Notas iniciais
Gente, eu sei que tinha dito que iria postar no início da semana, mas tive uns contratempos com provas e tal... Enfim, me desculpem : Eu fiz um capítulo bem grandinho para compensar (: Boa leitura e não esqueçam de deixar reviwes (:

*** POV Lucinda ***

Daniel. Ele descobriu todos os meus segredos que estou tentando esconder das pessoas. O mais surpreendente é que eu não me arrependo de ter lhe contado tudo. Estranho? Totalmente. Meus instintos diziam-me para confiar nele apesar de eu ainda resistir um pouco. Será que eu realmente posso confiar nele? Bom, terei que descobrir. Após Daniel ter ido embora, repousei-me na janela e pus-me a fitar as estrelas, como se eu fosse encontrar todas as respostas que precisava nelas. Elas estavam tão bonitas naquela noite que eu me perdi em seus brilhos.

---Lucy? Está tudo bem? Tá melhor? --- perguntou Kali, que estava do meu lado.

---Estou melhor sim... Mas ando me sentindo muito confusa Kali. Eu queria muito saber qual o meu elemento, me sinto excluída. --- falei triste.

---Não fique assim Lucy, você não é excluída. Você é especial, o que é totalmente diferente. Eu estou aqui para te ajudar viu? --- ela falou e me abraçou.

Eu não lembro a última vez que recebi um abraço.

Eu retribuí o seu abraço e por incrível que pareça, eu me senti melhor e confortável.

---Obrigada Kali. --- falei sorrindo.

Eu tinha uma amiga que me entendia.

---De nada Lu. Você não está com uma cara muito boa, acho melhor você dormir agora para descansar. --- ela falou.

--- Você tem razão. --- falei.

Fui direito pegar minha roupa e ir ao banheiro tomar um banho, me trocar e depois me deitei.

---Boa noite Kali --- eu disse ao me deitar.

---Boa noite Lu. --- ela falou já se deitando também.

---Desculpe-me acho que atrapalhei um momento entre você o Greg. --- falei envergonhada.

---Está tudo bem Lu, você tinha que avisar mesmo, se não íamos ficar preocupados com você. Somos seus amigos. --- ela falou sorrindo.

---Ele falou algo? --- perguntei.

---Ele falou que eu era a garota mais especial que ele já conheceu em toda a vida. --- ela falou com um sorriso de ponta a ponta.

---Vocês formam um casal fofo. --- falei.

Então virei-me para o outro lado e fechei meus olhos, mas demorei um pouco para pegar no sono. Estava com muita coisa em mente e que eu tinha que resolver.

************* ********** ********* ********

Acordei de manhã um pouco mais cedo que o normal, eu me sentia um pouco ansiosa. Kali ainda estava dormindo, então resolvi sair um pouco do Prin para caminhar. Troquei de roupa, coloquei um vestidinho florido, calçei uma sapatilha, prendi meu cabelo, deixei um recado para a Kali avisando e saí. Senti a brisa fria da manhã, invadir-me e balançar meu cabelo. Era tão bom sentir aquilo, eu me sentia mais viva. Continuei a caminha floresta adentro, resolvi “explorar” um pouco. Andei passando por árvores e mais árvores, lindas, com as folhas caindo ao chão. Caminhei até que ouvi um som de água corrente, segui o som encontrei-me com um pequeno rio. Sentei-me á sua beira, e tirei minhas sapatilhas e coloquei meus pés na água fria. O rio estava bem baixinho, dava para atravessar ele andando. Então eu vi o meu reflexo distorcido refletido na água.

---Quem sou eu? --- eu me perguntei olhando para o meu própio reflexo.

Esperei por alguma resposta, mas não obtive nenhuma. Continuei á me encarar, como que para procurar algo em mim que eu não conseguia ver. De repente vi um brilho branco em um dos meus olhos. Depois percebi que era algo dentro da água que refletia. Suspendi um pouco meu vestido e entrei no rio á procura do objeto brilhante, então o achei escondido entre algumas pedras e rodeado de peixes pequenos e coloridos.

