Elements
7 Cachoeiras
Notas iniciais
Eu terminei de tomar café da manhã. O resto da mesa não falava nada, pareciam estar todos pensando sobre a vida, sobre esse jogo do labirinto, e talvez outras coisas. Eu estava mais era pensando em como ter harmonia com o Drake.
Ele havia me irritado diversas vezes, e eu sempre tive um sério problema com pessoas que mudam de personalidade instantaneamente. Eu me irrito, pronto falei. E não tem prova viva mais real do que o Drake nesse caso. Ás vezes ele é gentil comigo, trata-me de forma normal, tenta ser educado... Mas em compensação, tem vezes que ele simplesmente muda. Eu não posso tocar em determinado assunto que ele fica com raiva, que ele fica rude e arrogante, trata-me como um lixo. Tudo isso torna a conversa com ele muito mais difícil.
E não, eu não aguento isso. Eu nunca, em todos esses dezoito anos de vida, gostei de ficar perto de pessoas assim, e então acontece que o meu parceiro de treino é justamente assim! Minha típica sorte na vida, só pode.
Depois de ter terminado de comer, levei o prato até a cozinha e deixei-o na pia. Algumas outras pessoas já estavam lavando a pouca louça que tinha, e como era a minha tarefa, eu ajudei. Sequei a louça já lavada pelos outros e fui guardando sob a direção de uma outra garota, que pelo menos conhecia onde cada coisa ficava.
Após tudo isso, subi ao meu quarto e coloquei uma roupa mais leve. Calças soltas bailarina pretas e uma blusa cinza. Coloquei um tênis ao considerar que teríamos que andar pela mata até chegar as tais cachoeiras que haviam falado.
Olhei-me no espelho enquanto sentava na cama. Eu era tão... normal.
Não tinha o corpo mais perfeito, nem o rosto. Não era considerada “exuberante”, mas também não era “feia”. Meu cabelo ia até os ombros por opção, não gostava de deixa-lo comprido. Peguei um prendedor qualquer revirando minha mochila e fiz um desajeito rabo-de-cavalo. Olhei no relógio digital em cima da mesinha de centro e esperei até que desse 7:10 para que eu pudesse descer, onde esperaria Drake.
Ao chegar ao primeiro andar, vi que ele já estava lá, parecendo concentrado ao ler um jornal em um daqueles sofás. Quem lê jornal hoje em dia? Aproximei-me dele o suficiente para conseguir ler a manchete. “Câmeras de segurança de um banco captam algo estranho em assalto” passei automaticamente para o olho da reportagem “Peritos na área ainda tentam descobrir a fidelidade das imagens”. Antes que eu pudesse chegar a ver a imagem, Drake notou a minha presença e rapidamente abaixou o jornal para a mesa perto com a notícia que estava lendo virada para baixo, impossibilitando que a minha curiosidade fosse feliz.
– Vamos agora? – ele perguntou, mas seu olhar parecia distante. Estava incomodado com alguma coisa. Seria a notícia?
– Vamos... – minha mente estava um pouco distante.
Ele pôs-se a andar e eu o segui. Ao sairmos do prédio, seguiu para o lado esquerdo, onde a montanha continuava a subir. Eu nunca havia ido para esse lado da montanha — levando em conta que estava lá há pouco tempo — esperava que ele soubesse o caminho para não ficarmos perdidos.
Apesar de não achar que ele fosse estupido o suficiente para sair por aí pela mata sem saber o caminho, resolvi perguntar só para conferir.
– Você sabe para onde vamos né?
– Claro... apesar de só ter vindo uma vez.
– Uma vez?! E você lembra por onde é? – assustei.
– Hm, eu acho que sim.
– “Acha”?!
Ele deu uma leve risada. Se aquele moleque nos fizesse ficar perdidos no meio da mata, eu ia fazer churrasquinho dele.
Dei um longo suspiro, já estávamos andando fazia no mínimo meia hora e eu sou do tipo que canso rápido quando o assunto é “caminhada”, então nos primeiros 10 minutos já estava morta. Olhei para o céu cinza. Estava nublado e o sol se escondia atrás das nuvens. O clima estava fresco como deve ser em uma floresta.
