Notas iniciais
Agora sim as coisas começam a ficar mais interessantes na fic: Nesse capítulo em diante, vai começar a ficar mais legal! Espero que vocês estejam gostando! ^^

Kiara, nos dias seguintes, andava cabisbaixa (e por algum motivo, não houve problemas nos dias seguintes). Passava o dia inteiro acompanhando as tarefas de Matiloa, mas sem dizer uma palavra. Matiloa arriscou uma conversa:

– O que houve Kiara? Não diz nada deste a semana passada.

–... É por que... Falhei duas vezes! ... Quase fui derrotada... E não consegui salvar... Nem minha amiga... !

Matiloa queria dar um jeito de relevar sua autoestima: Se fosse assim, poderia acabar que nem quando foi selada; Bastava apenas um “jogo de palavras” e ela se renderia. Matiloa pediu para que ela voltasse ao quarto, pois queria fazer algo a sós. Kiara fez o que ela disse e voltou ao seu quarto, se sentando na cama e pensando... Na Ruth... E em seguida, no grupo... Nos outros que ainda estão perdidos... Matiloa estava certa: Ainda havia uma chance de ela retornar, mas precisava da ajuda dos outros para isso.

Ela nem havia notado o tempo passar: Pensou tanto que se passaram horas, mas horas de pensamentos frutíferos, bons. Quando menos percebia, Matiloa voltou ao quarto, pedindo um minuto. Kiara levantou um sorriso para com ela. Matiloa não esperava aquela reação... Mas começou:

–... Kiara... Quero te dizer... Que consegui localizar aonde Pepper se encontra!

Kiara sentiu um pingo de esperança aumentar em si: Pepper era um jovem alto, negro e magro, de cabelos brancos curtos e bagunçados, tendo o olho esquerdo enfaixado por motivos desconhecidos e, apesar de viver em uma área tipicamente fria, usava apenas um cachecol branco fino, um casaco azul aberto, mostrando o peitoral, calças e botas. Era um excelente arqueiro e usava adagas para lutar quando era preciso e servia como ótimo mensageiro para o grupo. Ela disse:

– Onde ele está, Mati?

– Er, eis o problema... Ele parece que está preso no topo do Monte Raposa...

– O que? – Ela quase gritou, espantada.

O Monte Raposa era a mais alta montanha de Ossíria (NDA: mas nada comparado ao Everest na Terra). Além de Kori ser uma cidade (naturalmente) com neve o ano todo, a montanha era um desafio para os alpinistas que ousavam alcançar o topo, mas nenhum conseguiu alcançar. Muitos dizem que a montanha é assombrada por espíritos de antigas guerras (Para os imortais, ela é assombrada pelo espírito de Pepper, que diziam estar morto). Kiara sabia que era arriscado, mas disse:

– Posso tentar procurá-lo!

Matiloa ficou ainda mais supresa: Apenas um momento a sós e já havia recuperado a autoestima? Ela não sabia se deixava ir ou não, pois era arriscado (mesmo que a ferida em sua cintura tivesse melhorado). Matiloa disse:

– Por favor... Seja mais cuidadosa desta vez...

– Prometo!

- Promete? – Matiloa perguntou, dando ênfase à palavra.

-... Prometo!

***

Quando Kiara começou a voar perto da Montanha Raposa, foi pega de surpresa por uma enorme nevasca, que a forçou a pousar. Tremendo de frio, ela usou uma magia de troca de equipamentos e a roupa, que antes era uma saia longa com uma bifuração na frente e uma blusa curta com as mangas caídas, se transformaram em uma calça longa e um casaco para neve com um capuz, adaptado para suas orelhas de gato. Matiloa falou no comunicador:

– O que houve? Algo errado? Vi seu ponto de encontro pousando na montanha!

–... Apenas um pouco de neve: Vou tentar subir a pé!

“Quanta persistência!”, Matiloa pensou, levantando um sorriso otimista. Kiara continuou subindo a pé até o topo da montanha, o que tomou boa parte do seu tempo. Assim que chegou lá, viu uma cratera no lugar do topo, sem ter um traço de neve o da nevasca, mas parecia algo revente. “O que aconteceu aqui?”, pensava Kiara, adentrando no imenso buraco. Alguns segundos depois, ela ouviu Matiloa gritando no comunicador, apavorada:

– Kiara, saí daí! É uma armadilha!

