namorada brasileira dele iria ficar com raiva.

Miguel tapou a boca da menina.

– Namorada? – perguntou Kanae, curiosa com a vida dele. – Você não nos disse nada de namorada...

– Ela não é minha namorada. – disse ele, muito rápido e cheio de vergonha. Depois, respirou fundo para continuar. – Ela é minha prima e amiga de infância. Na verdade, é irmã da minha cunhada, mas tratamos um ao outro como primos. Mariko me viu conversando com o pessoal do Brasil pelo celular bem na hora que estava falando com ela. Pra piorar, como o áudio dele é ruim, tive que colocar no viva voz. Ela ouviu a voz feminina, e como já tinha me pegado conversando com minha mãe, sabia que a voz não era a dela. Logo, ela supôs que fosse minha namorada. Mas não era nada disso, né Mariko? – ele olhou bem nos olhos dela.

Ela assentiu. Então ele tirou a mão de sua boca.

– Não era namorada, só prima. – repetiu ela.

Mayu olhou para Kouta e Yuka, que perceberam o olhar dela. Eles estavam próximos o bastante para ouvir o que ele disse. O olhar de Yuka dizia: “Uma bela indireta.”. Já o de Kouta: “Não faz assim. Isso é maldade comigo.”.

– Então, amanhã Lucy irá com vocês na faculdade. – disse Kurama.

Eles se viraram pra ele.

– Claro, claro. – disse Kouta, de súbito. – Nós vamos leva-la.

Kurama, Hiromi, Mariko e Miguel desceram as escadarias do local em direção da rua. Lucy, Kouta e Yuka entraram em casa. Mayu, Kanae e Nana entraram, pegaram algum dinheiro e saíram de novo.

Kouta foi até seu quarto para se arrumar. Pegou uma calça jeans azul e uma camisa social branca.

Ao sair do quarto, deu de cara com Lucy. Ela usava uma saia cinza escuro, um pouco acima dos joelhos, com uma camisa também cinza, de manga curta. Por baixo da camisa, ela usava uma blusa de manga longa preta.

– Nossa! – disse ele, admirado. – Você está linda!

– Obrigado. – agradeceu. – Vamos?

– Claro.

Eles foram em direção à porta de entrada, até que Yuka os parou.

– Vão aonde? – perguntou para Kouta.

– Ao cinema. – respondeu ele. – Vamos sair agora para pegar um bom lugar e não chegarmos tarde.

– Tá certo. – disse ela.

Ela o beijou, o que causou certo desconforto em Lucy. Eles saíram e foram até o centro da cidade.

A rua era totalmente comercial. O cinema tinha a aparência de um daqueles americanos, com uma placa enorme e a bilheteria na frente. Quando chegaram, às 11h30min, todos os filmes tinham começado. A próxima sessão seria às 12h20min. Eles compraram seus ingressos e ficaram na frente do cinema.

– O que vamos fazer até lá? – perguntou Lucy.

– Bem... Podemos passear um pouco. – sugeriu Kouta. – Posso te levar no fliperama.

– Fliperama? – perguntou ela, curiosa.

– Venha comigo! – ele segurou sua mão e levou-a consigo.

Kouta a levou em um lugar no qual havia todos os tipos de jogos: Luta, corrida, dança, etc. Mas o que mas chamou a atenção dela foi o de pegar bichinhos de pelúcia.

– Eu quero! – disse ela, igual criança, apontado para o ursinho branco com coração na mão. Ele devia ter uns 25 centímetros de altura.

– Tem certeza? – perguntou Kouta.

– Eu quero aquele!

– Não isso... Eu perguntei se tinha certeza de que é a Lucy e não a Nyu. – ela tremeu, como se tivesse tido um calafrio de vergonha. – Esse jeito não combina com você...

Ele pegou uma ficha, colocou na maquina e foi. De primeira, ele pegou. Entregou-o para Lucy, que o abraçou o ursinho carinhosamente.

– Obrigado. – agradeceu ela, sorrindo. – Muito obrigado.

Eles continuaram lá, dançando, ganhando os outros nos jogos de luta, até às 12h. Depois, foram até o cinema novamente.