Era um colar. Não um colar qualquer, o seu pingente parecia estar quebrado. Não, melhor, partido. Parecia a metade de um coração partido. O colar era prateado e bem delicado. Voltei para a beira do rio e sentei-me para analisá-lo melhor. Quem poderia tê-lo perdido? Ou o jogado fora? Olhei ao redor para ver se achava o dono ou a dona, mas não vi ninguém, resolvi então guardá-lo comigo, caso o dono aparecesse eu o devolveria. Ao colocar o colar no meu pescoço eu senti uma estranha sensação, como um choque percorrendo todo o meu corpo e me aquecendo. Uma conexão? Talvez. Coloquei-o por dentro da roupa para ninguém vê-lo. Então senti um arrepio na nuca, havia alguém ali também, eu não estava sozinha.

Eu não só sabia que havia alguém ali, como eu também sabia quem era.

---Daniel? --- perguntei.

Não obtive resposta, mas ouvi passos de alguém se aproximando. Ele sentou do meu lado e se pos a observar as águas do rio. Ele estava vestido com uma calça jeans e uma camisa branca. Nós não nos falamos, só ficamos parados fitando o fluir das águas do rio. Um silêncio que ao mesmo tempo me confortava, mas também me incomodava.

---Você vai para aula hoje? --- ele perguntou quebrando o silêncio.

---Eu não sei. --- respondi.

---Que tal a gente faltar hoje? --- ele perguntou.

---Faltar aula? Mas eu não sei quase nada de elementos, tenho que aprender... --- falei.

--- Só hoje. Aí vamos ter mais tempo para pesquisar. --- ele disse.

---Hm... Tudo bem. --- concordei.

---Mas então, o que você estava fazendo aqui sozinha? --- perguntou.

---Estava pensando. --- falei. --- E você? Estava me seguindo? --- perguntei.

---Não, bem... Eu acordei um pouco mais cedo hoje e vi você saindo sozinha, fiquei um pouco... Curioso. --- ele falou sem graça e eu ri da cara dele.

---A biblioteca está aberta agora? --- perguntei.

---Acho que sim. --- ele falou.

---Vamos para lá? Quanto mais cedo melhor. --- eu disse.

---Certo. --- ele falou.

---Vou pegar o livro no Prin e nós vamos. --- falei.

Então nos levantamos e percorremos o caminho de volta novamente em silêncio. Fui até o Prin, entrei e peguei a bolsa com o livro silenciosamente para não acordar a Kali.

---Aqui está. --- falei.

Ele pareceu não me ouvir, quer dizer, ele estava me olhando e ao mesmo tempo não estava. Ele estava me olhando, mas não estava prestando atenção ao que eu falava. Ele me deu uma olhada rápida de cima a baixo.

---Daniel? --- perguntei.

---Sim, vamos. --- ele falou.

Novamente o silêncio reinou em nossa caminhada até a biblioteca.

---Carly, a secretária da biblioteca pode nos ajudar. --- eu disse ao chegarmos.

A porta estava fechada.

---Está trancada? --- perguntei.

Daniel girou a maçaneta e a mesma fez com que a porta abrisse. Adentramos á biblioteca.

---Olá, o que fazem aqui tão cedos crianças? --- perguntou Carly.

---Ah... Bem... --- começei a falar, mas Carly me interrompeu.

---Ah! Eu lembro-me de você, é a garota do livro... Calma, eu sei seu nome... É... Lucinda! --- ela falou sorrindo.

---Sim, sou eu. --- falei sorrindo também.

Daniel parecia não entender o que estava acontecendo. E Carly parecia não tê-lo visto ainda, e quando o fez abriu uma boca de exclamação.

---Senhor... --- ela começou a falar, mas parou. --- Prin... --- novamente começou a falar, mas parou. --- Daniel. --- ela disse por fim.

Olhei para a cara dos dois. Daniel parecia estar com uma cara de aliviado e Carly parecia envergonhada. Certo, agora eu que não estava entendendo nada.

---Lucinda, vamos? Carly, vamos ficar aqui por um tempo. --- ele falou.

---Claro majes... Daniel. --- ela disse enquanto ele a fitava.

Então Daniel me guiou até uma mesa. Tirei o livro da minha bolsa e o coloquei em cima da mesa. Daniel tirou um pedaço de papel do bolso e uma caneta.

