Elements, A Guerra Para A Liberdade
5 ... Mas fugir de zumbis pode ser mais... Estranho
Notas iniciais
Embora Alex não conseguisse ver, aquelas coisas que o estavam perseguindo tinham um cheiro muito bom. O que era estranho, pois pela descrição que Dakota havia dado, eles deveriam ter um cheiro horrível.
Parecia que estavam lá há quase 10 minutos, o que era perigoso de mais. Dakota o havia contado que eles a seguiram pelo seu cheiro, e depois de confirmarem se ela era mesma, começaram a persegui-la. Quando Alex perguntou do porquê de confirmar se era ela ou não, Dakota pareceu prestes a soca-lo.
— Eles não podem atacar qualquer um — respondeu — esse teste é meu, e qualquer ser que tenha tido algum contato comigo, como você, pode ter ficado com um pouco do meu perfume.
— E se tentássemos mudar seu cheiro? — sugeriu Alex
— Seria uma boa ideia, se eles não estivessem na porta e não me reconhecessem pela aparência também.
Ela pareceu pensativa.
— É isso... — disse. Ela começou a revirar alguma coisa de sua bolsa.
Alex passou de super preocupado para extremamente curioso.
— O que vai fazer?
Ela o ignorou completamente. Depois de algum tempo, perfumes, sombras, rímeis, blushes, batons, lápis de olho, e outros itens de beleza haviam sido espalhados pelo chão. Alex se perguntou como tudo cabia lá dentro.
— Preciso que tire sua camiseta— disse.
Ele a encarou como se pedisse para tirar a roupa inteira.
— Minha... O que?
Ela olhou para ele de uma maneira assustadora, o que o fez ficar arrepiado.
— Eu precisaria só do suéter, mas você costurou.
— Na verdade, não fui eu. Foi minha irmã mais nova. — Aquilo não era completamente mentira. A única coisa que ele não contou foi que ele havia pedido para a irmã fazer isso.
— Que seja, tira isso de uma vez.
Ele tirou, se sentindo meio desconfortável. Em seguida, Dakota fez o mesmo, o fazendo corar. Ela não demonstrou diferença.
— Anh... Dako... Quero dizer... Princesa?
Ela revirou os olhos.
— Ninguém vai te matar se me chamar pelo nome. — falou — Quero dizer, talvez eu tenha vontade, mas posso resistir.
Ele se assustou um pouco. Sabia que os Elementers do Gelo poderiam ser cruéis quando queriam.
— Hum... Ok. Então...
Ele mal teve tempo de comentar a situação. Dakota tacou, literalmente, na cara dele, suas roupas.
Ele paralisou por um momento, mas depois, quando finalmente tirou as roupas de seu rosto, viu que Dakota já havia vestido as roupas dele, que ficavam um pouco largas. Ele vestiu as delas, relutante.
— Pareço gay com essa roupa? — perguntou.
Ela parou de passar a sombra em um dos olhos e o observou atentamente.
— Parece. E vai parecer mais ainda depois que eu passar a maquiagem em você.
— O que?! — Alex ficou com certa raiva. Tudo bem que a garota tinha um bom motivo para fazer isso, mas aquilo era um pouco de mais para ele. — Nem pensar.
— Você vai passar. Eu sei que vai.
— Como pode ter certeza?
— Você não quer que ninguém o veja. E ninguém vai te ver. — Ela o puxou pela gola da camisa, e o encarou. Embora estivesse engraçada por estar só com um olho pintado, ela tinha um olhar assustador — Porque ninguém vai saber o que acontecer aqui, certo, Landry?
Embora parecesse que ela iria bater em Alex caso ele contasse, ele não acreditou nisso. Afinal, não precisava disso. Só o olhar dela já era o bastante para assustar. Que, por coincidência, era exatamente essa a intenção da Princesa, mesmo que Alex não soubesse disso. Seu olhar ameaçador sempre dava certo.
Ela o soltou e continuou a maquiagem, agora no outro olho. Alex ficou pensando no que aconteceu, um pouco indignado. Não demorou muito para ela terminar. Seus olhos haviam sido marcados por uma maquiagem azul escura. Seu cabelo estava completamente desarrumado, pelo jeito ela o tinha cortado. Tirando o cheiro de baunilha, ela parecia ter adquirido um ar mais rebelde.
—Você nem parece você — comentou Alex.
— Obrigada, era essa a intenção — ela soltou uma pequena risada. Era fofa, o que não combinava muito com o visual — Agora vamos, agora vou fazer uma maquiagem em você. Se quiser não exagero muito.
