Notas iniciais
Olá pessoas... Bem, 14 dias. Tenho notícias boas, estou com MEU pc de novo, então, agora posso escrever mais. A única explicação do atraso é que eu ainda não estou de férias e está muito corrido essas últimas semanas. O.k., me desculpem. Eu também não corrigi o capítulo ainda, então já peço desculpas pelos erros.

Cinco horas. São apenas cinco horas da manhã e eu estou acordada, que adolescente acorda as cinco da manhã no sábado? Bem, aqui estou eu, encarando o teto do meu quarto, enrolada em um edredom azul, em uma cama completamente confortável, sem sono algum.

A noite de ontem foi engraçada e divertida, todos se reuniram no jardim e fizeram uma pequena festa para o time. Como hoje é sábado, Martin não viu problema em nos deixar passar do horário. Porém, mesmo com essa brecha, a grande maioria estava cansado, então, a festa acabou logo depois das onze.

Hoje não temos aula, por isso estamos livres o dia todo e eu não faço ideia de como ocupar todo esse tempo. Já estou cansada de ficar parada aqui sem fazer nada e estou com um pouco de sede.

Me levanto, calço meus chinelos de pano e abro um pouco a porta. O corredor está escuro e silencioso, o que é óbvio, porque com certeza todos ainda estão dormindo, menos eu. Observo mais um pouco tentando ver ao máximo no escuro e chego a conclusão que ninguém vai me ver se eu sair agora.

Encosto a porta tentando não fazer muito barulho. Ainda não conheço muito bem esses corredores e no escuro é ainda pior tentar me localizar. Depois de alguns minutos, chego à porta de saída do dormitório e desço as escadas com cuidado. Ao chegar no fim delas me direciono para a saída que me vai me levar até a área da cantina.

–--- Sem sono? ---- pergunta uma voz vinda do meio da sala.

Com o susto, levo a mão até a boca para conter o grito preso em minha garganta. Direciono meu olhar até os sofás e suspiro aliviada ao ver que é apenas Austin deitado, mexendo no celular.

–--- Você quer me matar ou o que? ---- pergunto.

Ele desvia os olhos do celular e me encara, seu olhos tem um certo brilho no escuro. Ele me olha por um tempo, depois guarda o celular no bolço e se levanta, calça os chinelos e vem em minha direção. Está vestido com uma calça de moletom que no escuro parece preta, mas tenho quase certeza que é azul, uma camiseta branca por baixo de uma blusa dos Sharks. Seu cabelo parece um ninho de rato e o rosto está “amaçado”.

–--- Foi mal, não quis te assustar. ---- diz com um sorriso ---- então, você não respondeu minha pergunta.

–--- Sem sono, e você?

–--- Também. Tecnicamente isso é normal, porque elementistas precisam apenas de três horas de sono, dormir mais é apenas nossa escolha. ---- responde ele.

–--- Ah, eu não sabia disso, assim como não sei mais um monte de coisas. ---- falo um pouco mau humorada.

Ele me analisa da cabeça aos pés e para novamente em meu rosto. Um sorriso se forma em sua expressão e ele diz:

–--- Você odeia não saber não é? Odeia estar perdida no meio disso tudo, dá pra ver nos seus olhos o quanto isso te irrita.

–--- É claro que eu odeio, eu não consigo nem mesmo pegar água sem me perder, esses corredores são idênticos e enormes, eu não posso fazer nada sozinha porque não encontro o caminho de nada nesse lugar. ---- respondo.

Ele sorri de novo e dessa vez leva uma mão até uma mecha do meu cabelo que está no meu olho e a coloca atrás da orelha. Minhas bochechas ficam quentes por conta do ato e eu desvio os olhos para o corredor da cantina.

–--- Ah... você disse que queria água? ---- pergunta um pouco envergonhado.

–--- Sim, foi por isso que sai do quarto. ---- respondo.

–--- O.K., eu te levo lá. ---- diz ele.