Abríamos o caminho por uma trilha não muito utilizada e após caminharmos mais alguns minutos, eu já conseguia ouvir o som das tais cachoeiras. Admito ser apaixonada por água: a chuva, a bebida, o som, senti-la cair sobre si, nadar, e, claro, cachoeiras. Tanto que ao descobrir que meu poder era justo fogo – o contrário desta – fiquei um pouco revoltada. Queria ter o poder de Drake.
Ao ouvir o som aumentando, constatei que estávamos chegando perto. Eu seguia logo atrás do Drake, de repente, o rapaz parou.
Ele olhou para mim com um olhar divertido.
– Pronta?
– Para quê? – perguntei sem entender.
Voltou-se a vegetação a frente dele e com um movimento com os braços, tirou as grandes folhas do caminho, enquanto falava:
– Para ver o paraíso.
Eu fui ao seu lado e automaticamente fiquei boquiaberta.
Aquilo era muito mais que o paraíso. Aquilo era a paisagem mais linda que eu já vi, e como se correspondesse ao meu humor, o sol foi saindo de trás das nuvens, iluminando o local e deixando-o ainda mais vivo.
Era um rio de um azul esverdeado maravilhoso cercado por uma vegetação de um verde tão vivo que alegrou meu coração. As cachoeiras eram simplesmente lindas. Eu não pude deixar de não ficar maravilhada com tudo aquilo. Era muito lindo!
Ao notar minha reação, Drake começou a rir.
– Hahahahah, eu fiquei mais ou menos assim quando Peter me mostrou esse lugar. Incrível, não?
– Incrível é pouco... – Eu não conseguia desviar meu olhar da paisagem.
– Eu sei que da vontade de ficar só observando isso daqui pelo resto dos tempos, mas precisamos treinar. Vamos?
Com muita dificuldade, saí do meu transe e olhei para ele, meneando a cabeça em um sim alegre.
Drake, então, seguiu a pequena trilha que se formava naquele barranco. Tinha que ter cuidado naquele momento, um passo em falso e você ia ladeira abaixo, considerando que o caminho era cada vez mais estreito.
Felizmente, nada de mal aconteceu, e conseguimos chegar à base da cachoeira sem muito pestanejar.
– Vamos começar com um treino básico – ele gritou para que eu ouvisse, já que o som da água caindo era realmente alto – Eu lanço e você desvia, ok?
– Ok! – gritei em resposta. Esse treino eu já conhecia.
Nós estávamos em uma parte arenosa onde a água do rio não alcançava, o lugar realmente era muito bom para treinar.
Drake sem dificuldade nenhuma pegou a água do rio e fez uma bola concentrada densa flutuar no ar, mantendo-a em movimento com as próprias mãos. Eu já estava preparada, então quando ele jogou aquilo em minha direção, não foi muito difícil desviar, apesar da velocidade.
Ele deu um sorriso ao ver que eu consegui, até me senti orgulhosa por um segundo, mas logo ele já havia me atirado outra, e, dessa vez, por pouco não fui atingida.
– Nunca abaixe sua guarda – Ele disse sorrindo.
E assim se seguiu há próxima meia hora. No final, eu só não estava completamente ensopada, pois era fácil me secar, mas não posso mentir e dizer que consegui desviar de todas: treino com o Drake era realmente difícil, sem contar que eu estava em uma desvantagem grande, pois não tinha fogo por perto.
Tem coisas que só percebemos com a prática, e eu acabei notando umas de mim mesma. É muito mais fácil usar meus poderes quando tem fogo por perto, mas isso não quer dizer que se não tiver, eu não consigo usá-los. Eu crio fogo, só que é mais difícil e mais cansativo. Eu me sentia mais forte perto do fogo e imaginava que acontecia o mesmo com Drake em relação à água... Então ele estava mais forte do que nunca.
– Agora vamos usar seus poderes. Quando eu mandar o jato da água, você se protege com fogo, ok? – gritou mais uma vez.
– Beleza – eu respondi.
Ele mal esperou para que eu me preparasse e minha mente mal voltou ao lugar quando eu vi um jato de água vindo em minha direção. Automaticamente, fiz uma grande barreira de fogo na minha frente. Ouvi o chiado da água passando pela calefação.
