Elements
12 Protejam nossa casa!
Notas iniciais
– Ótimo! Logo quando conseguimos fazer nossa noite de garotas, algo acontece. – Reclamou pela quinta vez em quinze passos desde o elevador.
– Karen, pare de reclamar! – Gritei pela quarta vez. A verdade é que eu também estava frustrada com a interrupção de nossa noite de garotas, mas o que estava acontecendo era algo pior do que uma simples interrupção – Isso já aconteceu alguma vez, Lauren? – Perguntei, arfando. Meu corpo estava ficando dolorido rápido demais, principalmente meu belo machucado nas costas.
– Nunca – Ela disse. Seus cabelos vermelhos balançavam enquanto corríamos para fora do prédio. Karen e eu a seguíamos ainda de pijamas, mas isso não importava. Estávamos sob ataque.
Alcançamos a porta de entrada em alguns segundos e saímos do prédio. Lá fora estavam alguns membros da Conventionis, entre eles reconheci Drake e Peter, que encaravam as sombras projetadas pelo brilho da lua cheia, e Max e Zack que conversavam baixo, ambos também concentrados em algum ponto fixo da floresta.
– Lauren! – Gritou um garoto que segurava uma lanterna em uma das mãos. Ele balançou sua mão livre e apontou para a floresta onde a luz da lanterna iluminava – Elas estão lá, mas ainda não se moveram! – Avisou.
– Certo! – Lauren se aproximou de Ryan que estava a frente do grupo. Eles trocaram um olhar e algumas breves palavras, em seguida Ryan correu em direção ao prédio e Lauren chamou Zack.
– Preciso que você vasculhe a floresta com sua velocidade. Tente ver quantas delas estão reunidas. E, por favor, tome cuidado. Vá pelas árvores, será mais seguro. – Ele sorriu, como se aquilo fosse um desafio e saiu correndo em uma velocidade incrível.
Lauren continuou parada a frente de todos olhando para as sombras que pareciam se mover. Karen e eu nos aproximamos dela, assim como Drake e Peter.
– Quem está nos atacando? – Perguntou Drake, pondo sua mão em meu ombro – Ainda não vi ninguém, só movimentos na floresta.
– Ninfas. – Respondeu Karen. Olhei para Drake que ainda encarava a floresta e vi que seu rosto aparentava cansaço, até demais.
– Ninfas? Que ninfas? – Ele indagou após bocejar.
– Sabe aquelas coisas que te atacaram e eu queimei? Bom, parece que elas querem vingança por termos desintegrado duas delas. – Expliquei. Ele bocejou novamente e me encarou com seus olhos caídos. Por alguns segundos não disse nada até que se tocou do que estava havendo.
– AQUELAS COISAS FEIAS VIERAM NOS ATACAR?! – Ele gritou.
– Shiu, elas podem te ouvir, e ai vão querer te apunhalar também. – Falei pondo dois dedos em seus lábios, eles eram macios... O que?! Não, Sofia, não é hora para pensar nisso! Esquece isso!
Tirei meus dedos de sua boca no mesmo momento em que ele os lambeu.
– ECA!! – Gritei dando um tapa em sua cara. Ele segurou minha mão e riu.
– Desculpe, não pude me controlar. – Ele falou.
– Vocês dois, concentrem-se! – Lauren ordenou.
– Sim senhora! – Dissemos.
Um alarme soou de dentro do prédio, um som de sirene, mas que só era possível se ouvir nitidamente de dentro, por fora apenas um pequeno ruído era escutado. Vários membros da Conventionis saíram do prédio correndo, alguns arrumados, outros de pijamas, e um resto de garotos só de cueca ou short.
Em frente ao prédio havia uma grande área livre, que foi aumentada no dia anterior, pois foi preciso retirar algumas árvores para fazer mais materiais para o prédio, e para mais alguma coisa que eu não sabia o que era.
Todos os membros, ou quase todos, estavam fora da Conventionis preparados para o que iria acontecer em seguida. Foi como uma explosão de acontecimentos. Zack entrou em nosso campo de visão, sangrando e gritando.
– Trezentas Ninfas!! Elas vão atacar agora! E estão aumentando seu número!
Em seguida várias ninfas irromperam o espaço livre de árvores com suas garras expostas, fazendo ruídos estranhos.
– O que vamos fazer?! – Perguntou uma garota em desespero. – Elas são muitas!
– Lauren! O que faremos?! – Indagaram os membros do grupo em um coro. Por alguns segundos ela analisou o campo e não disse nada. No segundo seguinte ela gritou.
– Ataquem! Protejam nosso lar! — Duas armas apareceram em suas mãos e então, correu para o campo aberto atirando em linha reta. Por longos segundos somente os tiros das armas de Lauren e os ruídos produzidos pelas ninfas foram ouvidos. No segundo seguinte, todos correram em direção ao campo gritando.
