Electric Heart
8 Garota misteriosa
Notas iniciais
POV- Nico
Desci do cavalo e puxei Thalia dele a colocando em pé em cima na terra, ela mal me olhava, talvez já tivesse passado tempo demais ao meu lado para saber que eu estava irritado, mas tentava não descontar minha raiva nela como normalmente fazia.
Fui à frente do cavalo, olhando em seus olhos, acariciando seu focinho, sentindo o fogo que emanava de sua pele entrar em contato com a minha mão, querendo incendiá-la como um combustível.
— Volte para o chalé, entre na proteção dele e fique com seu irmão em segurança — disse, vendo o cavalo começar a correr em direção ao chalé, a direção oposta que nós iriamos.
— Por que vamos a pé? — perguntou baixo, com medo, chamando minha atenção.
— Porque eles considerariam uma coisa idiota e não vão esperar que nós o faça — expliquei segurando o braço dela ajudando-a a andar pela floresta, olhando para o céu, não demorando a achar o nosso guia até o castelo.
Suspirei, esperando não estar fazendo a coisa errada, mas eu não tinha um exército comigo, logo precisava confiar se quisesse ter sucesso, a surpresa era o fator primordial ali. O vestido de Thalia era longo, o que atrapalhava a movimentação e chegou um momento que eu já estava cansado a pegando no colo e começando a andar.
Seus olhos azuis elétricos estavam cabisbaixos, ela evitava olhar em meu rosto enquanto a levava mais para fundo na mata, em direção ao reino que por direito a pertencia.
— Me desculpa — pediu baixo, envergonhada.
— Não tem que pedir desculpas — falei, continuando a andar em frente, vendo o animal voar pelo céu, indicando o caminho.
— Tenho sim, você está bravo — disse ela, convicta, me fazendo suspirar.
— Estou bravo porque você garantiu que não tinham importância alguma para você, mas não hesitou em pedir que ele ficasse vivo — expliquei, mas sabia que ela tinha ficado do meu lado independente de ter me pedido que ele sobrevivesse.
— Foi um impulso — ela falou, olhando suas mãos que estavam tranquilas em seu quadril — eu não me importo, mas eu não sei o que deu em mim, eu...
— Thalia, tudo bem — disse não querendo ouvir suas desculpas, não me importava com aquilo, eu tinha escolhido fazer o que ela pediu, poderia ter escolhido não fazer.
O que me fez pensar do porquê ter aceitado seu pedido? Agora o tinha deixado vivo para trás, dando-lhe a oportunidade de se recuperar e vir atrás de nós, ou até mesmo voltar ao castelo e anunciar que estávamos em seu território.
Diminui o passo ao ver uma vila, o gavião gritou, chamando sua atenção e ali tinha uma bolsa, peguei olhando o que tinha dentro, vendo roupas, claramente roupas que não eram da realeza, roupas que nos deixariam mais discretos.
— Veste isso — taquei a roupa feminina para Thalia que franziu o cenho.
— Quem está te ajudando? — ela perguntou, não tinha contado detalhes do meu espião a ela, até porque eu nem sabia direito se poderia confiar nela.
— Podemos dizer que eu consegui contatos — expliquei, pegando minha roupa e colocando, deixando as antigas e molhadas dentro da bolsa, no canto, escondida.
O pássaro tomou os céus novamente, nos guiando por dentre a cidade, coloquei o capuz e comecei a andar, tendo sucesso em não chamar a atenção para a gente, tentando não aparentar estar seguindo um gavião, o animal parou em cima do telhado de uma casa, me fazendo hesitar antes de entrar no local.
Era uma cabana pequena, humilde. Uma mesa de madeira estava cheia de comidas, assim como uma carta, que eu fui em direção.
“Guiarei vocês apenas a noite, deixarei lugares para vocês comerem e descansarem durante o dia, podem ficar tranquilos em questão de segurança nessas cabanas, ninguém desconfiaria, costumo abrigar vítimas nelas, então é bem comum elas serem movimentadas, espero que cumpra sua parte do acordo, pois eu estou cumprindo a minha”
A carta estava ausente de assinatura, o que não me vi achando necessário, afinal até mesmo seria burrice estar assinada, a cabana era bem pequena, tinha algumas muitas peles de animais forrando o chão, um cano que tinha água corrente e uma pequena porta de espaço de um metro quadrado aonde teria o sanitário e a mesa, apenas isto.
— Vamos ficar aqui até o anoitecer — declarei, queimando a carta em minhas mãos, não deixaria vestígios da ajuda dela para trás.
— Quem é ela? — perguntou calma, pegando uma uva de cima da mesa e levando a boca.
— Ninguém importante — assegurei, pegando uma das cochas do frango e mordendo, me jogando nos tecidos confortáveis do chão, deixando meu corpo relaxar.
Ela continuou beliscando as comidas na mesa, parecia desconfortável com o fato de eu não contar para ela quem era que estava nos ajudando, mas era muito arriscado falar em voz alta, além do que parecia ela nos guiaria pela cidade.
— Thalia — chamei calmo, lavando minha mão pela água que saia do cano, me deitando novamente.
Seus olhos elétricos se direcionaram a mim, mas ela não saiu donde estava, apenas continuou em silêncio, esperando que eu continuasse.
— Vem cá — pedi, vendo-a respirar fundo e abaixar o olhar para a mesa novamente, pegando mais uma uva e comendo, ignorando meu pedido — Thalia — chamei de novo, um pouco mais firme, mas não como uma ordem.
— Não quero — ela declarou, passando para outra fruta, demorando um pouco até escolher uma cereja.
Respirei fundo, jogando a cabeça para trás, ela não tinha o direito de ficar irritada porque eu decidi fazer as melhores escolhas para nós dois. Senti ela se aproximando, mas permaneci da posição que eu estava, logo sentindo ela se sentar no meu colo.
Levantei o olhar e ela tinha uma cara de quem estava chateada, mas ao mesmo tempo sabia que ela imaginava o que eu estava pensando, então ela não reclamaria. Passei a mão de leve em sua perna e foi quando eu percebi que ela não estava brava por eu estar tendo a ajuda de alguém, ela estava com ciúmes.
Ri, fazendo ela franzir o cenho. Puxei seu corpo para baixo, fazendo ela se deitar em cima de mim, suas penas estavam dobradas, uma de cada lado do meu corpo, assim como seus braços, seu rosto a centímetros de distância do meu, seu coração disparado tão próximo ao meu corpo que eu conseguia sentir.
— Eu nunca tive nada com ela — garanti e consegui a sentir ficar aliviada.
— Não precisa se justificar para mim — falou baixo, envergonhada.
— Mas você quer que eu faça — rebati, a vendo assentir constrangida – ela é apenas uma aliada, apenas isso.
Ela mordeu o lábio inferior, assentindo e se jogando ao meu lado, se acomodando ali e adormecendo tão rápido como poderia ser possível, me fazendo sorrir e revirar os olhos, fechando os olhos e deixando que eu meu corpo relaxasse por pelo menos algum tempo.
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