Eles não precisam saber, certo?
8 Somente eles
Notas iniciais

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QUATRO ANOS ATRÁS
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Condomínio fechado – Quarto de AomineDaiki – 23/06/20XX — 21h05min
– Eu quero ter um relacionamento sério com você, Tetsu. – disse-lhe Aomine.
Kuroko ficou estático por alguns segundos, tentando absorver as palavras comprometedoras do moreno.
– É... E-Eu...
– Por favor, Tetsu. Só estou pedindo uma chance.
O azulado se mexeu no colo do moreno, se sentindo um pouco desconfortável no momento.
– Mas...
– Há alguma coisa que eu possa fazer para você aceitar? Qualquer coisa? – o moreno falava rápido, quase que desesperadamente.
Não podia deixar o pequenino escapar de suas mãos tão facilmente, não conseguiria suportar os dias sem ele.
Era como se Kuroko fosse o seu calmante, não importava o quanto se estressasse com o time de Natação, ou discutisse com seus primos ou qualquer outra coisa do tipo,sempre que via Kuroko uma espécie de alívio corrompia todo o seu corpo e a única coisa que queria era tê-lo em seus braços.
Não desistiria tão facilmente.
– Tetsuya... – sussurrou afundando o rosto na curva do pescoço do mesmo. – dê-me uma chance, eu não vou ser igual a todos os outros que te deixaram, deixe-me cuidar de você... Por favor...
Nunca achou que pediria, “por favor”, com tanta sinceridade para alguém. Kuroko se mexeu um pouco desconfortável, e agora? O que faria?
Não conseguia dizer “não”.
– Es... – começou o pequenino nervoso.
– Es...? – incentivou-o ansioso.
– E-Está bem! E-Eu aceito! – o mais novo fechou os olhos com força ao falar, sentia que todo o seu rosto deveria estar vermelho.
Mas tornou a abri-los ao sentir um beijo cálido na testa.
– Eh...?
– Não se preocupe Tetsu. – Aomine colou sua testa a do azulado. – eu vou cuidar muito bem de você.
O “recém-namorado” nem teve tempo de falar algo antes de ter a boca brutalmente tomada pela do moreno.
Aomine era bem diferente de Kagami. Tudo o que ele fazia era mais rápido, mais bruto e selvagem.
Claro que o sexo não poderia ser diferente.
Kuroko sentiu suas costas baterem contra o colchão, mal teve tempo de respirar antes de Aomine tomar seus lábios novamente, num beijo desesperado e sedento. O pequenino apertou os olhos com força, seu coração palpitava de maneira insana, uma corrente de adrenalina era disparada por todo o frágil corpo, o fazendo agarrar-se a Aomine com a mesma intensidade que o moreno.
O mais velho explorava avidamente o corpo pálido do menor, adorando marcar cada pedacinho da macia carne exposta. Logo guiou uma mão até os botões da bermuda do outro, retirando-a sem nenhuma delicadeza.
Colocou-se entre as pernas do azulado, empurrando ambas as ereções cobertas uma contra a outra.
– Tetsu... – a voz aveludada do moreno ressoava como um hipnotizante para Kuroko.
Seus belíssimos olhos claros fixaram-se na expressão de Aomine.
Era serena.
Em nenhum momento de sua vida, Kuroko imaginara que Aomine pudesse fazer uma expressão tão serena e apaixonada como aquela. Havia um leve rubor escondido pela pele morena, as pupilas estavam um pouco dilatadas, realmente, o olhar que dirigia a Kuroko...
Era, de fato, de amor.
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ATUALMENTE
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Cafeteria Sweet Coffer – 18/04/20XX– 08h58min
– Você demorou. – disse Kagami irritado.
– A perfeição leva tempo. – Aomine deu um sorriso sarcástico e se sentou na cadeira em frente a do ruivo.
– Isso não é desculpa para quase meia hora de atraso!
– Olha a TPM hein Bakagami...
– Não me irrite Ahomine!
Algumas pessoas olharam discretamente para os dois que logo se tocaram do escândalo que estavam fazendo e trataram de baixar o tom de voz.
– Com licença, vão querer alguma coisa? – perguntou timidamente uma garçonete.
– Você está no cardápio? – perguntou descaradamente o moreno olhando sem pudor algum para os seios avantajados da garota.
– Tarado. – Kagami acertou uma tapa em sua cabeça.
A garçonete, completamente vermelha, anotou os pedidos feitos por Kagami e se retirou, tendo o cuidado de não olhar mais para Aomine.