--- Vamos anotar as informações mais importantes aqui. --- falou.

Então abrimos o livro e começamos a foleá-lo. Carly estava certa, falava sobre os elementos, sua origem, suas Eras, o Deus Rhipez, o Avatar... Os Anciões, essa era a parte que interessava a gente. Daniel parecia procurar algo específico, como se já estive lido aquele livro.

---O que está procurando? --- perguntei.

---Aqui! --- ele exclamou apontando para um parágrafo do texto.

Todos achavam que o Avatar regia o mundo sozinho, porém isso nunca foi verdade. O Avatar tinha muitos aliados, como por exemplo, o Conselho dos Anciões. Os Anciões eram alguns dominadores de diferentes elementos, eles aconselhavam e ajudavam o Avatar quando este o recorria e até mesmo quando o não fazia. Após a morte do Avatar, o Conselho dos Anciões enfraqueceu, atualmente restam poucos Anciões que são fiéis ás suas funções. Muitos estão em busca de um novo Avatar, porém já se tem quase uma década que não se há notícias de um novo Avatar. Muito Anciões trocaram de lado e passaram a trabalhar para os chamas. Os Anciões não partem diretamente, eles sacrificam-se em função das suas missões, cada Ancião tem uma missão de vida, ao completá-la ele se desintegrará e será transportado para outra dimensão, que segundo lendas, é a dimensão do Deus Rhipez. Os Anciões conseguem sentir a presença de um Avatar...”

---Desintegram... Igual ao senhor que eu encontrei ao acordar na cabana. --- falei.

---Sim. --- Daniel falou.

---Então ele realmente era um Ancião? --- perguntei.

---Sim. --- ele disse.

Então aí está uma pista, acho que deve procurar onde é a sede dos Anciões e falar com algum deles para saber se eles podem me ajudar ou eu ajudar ele, sei lá.

---O Conselho dos Anciões ainda existe? Você já ouviu falar? --- perguntei.

---Já... Existe, mas não sei onde fica sua sede. --- ele falou.

Ah não, e agora, o que vou fazer?

---Não sei onde fica, mas nós podemos procurar. --- ele disse.

---As pessoas da realeza devem saber... --- eu concluí.

---Talvez saibam. --- Daniel falou um pouco aflito. --- mas talvez as autoridades aqui do Acampamento também possam saber. --- ele sugeriu.

---Mas quem...? ---- indaguei.

Ele continou em silêncio como se estivesse pensando em uma possibilidade.

---O Sr. Campry! --- falei. --- Ele deve saber. --- eu disse.

---Boa ideia! --- ele disse. --- vamos passar no seu Prin, guardar o livro e ir procurar por ele! --- Daniel falou um pouco animado.

---Vamos! --- falei.

Então nos levantamos, arrumamos nossas coisas. Guardei o papel com as anotações na minha bolsa. Porém, de repente Carly veio desesperada em nossa direção.

---Vocês precisam se esconder. --- ela falou em tom baixo e urgente.

---Esconder, mas por quê? --- perguntamos á ela.

---Sem perguntas agora gente, por favor! --- ela disse.

---Tudo bem, mas aonde vamos nos esconder? --- eu perguntei.

---Eu sei um lugar. --- Daniel falou.

---Certo, então vão, vão, rápido! --- ela disse.

Então eu e Daniel saímos em disparada entre as estante e prateleiras.

---Por aqui... Não, por aqui. Não, aqui. --- Daniel parecia perdido.

---Onde? --- perguntei.

---Ah, já sei! Aqui. --- ele falou ao se aproximar de uma das prateleiras antigas e puxar o livro.

Porém ele não tirou o livro do lugar, ele só o puxou como uma espécie de alavanca. E eu estava certa, porque uma passagem secreta começou a surgir na parede.

---Como você... --- começei a perguntar, mas ele me interrompeu.

---Sem perguntas agora, vamos. --- ele falou e me puxou para dentro da passagem secreta.

Era uma espécie de túnel. E estava escuro. E eu não gostei.