Seguimos em silêncio, os corredores um completo breu. Nossos pés fazem barulho no carpete cinza. Austin parece pensativo , mas segue os corredores sem hesitar, espero um dia poder andar assim por aqui.

–--- Você tem planos pra hoje, quer dizer, não temos aula, você vai fazer alguma coisa hoje? ---- pergunta depois de um tempo.

–--- Não, eu não faço a mínima ideia do que vou fazer hoje. ---- respondo sem olhar para ele.

–--- Hum... bem, hoje tem o tutorial para os alunos do próximo ano e nós tecnicamente somos obrigados a comparecer e tal, é como uma recuperação. ---- diz ele ---- O Max provavelmente vai e a Lili, como sua fiel companheira, também. O Jack e a Mari sempre fogem antes que ele os encontre e os obrigue a participar, então, se você quiser, nós podemos dar uma volta pela cidade ou você pode esperar o Max te encontrar e te arrastar até uma palestra extremamente chata de oito horas.

–--- Supondo que eu aceite o convite para o passeio, o que faríamos exatamente? ---- pergunto encarando-o.

–--- Bem, você teve um breve tour quando chegou e, como você mesma disse, não conhece praticamente nada, então, eu te levaria para conhecer a cidade e podemos ir até a biblioteca histórica, que fica no centro, pra você conhecer um pouco melhor sobre o que somos. ---- responde sorrindo.

–--- Interessante, mas se a palestra é para alunos novos, eu não deveria assistir? ---- pergunto sorrindo.

Eu não pretendo assistir a palestra de qualquer forma, mas quero saber qual é a resposta dele. Ele parece pensar um pouco e depois me olha sério.

–--- Bem... teoricamente você está certa, e... se você quer ir a palestra, não tem problema, eu... eu só... eu queria, sei lá... ---- responde sem jeito.

Não consigo me segurar e solto uma gargalhada, para logo depois me conter ao lembrar que estamos em um corredor, as cinco da manhã, quando as regras permitem que saiamos do dormitório somente as sete. Quando me recupero, olho para Austin, ele me olha curioso e sério, sem entender porque da minha risada, o que apenas me faz ter mais vontade de rir.

–--- O que é tão engraçado? ---- pergunta depois de uns segundos.

–--- Você. ---- respondo e sorrio novamente ao ver a careta que ele faz ---- Austin, eu não vou a palestra, aceito o passeio e achei legal você ter proposto isso.

Ele fica calado me observando, perece estar digerindo o que eu falei e quando o faz, um sorriso se forma em seu rosto e ele diz:

–--- Ah, você adora fazer graça né? E quanto ao passeio, eu pensei no quanto você fica chateada quando estamos conversando e você não entende nada, então eu decidi te explicar as coisas para não se sentir mais assim, você é muito chata quando está emburrada.

Faço uma careta e ele sorri. Continuamos o caminho em silêncio, já consigo ver as portas de vidro da cantina no fim do corredor.

As luzes estão apagadas e o ambiente tem aspecto medonho no escuro, as mesas de aço vazias, os vidros em volta dando vista aos corredores imensos e o silêncio amedrontador ao redor. A cantina é fria e é estranho vê-la tão vazia. Nossos passos ecoam no silêncio e ao passarmos pelo corredor principal, Austin, sem querer, dá um chute em uma das cadeiras fazendo um som extremamente alto. Nos encaramos assustados com o barulho, depois ele sorri e sussurra um “desculpe” colocando a cadeira no lugar, reviro os olhos sorrindo.

Vamos em direção as geladeiras e pego um copo de água, Austin também abre uma e pega uma latinha de refrigerante que , ao fechar a porta desajeitadamente, acaba derrubando-a, a latinha rola pelo piso a ele a apanha rapidamente, impedindo-a de bater no pé de uma das mesas. Ele levanta os olhos e me encara.

–--- Você quer acordar o resto do colégio ou é impressão minha? ---- sussurro.

