Elemental 6 - A Luz Contra As Trevas
15 Adeus, Matiloa
Notas iniciais
Enfim, espero que desfrutem deste tocante capítulo e espero ao menos arrancar alguma lágrima de seu rosto até o fim da fanfiction.
Enquanto o luto recobria Xaia, quase desolada pela feroz luta entre o grupo, Matiloa observava a cena do templo, pela tela do computador do QG: Ao ver a menina que considerava como filha, morrer nos braços do rapaz em que a maior parte de sua vida depositou sua confiança, foi de partir o coração e a alma. Desabando em um choro desesperado, ela fez um pedido entre soluços e suspiros; queria apenas que sua filha voltasse à vida, até que uma iluminação em sua mente. Quase como susto: Algo que a assustou... Mas que seria a única alternativa naquele momento.
***
“É assim, que tudo acaba...?”
...
“Não, minha filha: Ainda tens mais uma chance!”
“M-mãe?”
“É melhor você voltar... Irei ficar em seu lugar...”
“Não... Mãe!”
“Adeus...”
“Mãe!”
***
Todos do grupo que estavam ali vendo a cena (Porém, Sybria ainda estava desacordada ainda em algum lugar longe do grupo), se espantaram ao ver o que tinha acontecido minutos depois: O corpo desfalecido de Kiara ficou envolto por uma forte luz azul que foi aumentando cada vez mais, enquanto a mesma regenerava até a mais profunda das feridas da menina... Até mesmo, o rombo criado pela espada de Soul em seu coração. Assim que seu corpo estava completamente curado, a luz se desfez em pó, que foi levada pelo vento. Enquanto a chuva caía, todos olhavam pasmos para aquela cena, até que viram o que acreditavam imaginar: Kiara abriu os olhos devagar, como se tivesse acabado de despertar de um leve sono, quase como um bebê. Ela olhou para Soul, que a segurava com um olhar de quem ainda não acreditara no que acabou de ver. Vendo o rapaz, a maga levantou um leve sorriso, ainda com um olhar sonolento. Os amigos que olhavam tudo de longe correram na direção dos dois, com gritos de alegria, comemorando o fato de que o grupo agora estava novamente unido. O guarda olhava tudo de longe, com um sorriso de alívio. As labaredas já não mais existiam na cidade, mas a chuva torrencial ainda caía. Distante dali, ele viu Sybria correndo atrás dos amigos, até que parou ao lado do guarda e viu o grupo amontoado, comemorando. Ela olhou para ele e perguntou, com um sorriso:
- É o que eu estou pensando?
Ele sorriu de volta e disse:
-... Sim: Um milagre.
***
Todos estavam contentes com a vitória atual: Agora, o grupo estava novamente reunido contra aquela batalha que logo teriam. Com Kiara no colo de Soul e ambas Sybria e Ruth sendo levadas por Vy e Pepper (já que elas não tinham asas), todos voltavam para o templo, seguindo o caminho que parecia ter sempre chuva, mas ninguém se incomodava com ela.
- Me... Me desculpa... – Dizia Kiara baixinho, apenas para Soul escutar. Ela já estava quase dormindo novamente nos braços dele.
- Não se preocupe. Por enquanto, tudo acabou.
- Por enquanto... – Enfatizou Pepper, cerrando olhar para a silhueta do templo que já não era mais distante.
Assim que chegaram, não houve exatamente a recepção que esperavam: Ao invés da boa maga feliz e recebendo-os de braços abertos, mesmo debaixo da chuva torrencial, veio Poon-Chan, debaixo de um guarda-chuva, atrás deles alegremente.
- Irmãzinha! Você conseguiu?
- Nós conseguimos Poon-Chan! – Sybria respondeu dando ênfase no “Nós”, enquanto a recebia com um abraço, fazendo a garotinha largar o guarda-chuva.
- Hm... Quem é ela? – Perguntou Soul discretamente para Ruth.
- O nome dela é Poon-Chan e ela era uma órfã de Xiao-Mei. Sybria a encontrou machucada e suja na rua um dia e com o coração tocado, adotou ela. Por algum motivo e por mais estranho que pareça, tenho que concordar que essa menininha parece sempre trazer boas vibrações para a gente!
Assim que as duas irmãs se separaram daquele caloroso abraço, Sybria olhou rapidamente ao redor do templo e perguntou:
- Onde Está Matiloa?
- Lá dentro naquela cabine escondida pelas nuvens! – Poon-Chan respondeu apontando para o local.
- Por que não ficou com ela... Ou avisou que estávamos chegando?
- “Eu tô pequena!” Eu não alcanço a porta! – Respondeu a garotinha, sacolejando os braços enquanto fazia menção da altura. Aquela cena fez todos darem risada.
- Ok: Vou ver Matiloa lá dentro com “Vy-Vy”! Ruth, você pode acompanhar o Soul até os quartos e tentar dar um jeito nas... Feridas dele? – Perguntou Sybria, pausando para abafar a última frase com uma tosse discreta.
-... Claro que sim! – A pirata respondeu rindo.
