Notas iniciais
Espero que gostem!

Senera corria pela floresta ao redor do cidade de Forestver. Seu vestido de seda azul estava rasgado e sujo de lama, com folhas e gravetos presos. Algo a perseguia, e ela sabia muito bem o que – ou melhor, quem – estava ali. Chegando a uma clareira desconhecida, ela desacelerou e parou no centro desta, observando com uma careta as arvores ao redor. A floresta era fechada e escura, e mesmo de dia, aquele lugar era o único que parecia estar claro. Girando lentamente, ela olha para trás. Era para Baeth surgir em meio às árvores, mas não havia nem sinal dele. Então, do outro lado da clareira, as moitas começaram a balançar. “Baeth” pensou. Ele estava ali, em algum lugar, fazendo seu jogo de sempre.

- Saia daí. – Senera disse brincalhona. Seus cabelos pretos eram longos, e balançavam com a brisa. Não houve resposta. As moitas pararam de balançar para dar lugar a outras, metros a distância destas. Por fim, várias balançavam ao redor da clareira, em lugares distintos, deixando-a nervosa. – Baeth! Saia logo daí! Pare com essas brincadeiras estúp-

Antes que pudesse terminar a frase, ela fora atingida pelas costas e jogada no chão por um vulto negro. Caída com os joelhos e cotovelos no chão, ela se deitou e olhou a figura de lado.

- Baeth, pare de me assustar! – Ela riu. Não poderia ficar zangada com ele, não com seu irmão. Ele lhe ofereceu a mão e a ajudou a se levantar.

- Bem, não fui eu que saí de fininho de uma aula. – Ele retirou gravetos e grama do cabelo liso e bagunçado dela. Mesmo tão parecida consigo mesmo, ela conseguia ser tão única. Era impulsiva e indomável. Tão diferente de seu próprio elemento, a terra, e ao mesmo tempo tão igual. – Você sabe que tem que aprender, Sera. O ovo de do seu dragão está para rachar, e você sabe o que vem pela frente. Não vai adiantar de nada se você não souber domar tal criatura. Eles crescem rápido, e não vai demorar para você ter um dragão adulto em mãos. A natureza selvagem deles não se importará em destruir você a não ser que crie determinação para domá-la.

- Para eu ter um dragão de ar em mãos, você quer dizer. Quem teve a estúpida ideia de que nós, Elementais, deveríamos criar dragões de elementos opostos aos nossos? –Ela bufou. Estava irritada, não gostava de ter tais aulas. Nunca entendera o motivo de, ao invés de um Elemental de terra ter um dragão cujo elemento seja também terra, lhe davam um de ar.

Baeth a olhou entristecido. Esperava que ela já houvesse entendido o princípio de que, tendo domado uma criatura oposta a você, se tornaria mais forte e sem pontos fracos. Ele então fez um sinal com a mão. Um enorme dragão branco pousou silenciosamente na clareira, ao lado dos dois. Era um belo dragão de luz, branco com partes amareladas. Suas asas pareciam emitir luz própria, assim como os olhos laranja brilhante da criatura.

- Eu sou escuridão – Disse Baeth – E ele, é luz. No escuro, esta criatura se torna cega e desorientada, assim como eu no claro me torno impotente. Eu tive de aprender a ter forças e saber utilizar meus poderes na luz, e Beryan, sendo de um elemento completamente contrário, teve de ser ensinado a confiar em mim como seu Elemental. No escuro, ele confia a mim e me deixa guia-lo pelos céus. Assim como nós, você vai ter de saber aprender com o seu oposto, pois apenas assim saberá encontrar suas fraquezas e vencê-las, Sera.

Senera acariciou a cabeça de Beryan. Ele sempre gostara dela, talvez por ser gêmea de seu Elemental. A criatura nem se movera quando a garota subira em suas costas, estendendo a mão para Baeth. – Eu já sei, eu já sei. – Ela disse, revirando os olhos – Agora pode me levar de volta ao castelo? Pelo visto, tenho um dragão Elemental prestes a nascer, e não quero meu quarto bagunçado como se houvesse passado um mini furacão por ali.

Baeth sorriu e agarrou sua mão, sentando a frente de sua irmã. Voaram de volta ao castelo, pusando na enorme varanda do quarto de Senera. Desceram de Beryan, e Baeth fez um sinal para que ele voasse para outro lugar. Assim, o dragão levantou voo e fora perdido de vista. Senera puxou as cortinas transparentes que davam entrada ao quarto, e adentrou o cômodo. Era simples, porém elegante. As paredes de pedra e chão de madeira caíam bem. O ovo de dragão estava sobre um pedestal de pedra, com palha o envolvendo. Ela o tocou com delicadeza, suas mãos pequenas deslizando pela superfície. –Está quente. – ela disse – O seu ovo estava assim na noite em que nasceu, não?

Baeth assentiu com a cabeça. – Está para nascer, finalmente. Beryan nasceu dois anos atrás, porém o seu dragão ainda está no ovo. Ele deve nascer amanhã de manhã, pois está escurecendo agora. – Ele entrou no quarto e fechou as cortinas de um tom cor-de-rosa. Aproximou-se de Senera e deu-lhe um beijo na testa. – Vá se lavar, irmãzinha. Amanhã será um dia longo. Nossos pais devem estar te procurando, e não acho que você queira que eles a vejam suja assim, não? – Ele abriu a porta do quarto, e foi embora.

Senera lavou-se e trocou de roupa. O vestido azul estava rasgado e completamente sujo, então ela não esperava usa-lo de novo. Estava usando um vestido parecido, porém com mangas soltas e longas. Aproximou-se do ovo, e antes que pudesse encostar neste, uma serva bateu a porta.

-Entre. –Diz Senera.

-Vossa alteza. – Disse a serva ao entrar no aposento. – O rei e a rainha estão a sua procura na sala do trono.

Senera olhou para o ovo uma última vez e desejou que não houvesse um furacão com asas percorrendo o quarto quando voltasse. Andou em direção à porta e saiu, acompanhada da serva. A porta bateu, e a criatura dentro do ovo soltou um chiado agudo.

Notas finais
Espero que tenham gostado, e obrigada por ler!