Eles não precisam saber, certo?
12 Só queria lhe contar...
Notas iniciais
● GRAVANDO●
Quarto de Kagami Taiga – 21/04/20XX– 23h36min
– Ok... – murmurou o ruivo. – vamos lá... – respirou fundo. – Er... Oi, Kuroko, já faz um bom tempo que nos falamos então... Eu só queria pedir desculpas. Eu sei que falei coisas horríveis para você, e me arrependo muito disso. Realmente passei dos limites, nunca deveria ter dito nada daquilo, e só espero que um dia você me perdoe.
Desviou os olhos da câmera, abaixando a cabeça e cerrando os punhos.
– Sinto sua falta. – sussurrou.
Ergueu o olhar, engolindo em seco e tomando coragem.
– A-Aquele dia em que ficamos pela primeira vez, f-foi um dos melhores dias da minha vida!
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CINCO ANOS ATRÁS
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Quarto de Kuroko Tetsuya – 24/06/20XX — 16h04min
– É que eu... Eu queria experimentar ficar com um garoto uma vez. – mentiu o maior. – então eu estava pensando... Você não tá namorando, nem eu... Então... A gente podia ficar uma vez... Né?
O azulado ficou tão vermelho que quase tingiu os próprios cabelos, encolheu-se e se afastou do toque de Kagami, sentando num movimento rápido.
– N-Não sei... – falou afastando-se até a beirada da cama. – i-isso... Você é meu amigo então...
– Justamente por isso, somos amigos, então não faz mal não é? Assim, nenhum dos lados sai machucado. – sentou-se. – por isso eu... Vamos lá. Que tal ao menos um beijo?
Kuroko mordeu o lábio inferior e olhou para baixo, Kagami acompanhou a mordida hipnotizado, querendo provar dos lábios do outro o mais rápido possível.
Aproximou-se devagar, tocando carinhosamente no rosto do outro.
E logo já se beijavam fervorosamente.
Kagami levou ambas as mãos à cintura do azulado, apertando a pele macia entre os dedos, adorando o calor do outro.
Puxou Kuroko para seu colo, sentado de frente para si com uma perna de cada lado de sua cintura, agarrando seus quadris com firmeza e fazendo movimentos eróticos através das roupas.
O menor separou seus lábios, tentando levar um pouco de ar aos pulmões. Sua boca estava inchada, úmida e vermelha, suas bochechas também detinham um forte rubor.
Taiga controlou todo o seu ser para não perder o controle e violar Tetsuya naquele instante.
Não deu mais tempo ao outro, puxou novamente sua nuca e o beijou descontroladamente, o pequenino mal conseguia acompanhar todo aquele fervor. Estalos molhados estalavam pelo quarto, a temperatura parecia ter subido uns dez graus e uma camada de suor se formava no corpo de ambos.
Automaticamente, Kagami apartou o beijo e retirou sua camisa, largando-a no chão e logo iniciando outro ósculo.
Era maravilhosamente bom ter Kuroko em seus braços, se sentia completo, queria há tanto, TANTO, tempo fazer aquilo...
Sentiu o azulado estremecer em seus braços e separou-se de seus lábios, vendo que o outro se esforçava arduamente em recuperar o fôlego perdido, o rosto já estava completamente vermelho, e até um pouco roxo.
Vendo que o outro demoraria um pouco a recuperar o fôlego, inclinou-se para trás, apoiando as costas na parede e deitando o outro acima de si, beijando e mordendo seu pescoço delicado.
– K-Kagami-kun... – gemeu baixinho, retirando aos poucos a sanidade do ruivo.
– É realmente bom... – sussurrou rouco, Kagami, mordendo o lóbulo do azulado, o puxando entre os dentes. – ficar com outro garoto...
– Hn... – meio disse, meio gemeu o outro, instintivamente esfregando seu pequeno corpo no do o ruivo.
Kagami tornou a abusar de seu pescoço enquanto as mãos despudoradas desciam pelo torso do pequenino, mapeando cadê pedacinho daquela pele macia. Começou a puxar a camisa do outro, retirando-a.
– E-Espera... Kagami-kun...
Segurou, um pouco tremulo, as mãos do outro, afastando-as de si.
– O que foi? – Kagami conteve a vontade de bufar.
– Não acha que está indo longe demais? – ele franziu a testa, saindo do colo do outro.
– Não. – respondeu convicto.
– Mas eu acho que estamos... – disse com o rosto completamente vermelho. – s-se for só beijos tudo bem, além disso, eu não consigo.
