Eles
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Eram apenas os dois naquele momento. Ela e Ele, Ele e Ela. Em uma união corporal e espiritual prazerosa para ambos. A ruiva e o moreno, em um quarto não totalmente escuro, apenas a luz da lua atravessando o vidro da janela iluminava os dois corpos entrelaçados na cama. Já não respondiam mais por seus atos, o rapaz lhe segurava a coxa, com certa brutalidade, enquanto a moça lhe cravava as unhas nas costas. O cabelo vermelho escarlate da garota roçava na pele tão branca do moreno que parecia que ia manchar, enquanto ouvia obscenidades no pé do ouvido. Os olhos dela de um amarelo tão peculiar foi aberto, marejados, via aqueles negros fios finos e sedosos grudados na testa do parceiro pelo suor, não sabia ela distinguir se aquilo era real, ou se estava a ter alucinações, a tempos ela desejava aquele corpo semi-definido, aquela pele tão branca, aqueles lábios pálidos, aqueles olhos de cor ônix, estava perdidamente apaixonada, as estocadas eram frenéticas, o suor grudava os corpos e os dois não desejavam que alvorecesse tão cedo. Ela tinha pernas e coxas bem torneadas, e ele tinha as mãos exploradoras, que passeavam por toda a extensão do corpo dela, e ele podia senti-la, ele podia possuí-la, ele podia, apenas podia, mas não queria, ou queria? Os olhos se encontraram e ela desejou ver qualquer vestígio de sentimentos vindo deles, qualquer um que seja. Mas quem se importava com isso naquela hora? Os dois amantes estavam a se tornar um só, ele corrompia aquela fragilidade e inocência dela, enquanto esta descobria os prazeres do amor, embora não estivesse preparada para descobrir a dor do mesmo, a dor de partir ou até mesmo ficar, mas sem poder tocá-lo, e então ela iria aproveitar aquela noite, como se fosse a ultima. A única coisa que ele tinha certeza era que eles não existiam mais, não naquele momento, nem no momento seguinte. Seus corpos se pressionaram, dando e recebendo prazer, a cada pulsão de seus corpos tudo que eles encontravam era a doçura e a amargura desta união sagrada. Aquele prazer as vezes era substituído por uma dor maçante, eles sabiam que logo, aquele momento, iria se tornar, nada mais e nada menos, que memórias a ser enterradas naquele quarto escuro. O cheiro dos dois impregnava o quarto, os dois corpos dançavam sensualmente entre os lençóis de seda, a cortina balançava conforme o vento batia nela, os gemidos abafados, que apenas os dois tinham o privilegio de ouvir, nada daquilo era passado da porta para fora, e naquele momento, para eles, apenas para eles, era tudo cor, poesia e musica. Pedidos de desculpas, juras de amor, nomes, palavras inaudíveis, mesmo com o silencio do quarto, promessas, arrependimentos, tudo isso era o que era dito, era sibilado, enquanto faziam movimentos intensos. Os seios arredondados e firmes pressionados no peito do rapaz quando um abraço mais forte foi dado, as mãos enterradas nas costas dele, ela queria esconder os soluços, e então afundou o rosto na curva entre o pescoço e o ombro, deixando as lagrimas quentes escorrerem pelas costas alvas dele e se misturarem com o suor. Argumentou algo como “Não vá” e “Não me deixe”, mas só podia ouvir gemidos leves e suaves como resposta. Ele se importava? Ela não sabia. Ela mal sabia se ele realmente tinha sentimentos. Talvez não tivesse, mas naquela hora, distribuindo beijos na garganta e ombro dele, murmurando seu nome, sentindo as estocadas profundas, ela iria aproveitar cada pedaço daquele corpo desejado, porque talvez aquele fosse o único tempo que eles tinham agora...que eles jamais teriam.
-As férias acabaram... – Foi a ultima coisa que ela disse antes de se despedir, recebendo um beijo em sua fronte.
O rapaz a viu partir, os cabelos ruivos dançando em suas costas, um leve rebolar, aquela ruiva afetava ele, e muito. Em sua mente uma pergunta ecoava: “E a saudade?”.
-Ela vai voltar no próximo verão. Eu espero, eu sempre soube esperar. – Seus lábios se curvaram em um humilde sorriso, talvez o primeiro de vários outros que vieram nos verões seguintes.
Se eu pudesse ser dono da eternidade...
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