Ao vapor da água sumir, pude avistar Drake sorrindo. Ele era realmente bonito, pensei ao mesmo tempo em que senti minhas bochechas esquentando.
– Essa foi boa... – ele me congratulou.
– Obrigada.
Não demorou nem um pouco para que já me lançasse um novo jato pressurizado. Consegui, com muito esforço, ser rápida o suficiente para fazer com que ele não me atingisse e o desmanchei me vapor.
Não sei por quanto tempo ficamos naquele treinamento, mas sei o quão cansada eu fiquei depois, e o quanto comemorei internamente quando ele disse que era melhor pararmos um pouco para descansarmos.
Relaxei meus ombros e suspirei de alivio: conseguiria respirar mais um pouco. Olhei a paisagem ao redor que sempre me deixava mais calma. Como Drake havia dito, poderíamos passar a eternidade olhando-a sem nos enjoar.
Andei um pouco para frente e sentei na areia. Drake me acompanhou, sentando-se ao meu lado. Ficamos alguns segundos em silêncio, mas o que Lauren havia dito, sobre precisarmos nos conectar, ficar em harmonia, ainda corria em minha cabeça. Aquele era o melhor pretexto se eu quisesse saber um pouco mais sobre ele. Por esse motivo e outros, não me arrependi de perguntar.
– Como foi sua infância? – lembrei-me do porta-retratos caído e empoeirado.
– Por que quer saber? – sua voz estava um pouco menos rude do que eu imaginava, mas seria mentira se falássemos que ele não estava incomodado.
Lancei lhe um olhar que já dizia tudo. Se formos para ficar em harmonia, precisávamos compartilhar um pouco mais um sobre o outro. Ele revirou os olhos e me respondeu, finalmente.
– Foi bem tranquila. E a sua?
– Nossa, que pessoa detalhista você, hein? – Brinquei.
Ele riu e deu de ombros.
– Não tenho muito que falar dela. Eu tinha uma mãe e um pai legal, que me apoiavam e faziam de tudo para me ver feliz, e um irmão também. Apesar das brigas, ele era um cara legal, e quando eu precisava dele, ele me ajuda. E vice-versa.
Engoli em seco ao ouvir a palavra “tinha”. Ele me dava respostas que só me faziam ficar ainda mais curiosa e querer saber mais sobre ele. Por outro lado, eu sabia que não podia forçar. Drake era Drake, e já estava sendo generoso o suficiente ao me contar aquilo. Eu só queria saber um pouco mais...
– Drake... – chamei-o.
– Diga.
– Por que você parece não se dar bem com as garotas? – demorei um pouco para selecionar as palavras. Qualquer coisa dita errada poderia transmitir a mensagem que eu não queria. Fiz o meu melhor para que a pergunta ficasse clara.
Ele deu um estalo de língua e apoiou suas mãos um pouco atrás de seu corpo, inclinando o tronco sem deixar de observar a paisagem.
– Longa história...
– Temos tempo.
– Mas eu não gostaria de conta-la. – não falou de modo rude, mas foi frio. Senti meus pelos se eriçarem e meu corpo tremer um pouco.
– Espero que saiba que pode confiar em mim. – falei sincera.
– Eis a questão. Nunca se sabe se podemos confiar nos outros... principalmente em garotas... – a última parte ele falou em um sussurro, provavelmente não queria que eu ouvisse, e apesar de todo o barulho da água, eu ouvi.
– Alguém traiu sua confiança? Alguma garota? – insisti.
– Muito mais do que isso... – ele respondeu seco. Pude notar que se eu continuasse no assunto, o Drake mal-humorado iria voltar. E eu não queria esse Drake me ajudando a treinar.
Depois iria pensar mais sobre tudo isso, para ver se conseguia conectar os pontos e saber um pouco mais sobre ele por dedução.
– E você, como foi sua infância? – Ele perguntou para mim após alguns segundos de silêncio.
– A melhor. Eu era filha única e meus pais me davam toda a atenção. Eles eram os melhores. Eles, meus tios, meus avós, meus amigos... todos.
– E o que houve?