– Tudo bem. – Kagami suspirou, mas depois sorriu. – mais um pouco? – estendeu a mão para o outro.
Kuroko mordeu o lábio inferior, desviando o olhar, mas logo tornou a encarar Kagami.
– Só um pouco.
E logo se beijavam com ferocidade novamente.
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ATUALMENTE
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● GRAVANDO ●
Quarto de Kagami Taiga – 21/04/20XX– 23h49min
– Como você conseguia se tão fofo? Eu me pergunto isso todos os dias... – a voz de Kagami agora saia quase sussurrada, mas alta o suficiente para que fosse audível na gravação. – você é tão lindo, e fofo, e meigo e...
Calou-se.
Sentia o peito doer.
– E eu te amo tanto Tetsuya... – falou com os olhos marejados, levando uma mão aos lábios.
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“Pra você o amanhã nunca existiu,
Esqueceu tudo o que vivemos ontem?
Jogou fora dias, meses e lembranças.
Nosso tempo você desperdiçou,
Não há mais nada a fazer...”
– NX Zero
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Hospital Particular local – Apartamento 07 – Paciente Kuroko Tetsuya – 21 /04/20XX– 23h49min
O pequeno corpo não havia movido sequer um músculo durante todo aquele tempo, a única lagrima que havia derramado, havia evaporado com o tempo, de modo que não deixava resquícios de que ele estava presente ali.
Em coma, mas escutando tudo.
Sua mãe o visitara duas vezes, uma naquele dia, e no dia em que entrou em coma, ele supunha, na verdade havia perdido a noção de tempo.
Queria gritar, dizer que estava ali, mas não conseguia.
Seus olhos estavam abertos, mas opacos, ele podia ver, não conseguia olhar para onde queria, não conseguia se mover.
Era depressivo.
Via as enfermeiras passarem por si, e não podia reclamar que não gostava da posição em que estava à televisão passava num canal qualquer e desinteressante, parecendo ter sido estrategicamente colocada em sua frente, de modo que conseguia vê-la sem a necessidade de mover a vista.
Talvez alguém ali ainda acreditasse que ele estava acordado.
Ainda bem que existia alguém assim.
Gostava particularmente de uma das enfermeiras, não que ela houvesse lhe despertado interesse amoroso ou algo do tipo, ele apenas gostava de como ela sorria, e sempre que estava no quarto lhe dava bom dia, boa noite, ou boa tarde, de modo que ele quase conseguia contar os dias passando com aquilo.
Apesar de o quarto ter janelas, as mesmas sempre estavam cobertas por persianas, de modo que ele não diferenciava muito bem se era dia ou tarde, ou até mesmo noite.
Ela se apresentara para ele como Mayu, era uma das poucas a qual ele sabia o nome. Sempre que ia ao quarto, ela o movia de posição, dizendo que faria aquilo para que quando ele “acordasse” não sentisse muitas dores pelo corpo, e talvez tivesse que fazer reabilitação.
A jovem segurava seu braço e fazia alguns movimentos, igualmente como as pernas, muitas vezes ela ficava mais tempo que a maioria das outras enfermeiras e passava os canais da televisão, geralmente optando por alguma comédia e conversando com Kuroko, como se soubesse que ele podia ouvi-la.
Naquele dia, particularmente, Kuroko queria poder sorrir ao menos um pouco quando ela falou:
– “Estiveram dois garotos aqui te procurando, eles eram bem grandes e bombados, muito bonitos!” – ela disse alegremente. – “um era ruivo, e o outro moreno, e o ruivo disse que era seu namora e tal! Eu sei que não deveria estar parando no meio do meu turno, mas não resisti e escutei o barraco todo... Mas... A sua mãe os proibiu de vê-los, se bem que eu acho difícil eles desistirem. Pareciam estar determinados a fazerem tudo só para te ver e...” – ela olhou para o relógio na parede e teve um sobressalto. – “ai Deus, eu deveria estar no meu outro turno! Foi um prazer vê-lo novamente Kuroko-san!” – deu um beijo na testa do azulado e saiu correndo do quarto.
Da mesma maneira que queria sorrir, queria chorar.
Por que sua mãe havia feito aquilo? Por que havia os proibido? O pequenino queria se levantar da cama e correr para os braços de seus ex-namorados...
Mas...
“Eles devem me odiar agora” pensava tristemente.
Adormecera, ainda com seus olhos abertos e vazios.
Mas se você se aproximasse bem, e observasse com cuidado, veria que ainda havia vida neles.
● UMA NOVA GRAVAÇÃO INICIADA●
TEMPO DE GRAVAÇÃO ATUAL: 0h13min
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