Eles não sabem sobre nós
3 Borboletas
Notas iniciais

Acordei meio sonolenta com alguns raios de Sol batendo em meus olhos. Meu corpo estava dormente, resultado de uma longa noite, eu estava suando, pelo calor emanado por Natsu. Uma de suas mãos estava em minha cintura, me segurando com posse, e eu não senti nada de errado, mesmo que nunca tenha gostado do ciúmes que na maioria das vezes era exagerado. Minhas costas parecia estar sobre uma cama de borboletas, que batiam suas asas frágeis e macias, me confortando e me acariciando carinhosamente. As batidas eram quentes e finas.
–Bom dia, Luce — A voz de Natsu soou em meus ouvidos e por algum motivo, pareceu que ele havia falado mais alto do que o normal.
As batidas suaves das asinhas de borboletas, eram pequenos selinhos matinais dados por Natsu, as vezes — quando não simplesmente desmaiava e me obrigava a dormir no chão pela falta de espaço — eu acordava assim, com a melhor das sensações e com o melhor dos humores.
–Bom dia. — Seu cheiro era claro e forte. Chocolate.
Virei-me para ele, já que estava com as costas ainda sendo acariciadas. Meus olhos ainda fechados entregavam meu cansaço e mesmo que eu não quisesse que soubesse que eu estava completamente destruída, eu não podia sequer pensar em abrir meus olhos e ser acertada pelos raios de Sol.
–Está com sono, Luce? — Perguntou com seu tom zombeiro. Ele sabia. Podia se auto-elogiar, sabia que seu trabalho como amante na noite passada, tinha sido bem executado.
–Preciso responder? — Respirei profundamente e senti o cheiro de café e comida caseira, a fome bateu sem ser vista, do nada. Abri lentamente meus olhos, me acostumando com a luz e vi os olhos verde musgo me fitando, acompanhado de um pequeno sorriso cínico e os cabelos róseos desajeitados o deixando mais que irresistível.
–Vamos? — Perguntou, como se soubesse que eu havia sentido o cheiro de comida. Assenti e me sentei na cama, não sentindo a habitual -dependendo da noite — obrigação de cobrir-me. — Vai ficar nua? Eu não me importo. — Olhei seu rosto e constatei um sorriso malicioso se formando lentamente. A coberta ainda estava em meu colo, com uma pequena parte levantada ainda cobrindo até meu umbigo, porém meus seios estavam claramente a mostra.
–Tarado.- Sorri e me abaixei, lhe dando um beijo na testa. A tentação de ficar deitada para sempre com ele me veio a cabeça, para logo ser despachada quando Natsu levando mostrando sua nudez, quase cegueira. — Vista uma roupa, idiota!- Joguei um dos travesseiros nele, no qual bateu em suas costas o fazendo rir.
–Anda logo, Luce.- Falou rumando para a cozinha.
Levantei e abri o móvel onde guardava as principais roupas. Íntimas, pijamas, regatadas e saias e roupas de banho com toalhas. Peguei um conjunto de lingerie lilás e um par de meias brancas, até a coxa. Vesti-as e rumei até a cozinha.
–Vai comer seminua? — Peguntou Natsu já com a boca cheia das panquecas. Virgo, assim como Loke/Leo, tinha poder suficiente para vir sem o chamado da chave, era ela que sempre preparava meu café da manhã, para quando acordar -sempre atrasada- apenas comer e correr antes que Erza me mate pelo atraso para uma missão.
–Vou. Alguma objeção?- Perguntei me sentando na cadeira ao seu lado, na mesa circular. Peguei o jarro de suco e derramei em um copo de vidro.
–Nenhuma. — Soltei um sorriso, acompanhando um quase não visível sorriso que Natsu dera. A mesa estava equipada com variedade como sempre. Café, suco, panquecas, pães, bolos, leite e vários outros alimentos. A maioria guardado.
Natsu e eu comemos calmamente, não tínhamos nenhuma missão, nem eu e ele, ou o grupo todo. Vez ou outro falávamos algo, ou eu brigava com Natsu por uma escorregada de mão para minha coxa.
–Natsu.- Chamei-o ao sair do banheiro depois de tomar um rápido banho de chuveiro.
–Sim?- Perguntou olhando mais uma vez meu romance. Eu tinha prometido para Levy-chan que ela seria a primeira a ler quando estivesse acabado, mas depois de mais de mil tentativas de fazer Natsu parar de ler, todas falhas, desisti. Ela nunca saberia.
–Como contaremos a Guild? — Perguntei. Eu tinha certeza que alguns ficariam felizes, mas haviam outros que teriam problemas com meu relacionamento com Natsu. Exemplos óbvios? Lisanna. Eu sabia do passado de Natsu e Lisanna, sabia apenas a parte de quando eram crianças, mas crianças crescem e quando morrera, já estava com 17, assim como Natsu, os hormônios já haviam vindo e com eles..... "relações".
–Não me preocuparia com isso.- Disse simplesmente, se sentando em minha cama ainda com o livro nas mãos.
–Pare de ler isso e me dê atenção, Natsu! — Falei sendo ignorada. — Quero dizer. Lisanna ainda gosta de você.- Falei tentando chamar sua atenção.
–" Se um não quer, dois não podem.- Ela disse segura de si, como se me desse um recado." — Ele leu um pedaço de meu romance. Claro que ele estava na página certa quando eu falei a frase.
–Pare de usar meu romance como fonte de ajuda para suas respostas!
–Luce, Luce, Luce. Por que está tão preocupada? Todos já sabem.- Disse.
–Como?
–Happy apareceu hoje de manhã e nos viu deitados na cama. Provavelmente toda a Guild sabe.- O olhei. Ele estava calmo e tranquilo, não dando a mínima par ao que quer que Happy possa ter dito para todos da Guild. Já eu estava em choque. Happy sempre fora fofoqueiro, não havia nada que ele conseguisse segurar.
–Você parece tão calmo. — Falei. Natsu levantou de minha cama e colocou o livro em cima do móvel, bem em cima de meu diário, onde eu não mexo a muito tempo, sem tempo, talvez?
–Eu estou. Não era isso que você queria? Que todos soubessem que estamos juntos? -Perguntou entortando a cabeça para o lado
–Mesmo com hormônios a flor da pele você ainda é meio sem noção, Natsu.- Falei e sorri — Agora. FORA!- Gritei o expulsando.
Me vesti e escovei meu cabelo, deixando-o solto. Mesmo com o Sol , algumas nuvens estavam no céu e o clima estava frio. Abri a porta de meu quarto e saí, encontrando Natsu mexendo nos vasos.
–Vamos?- Perguntei e ele apenas assentiu.
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