– O qu--

Antes que ela pudesse ao menos entender o que Matiloa disse, sentiu alguém dando um forte golpe contra o rosto dela: Pela força do impacto, podia-se julgar forte... Muito forte. Ela saiu rolando na cratera, levantando poeira. Enquanto estava caída, ouviu um riso familiar e em seguida, um rapaz falando:

– Aaaah, Kiara! Tão ingênua...

Ela havia reconhecido a voz logo de cara. Assim que a nuvem de poeira abaixou, ela se levantou, sentindo sua boca sangrar e viu o que pensara: Soul. De novo. Em sua frente. Mas não só ele: Pepper e Ruth estavam com ele, também possuídos da mesma energia (Pepper é um jovem negro de estatura alta e porte mediano, com cabelos acinzentados e olhos roxos. Suas roupas são um casaco azul claro, com o zíper aberto e sem nenhuma blusa, mostrando o tórax, usando um cachecol surrado branco (quase amarelado pelo desgaste), uma calça azul escura também surrada e botas apropriadas para neve). Soul continuou o diálogo, com um sorriso sádico:

– Pelo visto não quis ficar comigo desta vez: Qual é o problema?

Kiara o encarou impaciente, num tom rude que somente ela poderia ter, fazendo com que ninguém aguentasse a seriedade:

– Você é o problema! Está destruindo ao nosso mundo com sua energia fora de controle!

– Minha energia? Nosso mundo? – Ele riu, dando ênfase a qualquer palavra na primeira pessoa. — Achava que aquela maga velhota nunca conseguiria descobrir, mas meus parabéns... – Ele terminou batendo palmas.

– Soul, pare já com essa loucura! O poder está subindo sua cabeça! Ainda posso te regenerar!

– Ahhh, Kiara... Não consegue ver? Nosso mundo está condenado: Só os fortes sobreviverão!

Kiara pausou, gaguejando:

– C-Condenado?

Antes mesmo de ela pensar no que ele quis dizer, o rapaz agarrou Kiara de maneira baixa, quase encostando os lábios no rosto dela e sussurrou:

– Mas ainda posso se salvar... Gatinha.

Kiara se sacudiu até conseguir se soltar dos braços de Soul e disse:

– Não! Está louco? Deixar Xaia e toda Ossíria de mão para... sabe-se lá o que?

Soul pausou e seu sorriso foi de desfazendo até mostrar um rosto irado e disse:

– Então... Não me deixa escolha...

Os ex-colegas dela prepararam suas armas, apontando a ela e, num estalar de dedos, começaram a atirar contra Kiara. Ela levantou voo, ainda sentindo dores. Tentava se esquivar de todo jeito: Defendia, rebatia, lançava magias... Soul perdia cada vez mais a paciência ao vê-la sair-se bem. Chegou uma hora em que ele gritou:

– Cessem fogo!

Ele retirou a longa e grossa espada, agora consertada, que estava preso a uma bainha pendurada em suas costas e terminou:

-... Eu mesmo dou conta disso!

Soul resolveu enfrentar Kiara de uma vez: Ele saltou, abrindo suas asas draconianas e levantando voo atrás de Kiara. Ela tentava voar para longe dele (ás vezes parando lançar magias nele), mas ele parecia ter ficado mais rápido. Dando um impulso com a espada, derrubou ela no chão novamente, que caiu abrindo mais um buraco dentro da cratera. Kiara se sentiu toda dolorida e ferida daquela vez. Soul pousou e disse, olhando-a deitada:

– Te dou mais uma chance... Que tal vir comigo e sua dor acabar?

Kiara preferiu não responder, caída no chão. Soul esperou alguns segundos e suspirou:

– Que pena... Você seria uma maga valiosa...

Ele levantou a espada contra o coração de Kiara, pronto para matá-la, mas antes mesmo de soltar a espada contra ela, ele ouviu e sentiu tiros atravessando seu braço, fazendo-o cair de joelhos, com a mão no braço e soltando a espada ao lado de Kiara. Ela olha a grossa espada fincada no chão e olha para a frente, após ela: Mais uma silhueta familiar. O rapaz da silhueta disse se aproximando:

– Largue ela, Soul!

Kiara logo conseguiu reconhecer a silhueta familiar: Era Vinícius (também apelidado por Vy), o protetor de Kiru. O que ele fazia tão longe de sua cidade? Vy botou a velha pistola de volta na cintura e começa a falar com Soul:

– O que ela fez para receber tantos ataques ao mesmo tempo? Parece até que ela foi condenada a morte!