–--- Desculpe, é que eu realmente sou um pouco desastrado pela manhã. ---- responde sorrindo.

–--- Percebi. ---- digo.

Sorrio também e bebo minha água tranquilamente, para depois jogar o copo no lixo. Austin pega mais duas latinhas de refrigerante enquanto observa o lado de fora pela porta que dá acesso ao jardim.

–--- O que foi? ---- pergunto sem entender sua expressão animada.

–--- Ah... eu estava pensando, você vai voltar para o dormitório agora? ---- pergunta me encarando.

–--- Sim, você não?

–--- Na verdade eu prefiro fazer uma coisa um pouco mais legal do que ficar olhado pro meu teto. ---- responde olhando novamente o lado de fora.

–--- E o que seria? ---- pergunto tentando ver o que ele tanto olha.

–--- Bem, o sol está quase nascendo, eu pretendo vê-lo do alto do prédio do governo e se você quiser pode vir comigo. ---- responde olhando pra mim com expectativa.

–--- Ah, mas isso não meio que proibido? Sabe, sair do colégio agora. ---- falo.

–--- Sim, mas estarmos aqui essa hora também não é muito dentro das regras. ---- responde com um sorrisinho de lado.

Muito bem, sim, ele está certo sobre isso também e não é como se eu quisesse voltar para o quarto e analisar meu teto ou minhas paredes.

–--- Tudo bem, eu vou, mas tenho uma pergunta, como vamos chegar lá? ---- pergunto.

O sorriso em seu rosto se abre mais e pela primeira vez tenho medo do que ele vai fazer. Ele segura as latinhas com uma mão e vem em minha direção, passa um braço em torno da minha cintura e quando estou pronta para perguntar o porque disso, a cantina some e o ar ao nosso redor se torna frio me fazendo tremer quando o vento frio me atinge.

Olho ao redor e percebo que estou em um chão plano e ao longe consigo ver alguns poucos raios de sol. Estou no topo do prédio do governo. Olho pra Austin meio assustada, seu braço ainda está em minha cintura e quando ele nota que não estou confortável com a proximidade, gentilmente se afasta ainda sorrindo.

–--- Como você fez isso? Pensei que só os Shadows pudessem se tele portar. ---- pergunto.

–--- Não, todos os elementistas podem, os Shadows só fazem isso mais facilmente, pois se tele portam pelas sombras, sem usar o poder de Karryceres, o que pra ele é extremamente natural e pra nós nem um pouco saudável. Não é recomendado que nós nos tele portemos sem os portais, porque isso nos deixa muito cansados e mais um monte de coisas. Já para os Shadows, como eu disse, para eles é natural e porque usam seu próprio poder. ---- explica.

–--- Marian ficou cansada quando se tele portou. ---- falo.

–--- Sim, alguns tem mais resistência que outros, assim como todo mundo, os Shadows tem que treinar suas habilidades, assim as desenvolvem mais e podem praticar sem se cansar fácil. Entendeu?

–--- Sim.

Ele sorri e vai até a beirada do prédio, sigo-o, mas antes de sentar dou um olhada para baixo, devemos estar a uns oitenta metros do chão.

–--- Tem medo de altura? ---- pergunta.

–--- Não mesmo, eu amo estar no alto, eu me sinto livre, como os pássaros. ---- respondo olhando o horizonte, agora tomado por vários raios solares.

Mesmo olhando para frente, consigo sentir o olhar de Austin sobre mim e quando o olho percebo que está sorrindo. Ele me lembra alguém, mas ainda não sei quem exatamente.

Sento-me na beirada ao lado dele que ainda me analisa. Eu não sei o porque ele tem essa mania, eu não gosto que as pessoas fiquem me olhando por mais de um minuto, eu realmente odeio isso. Depois de um tempo observando o nascer do sol pergunto sem encara-lo.

–--- O que foi?

Ele parece ser tirado de algum pensamento e demora um pouco para responder.