Eu poderia dizer que a batalha estava fácil. Poderia dizer que estávamos nos dando muito bem, e até mesmo que já havíamos acabado a luta! Mas acontece que não era bem assim. Estávamos com muita dificuldade para ganhar delas. Na verdade, nem ganhando estávamos.
Durante todo o tempo da batalha só foram ouvidos ruídos de armas se chocando com as longas garras das ninfas, gritos de algumas delas e principalmente dos membros da Conventionis. Poderes se chocavam, explosões aqui e ali, pessoas voando para longe e dezenas de novas ninfas chegavam pela floresta.
Alguns usavam seus poderes para se protegerem, outros usavam o mesmo para atacarem. Aqueles que não tinham poderes úteis para o momento juntavam-se aos amigos que tinham e/ou lutavam corpo a corpo, geralmente com uma arma.
Estava uma correria. Era uma guerra.
Algumas pessoas que não estavam na batalha ajudavam os feridos, trazendo-os de volta para o prédio onde seriam cuidados por aqueles que podia ter um poder para ajudar...
Em certo momento varias ninfas se aproximaram da entrada do prédio em segundos pela direita, onde não havia nem quase dez pessoas contando comigo, com o Drake, o Max, o Zack e a Karen.
Max sacou de sua cintura duas espadas curtas e as empunhou com suas laminas viradas para trás. Zack fez o mesmo sacando uma adaga média, mas estava machucado e se encolheu de dor quando movimentou o braço forçando seu ombro perfurado.
– Zack, não tente nenhuma besteira — Disse Max — Deixe que a Sasha cuide de seus ferimentos primeiro. Eu cuido delas. — Então saiu correndo em direção as ninfas.
Uma garota de cabelos ruivos curtos se aproximou de Zack e pousou suas mãos em forma de concha em cima do buraco de seu ombro. Elas foram envolvidas por uma luz azul.
– Isso vai doer um pouco Zack. — Avisou.
– Tudo bem, a dor de um ombro perfurado deve ser pior. — Ele disse apertando sua calça com a mão esquerda.
– Você está enganado. — Ela sussurrou. Assim que forçou suas mãos sobre o pequeno buraco no ombro, Zack gritou.
– RETIRO O QUE DISSE! ISSO É PIOR!! — Ele gemia, gritava e tentava girar para o lado oposto.
– Não se mova, seu besta! — Gritou a tal Sasha. Ela segurava a risada assim como eu, Karen e Drake. Por mais que fosse errado, aquilo estava engraçado. As caretas, as falas de Zack, as cantadas dizendo que iria morrer e precisava de um beijo para morrer em paz... Estava realmente engraçado aquela cena, mas não pudemos continuar assim. Quinze ninfas romperam a defesa de Max e dos outros os empurrando. Drake estendeu as mãos e as levantou em uma bolha de água — água retirada da piscina do prédio.
– Sofia, queime-as quando eu remover a água! — Ele disse. Meneei a cabeça afirmativamente e, com dificuldade, criei uma bola de fogo em uma das mãos, na mesma hora Drake as soltou de sua bolha de água e sugou a umidade dela e seus restos que estavam em seus corpos. Estendi a mão direita e a bola de fogo explodiu em uma rajada espiral dourada e vermelha, a força foi tanta que eu acabei sendo empurrada para trás. As quinze ninfas foram totalmente aniquiladas, transformadas em pó. É, a gente não fazia uma má dupla.
– Boa! — Gritou Max ao longe. Uma grande pedra foi jogada em sua direção, ele esticou a mão e apontou seu dedo para a pedra. Segundos depois ela se desfez em vários pedaços se espalhando ao redor da entrada do prédio. Não tive tempo para ficar maravilhada com seu poder ou elogia-lo. Mais ninfas invadiam a nossa área.
Drake novamente as levantou em uma bolha de água e fizemos o mesmo de antes. Ele me olhou aprovador. Sorri de lado e lancei algumas bolas de fogo em outras ninfas. Hesitei na décima bola de fogo e senti meu corpo doer. Recuei um passo e lancei a bola em uma ninfa. Por algum motivo Drake me encarou pensativo, em seguida olhou para Karen.
– Karen, pegue o aparelho dos jogos do labirinto, Sofia vai precisar dele. — Falou. Karen no mesmo segundo jogou algumas ninfas que levitava para cima e correu para dentro do prédio. Encarei Drake imaginando o que ele iria aprontar, não antes de incinerar aquelas ninfas jogadas por Karen.
– Não me olhe assim — Ele disse — Você não tem nenhum conhecimento em autodefesa. Lembra o que Lauren disse sobre eles? Eles conectam nossas habilidades. O que um sabe, o outro saberá.