Alex se aproximou. Ainda não queria fazer isso, mas Dakota estava certa em um ponto: Ele só não queria que ninguém soubesse. E se a própria tinha falado para Alex não contar a ninguém, era muito provável que ela também não contaria. E, além disso, ele gostava de olhar para o rosto da Princesa, e aquela era uma desculpa para isso.
— Pronto — anunciou, inclinando a cabeça — Posso ser sincera? Eu prefiro você assim.
Ele olhou para o espelho que a garota carregava. Ele se assustou com a própria aparência. Não havia mudado muita coisa, mas não era parecido com Alexander Landry. Isso ele podia ter certeza.
— Você consegue mudar a cara das pessoas só com maquiagem?
Ela fez uma careta.
— Só com a maquiagem eu consigo passar outra primeira impressão dela. Mas... Bom, é mais ou menos isso...
Eles ficaram em silêncio por um tempo. Um longo tempo. Era desconfortável. Mas precisavam disso, principalmente Dakota. Alex pensou que, se vissem que ele era um garoto, não se preocupassem com ele, mas com a garota sim. Ela nem estava conseguindo ser quem deveria...
— Está pronto? — perguntou, quebrando o silêncio.
Ele balançou a cabeça, positivamente.
— Ok, Alex, consegue repetir o que fez no treino hoje? Mas... Mais forte, e que não acabe tão rápido.
— Claro, vai ser bem mais fácil.
— Ok — ela encostou a mão no chão, fazendo com que este se congelasse. Nesse momento, Alex percebeu seu plano. — No três, ok?
Alex concordou novamente, estava nervoso...
Um...
... Mas ia conseguir...
Dois...
... Tinha que conseguir...
Três!
Dakota abriu a porta no exato momento em que Alex provocou uma forte ventania. Sorte que eles não saíram no mesmo momento, porque eles cairiam com a força.
“Corre”, pensou. Ele e Dakota saíram correndo, mas acabaram por escorregar no chão, agora coberto de gelo.
— Não pensei nisso — disse Dakota.
— Jura? Nem percebi.
Eles se levantaram e começaram a andar, bem devagar, mas foram ganhando velocidade conforme ouviam grunhidos atrás deles. O medo os impulsionava. Alex ainda não sabia o que estavam nos perseguindo, mas ele não olhou para saber. Não precisava saber. Não queria saber.
Mas ele os viu. E não gostou nada disso. Pareciam cadáveres. Cadáveres de alunos mortos. Pelo menos era isso que pareciam. Tirando o fato de que portavam todo o tipo de arma branca que Alex conseguia imaginar.
Eles saíram da parte “gelada” do corredor, o que foi bom, começaram a correr bem mais rápido depois disso. Passaram por vários outros alunos, mas aparentemente nenhum havia reconhecido seus rostos. Também, nem tiveram tempo de vê-los direito.
Os Alunos-Zumbis demoraram a perceber quem estavam perseguindo. O problema era que eles perceberam quem era justo quando eles encontraram um corredor que não havia saída. Dakota não disse nada, mas Alex percebeu que ela estava desesperada. Começou a tatear a parede, como se alguma porta estivesse escondida ali.
Alex tinha ficado um pouco mais para frente. Não conseguia nem respirar enquanto eles o examinavam. Por sorte, perceberam que ele não era Dakota. Por azar, agora estavam indo para a verdadeira.
Alex sentia que precisava ajudar, mas Dakota ordenou silenciosamente para que ficasse onde estava. Ela fechou os olhos, e disse para si mesma que não ia falhar.
E, milagrosamente, não falou.
Quando Alex percebeu, eles haviam sido congelados. Suspeitou que fosse a emoção de Dakota que havia feito isso, mas ela havia conseguido. O que deixou Alex aliviado. Se importava com as pessoas ao seu redor, e, querendo ou não, Dakota era uma dessas pessoas.
Ela se aproximou de Alex, com o maior cuidado possível. Olhou bem nos olhos dele, e sussurrou:
— Isso também vai ficar só entre nós.
Sua voz não era como da última vez. Era calma, gentil. Não combinava com ela. Mas Alex gostou disso, e sorriu.
E eles se separaram, cada um indo em direção ao seu dormitório. Alex mal podia esperar para tirar aquela maquiagem. E se animou mais ainda com as aulas. Se aquele era o primeiro dia, imagina como seria o resto. Alex estava com medo, mas também estava ansioso.
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