–--- O que? ---- pergunta confuso, mas o sorriso intacto.

–--- Você está me encarando a uns três minutos, por que?

Agora ele parece um pouco sem graça, mas seu sorriso não se abala.

–--- É que, você não é bem a pessoa que eu pensei que fosse, quer dizer, minha primeira impressão de você não foi muito boa e não tem nada a ver com a pessoa que eu estou conhecendo agora. ---- responde ainda sorrindo.

O observo, ele parece realmente feliz essa manhã, não sei se é por causa do jogo de ontem ou de qualquer outra coisa, mas com toda certeza não parece o garoto encolhido no corredor com quem conversei á pouco tempo atrás. Seu sorriso não sai do rosto nem por um minuto, seus olhos tem um aspecto diferente e agora, sem os hematomas, ele parece bem e feliz.

–--- Você também não é bem a pessoa que eu esperava ---- falo ainda encarando-o ---- mas, o que você tem hoje?

–--- Como assim? ---- pergunta confuso.

–--- Austin, você está sorrindo o tempo inteiro, parece extremamente feliz, não que isso seja ruim, mas, isso é por causa do jogo? ---- pergunto.

–--- Também. ---- responde agora sorrindo mais ---- foi legal ganhar dos Shadows.

–--- Então, se não é só por causa do jogo, o que tem mais? Ganhou na loteria? ---- pergunto sorrindo de lado.

–--- Não. ---- ele suspira e olha para frente, depois me olha novamente ---- digamos, que é apenas algo que eu percebi e estou um pouco animado, mas, mudando de assunto, Martin me pediu para levar você no cartório, para assinar sua certidão.

–--- Certidão?

–--- Sim, quando você nasceu e eles acharam que fosse uma de nós, foi feita uma certidão de nascimento e como seus pais não estão aqui para assinar, você tem que fazer isso. ---- responde observando o sol.

–--- Tudo bem. ---- falo e também observo o horizonte.

O vento noturno ainda nos envolve, mas o céu está começando a assumir um tom laranja. Austin me oferece uma das latas que trouxe. Balanço os pés enquanto sinto o vento frio, daqui de cima consigo ver toda a praça da escolha e ao lado esquerdo o jardim da frente do colégio. Observo novamente o chão, lá embaixo e me lembro de uma dúvida.

–--- Austin? ---- ele direciona o olhar para mim ---- todos os elementistas voam?

–--- Não, os Lutuns não tem essa habilidade, é muito provável que eles também não desejem ela, mas fora eles, sim, todos podemos voar. ---- responde.

–--- Hum.

Olho novamente para frente, mas ele continua me analisando, agora pensativo e depois de um curto tempo parece chegar a uma “conclusão” e sorri.

–--- As meninas me disseram que você foi de carro até o estádio.

–--- Bem, sim, a Valeri me deu carona, acho que esqueceram de um detalhe um pouco importante. ---- respondo sem olhá-lo.

Ele sorri novamente e termina de tomar seu refrigerante, coloca a latinha de lado e se levanta, observa o chão á oitenta metros de altura e depois estende a mão para mim.

–--- O que foi? Você não queria ver o nascer do sol? ---- pergunto sem segurar sua mão.

–--- Tenho uma ideia melhor. ---- responde com um sorriso travesso que desperta meu lado desconfiado ---- vem.

Ele insiste com a mão estendida. Coloco a lata de lado e seguro sua mão, ficando de pé.

–--- Fique bem na beirada. ---- fala.

–--- O que? Por que? ---- pergunto desconfiada.

–--- Você faz perguntas demais. ---- diz sorrindo ---- é só confiar. Fique na beirada.

O analiso por um tempo, por fim, vou até a beirada, o vento me desequilibrando. Austin ainda segura minha mão, ele vem para o meu lado e diz.

–--- Pula.

–--- O que? ---- pergunto incrédula.

Ele ri da minha expressão.