Antes que eu pudesse dizer alguma coisa duas ninfas pularam por cima de Drake em minha direção.
– Aaah! — Gritei quando ambas caíram sobre meu corpo fazendo com que eu batesse no chão duro. Senti a minha ferida queimar em dor. Elas levantaram suas garras para o alto e as abaixaram em uma velocidade surpreendente mirando em meu rosto.
– Sofia! — Um forte jato d'agua empurrou as duas ninfas para longe de mim.
– Obrigada Drake... – Falei arfando. Todas as dores que eu não sentia desde o dia anterior voltaram em questão de segundos no momento em que ele estendeu sua mão para me ajudar a levantar e eu aceitei. Gritei de dor.
Drake se ajoelhou ao meu lado e me segurou quando soltei sua mão impedindo que meu corpo se batesse novamente no chão.
– O-obrigada – Falei dentre alguns gemidos de dor.
– De nada – Ele me carregou até Sasha e me sentou do lado dela – Cuide dela. – Disse. Sasha meneou a cabeça e colocou suas mãos em minhas costas.
– Não, Drake, eu ainda posso...
– Não, você não pode. – Cortou-me.
– Ele tem razão, Sofi. Fique aqui por um tempo. – Falou Zack juntando-se a Drake. Antes que eu pudesse dizer algo eles saíram correndo em direção ao campo onde os outros estavam.
– O que eles acham que eu sou? Eu não sou frágil... Sei me cuidar – Resmunguei. Sasha forçou suas mãos sobre minha coluna e uma dor quase aguda percorreu todo o meu corpo.
– Vai doer. – Ela disse.
– Eu percebi – Falei em um gemido.
– Aperte alguma coisa ou se foque em algo, vai ser melhor. – Falou. Segui seu conselho no mesmo momento. Apertei meu pijama com as mãos e encarei a batalha. Luzes e mais luzes. Gritos e mais gritos. Rodei todo o campo com meus olhos prestando atenção a cada detalhe. Drake estava próximo ainda. Eu podia vê-lo, mas não escuta-lo. Aquela não era uma visão boa.
– Eu ainda não tinha tratado da sua ferida, pois ela não estava no momento certo. Quando você chegou aqui, precisava primeiro de um tratamento real, sem nenhuma força mística, para que ela pudesse se fechar ao menos um pouco. Meus poderes, assim como o de todos, tem seus limites. Agora já está mais que na hora, mas não garanto que ela seja 100% curada de vez. – Sasha continuou. – O do Zack, por exemplo, era mais fácil de ser curada, apesar de ter que ser rápido e exigir mais poder, por isso ele sentiu mais dor.
Eu pensei em algo para responder, mas antes de meus pensamentos serem concluídos, Karen apareceu e sentou-se em minha frente, assustando-me, com dois braceletes de cor cinza, cada um com uma linha grossa traçada no meio, uma em vermelho e a outra em azul.
– O que é isso? – Perguntei assustada.
– É o bracelete que Drake pediu. Vamos, me dê seu braço. – Ela pediu estendendo a mão.
– Mas, espera... Como isso funciona? – Indaguei. Ela revirou os olhos e suspirou.
– Quando vocês dois estiverem com os braceletes, suas mentes, sentimentos e tals, irão se conectar. – Explicou. Opa, deixar Drake ler meus pensamentos e meus sentimentos? Nem pensar! Quando eu ia recusar colocar aquele bracelete, ela voltou a falar. — Claro, vocês não vão conseguir ler os pensamentos um do outro, mas saberão as habilidades do outro, irão... Talvez entender-se melhor e poderão saber onde o outro está ou como ele está. Se está em perigo, ou não.
– Que bom que ele não vai poder ler minha mente ou meus sentimentos. – Sussurrei após um suspiro. Estendi meu braço direito e ela encaixou o bracelete. Ele cabia perfeitamente. Um som parecido com o de um motor aquecendo soou de dentro do bracelete e a grossa linha vermelha brilhou.
– Vou entregar esse para o Drake. Quando ele coloca-lo você ira sentir um choque em seu corpo... Um choque leve. Dai vocês dois saberão as habilidades. – Falou.
Antes que eu pudesse dizer algo ela saiu flutuando. Encarei o bracelete preso em meu braço. Balancei-o, cutuquei-o. Metal, com certeza. Abracei minhas pernas com dificuldade já que ainda estava sendo curada e encarei a batalha novamente. Karen estava ao lado de Drake lutando. Apertei meus olhos para tentar enxergar mais longe e vi que ela não segurava mais o bracelete. Ele estava com Drake.
– Terminei – Disse Sasha – Agora garanto que você já está bem melhor, mas não se esforce tanto, ok? – Ela se levantou e ficou me encarando. Levantei-me do chão e estiquei meu corpo. Não doía mais.