---Daniel, está muito escuro aqui, não consigo ver nada... --- falei e novamente fui interrompida, só que com uma mão tampando a minha boca. Ele estava atrás de mim em silêncio e sua mão tapava minha boca. Ele estava muito perto e eu conseguia sentir o cheiro do seu perfume.

---Shh, se não eles vão nos ouvir. Depois eu prometo que te explico tudo, só fique em silêncio agora tá? Escute. --- ele falou bem baixinho no meu ouvido, o que me causou um forte arrepio.

Então devagarmente, ele tirou a mão da minha boca e segurou o meu braço, acho que por medida de precaução caso eu fizesse algo. Eu começei a ouvir vozes e prestei atenção.

---Ora, ora senhora Carly, onde está o livro encomendado do nosso chefe? --- falou uma voz masculina.

--- Es-esta a-aqui senhor Cor-corby. --- falou Carly.

---Está nervosa senhorita Carly? --- perguntou outra voz.

Carly não respondeu.

Daniel estava observando tudo de uma greta que havia na parede.

---Hm... Daqui a alguns dias o Sr. Griff mandará queimar toda essa velharia aqui. --- falou a primeira voz. --- Vamos Curty. --- ele falou. --- E a senhora já está avisada Carly, se contar algo para alguém... --- ele terminou.

Ouvi passos se distanciando. Eles haviam ido embora.

---Podem sair meninos. --- ela falou.

Então ouvi Daniel se mexer á procura de algo e depois um som. Acho que era outra alavanca. A parede começou a se abrir novamente.

---Carly, está tudo bem? --- perguntei preocupada.

---Sim. --- ela falou. --- Por favor, não contem nada a ninguém, eles estão me ameaçando, ameaçando minha família e meu emprego. --- ela falou desesperada.

---Griff... Eu já ouvi esse nome... Ah, eu sei quem é. --- falei recordando-me de quando fui conversar com o Sr. Campry, ele era o cara alto e careca que havia falado comigo naquele dia.

---Eu também sei quem é. Nós podemos te ajudar Carly. --- Daniel falou preocupado. --- ele não pode mandar queimar os livros da coleção proíbida! São relíquias! Temos de falar com o Sr. Campry. --- ele disse.

---Ah crianças, eu confio em vocês, mas, por favor, tomem cuidado, esse Griff é um cara perigoso... --- ela falou. --- Só tentem descobrir mais á respeito dele, não contem nada a ninguém ainda. Posso confiar em vocês mesmo? --- ela perguntou.

---Claro que pode. --- eu falei. ---Vamos te ajudar.

---Acho melhor vocês irem pelo túnel, esses caras do Griff podem estar aí fora, melhor não arriscar. --- ela falou. --- Sabem o caminho? --- indagou.

---Sim. --- Daniel falou.

---Então, boa sorte. --- ela disse.

Entramos novamente no túnel.

---Siga-me. --- Daniel falou.

---Como você sabe desse túnel? E como sabe o caminho? Daniel? --- perguntei.

---Depois te explico. --- ele falou.

Suspirei e continuei a segui-lo.

---É por aqui, vai dar na Casa Principal, onde o Sr. Campry pode estar. --- ele disse.

Então ele puxou outra alavanca e as paredes se abriram, sim, estavamos na Casa Principal como ele havia dito.

---Vamos, a Rose deve estar aqui. --- ele disse.

Imediatamente pensei naquela menina que estava com ela há alguns dias, mas então eu lembrei-me da senhora Rose, a mulher que apresentou-me ao Senhor Campry.

---Rose? --- Daniel chamou.

---Já vou! --- ela gritou de algum lugar.

Esperamos um pouco até ela aparecer.

---Majes... Daniel. --- ela falou. --- e você é... Lucinda, eu lembro-me de você. ---disse.

Eu reparei que Daniel havia feito um gesto de negação enquanto ela falava... Por quê?

---Sim. --- falamos em uníssomo.

---O que desejam? --- ela perguntou.

---Gostaríamos de saber onde está o Senhor Campry. --- falou Daniel.

---Bem, o Senhor Campry partiu em viagem hoje. --- ela falou.

---Sabe para onde ele foi? --- indagou Daniel.

---Não tenho certeza, acho que ele foi para alguma cidade do continente terrino, foi á uma reunião, foi somente o que disse. --- ela falou.

