Elemental Four
5 Caleb
Notas iniciais

Caleb estava, como sempre, esperando no portão da escola. Não sairia dali até que Billy chegasse. Billy falou por telefone que vinha com um amigo por que o carro tinha quebrado, mas quando ele chegou na escola em um porsche, Caleb quase não acreditou que era seu namorado ali.
Antes de ir em direção ao carro, Caleb arrumou os cabelos – sempre penteados para cima – e se olhou no espelho, admirando a própria perfeição, do rosto angular até os olhos verdes.
– O que fizeram para conseguir isso? – perguntou ironicamente, enquanto abria a porta do passageiro para o namorado sair. – Arrombaram um banco?
– Não duvido que meu pai tenha feito isso. – Quem falou foi Conan, saindo do lado do motorista no carro.
Conan sempre foi muito bom para Caleb. Principalmente quando Caleb e Billy se assumiram diante de toda a escola. Quando o time de Basquete de BeyView inteiro os olhou com cara feia, Conan só os olhou com afeto e orgulho. Foi Conan que falou com todo o time sobre isso, foi ele que fez o time aceitar Billy de volta. Conan também conversou com o pessoal que fazia teatro, que também aceitaram Caleb. Desde então eles eram tipo um trio.
– Ah, qual é, cara. Seu pai acaba de te dar um carro e você só reclama. – disse Billy, saindo do carro e dando um beijinho no namorado.
– Ele não me deu um carro. Ele me deu um motivo pra dever algo a ele.
– Você sempre diz isso quando ele te dá algo, e isso nunca aconteceu. – falou Caleb, apressando o paço para acompanhar os dois atletas, que iam em direção à tela.
– Por que eu sempre devolvo.
Billy fez menção de falar algo, mas preferiu não discutir.
O sinal tocou bem a tempo de Caleb entrar para a aula de português, mas quando tocou a maçaneta da porta, ele desmaiou. Sem motivo nenhum, apenas sentiu-se tonto e caiu.
Ele agora estava em uma sala. De algum prédio empresarial, deduziu, pela formalidade do local. Em uma cadeira, na ponta de uma mesa grande, estava um garoto de mais ou menos a sua idade, na outra ponta estava um homem mais velho e comportado. O garoto estava com roupas casuais, tinha cabelo tingido branco e azul, olhos que pareciam um abismo de tão escuros, com óculos que se acentuavam perfeitamente em seu rosto.
Aquele menino era lindo, porém Caleb não sentiu nenhuma atração por ele. Nem nunca mais sentiu por ninguém desde Billy.
– Eles querem matar você, não percebeu? Desde que descobriram o que você pode fazer, estão te caçando. – choramingou o homem de terno. – Meu filho, você tem que se proteger, você é o quarto elemento, os outros três já morreram, você vai ser o próximo.
– Por que o quinto elemento matou os outros três? Quem é o quinto elemento a final? – Caleb tentou falar, na verdade ele pensou essas exatas palavras e elas saíram pela boca do garoto.
– Eu não sei a resposta para nenhuma dessas perguntas. Mas quando eu tinha a sua idade e o Quinto Elemento tentou me matar, me pai me contou uma história.
– Qual?
– Que quando a terra foi criada, Deus criou os quatro elementos que compunham a toda a natureza, mas o quinto elemento foi criado sorrateiramente por um dos anjos. O mesmo anjo que criou o Quinto Elemento, foi punido por Deus, então, como uma forma de revolta, ele jogou um feitiço em cinco pessoas, fazendo-as controlarem os cinco elementos. Por coincidência, quatro dos cinco escolheram morrer, passando seus poderes para outras pessoas dignas. Quando Deus viu que o quinto não tinha morrido, tentou matá-lo, mas quando ele estava à beira da morte, ele se curou. Deus descobriu que o Quinto elemento é imortal. E meu pai disse que ele pode viver até hoje.
– Então, quando uma geração desse bagulho morre, outra vai começar? Que negócio louco. – o menino franziu o cenho.
– Se uma pessoa escolher morrer, seus poderem passaram para outras pessoas que estão nascendo na hora da sua morte.
– Como seu pai sabia disso?
– Ele passou anos pesquisando e buscando curas para mim, assim como eu faço com você, filho. Você controla a terra. Uma pessoa que controla o fogo morreu queimada, eu vi no jornal, uma que controla a água morreu afogada e uma que controla o vento morreu com falta de ar.
– Então como eu vou morrer? Com uma pedrada na cabeça? E quando?
– Não sei, mas se o Quinto Elemento está tentando matar todos nós, deve haver um motivo, e se o próximo elemento é a terra, algum controlador da terra vai morrer logo, então é melhor prevenir.
– Isso está Avatar de mais pro meu gosto. Eu não quero morrer, pai. – falou, uma lágrima caindo de seu rosto.
Quando seu pai se levantou para abraça-lo, ele também se levantou, mas apenas moveu o braço e uma parede nova se formou no escritório, cortando os dois.
Foi aí que Caleb acordou de verdade, na enfermaria da escola. Ele estava sozinho. Lembrou-se do pai, lembrou-se do filho, lembrou-se de como o menino fez uma parede se mover, lembrou-se de tudo.
Caleb pensou por que ele havia visto aquilo? Provavelmente eram dois drogados conversando bosta. Mas talvez, mesmo que fosse loucura, ele pudesse ser um daqueles cinco.
Talvez ele devesse tentar fogo. Tentou fazer a cortina queimar só com a mente. Nada.
Talvez ele devesse tentar água. Imaginou o copo de água ao seu lado se mexendo. Nada.
Talvez vento fosse o certo. Imaginou vento quebrando a janela. Não.
Talvez terra. Imaginou, como o menino, uma nova parede aparecendo na sala. Nada.
Ele já estava irritado. Estava agindo igual a um idiota. Mas, foi aí que ele viu o chão se rachando.
Talvez fosse uma alucinação. Talvez, e só talvez, o homem de terno estava certo.
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