– Obrigada. – Falei. Ela sorriu e correu para ajudar outros “pacientes”. Olhei ao redor e avistei meus amigos a frente da batalha.
Quando dei um passo senti um choque percorrer meu corpo. Um forte choque. O bracelete fez um “bip” agudo e na mesma hora senti o que Drake sentia, soube de suas habilidades e técnicas e... Não acredito... Um sorriso sarcástico brotou em meus lábios. Ele sabia cozinhar? Essa era nova.
Usar aquele bracelete tinha suas vantagens e desvantagens, eu ainda conseguia sentir um pouco do que ele sentia... Se eu parasse para analisar tudo, provavelmente iria ficar louca. Nos sentimentos superficiais, os mais recentes, eu sentia euforia vinda dele, sentia adrenalina, preocupação e concentração... mas se eu fosse afundo, coisas de outra época... dor, tristeza, indignação... provavelmente tem a ver com a razão de seus poderes...
Comecei a correr em direção ao campo de batalha, não podia me distrair, não iria deixar todos os meus amigos lutarem sem minha companhia. Passei por Max que ainda lutava contra três ninfas corpo a corpo. Por que ele não usava seu poder incrível pra desintegra-las?
Sendo impulsionada pelas chamas pulei por cima dele e queimei uma das ninfas com um chute flamejante. Em seguida girei meu corpo e estendi os braços fazendo minhas mãos flamejarem e atingirem as duas ninfas restantes transformando-as em um amontoado de cinzas escuras.
Olhei para Max que me encarava boquiaberto, sorri e voltei a correr em direção da batalha. Algumas ninfas, um total de seis, que estavam lutando contra os outros cinco que estavam com Max correram atrás de mim.
– O quê? – Estiquei minhas mãos e soltei uma rajada de chamas. Meu corpo estava revigorado. Poder corria em minhas veias. Sorri novamente e voltei a correr. Não estava nem me preocupando com o fato de me esforçar demais. Não era hora pra pensar naquilo.
Quando alcancei Drake percebi que haviam mais ninfas atrás de mim.
– Porque elas estão me seguindo? – Indaguei a ele.
– Eu lá vou saber?! – Respondeu distraído – Espera. O que você está fazendo aqui? Não mandei você ficar lá? – Me encarou.
– Desde quando você manda em mim McLain? – Perguntei. Ele me encarou e deu língua. Era algo bem infantil para um cara de... bem, seja lá quantos anos ele tenha. Essa é a prova que garotos não amadurecem, haha.
– Tudo bem, mas tome cuidado.
– Certo, babá.
– Ei!
– Ok, parei... – soltei um sorriso debochado.
Drake e eu começamos a atacar as ninfas com a mesma combinação de antes e, graças a isso, começamos a ganhar. Mas, o estranho era que elas ignoravam as pessoas ao nosso redor e partiam para cima de nós dois.
– Isso é estranho – Ele disse, como se lesse meus pensamentos. Não era a primeira vez que Drake se mostrava telepata...
– O quê? – Perguntei só para confirmar.
– Elas estão vindo em nossa direção... Mas por quê? – Indagou.
Realmente aquilo era estranho. Elas não atacavam mais ninguém, há não ser que fossem atacadas ou feridas. Olhei novamente ao redor e as vi se aproximando, lancei uma nova coluna de fogo e senti meu corpo ficar exausto. Cai de joelhos no chão e comecei a arfar.
– Sofia! – Max e Zack se aproximaram de mim atropelando algumas ninfas, literalmente.
– Você está bem? – Perguntou Max me ajudando a levantar.
– Estou... – Falei. Meu coração palpitava em uma velocidade tremenda e meu peito subia e descia rapidamente. Só então percebi que havia gastado quase toda a minha energia – Preciso de fogo. – Sussurrei em seu ouvido.
– O que? – Max pareceu confuso – Por que você quer bolo uma hora dessas? — Se não fosse pelo meu cansaço e desgaste eu teria batido em minha testa ou até mesmo em sua testa.
– Eu preciso de fogo para recuperar as energias. – Sussurrei novamente. Minha voz, por mais força que eu fizesse, soava mais baixa do que o som do farfalhar das árvores em meio aquela gritaria toda.
– Mogo? O que é mogo, Zack? – Nossa. Isso seria cômico se não estivéssemos sendo atacados por ninfas loucas por sangue.
– Ela disse fogo, seu idiota! – Respondeu dando um tapa em sua cabeça. Drake riu, o que me fez rir, mas foi uma péssima ideia pois o ar fugiu de meus pulmões em segundos. Minhas pernas ficaram bambas e minha visão turva.
Tudo escureceu. Eu realmente não devia ter me esforçado tanto.
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