– Isso doeu Bakagami... – reclamou Aomine esfregando a cabeça.
– Você não tem vergonha na cara não? – o ruivo cerrou os dentes.
– Hunf.
Aomine colocou um cotovelo sobre a mesa e apoiou o rosto sobre a mão, observando o movimento da rua através da janela.
– Você sabe muito bem – disse o moreno sem nem sequer olhar para Kagami. – que eu não estou nem aí para os peitos dela.
O ruivo olhou fixamente para seu punho fechado sobre a mesa. Permaneceram em silencio até que a garçonete rapidamente trouxesse os pedidos. Kagami olhou sem muito animo para a comida e logo seus olhos se voltaram para Aomine.
– O que você quer? – perguntou finalmente.
Aomine olhou para a mesa, soltando um longo suspiro.
– O que acha de dividirmos?
– O que?
– O Tetsu.
Kagami engasgou com o café que bebia e socou repetidas vezes a mesa.
– O QUE!?
Praticamente todos no estabelecimento olharam para aos dois.
Kagami, envergonhado, se encolheu na cadeira e baixou o tom de voz.
– Como assim “dividir” o Kuroko?
– Dividir dividindo. – Aomine deu um sorriso de canto sarcástico e finalmente olhou para Kagami. – não sei você, mas eu não agüento mais ficar nem um minuto longe dele.
– O Kuroko não é um objeto para dividirmos. – o ruivo irritou-se.
– Hm. – Aomine apoiou uma mão sobre o queixo e olhou para Kagami com um sorriso debochado, inclinando-se sobre a mesa. – há quanto tempo não faz sexo B-a-k-a-g-a-m-i? – sussurrou no ouvido do ruivo.
Kagami estremeceu e empurrou os ombros de Aomine, o fazendo ajeitar-se na cadeira.
– I-Idiota. – disse o menor levemente ruborizado. – não reparou que estamos em um lugar público?
– E daí? – o moreno caminhou com dos dedos sobre a mesa. – se não fosse público, você deixaria?
– Aomine! – censurou-o Kagami ainda mais vermelho que antes.
– Isso é um sim, ou um não? – Aomine segurou a mão de Kagami por cima da mesa.
O ruivo ficou mais vermelho que os cabelos de Akashi e desviou o olhar.
– E-Eu não sei.
– Então façamos o seguinte: Eu e você vamos até o Tetsu, fazemos um acordo com ele e ficamos os três juntos. Fim do problema.
Kagami olhou-o incrédulo por alguns segundos.
– Está falando sério?
– Por acaso parece que eu estou brincando?
– Não.
Novamente, se mantiveram em silencio por alguns segundos.
– Eu topo. – disse Kagami quase num sussurro.
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Casa de Kuroko Tetsuya – 18/04/20XX– 09h22min
– Kuroko-san cheguei! – a velha diarista gritou ao entrar na casa.
Olhou ao redor, mas nenhum sinal do garoto.
– Que estranho... – disse para si mesma. – ele sempre vem me receber.
Subiu as escadarias após dar uma última olhada na sala.
– Kuroko-san, está tomando banho? – dizia ela enquanto subia calmamente os degraus. – será que ele ainda está dormindo...?
Chegou à porta do quarto do garoto e bateu algumas vezes, sem resposta.
– Será que ele saiu...?
A senhora colocou sua mão sobre a maçaneta, girando-a lentamente.
– Kuroko-san...? MEU DEUS!!!
Terminou de empurrar a porta com toda a força que tinha, correndo em direção ao corpo sentado no chão, encostado a cama.
E ensangüentado.
– Kuroko-san! Está me ouvindo? Kuroko-san!!! – a senhora desesperada sacudia os ombros do azulado.
Mas ele permanecia desacordado. Havia enormes cortes em seus braços, marcas de lagrimas se faziam presentes em seu rosto junto a um pouco de sangue respingado.
Em pânico, a senhora pegou o celular de dentro da bolsa de lado, quase o deixando escapulir e ligou para a emergência.
– A-Alô? Socorro! Têm um garoto semi-morto aqui! – e continuou a falar de maneira desesperada até que a atendente do outro lado da linha entendesse.
Kuroko, que não estava inteiramente desacordado, abriu minimamente os olhos, observando o espelho que dia do chão ao teto na parede a sua frente.
Patético.
Foi o que pensou, antes de desmaiar de vez.
● 1 NOVA GRAVAÇÃO ADICIONADA●
TEMPO DE GRAVAÇÃO ATUAL: 1h16min
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