–--- Eu vou pular junto, não se preocupe. ---- fala apertando um pouco a minha mão ---- pula.

–--- Você está me pedindo para pular de um prédio, á oitenta metros de altura do chão e é pra eu não me preocupar?

–--- Você pensa demais. ---- diz ele e pula, me puxando junto.

Gritar. É a única coisa que eu faço, ou pelo menos tento, porque o ar entra pela minha boca, não deixando a voz sair. Austin parece se divertir com o vento ao seu redor e ri mais quando olha pra mim, ele ainda aperta firmemente minha mão.

–--- Para de se debater, assim nunca vai dar certo. ---- ele grita mais alto que o barulho do vento.

–--- O que você quer que eu faça, eu estou em queda livre a oitenta metros. ---- grito de volta, minha boca está extremamente seca, o que torna difícil falar.

–--- Na verdade, agora são setenta metros. ---- responde sorrindo.

–--- Cala a boca Austin. ---- grito mais alto.

–--- Thais, é sério, para de se debater. ---- diz rindo, eu paro de gritar e de me mexer, observo o chão se aproximando. ---- isso, agora fecha os olhos e deseje voar.

–--- O que? Austin, a gente vai morrer e você quer brincar de faz de conta?---- grito irritada.

–--- Não é faz de conta, eu não estou brincando, deseje que você possa voar, você precisa acreditar que isso é possível, peça isso e o ar vai te obedecer. ---- diz ele.

Ainda relutante , fecho os olhos e me concentro. Mesmo com dificuldade, consigo me imaginar voando e desejo aquilo como se fosse meu maior sonho, o que não deixa de ser um pouco verdade. Ainda com os olhos fechados e me esforçando para não lembrar que estou em queda livre, sinto o vento mudar, agora ele não atinge meu corpo em alta velocidade, é apenas uma brisa, como no alto do prédio.

Aos poucos, abro meus olhos e não vejo mais o chão se aproximar, ao contrário, ele está a uns quinze metros de mim ainda. Eu estou de barriga para baixo e o vento contorna meu corpo, é como se ele realmente estivesse me obedecendo, o que não duvido ser verdade.

–--- Fique em pé. ---- escuto a voz de Austin.

Levanto meus olhos e ele está parado voando na minha frente, para ele, estar daquele jeito parece incrivelmente natural.

–--- Como faço isso? ---- pergunto.

–--- Jogue as pernas para frente ao mesmo tempo que impulsiona as costas para trás, não muito forte, o vento está sustentando seu corpo e para ele você não passa de uma pena, por isso tem que ter cuidado para não fazer movimentos bruscos. ---- responde.

Olho novamente para baixo, devagar deixo minhas pernas retas no ar, depois faço o mesmo movimento que faria se estivesse levantando de uma calçada, com cuidado. Aos poucos meu corpo fica reto e eu fico “em pé” no ar.

–--- E ai? Gostou? ---- pergunta Austin.

–--- Sim, mas não precisava me derrubar de um prédio. ---- respondo.

–--- Se você tivesse que pegar impulso do chão seria mais difícil, precisa de mais técnica, mas com o tempo vai ser natural pra você, assim com é para todos. ---- diz ele ---- Agora, vamos descer, daqui a pouco todos vão acordar e não vai dar tempo de fugir do Max.

–--- O.k., só uma pergunta, como faz para descer? ---- pergunto.

–--- Você vai desejar descer, entenda, tudo o que você quiser fazer no ar, ele vai fazer por você. ---- responde ele.

–--- Pensei que só os Aires tinham o poder de controlar o ar. ---- digo.

–--- Sim, eles são os únicos capazes de fazer tornados, paredes de proteção gingantes apenas com o vento, os único capazes de transformar o ar em algo sólido como pedra. Mas voar, é uma habilidade dada por Karryceres para todos, tirando os Lutuns, mas, mesmo assim, nós não controlamos o ar, ele apenas nos obedece. ---- explica ---- agora, vamos.