Esperaram um pouco, até que puderam finalmente entrar. O filme era uma comédia romântica na qual um cara havia sido traído pela namorada, terminou com ela, arranjou outra e a ex tentou refazer a relação.

Eles davam risada a cada minuto junto com todo mundo. Na parte dos beijos finais, Lucy se sentiu tentada a segurar a mão de Kouta, mas ele pegou pipoca na hora.

– Eu não acredito que ele ficou com as duas no final! – disse alguma garota saindo da sala. – Que galinha!

– Ele era um safado! – disse a amiga dela.

Kouta e Lucy saíram do cinema por volta das 15h. Foram andando pelas ruas enquanto conversavam.

– O que achou? – perguntou ele, já sabendo a resposta. – Gostou?

– Sim! – disse ela, alegre. – Claro que sim! Foi tão legal!

– E o final? O que achou?

– Bem, ele ter ficado com ambas foi meio estranho. “Não sei qual escolher, então vou ficar com as duas!”. Parece coisa de pervertido.

– Bem, o filme é americano. O que mais queria?

Eles foram andando para casa. Ao chegarem, Nana e Yuka os receberam.

– Bem vindos. – Yuka colocou um jarro de planta no chão e se levantou. – Como foi no cinema?

– Bom. – disse Kouta, se dirigindo para a varanda. – O filme foi muito engraçado.

Eles foram entrando, deixando as garotas cuidando das plantas.

– Na próxima, vamos junto com todos. – disse Kouta.

– Ok. – disse Lucy.

Ela foi até o quarto se trocar enquanto ele foi direto para a sala. O resto do dia passou devagar, até que deu a hora de dormir.

No outro dia, as meninas se arrumaram para a escola e Kouta, Yuka e Lucy, pra faculdade.

– Tchau, Kouta! Tchau, Yuka! – disse Mayu, já saindo.

– Até mais, irmão! – disse Kanae, logo atrás.

– Até mais! – Kouta já estava no portão.

Nana nem se despediu, saiu correndo com uma fatia de pão na boca.

– Vamos? – Kouta olhava para Yuka e Lucy.

– Vamos. – Lucy assentiu.

Eles saíram e trancaram a casa.

A ida até a faculdade foi rápida. Logo, já estavam no portão de entrada.

– Vai indo pra sala. – Kouta se dirigiu a Yuka. – Eu vou levar a Lucy no laboratório.

Yuka assentiu. Cada um pegou seu caminho.

Ao descer as escadarias para o laboratório, Kouta se lembrou do que tinha visto lá: A cabeça do Professor Kakuzawa jogada no chão. Ao chegar à porta do laboratório, conseguiu lembrar até do cheiro do corpo.

Toc, toc, toc... Lucy bateu na porta. Quem abriu foi a Doutora Arakawa. Ela estava de jaleco com uma saia azul e camisa branca por baixo. Seus cabelos e olhos eram pretos azulados.

– Oi. – disse ela, ao ver Kouta e Lucy. Dava pra ver que estava nervosa ao encarar Lucy de perto. – Podem entrar. O Doutor Kurama está esperando lá dentro.

Eles entraram. O lugar parecia idêntico a antes, só que mais arrumado e sem sangue. Kurama estava em uma das mesas, preparando as coisas para pegar as amostras. Usava um jaleco por cima das roupas, parecidas com as do outro dia.

– Pode vir, Lucy. – disse Kurama, olhando para ela. Depois, olhou para Kouta. – Pode ir. Eu levo ela para casa depois.

Kouta saiu, deixando Lucy lá, com Kurama, e indo para a sala de aula.

Já no colégio das meninas...

– Pessoal, – disse o professor Akira, na frente da sala. – temos um novo aluno na classe. Ele veio de intercambio, trocando de lugar com Azuma Rinka, que estava na fila de espera do programa de intercambio desde o ano passado.

Ele olhou para a porta e um rapaz, que usava uma calça jeans e camisa branca com tênis branco entrou. O professor entregou o giz para ele, que escreveu seu nome em escrita oriental com kanjis especiais para estrangeiros.

– Meu nome é Miguel Oliveira. – disse o rapaz, se curvando. Ainda estava com a corrente no pescoço, por dentro da camisa. – Eu sou brasileiro, estou fazendo intercambio e vou estudar com vocês a partir de hoje. Por favor, me chamem de pelo meu primeiro nome, Miguel.

