Eleanor Rigby
3 Come Together
Notas iniciais
Contarei a vocês um episódio curioso da minha vida.
Um dia, minha mãe me mandou ir até o mercado, comprar algumas coisas. Mas tinha um detalhe.
O mercado mais próximo de casa estava na cidade. E a cidade era uns 10 quilômetros de lá.
Eu, como uma boa filha, tive de ir até lá, apesar de não ter vontade.
Já tinha caminhado uns 5 quilômetros provavelmente. E com esse longo vestido me atrapalhando.
No caminho vi alguns garotos, ambos corriam com calça e pareciam ter muitos movimentos livres com elas. Por que mulheres não podiam usar calça também? Era frustrante.
Mas eu não aguentava mais andar, meus pés já tinham criado bolhas.
Sentei embaixo de uma árvore, enquanto respirava fundo.
Acabei escutando algum som, parecia um chocalho.
Olhei melhor e vi uma figura curiosa se aproximando: Um velho de olhos mágicos, cabelos até o joelho, botas de morsa... Uma coisa de louco.
Ele ia gingando lentamente pela estrada, parecendo não se importar com os outros que o estranhavam.
A maioria me aconselhava a me afastar, mas quem disse que eu dava ouvidos a eles?
Fui até lá, cumprimentá-lo.
- Bom dia, senhor. — Disse um pouco tímida.
- Olá, minha jovem. — Ele disse sem parar de andar, e eu vi que se quisesse conversar deveria segui-lo.
Enquanto o acompanhava, ele estranhava.
- Não tem aonde ir, moça? — Me perguntou, curioso.
- E-eu só estava querendo conversar... Mas se não estiver disposto, entendo... — Gaguegei, nervosa.
- Pode falar comigo sim, Eleanor.
- Como sabe meu nome??
- Eu te conheço, você me conhece.
Aquele velho devia estar pirado mesmo. Nunca o vi na minha vida.
- Sou Flattop, caso não saiba.
O nome não me soava nem um pouco familiar.
- Você parece diferente dos outros... — Comentei.
- Sim. Mas você também não é? — Perguntou com um largo sorriso no rosto, como se realmente me conhecesse mesmo.
- A-acho que sou...
- Uma coisa que posso lhe dizer é que você tem que ser livre.
Ele estava certo. Mesmo tudo sendo uma pressão, deveria ser livre.
- Você está indo para a cidade? — Perguntei, esperançosa.
- Sim. Não. — Ele respondeu me dando mais dúvidas.
- O quê?
- Estou indo para a cidade agora... Mas depois vou voltar, então não estarei indo para lá.
Soltei uma risada.
- Posso te acompanhar? Estou indo lá também.
Ele assentiu e disse:
- Venha junto, agora, comigo.
Então fui junto com ele. Durante o caminho,as pessoas estranhavam e sussurravam por que diabos eu estava lá.
Mas não ligava, nem um pouco.
Quando chegamos a cidade, avisei que ia no mercado. Ele assentiu.
Mas, quando voltei, ele não estava mais lá.
E todo mundo dizia que nunca o viu nem ao menos entrar na cidade comigo.
Que estranho.
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