Os Holmes eram uma boa família... Um pouco excêntrica, talvez, mas uma boa família, de qualquer maneira, e Sherlock Holmes sabia disso. Seu pai era o mais novo dos irmãos Holmes, sendo o mais velho Siger Holmes e, a do meio, Octavia Holmes. Sherlock acreditava que seu pai era, dos três, o mais sem graça: não tinha nenhum dos traços excêntricos da família e só havia conseguido herdar a severidade e quietude de seu avô. Enquanto isso, Siger mantinha uma casa enorme no interior da Inglaterra, cheia de objetos estranhos e livros raros, os quais ele colecionava, e Octavia viajava pelo mundo sem ter a preocupação de se fixar em um ponto específico.

A família de seu tio era a sua favorita. O Sr. Holmes havia se casado com uma jovem artista tão excêntrica quanto o resto da família Holmes, Violet Sherrinford, uma amiga de sua própria mãe, e os dois haviam tido dois filhos. O mais novo sempre fora o maior ídolo de Sherlock. Desde pequeno, o garoto era fascinado pelo primo – que, apesar de ser o mais novo dos filhos de Siger, era três anos mais velho que ele – e sempre ficava terrivelmente animado para visitar os tios e ter a oportunidade de interagir com o menino magricela que vivia com os joelhos das calças sujas de tanto ficar ajoelhado no chão e com os cabelos escuros sempre em uma completa bagunça. Seu outro primo, na sua opininão, não era muito interessante: estava sempre sentado na biblioteca da casa dos Holmes, lendo, ou parado junto aos adultos, tentando parecer, ele mesmo, alguém com muito mais idade do que realmente tinha.

De qualquer maneira, apesar do fascínio que tinha por seu primo, Sherlock nunca conseguira se aproximar muito dele. O outro era frio e alheio ao mundo ao redor de si, o que, de acordo com sua tia, era normal dele e não algo restrito à sua presença. Com frieza ou não, o garoto sempre fora muito influenciado pelo que o filho mais novo de seus tios fazia: se seu primo decidia que queria ser um pirata, ele também decidia ser a mesma coisa; se o outro decidia ler sobre investigação criminal, ele também leria sobre isso; se ele decidisse, da noite para o dia, virar um detetive, Sherlock também o faria.

E foi com essa mania de deixar-se levar pelo primo mais velho que Sherlock Holmes acabou virando quem virou. Quando o outro Holmes começou, realmente, a trabalhar como um tipo de detetive particular, ele fez a mesma coisa; quando o outro começou a se isolar do mundo, ele fez o mesmo; quando o mais velho decidiu que a cocaína seria uma boa saída para o seu tédio, Sherlock decidiu que também seria bom para ele...

Bom, foi nesse ponto que seu pai decidiu intervir. Quando encontrou o filho com um vasto estoque de cocaína, Magnus Holmes decretou que ele não apenas iria para algum tipo de programa de reabilitação, mas também iria para fora do país, para longe de seu primo, para longe dos Holmes em geral. Acabou parando na América, em Nova York, inscrito em um extenso programa de reabilitação e tendo que conviver com todos aqueles americanos com seus sotaques esquisitos. Mas, uma coisa boa veio com isso: um trabalho um pouco mais decente do que o que tinha na Inglaterra. Ali ele poderia ser Sherlock Holmes, o detetive consultor que ele tanto queria ser, poderia realmente dar iniciativa à sua carreira para, quando voltasse para casa, pudesse usar do seu nome para ser conhecido.

Sherlock tinha que admitir que, quando visse seu pai novamente, teria que agradecê-lo pela chance que ele lhe dera e a qual pensara ser mais um enorme castigo para o filho. Estava tudo indo muito bem, obrigado... Bom, talvez a sua prisão por destruir um carro e algumas outras coisinhas aqui e alí não fosse considerada uma coisa “boa”, mas, ainda assim, era melhor do que ficar indo de bairro em bairro, em Londres, procurando um trabalho como detetive e sendo recusado por acharem que ele era uma fraude ou coisa parecida.

Infelizmente, quando finalmente entrou em contato com Magnus Holmes novamente, não fora na melhor das situações. Ele havia acabado de ser liberado de uma retenção temporária em uma delegacia por alguma pequena injúria inflingida contra um policial rude e ainda estava com uma bela dor de cabeça – sem mencionar a enorme vontade de usar a cocaína novamente – quando sua médica – “Médica não,” ela dizia. “Não sou mais médica.”— gritou para que ele atendesse o telefone, pois seu pai estava estava na linha e queria falar com ele o mais rápido possível.

Ele voltou para a Inglaterra depois do telefonema, afinal, não havia como ele não voltar para lá depois da notícia que recebera... Seu primo, o rapaz magro e esquisito o qual tanto admirava, morrera. Seu primo, o Holmes que carregava todos os traços da família desde a aparência até as excentricidades, havia cometido suicídio. Seu primo, o homem com o qual ele dividia o nome por conta de algum acaso do destino – na realidade, isso se devia ao fato de sua mãe ter adorado o nome que sua amiga, Violet, havia dado ao seu filho -, havia se jogado do terraço do Hospital St. Bartholomew's em Londres.

Seu primo, Sherlock Holmes – não... Ele era o Sherlock Holmes — , estava morto.

Notas finais
Então, é, é assim que eu vejo a série da CBS: o Sherlock de lá é, na verdade, um primo do Sherlock que seria fascinado por ele e etc etc, fazendo tudo o que el fazia e bla bla bla, como ta descrito na fic. Ignorem isso, se quiserem, whatever.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!