– Claro: Ela é a traidora do grupo! Mentiu para nós para ficar com o tesouro só para ela! Se não fossem as milícias atrás dela, Kiara teria se safado com o tesouro e a imortalidade!

– Esqueça aquele tesouro! Ele só trouxe desgraças ao nosso grupo! E não adianta me enganar com suas mentiras! Sabia que você era o idiota em que nunca devíamos ter confiado! – Vinícius gritava, estressado.

Soul perdeu completamente a paciência e, arrancando a espada do chão com violência, avançou contra ele. Vy sacou duas pistolas e deu um salto para trás, tentando se esquivar. Soul continuou com uma série de impulsos para cima dele, que atirava para cima dele (na maioria das vezes, errando ou acertando de raspão). Kiara tentou se levantar, mas Pepper e Ruth estavam de olho nela e Pepper logo tratou de apontar seu arco em seu rosto. Kiara agarrou seu cajado e se levantou, demonstrando ousadia.

– Ô peste! – O arqueiro resmungou.

– Vamos dar logo um jeito nela por Soul: Parece que Vy está tão desiludido quanto ela! – Disse Ruth.

Os dois se armaram e começaram a atirar em Kiara, que só teve tempo para montar um campo protetor ao seu redor. Vinícius, vendo que Kiara havia se levantando de novo, resolveu acabar logo com a confusão: Armou seu automail (prótese mecânica) e socou Soul no estômago, que caiu ajoelhado. Ele riu e disse:

– O que achou dessa belezinha? – Ele chacoalhou o automail. — É isso que dá mexer com armas: Você pode até ser ela!

Logo em seguida, ele pegou as suas pistolas da cintura e começou a atirar, mas não em Soul: Atirou nas armas de Pepper e Ruth, que foram danificadas (além dele ter acertado os dois, forçando-os a largarem as armas). Após ver as armas caindo no chão, Vy gritou:

– Kiara, agora!

Kiara, com suas energias quase esgotadas, usou tudo que tinha para tentar sugar a energia corrompida local: Pepper, Soul e Ruth tentaram tapar os olhos da luz das energias. Soul gritou, rangendo os dentes:

– Vamos sair daqui!

O clarão púrpuro que se formava da energia acumulada fazia Kiara gritar de dor, mas fez com que os três guerreiros saíssem em retirada. Após aquilo, Kiara regenerou o que tinha acumulado e caiu zonza: Era muita energia para uma pessoa só curar. Vy veio andando até ela e, se ajoelhando na altura dela, levantou a mão normal dizendo:

– Se importa?

Kiara olhou para ele sorrindo e pegou na mão, se levantando com dificuldade e se apoiando no cajado. Ela disse:

- Que bom que ainda está são e salvo...

– É... Parece que ele bateu com a cabeça de novo.

Kiara ri da piada e continua a conversa:

– Como você sabia de tudo? Onde estava esse tempo todo? E como chegou aqui tão rápido?

– Wow, uma resposta de cada vez, mas todas se encaixam: Eu fui banido de Kiru, mas não exatamente “fugi”: Eu abri um abrigo subterrâneo no subsolo da cidade — mas de maneira que não afetasse a estrutura dela, claro – E vivi por lá pelos últimos... Ahn... Quanto tempo já se passou?

–... Uns 500 anos.

– Casetada! Nem pareceu! – Disse ele, boquiaberto.

– É né? – Kiara corou.

–... Er... Mas enfim: Lá, remontei meu arsenal e fiquei de olho em qualquer tipo de movimentação energética do grupo. Quando senti a movimentação da energia de Soul, assim, tão forte, logo suspeitei que o selo dele talvez tivesse se arrebentado e fui me atentando mais as movimentações, até sentir a sua, a da Ruth e a do Pepper... Mas parece que essa energia consegue se propagar agora...

Kiara pausou por um instante e disse:

– Mas eu também venho atrás de descobrir porque o surto energético de Soul...

Ela olhou o rapaz dizendo:

–... Então... Você quer me ajudar?

Vy olhou para ela, fazendo um olhar sério. Ele simplesmente pôs a mão (a do automail, especificamente) no ombro dela e disse:

– Mesmo que quisesse voltar... Mas eu quero trabalhar sozinho agora, Kiara...

Ele saiu andando, deixando Kiara para trás, decepcionada. Ela ficou parada, o vendo partir. Naquele momento, ela chorou, em silêncio; as lágrimas da decepção escorrendo pelo rosto branco e caindo no chão discreta e silenciosamente... Era aquilo: Sozinha de novo?