– Meus pais morreram. – três segundos de silêncio para eu perceber que o modo como eu falei foi frio demais, tentei concertar – Durante um assalto armado. Invasores entraram em minha casa e nos mantiveram reféns, e por um movimento mal interpretado, acharam que meu pai fosse reagir. Deram dois tiros em sua cabeça. Bem na minha frente. Minha mãe se desesperou e se jogou sobre ele... e recebeu outros dois tiros também. Eu estava estática e não sabia o que fazer. Eles pegaram os objetos de maior valor e fugiram quando ouviram as sirenes da policia se aproximando. Em menos de um minuto perdi as duas pessoas que mais amava. – senti meus olhos lacrimejando, mas não me permiti chorar na frente de outra pessoa. Não me permiti chorar na frente de Drake.
Houve mais alguns segundos de total silêncio.
– Sinto muito. – ele enfim disse.
Eu optei por ficar calada. Poderia ter dito que sentia muito também por mim mesma, poderia ter agradecido por seus sentimentos, poderia ter sorrido em resposta. Mas não fiz nada disso.
– Mas e o resto de sua família? – perguntou.
– Depois da morte de meus pais, houve muitos conflitos. A maior parte da família entrou em uma briga, eu me distanciei de tudo e todos. Eu me fechei no meu próprio mundo... e foi quando vocês chegaram.
– Então por causa de uma chance de recomeço, você não negou em ir com a gente, certo?
– Exatamente.
– Na maioria dos casos é assim mesmo. Todos nós em Conventionis procurávamos por um novo recomeço, uma nova oportunidade, uma nova vida para esquecermos o passado... e quando ela, literalmente, bate em sua porta, vamos embora.
Eu concordei movendo milimetricamente a cabeça.
A partir disso, ficamos em um silêncio confortável. Ninguém dizia mais nada pelo simples fato de não ter o que dizer, naquele momento, era muito melhor ficar apenas observando o local. E pela primeira vez eu notei uma coisa: eu estava em harmonia com Drake.
Não estávamos brigando, não estávamos nos odiando, não estávamos nos repelindo um da presença do outro. Estávamos apenas... curtindo nossa presença, nossa existência, nosso conhecimento um do outro... coisa que eu, até então, achava impossível.
Quem sabe a partir daquele momento as coisas não seriam mais fáceis?
Depois de mais algum tempo descansando, voltamos a treinar. Com minha energia recuperada e a dele também, o treino fluiu até melhor. Começamos a caminha de volta só depois de, pelo sol, vermos que já era o horário de almoço. E quando enfim chegamos ao prédio, o clima já parecia muito mais diferente de como estava quando partimos.
Partimos como conhecidos, voltamos como colegas. Eu, ainda, não posso dizer amigos, mas quem sabe um dia?
Pegamos nossa comida e nos sentamo-nos à mesa de sempre, junto com os outros quatro. Eles logo nos cumprimentaram.
– E aí, como foi o treino? – disse Karen, passando uma mecha de seu cabelo para trás da orelha.
– Bom, na verdade. – respondi.
– Ótimo. – Drake falou junto comigo.
Pude perceber um entreolhar orgulhoso de Lauren com Ryan por alguns segundos, logo eles voltaram a comer.
– Legal. – Peter disse, mas não mais do que isso.
Conversamos sobre algumas outras coisas banais durante o almoço, e quando acabamos, recolhi o prato de todos na mesa e fui lava-los na cozinha.
Eu tinha o resto da tarde livre, e a noite Drake e eu treinaríamos de novo, dessa vez, na quadra do segundo andar mesmo. Subi para o meu quarto e retirei a chave do meu bolso, abrindo a porta. Joguei-me na cama e pus-me a pensar na vida.
E se nada disso tivesse acontecido? Seria tão diferente... eu provavelmente agora estaria em minha casa, pensando no que iria fazer da vida, que faculdade iria cursar, como seguiria com tudo... mas agora nada disso importa. As minhas preocupações joviais tomaram outro nível. E isso era bom, não era?
Deixei a preguiça de lado e mexendo em minhas coisas peguei um livro de que gostava. Desci até o primeiro andar com o objetivo de sentar em um daqueles sofás e ler até não poder mais. Mas meus objetivos foram totalmente estragados... estragados do melhor jeito possível, na minha singela opinião.
