P.O.V. Danielle.

Do nada eu começo a escutar os aplausos.

–Não acredito que fiz isso?!

Dei um grito tão alto que o povo até parou de bater palmas.

A minha cara de incredulidade devia ser tão engraçada.

–Eu matei o meu medo de palco! Aaaa!

Desci com tanta pressa que no meio do caminho eu rolei.

–Ai.

Simplesmente me levantei, limpei o vestido e coloquei a coroa de volta.

–Você está bem?

–É. Acho que estou.

–Você tem uma bela voz. É mesmo um dom.

–Obrigado.

Senti o calor subindo pelo meu rosto.

–Você fica linda quando fica vermelha.

Foi ai que ferrou. Eu fui de vermelho pra roxo.

–Me desculpe.

–É que eu não costumo ouvir elogios de homens e muito menos de homens como você.

–Homens como eu?

–É. Homens, bonitos.

E cada vez fica pior. Eu já estou quase azul.

–Então me acha bonito?

–Quer parar com isso! Daqui a pouco eu vou ficar verde!

Minha vez de rir.

–Você tem tanta sorte.

–Porque?

–Por ter nascido homem.

–Porque diz isso?

–Eu e todas as outras garotas temos que usar esses vestidos que não nos deixam respirar e nos faz torrar. Bom, uma vez por ano, mas as garotas tem TPM, ficam menstruadas, ficam grávidas, tem que parir o filho e depois voltar a trabalhar e deixar o bebê em casa.

–E qual a dificuldade de fazer isso?

–Isso o que?

–Deixar o filho em casa.

–Pra nós é diferente, aquele pequeno e indefeso serzinho é um pedaço de nós, ficamos sentindo ele se mexer lá dentro durante meses até ele sair e mamar pela primeira vez.

–Você não disse que...

–Isso não quer dizer que não tenha ouvido as minhas amigas contando.

–Você pode ter mais filhos?

–Posso. Mas, não tenho tempo e nem um namorado.

–Bom, um de seus problemas eu posso resolver.

–Como assim?

Ele me beijou.

–Você Danielle Honey me daria a honra de ser minha namorada?

Como não conseguia falar simplesmente assenti.

–Diz alguma coisa.

–Nossa!Eu devo ter sido uma santa na minha vida passada.

Ele riu.