Ele começa a descer devagar e quando percebe que não me movo, volta para o meu lado. Eu não sei o que fazer, também não quero despencar e morrer. Austin parece perceber isso, e segura minha mão mais uma vez.

–--- Apenas peça para descer, pense nas palavras como se estivesse pronunciando-as a uma pessoa. ---- diz ele.

Olho para baixo e depois para frente, peço para descer mentalmente e aperto forte a mão de Austin quando começo a me mexer. O ar circula meu corpo, mas ao contrario de quando estava caindo, agora ele é silencioso e seria imperceptível se não fosse pelo vento frio e gostoso.

–--- Thais, cuidado com a aterrissagem, ela é um pouco complicada. ---- diz Austin em algum lugar a minha direita.

–--- Como assim? ---- pergunto.

Não da tempo de ele responder, meus pés chegam ao chão forte demais e meu corpo é jogado para frente, me fazendo rolar algumas vezes no chão. Fico sentada na grama e só agora percebo que estou no jardim do colégio. Austin vem calmamente até mim e para na minha frente oferecendo a mão.

–--- Como vamos entrar de novo? ---- pergunto limpando minha roupa que está suja de grama.

–--- Vamos ter que entrar pela porta dos cozinheiros, não posso me tele portar de novo. ---- responde.

Seguimos para a parte de trás da cantina, onde tem uma pequena porta de ferro, incrivelmente silenciosa, diga-se de passagem. A cozinha está escura e não consigo ver muita coisa além de panelas. Voltamos pelos corredores em silêncio, tomando cuidado com os monitores, que devem ter começado a ronda.

–--- Então, você troca de roupa bem rápido e me encontra aqui, tem que ser antes de todos acordarem e cuidado com o monitor da sua ala, ele é muito chato. ---- diz Austin antes de subirmos as escadas.

Assinto e sigo para o dormitório. Dessa vez não me perco no corredor e chego rápido em meu quarto. Como está calor, pego um short jeans e uma camiseta branca, calço um all star azul e prendo meu cabelo em um coque deixando a franja solta. Depois de alguns minutos, confiro se não tem ninguém no corredor e saio do dormitório rapidamente.

Austin já está me esperando na sala. Agora ele esta com uma bermuda branca uma camiseta azul marinho de gola v e um tênis azul. O cabelo está bagunçado, não sei se de propósito, e está com um óculos de sol.

–--- Foi mais rápida do que eu esperava. ---- diz guardando o celular no bolso. ---- o Jack e a Mari vão pro centro também, mas a tarde, agora não sei o que eles vão fazer, mas já estão se arrumando pra fugir do Max.

–--- Ele sabe que vocês fogem dele? ---- pergunto sorrindo.

–--- Sim, ele sabe que é chato e que nós não queremos ir a palestra. ---- responde ---- vamos antes apareçam monitores.

***

O centro da cidade é lindo, com arquitetura de vários períodos da história humana. De alguma forma, mesmo ali tendo uma grande concentração de comércio e outras coisas que vemos em uma cidade grande, a arquitetura antiga da um ar calmo e aconchegante. Ela tem todas as lojas que vemos em um centro na terra, porém, aqui não tem cinema.

Passamos por diversas avenidas. Os parques são lindos e calmos, mesmo sendo quase sete e meia, já tem pessoas correndo, lendo e até dormindo na grama. Existem oito praças, cada uma em homenagem de um dos oito primeiros, sendo a do grande Fênix a maior, já que foi ele quem fundou Wirdgewt.

Ficamos um bom tempo andando nos parques e comemos em uma lanchonete italiana. Quando é quase meio dia, Austin me leva até o cartório, onde, ao assinar minha certidão, descubro que, aqui, meu nome inteiro é Thais Renning Windchest. Austin me explica que, para os elementistas, o nome tem um poder enorme, é capaz de nós atrair ao ser pronunciado completo e é cultura aqui, registrar todos com dois sobrenomes, por isso, a partir de agora, carrego também o sobrenome da minha mãe.