Eu mal me sentei e abri o livro quando senti alguém se aproximar de mim. Desviei meu olhar das palavras nele escritas para a pessoa a minha frente. Não escondi a surpresa ao constatar que era Zack, o garoto do elevador...
– E aí, tudo bem? – ele falou, sentando ao meu lado.
A princípio fiquei meio receosa, Drake havia dito que ele não era confiável. Mas ao olhar para o garoto, eu não entendi o porquê dessa desconfiança. Ele parecia ser um cara legal. Fechei o livro e o botei do meu lado.
– Tudo. E você?
– Bem também.
– O que está achando de tudo isso, desse local e etc.? – foi direto em sua pergunta, não era tímido.
– Incrível – ri um pouco, assim como ele – É tudo muito novo por aqui, é tudo muito estranho também... mas estou me adaptando – sorri.
– Espero que esteja. Pode parecer estranho a princípio mesmo, mas com o tempo aprendemos a olhar para esse lugar e chama-lo de lar... – ele olhou em volta, como se estivesse orgulhoso.
– Está a quanto tempo aqui? – perguntei.
– Até um pouco mais que Lauren e Ryan...
– Uau. Isso é bastante tempo então. Você é um veterano.
Ele riu da minha observação.
– É, acho que pode se dizer que sou sim. E você uma novata – falou sorrindo, eu concordei com a cabeça. – Seja bem vinda ao grupo, Sofia.
– Obrigada, – parei por um instante – mas como você sabe meu nome? – perguntei, mesmo que já suspeitando da resposta.
– E quem não sabe? – riu novamente, eu acabei rindo junto.
Parei para observa-lo com um pouco mais de atenção. Ele pareceu não se incomodar com meu olhar sobre ele.
Seus cabelos eram escuros, pretos, e encaracolados, não chegavam a ser muito grande, mas também não era pouco. Era ideal, complementava com seu rosto beirando a perfeição. A pele clara fazia com que a boca parecesse um pouco mais rosada e os olhos... ah, os olhos... Era de um estranho perfeito que nos fazia tirar desse mundo. Seu olho direito era de um azul intenso, e o esquerdo, um verde maravilhoso.
– É heterocromia. – ele falou de repente.
– O quê? – perguntei sem entender.
– Os olhos... você os observava com uma feição curiosa – senti meu rosto corar, estava tão óbvio assim? – Heterocromia é tipo uma doença que faz com que os olhos tenham cores diferentes...
– Ahh. Entendi. Os seus são lindos.
– Obrigado. – ele sorriu o sorriso perfeito.
Passamos mais alguns segundos em um silêncio confortável, quando eu notei que ele olhava para um ponto fixo do local e de repente, acenou. Segui seu olhar e vi outro cara também acenando, vindo em nossa direção. Minha surpresa não foi maior ao notar que o outro cara era Maxell.
– Vocês se conhecem? – soltei sem pensar.
– Conhecer? – ele me retribuiu com um sorriso divertido – Conhecer é pouco, somos praticamente melhores amigos.
Antes que me dessem tempo para ficar espantada e raciocinar, Max chegou, me cumprimentando com um beijinho e sentando-se ao meu lado.
– Olá, Sofia, tudo bem? – sorriu.
– T-tudo, e você? – ainda não tinha digerido a informação de que os dois garotos que mais me chamaram atenção são melhores amigos.
– Bem. E aí, como foi seu dia?
– Bom, mas cansativo...
– Entendo, a maioria dos dias aqui dentro costumam ser assim mesmo – ele riu. A risada dele era simplesmente incrível. Onde já se viu uma risada bonita? Eu pareço um ganso engasgado quando rio!
Zack, Max e eu continuamos conversando sobre assuntos banais. Eu não entendi a desconfiança de Drake com Zack, ele era realmente bem legal... e Max continuava a chamar mais e mais minha atenção.
Existia nele um certo ar de mistério que eu não sei explicar. Apesar de parecer normal: ser contente, aberto, animado e com certeza cavalheiro, ainda tinha algo que eu não sabia dizer o que era. Talvez sua aura, sua alma, seu sorriso, seus olhos... como se eles escondessem alguma coisa que deixassem por dizer.
E eu me sentia cada vez mais atraída por isso...
Fale com o autor