Elegia
1 Elegia
Como começar?
Como posso pensar na vida sem seu contraponto escuro?
Todos os dias ouvimos pessoas falarem sobre suas vidas, ganhos e perdas, numa balança que oscila loucamente. Muitas vezes não pensamos nela, mas sabemos que todos os dias, no mundo todo, alguém recebe sua visita silenciosa, esperada ou não.
Dona Morte? É você quem bate à porta? Mas tão cedo? Ninguém te chamou aqui. Ninguém quer sua presença terrível e funesta. Você não é bem vinda.
Então, fria e silenciosa como sempre é, Ela se aproxima, sussurra, mas não para nossos ouvidos e por fim, leva quem veio buscar. Sem pedir licença, sem dar satisfações.
Sempre converso com as pessoas ao meu redor sobre nosso total despreparo para as perdas da vida. Sempre pensamos no depois, sempre distante, mas a única certeza de vida que temos. O tempo corre contra nós e não nos damos conta do quão breve é nossa existência.
Expectadores das dores alheias, acreditamos (tolice pura) que nada acontece no seio de nossa família, dos amigos próximos, nossos queridos. Perdemos tanto tempo, distraídos com as coisas sedutoras do mundo e não percebemos que nossas chances de fazer algo de bom aos outros se dissipam como fumaça. É volátil, efêmero e depois é somente lembrança.
Enquanto jovens, somos quase imortais, quando adultos, não temos tempo pra pensar à respeito, quando velhos, gostaríamos de ter aproveitado mais a juventude. Mas o que é aproveitar? Então faríamos tudo de novo, porque é da nossa natureza sempre cometer erros, se arrepender, prometer e errar de novo. Desaprender os hábitos é algo difícil de se fazer. Sei bem como é isso.
Mas do que é mesmo que estou falando aqui?
De perda. De aceitação. De amor e dor na mesma medida, quando Dona Morte entra sem bater e leva o que acreditamos precioso demais pra se perder. Ela não se importa com nossos lamentos e lágrimas, com nossa falta de maturidade para entendê-la. Ela faz o que faz porque é sua missão. Então o que nos resta depois? Mais lamentos e lágrimas e desistir de tudo porque não sabemos lidar com as perdas?
Muitos responderiam:_"Claro que sim! Quem gostaria de perder um ente querido? Alguém cuja presença está todos os dias de nossa existência desde que nos tomamos por gente?
Mas Dona Morte sorri seu sorriso silencioso e não se incomoda com esses detalhes. Ela vem e vai e fim. Assim é desde os tempos imemoriais e será até o último ser vivo existente na terra.
"Como lidar com isso?"_Alguém deve estar se perguntando. Das respostas mais diversas, das receitas mais mirabolantes para se viver a perda de um ente querido, a mais sensata é chorar a perda. Lamentar a ausência. Reviver as lembranças e guardar a saudade. Quando a dor virar Memória, terá um perfume agradável de coisas antigas e queridas, como um livro guardado que sempre será bom de ler, em épocas diferentes, trazendo impressões diversas e satisfatórias.
Nesse momento, faço a única coisa lógica que me traz certo alívio à sensação da perda. Eu escrevo sobre isso.
Dona Morte bateu à nossa porta dias atrás e sem pedir licença, fez seu trabalho silencioso e nos deixou com a grande responsabilidade e peso de continuarmos vivos.
Parece poético diante de algo que soa trágico, mas quando se ama alguém, você quer suavidade onde há desespero. Você quer silêncio meditativo onde há choro sentido. Você busca consolo onde há apenas a certeza de que presença se torna ausência.
É assim que tento entender e aceitar, mas curioso pensar que a vida continua, independente de quem fica ou parte. Parece injusto? Oh, se parece! Chega a parecer um insulto. Mas é pessoal, individual e intransferível a dor de cada um. Ah, essa dor...
Em memória de minha Querida Mãe, que, em sua simplicidade, me ensinou muitas coisas sábias.
Amor e Paz a todos.
Notas finais
Distribuam amor e boas palavras. Sejam honestos com seus sentimentos e com os das outras pessoas. O ser humano pode não entender isso, mas é uma centelha divina. Então sejamos Luz.
Fiquem bem.
Fale com o autor