Depois de ficarmos mais um tempo nas praças, vamos até a biblioteca histórica – que segundo Austin, guarda toda a história Elementista –, ela é enorme, com a entrada no estilo Partenon. Com certeza essa é maior biblioteca que eu já vi na vida, lances e lances de escadas levam aos andares superiores. Centenas de estantes nos cercam, cada corredor, cada parede, tudo tomado por livros.

No final do salão principal tem uma mesa, sentado atrás dela tem um senhor que parece estar concentrado em um livro enorme.

–--- Aquele é Loni Hardo, ele é bibliotecário aqui a mais anos que eu consigo contar. ---- Austin sussurra próximo ao meu ouvido. ---- O que você quer ver primeiro?

–--- Não sei, qualquer coisa que eu ainda não saiba, o que é bem fácil de achar na verdade. ---- respondo e ele sorri.

Seguimos por entre alguns corredores do primeiro piso. Os livros são enormes e não negam suas idade. Folho alguns livros enquanto Austin me explica de forma básica como fomos criados, mas deixo de prestar atenção quando paro em um folha com uma imagem idêntica do monstro que invadiu o colégio.

O nome do capítulo é “ A Praga Mitonsônica” e logo abaixo estão as características deles, mas o que me chama atenção é uma pequena abertura no papel e percebo que essa folha em particular é grossa como papelão. Observo a abertura e vejo que ela não é exatamente uma abertura, mas sim um parte mal colada da página e ao puxá-la, a página sai facilmente, como se tivesse sido tirada muitas vezes.

–--- Austin. ---- chamo-o ao ver o que tem por baixo da página.

–--- Que foi? ---- pergunta ele ainda de costas.

–--- O que é isso?

Ele se vira e vem até mim, pega a folha que está dobrada dentro pequeno espaço que tinha embaixo da página. Ele desdobra e franzi as sobrancelhas para logo depois arregalar os olhos.

–--- O que foi? ---- pergunto.

–--- Isso é o mapa da cidade. ---- responde nervoso.

–--- O que que tem? Devem existir milhares de copias como essa. ---- digo sem entender.

–--- Talvez milhares de cópias do mapa original, mas esse tem o brasão de uma equipe, mais especificamente, a equipe do Ethan. ---- responde atônito ---- Esse é um dos mapas que a equipe dele está usando na missão do Alasca, para encontrar o cativeiro dos Mitons. Esse mapa é confidencial, só o líder da cidade e o líder da equipe o tem, o que ele está fazendo aqui é a grande pergunta.

–--- Então, esse mapa estar aqui significa problemas?

–--- Sim, significa que alguém o pegou da sala dos comandantes, isso não é algo dentro da lei e muito menos bom para a cidade, se isso cair em mãos erradas podem acontecer danos irreversíveis. ---- responde ele ainda analisando o mapa.

Penso em suas palavras e automaticamente chego a uma conclusão nada boa. Austin estuda o mapa como se sua vida dependesse daquilo.

–--- Austin ---- chamo sua atenção pra mim ---- é possível que alguém tenha escondido isso aqui para que outra pessoa pegar?

Ele não responde, está pensando eu acho, sua mente parece estar trabalhando a cem por hora. Ele parece não ter cogitado essa ideia antes, mas agora estuda-a de todas as formas em sua cabeça.

–--- Faz sentido. ---- diz por fim e depois me olha sério ---- mas se for isso, a hipótese do Max, de que alguém está ajudando os monstros, pode ser verdadeira e ai sim nós temos um grande problema.

Notas finais
Pessoas... Eu queria falar sobre a próxima postagem, como eu não vou estar em casa no dia 31, se der eu vou postar no dia 30, se não der eu vou postar apenas quando eu voltar, que é no dia 5 de Janeiro. O.k., é isso, eu espero que gostem e como eu disse antes, eu gosto de ler comentários. Beijos e até a próxima postagem.