Começaram algumas conversinhas paralelas, mas o professor logo quebrou isso.

– Se tem algo para perguntar, perguntem. – disse.

Um rapaz no fundo da sala levantou a mão e se levantou. Tinha cabelos pretos e olhos castanhos e usava o uniforme do colégio.

– Eu queria saber: Por que você entrou no colégio no final do ano letivo ao invés de no começo?

– Bem... É que eu tive que me mudar no começo do ano. Na verdade, eu ia esperar até o começo do próximo ano letivo.

O rapaz ao fundo pareceu insatisfeito.

– Então você ganhou de bandeja a chance não ter que fazer um ano inteiro de estudo por ser de outro país? – perguntou novamente.

O próprio professor interveio.

– Na verdade, ele havia terminado esse ano letivo no Brasil. Ele seria considerado um veterano para vocês.¹*

O rapaz se sentou, meio sem jeito, e o professor perguntou novamente:

– Mais alguma pergunta?

Outro rapaz, de cabelos loiros e olhos azuis, sentado na segunda fila no canto, levantou a mão. Usava óculos e parecia ser o “nerd” da turma. Ele se levantou e perguntou:

– Quanto tempo você demorou a aprender japonês? – ele falou em português perfeito, surpreendendo até o professor. – Creio que mais que eu demorei a aprender quando vim para cá, ainda criança.

– Bem, – disse Miguel, em japonês. – na verdade eu estava estudando japonês desde quando meu irmão veio pra cá, dois anos atrás. Quando consegui a chance de vir, comecei a estudar mais. Ainda assim, eu fiquei dois meses só ouvindo-o falar e me ensinar.

O rapaz pareceu gostar da resposta. Ele se sentou, deixando o professor perguntar novamente:

– Mais alguma?

Uma menina se levantou na primeira fila. Tinha cabelos castanhos claros, olhos mel e usava um rabo de cavalo.

– Miguel, por acaso você tem namorada? – ela perguntou na lata. – Não estou perguntando por mim, mas por minhas amigas que ficaram com vergonha de perguntar.

Ela olhou para trás, onde as garotas que estavam sentadas perto desviaram o olhar. Miguel ficou com a cara mais que corada.

– Não. – disse ele, tímido. – Não tenho e não estou procurando por enquanto.

Isso criou um novo burburinho na classe. O professor mais uma vez falou:

– Se não há mais perguntas... – ele olhou para Miguel. – Pode se sentar em uma cadeira vazia.

Por sorte, havia uma bem ao lado de Nana, na frente de Mayu e do lado da janela. Ele se sentou lá, causando mais fofoca. “Sentou logo perto delas?”, diziam algumas pessoas. “Ao lado das estranhas?”, diziam outras. “Com tanto lugar, logo perto da Chifruda e Cia?”, cochichou uma garota bem próxima deles.

– Prefiro sentar perto dos estranhos, ou seja, dos meus... – disse ele, em português, para não entenderem.

Somente o rapaz de antes entendeu. Talvez o professor também, que olhou o garoto com certo respeito, mas também preocupação, sentado em sua mesa.

– Oi, meninas. – disse ele, em japonês. – Tudo bem?

– Estou bem. – respondeu Mayu. – E você?

Ele parecia tímido.

– Bem, eu acho... Tinham que vir com uma pergunta dessas de primeira? – ele suspirou. – Ao menos acabou.

O professor começou a aula, claro que de matemática. Cada pergunta que fazia, Mayu respondia. Ela parecia ter facilidade com a matéria. Já Nana, sempre que o professor perguntava diretamente, ela quebrava a cabeça em cada conta. Foi sorte de ela ter passado pelas provas de admissão no ensino médio, mas as coisas estavam ficando feias para o lado dela nas aulas normais. Kanae estava indo bem em cada pergunta, de forma normal, não tão bem quanto Mayu.

O resto do dia passou rápido. Cada um foi pra casa, como todo fim de dia. Comeram, tomaram banho e dormiram.

Notas finais
Notas: ¹*: Veterano seria a tradução mais próxima da palavra senpai e como prefiro não colocar muitas palavras em japonês, prefiro colocar veterano. Mais alguma dúvida? Podem perguntar!