---Obrigado Rose. --- ele disse. --- Lucinda, vamos volta para o Prin. --- completou.

Então saímos e voltamos escondidos para o Prin dele. Assim que eu entrei ele fechou a porta rapidamente.

---Se descobrirem que filamos aula, vão ficar enchendo a paciência. --- ele disse. --- Pode-se sentar. --- ele falou ao notar que eu ainda estava em pé.

---Quer algo para comer ou beber? Nessa correria a gente nem almoçou. --- ele falou.

---Não, obrigada. Estou sem fome. ---falei.

---Está mentindo. --- ele disse. --- vou pegar algo para você comer.

---Ah, tá bom. --- concordei. --- Mas você ainda está me devendo uma explicação... Lembra-se? --- indaguei.

---Sobre? --- ele perguntou voltando com a comida e entregando-me.

---Como você sabia da passagem secreta, do caminho e tal... --- falei.

---Ah... --- ele falou sentando-se na cama com a própia comida.

---Então...? --- falei.

---Bem, é complicado de explicar. --- ele falou.

---Mas você prometeu! Olha, você me pareceu já ter lido aquele livro que Carly me emprestou... E só quem tinha acesso era gente “sábia”, ou seja, as autoridades e pessoas da realeza... --- falei e então me dei conta do que falei.

---Você é da realeza! --- exclamei apontando para ele.

---Não, não é bem isso o que você está pensando. --- ele falou.

---Por que não me contou? Ah, não acredito um cara da realeza, se descobrirem que você está me ajudando nisso vão querer me matar! --- eu falei.

---Tá, você acertou eu sou da realeza. E não tem problema nenhum em te ajudar. --- ele disse.

---Ah não, claro que não! Eu sou uma ninguém, na verdade eu nem sei quem sou e você aí é da realeza. Pessoas como você não deviam andar com pessoas como eu! --- eu falei.

---Se fosse assim eu não andaria com ninguén, não é Lucy? Eu não me importo com isso, ninguém da minha família reclama, eu ando com a Kali e o Greg há tempos! Não se preocupe com isso! --- ele falou.

Ele havia me chamado de “Lucy”.

---Ah, droga. --- suspirei.

Ele riu.

---É engraçado você xingando. --- ele disse.

---Mais engraçado ainda é você não ter me contando esse pequeno detalhe! ---disse irônica e ele riu mais ainda.

---O que vamos fazer depois daqui? --- perguntei.

---Não sei, tá a fim de fazer o que dona irritada? --- ele perguntou.

---Você consegue ser irritante quando quer. --- falei revirando os olhos. --- Alguma sugestão?

---Sabe andar de cavalo? --- ele indagou.

---Cavalo? Bem... Eu, eu não me lembro... --- falei.

---Desculpe-me, eu tinha esquecido. Venha comigo, se você souber vai lembrar se não souber aprende. --- ele disse.

---Quem vai me ensinar? --- perguntei.

---A resposta não é óbvia? --- ele indagou.

---Pronto, já sei que vou tomar várias quedas ou acabar sendo comida pelo cavalo. --- falei e ele riu.

---Medrosa. --- ele provocou.

---Não sou medrosa. --- falei.

---É sim. --- ele falou sorrindo.

---Não sou. --- falei.

---Tá, vamos logo que daqui a pouco vai anoitecer. --- ele disse.

Começamos a caminhar.

---E onde está o cavalo? --- perguntei.

---Só acho que cavalo fica no estábulo. --- ele falou.

---Não me importo mais que você seja da realeza, você é um idiota. --- falei e nós dois rimos.

Caminhamos até o estábulo, o qual estava praticamente vazio, só tinha uns quatro cavalos.

---Aqui. --- ele disse chegando perto de um cavalo preto. --- Esse é o Rubys.

O cavalo era realmente muito bonito, com o pêlo reluzente e bem cuidado, além de aparentar estar em ótima forma. Ele tirou Rubys do estábulo.

--Pronto, pode montar ele. --- Daniel falou.

---Você está louco?! --- exclamei.

---Estou? --- ele perguntou.

---Idiota. Eu não sei montar cavalo. --- disse.

