Elesis odeia magos
1 Capítulo único
Notas iniciais
Elesis odeia magos.
Elesis odeia magos, não porque eles são fracos, irritantes, se achando os bons no campo de batalha sem ao menos estar nele, mas sim porque eles tiraram algumas coisas importantes dela.
Elesis odeia magos, pois eles não conseguiram salvar sua mãe após dar à luz a seu irmão mais novo, Elsword. Elesis odeia magos, pois Cazeaje — uma maga -, levou seu pai para longe, mesmo que eles não tivessem a melhor das relações.
Elesis odeia magos, pois....
Elesis coloca a mão esquerda no peito, sobre o coração, e sente a dor latejante lá. A alguns passos à frente de si Arme ri junto a Ronan de alguma piada. Seu peito dói, mas ela mantem os olhos em Arme enquanto lembra de outros momentos, momentos onde seu peito não doía, ao contrário, parecia se aquecer levemente junto de seu estomago que se revirava, momentos em que olha para Arme e repara como ela é bonita, como é fofa, como fica atraente em certas situações no campo de batalha, conjurando feitiços e- pelo amor de deus, ela não odeia magos?
Arme balança a cabeça, ainda sorrindo, sendo fofa, e com as bochechas levemente vermelhas se inclina dando um leve beijo na bochecha esquerda de Ronan.
Elesis desvia o olhar, aperta a mão sobre o peito na esperança de minimizar a dor, minimizar esses sentimentos – Eu vou dar uma patrulhada.
Levanta e vai embora sem olhar para trás. Talvez seu comportamento levante algumas dúvidas, principalmente de Lire que a encara com as sobrancelhas erguidas — e Elesis suspeita que Lire suspeite de algo, porque Lire é boa em perceber as coisas e ela é ruim em esconder as coisas e, porque bem, ela acabou de levantar e está a seguindo e ambas deixaram suas armas para trás.
Tanto para uma boa líder.
Elas andam em silencio pela floresta por algum tempo, vez ou outra Elesis faz uma curva sempre garantindo que estão contornando o acampamento, nunca indo longe demais, depois de algumas voltas ela caminha até uma pedra e se senta, Lire senta ao seu lado e ambas não falam nada. Elas podem escutar os grilos, vagalumes que iluminam a noite, e outros animais, e ela espera que o silêncio ajude, abafe esses sentimentos.
— Nós não estamos patrulhando.
Elesis não responde, não sabe o que dizer, há realmente o que dizer? Seu peito ainda dói ou talvez seja o frescor da dor que ainda é recente, e uma parte dela, uma parte fraca dela, está começando a ficar com medo dessa dor.
Elesis suspira, passa a mão pelos cabelos e olha para o alto.
— Eu só...
Nada vem.
— Eu sei.
Lire sabe, claro que ela sabe. No fundo Elesis se pergunta se mais alguém sabe, e se isso realmente importa a essa altura das coisas.
Ela respira fundo e tenta de novo.
— Eu só... quero que isso passe.
E dessa vez Lire não responde, porque não há o que responder. Elesis sente uma mão em suas costas, subindo e descendo, calmamente. Ela não sente vontade de chorar. Ela não se sente destruída, e ela fica feliz, porque ainda não é amor, porque ainda pode ter volta.
— Eu vou estar lá por você.
— Eu sei.... Obrigada.
E Lire não diz mais nada por um longo tempo, até resolverem voltar, talvez porque seja a única coisa que possa ser dita. Talvez, Elesis pensa todo o caminho de volta, porque não aja nada a ser dito no final, e ela não sabe se isso é um alívio ou triste.
Elesis odeia magos, pois... eles tiraram algumas coisas importantes dela, e se ela não tomar cuidado eles vão quebrar seu coração.
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