Logo, cada um se separou entre os dois caminhos. Pepper resolveu seguir Kiara, Soul e Ruth até os quartos, sem dizer uma palavra, mas calmo como de seu costume, enquanto Sybria e Vinícius foram ver Matiloa dentro do “QG”. Quando abriram a porta atrás das nuvens, não encontraram nada no local; acharam até que Poon-Chan tivesse se enganado, mas Sybria sabia que ela não era de se enganar ou de se mentir e pediu para que o irmão olhasse mais afundo no local, até que chegou ao fundo da fossa, mas não haviam encontrado nada: Matiloa parecia ter simplesmente desaparecido do templo. Assim que ele voltou para cima, começou a falar com Sybria:
- Ela não está lá embaixo... E de onde tirou a ideia que ela poderia lá embaixo?
-... Eu estou com um mau pressentimento...
***
“Filha... Eu adoraria ficar mais tempo com você... Mas meu tempo neste mundo acabou...”
“Mas-- Mamãe...”
“Eu prometo que sempre vou te olhar lá de cima... Assim como te olhava enquanto estava naquele orfanato...”
“Eu vou... Voltar a vê-la?”
“Quem sabe, um dia...”
***
Assim que Kiara havia acordado, ela já estava em sua cama, enrolada no seu lençol. A maga olhou para os lados e viu, logo na sua frente, Ruth tentando tratar dos ferimentos de Soul; Ela sabia dominar a água, que ajuda a curar ferimentos a depender da magia e do uso (mas isso não quer dizer que ela dispensa o uso de remédios, ataduras e outros, em um momento desses), e ao lado estava Pepper, com uma expressão séria e fixada no cavaleiro, mas nenhum sinal de Matiloa. Ela fixou o olhar no arqueiro e chamou por ele, baixinho:
- Pepper.
Ele quase nem notou, mas teve o “pressentimento” de que ela havia o chamado pelo seu nome e olhou para a maga, que estava acordada naquele momento. Pepper se aproximou da garota e perguntou:
- Me chamou?
- Sim... Aconteceu alguma coisa, né?... Matiloa foi embora...
Ele quase se espantou ao ouvir Kiara dizer aquilo, mas não demonstrou fisicamente: Fazia apenas alguns minutos deste que Vinícius e Sybria deram a notícia ao grupo de que ela havia desaparecido e ela nem havia escutado.
- Você... Teve alguma visão, enquanto dormia? – Pepper perguntou, levantando uma sobrancelha.
- Tive... Mas também... Queria não ter... – Ela respondeu, quase chorando.
No instante em que Kiara estava falando com Pepper, Ruth e Soul prestavam atenção nos dois (mas era difícil ouvir direito o que Kiara dizia, já que ela estava em um tom bem cansado), mas assim que a maga falou sobre uma possível visão, os dois voltaram o olhar para ela, sendo que Ruth perguntou:
- O que... Sem querer interromper, o que você viu?
Kiara segurou o choro ao se lembrar do que viu em seu sonho, dizendo devagar:
- Ela... Se sacri--... Sacrificou... Por mim...
Os três pausaram ao ouvir aquilo: Agora tudo fazia sentido. Para que uma vida volte após a morte, era necessária outra ficar em seu lugar, não importa o que fosse. Matiloa tinha feito aquela escolha apenas para salvar a garota que considerava como uma filha única, que nunca teve a oportunidade de realmente ter. Mais uma vez, o luto recobriu o grupo: Seja como fosse, Matiloa havia ajudado o grupo até agora e terminou sua vida ajudando eles. Todos sentiam como se tivessem em débito com ela, ainda mais Kiara, que foi o motivo pelo seu sacrifício. Ninguém sabia ao certo como continuar a batalha em que, em breve, se encontrariam.
-... Bem... Devemos fazer uma coisa então... – Disse Soul se levantando, assim revelando as ataduras presas no tórax e nos braços.
-... O que? – Perguntou Kiara.
- Dar um fim nisso, é claro! Devemos derrotar logo esse Uragi antes que acabe com mais vidas! Ou melhor: Acabe com Ossíria! – Ele disse, cerrando os dentes e o punho com a raiva pela situação.
- Mas você nem conheceu a maga e já vai brigar por ela? – Disse Ruth, levantando uma sobrancelha.
- E quem disse que é só por ela? Eu quase matei Kiara para fazê-la voltar ao normal; e foi por essa Matiloa que ela sobreviveu!
- Na verdade, eu não acredito que vou dizer isso-- pode atirar na minha cabeça se quiser Ruth! – Disse Pepper, pausando para ironizar a resposta olhando a pirata com um ar de piadista. – Mas confesso que Soul está certo: Uragi já desestabilizou a energia vital de Ossíria, assassinou pessoas que não tinham nada haver com essa história e nos usou para isso, fazendo rituais para sermos possuídos-- E não só isso! Ele sugou as energias de Ossíria também, tudo só para recuperar sua forma original e... E... Espera: E quando Kiara voltou ao normal, para aonde foi toda aquela energia maligna?
Todos pausaram juntos com o discurso do arqueiro; ninguém havia prestado atenção naquele detalhe, excerto Soul, mas não havia feito nada a respeito devido à situação: A energia havia se retirado do corpo da menina assim que ela havia morrido e desaparecido. Ele acreditava que quando a energia houvesse desaparecido, era porque fora parar na dimensão em que Uragi estava preso... “Mas como?” era a pergunta que ele pensava; afinal, ele estava preso lá e não podia usar magia sem algum hospedeiro.
Isso ainda não acabou...
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