---Aprende. --- ele falou como se fosse a coisa mais fácil do mundo.

---Não obrigada, não hoje, quem sabe outro dia. --- falei.

---Que garota medrosa. --- ele falou subindo no cavalo. --- Vem sobe.

---Se eu cair, eu te levo junto. --- disse.

---Tava demorando a sua ironia chegar, vamos logo. --- falou.

Então, depois de algum esforço eu consegui subir em Rubys.

---Se segure. --- ele falou e então já começou a incitar o animal a correr.

Eu não sabia onde me segurar, então eu me segurei em seus ombros. Mas não estava dando muito certo, porque a velocidade de Rubys aumentou e eu estava quase caindo, minha única alternativa, infelizmente, foi ter que me segurar em sua cintura. Novamente eu tive aquela sensação da brisa dos ventos invadindo meus cabelos e suspirando a minha alma. Era tão bom sentir o vento. Daniel cavalgava com destreza e muita habilidade, foi um passeio até legal. Voltamos para o estábulo e colocamos Rubys lá novamente, no meio do caminho de volta eu me lembrei de uma coisa.

---Daniel? --- perguntei.

---Sim? --- falou.

---Se você é da realeza... Então você deve saber onde fica o Conselho dos Anciões! --- acusei-o.

---Desculpe-me Lucy, se eu realmente soubesse já teria te contado... Mas é que eu não ouço falar disso há anos! Só ouvi uma vez quando era pequeno, te juro, não tenho a menor ideia de onde fica! --- ele falou.

---Ah, tudo bem, vamos arranjar outro jeito. --- falei meio triste.

---Será que Greg e Kali estão procurando a gente? --- ele perguntou.

---Não sei, talvez sim. --- falei.

Então chegamos ao Prin já anoitecendo, mas não entramos.

---Eu vou sentar um pouco. --- falei. --- estou cansada.

Então me recostei em uma árvore próxima. Ele veio e sentou-se ao meu lado.

---Eu gosto das estrelas, e você? --- perguntei.

---Eu também gosto, minha mãe sempre falava delas para mim antes de dormir. --- ele disse como se estivesse recordando.

Assim, ficamos em silêncio contemplando as estrelas e sua gloriosidade de brilho.

---Ei, Daniel, qual o seu elemento? --- perguntei ao me tocar de que até aquele ponto eu não sabia o seu elemento.

Ele levantou a mão, fechou-a e depois abriu, quando ele o fez apareceu uma pequena chama laranja.

---Isso responde sua pergunta? --- ele falou sorrindo.

---Dizem que são poucos os dominadores de fogo aqui em Serdin, o professor falou na aula que dominadores de fogo estão muito sujeitos a sofrer preconceitos, porque tem os dominadores descendentes dos chamas e outros de foguinos. --- eu disse.

---Sim. --- ele disse.

Ele fechou a mão e a chama se apagou.

---Kali e Greg daqui a pouco vão chegar, melhor eu ir se não vão desconfiar da gente. --- ele falou.

---É tem razão. --- eu disse.

Levantamos-nos.

---Boa noite Lucy. --- ele falou me olhando.

---Boa noite Daniel. Obrigada por tudo hoje. ---falei.

Ele balançou a cabeça em afirmação, deu um aceno e foi caminhando para o seu Prin.

Eu o vi se afastar e, em seguida, entrei no meu Prin, algum tempo depois Kali chegou.

---Lucy, não foi para a aula hoje, fiquei preocupada! --- ela falou me abraçando.

---Foi, eu não me senti muito bem Kali. --- falei.

---Ah, estou cansada, essas aulas matam a gente! --- ela reclamou. --- Desculpa Lucy, vou dormir mais cedo hoje.

E foi realmente o que ela fez, após tomar banho e troca-se, deitou e caiu no sono.

Eu dei uma última olhada nas estrelas pela janela. Pelo menos hoje fizemos um progresso. Ao menos naquela noite não tive nenhum sonho ou pesadelo estranho. Hoje foi um dos melhores dias desde que cheguei aqui.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Lucy e Daniel se aproximaram mais nesse capítulo (: Deixem reviwes. Beijos ;*
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.