"Ele não será um Comensal"
2 A Toca
Notas iniciais
"COMO ASSIM VOCÊ SE CHAMA GINA WEASLEY?" Pensei, olhando nos olhos da ruiva. Ela não demonstrava estar mentindo ou muito menos zombando da minha cara. Ela realmente era a descrição perfeita da Gina dos livros.
Pisquei os olhos várias vezes tentando acreditar no que meus olhos viam. "Não! Isso não é real. Estou sonhando."
A Gina (do meu sonho?) sorriu e disse:
– Olha, aquela é a minha casa. Vamos até lá, meus pais poderam te ajudar. — ela segurou minha cintura e colocou meu braço envolta do pescoço dela e devagar me conduziu até a Toca.
"A TOCA. QUE LINDA. AI QUE TUDO. AI QUE BADALO. Estou amando esse sonho. Que pena que minha cabeça está doendo tanto!"
Começamos a caminhar em silencio. Minha mente fervilhava de ideias e eu queria fazer varias coisas antes de me acordar e esse sonho acabar. "Porque tem que acabar? Gostaria de ficar aqui pra sempre."
– Estou sonhando, não estou? — disse quando aproximavamos da soleira da Toca. As sobrancelhas de Gina arquearam e ela parecia completamente preocupada... Comigo?
– Qual seu nome? — sussurrou me olhando profundamente.
– Me chama de Maddie. — eu disse, minha voz falhando. Um aroma delicioso penetrou minhas narinas e eu senti-me fraca. Provavelmente estaria com fome quando acordasse.
– Gi-Gina, não estou me sentindo muito bem. — Murmurei antes que ficasse tudo preto.
Escutei gritos ao longe. Não conseguia descrever de quem eram. Braços largos e fortes me envolveram e senti moverem meu corpo. Pra um lugar... Macio..Cheiroso...
Pov's Gina Weasley
Era um dia ensolarado de domingo , acordei com os gritos da minha mãe exigindo minha prensença na cozinha. Tomei um banho rápido e vesti um jeans rasgado e uma camiseta verde. Parei para me olhar no espelho e percebi o quanto minha pele estava sem cor. "Verão! Gracias! Preciso de uma corzinha se quero arrumar um novo namorado esse ano" sorri para a Gina pálida no reflexo.
– GINEVRA MOLLY WEASLEY! — ela gritou mais uma vez.
Desci as escadas pulando de 3 em 3 degraus. "Pra quê esses gritos uma hora dessas?" Pensei quando cheguei a cozinha e dei de cara com uma Senhora Weasley muito irritada. Lembrei que hoje fazia apenas dois dias que eu e o Rony tinhamos chegado de Hogwarts e que mamãe disse que teriamos uma conversa serissima. "Droga! Ela vai falar sobre o dia no Ministério! Oh Merlin! O papai está me fitando apreensivo! Onde estará o Ron?"
– Bom dia, querida mãe. Como está? Estou com tanta fome. — sorri brincalhona, tentando desviar a qualquer custo a atenção dela pra outro assunto. — Oi papai. — Corri até a ele que estava sentado à mesa. Eu o abracei e o beijei na testa. Ele apenas sorriu.
– Não me venha com "bom dia", Ginevra. Você sabe muito bem porque eu te chamei. Precisamos falar com vocês. — Ela me olhava com um misto de irritação e ressentimento. Posicionou o corpo ao lado de meu pai e colocou a mão no ombro dele.
– Onde está Ron? — perguntei, minha voz rouca ecoou pela cozinha.
– Estou aqui. — Ele disse aparecendo atras de mim. Seus olhos fitavam o chão e suas mãos tremiam.
– Porque foram ao Ministerio? Onde estavam com a cabeça? Por Merlin, vocês não sabem o que senti ao saber que meus filhos estavam lá! Eu quase morri! Vocês poderiam ter morrido! — Ela esbravejava como se nunca fosse nos perdoar, mas seus olhares de perdão a denunciavam.
– Mãe, não somos mais crianças. Estavamos fazendo o que deviamos fazer. Ajudar o Harry. Lutar contra esse mal. — falei, me atrevendo a aumentar o tom de minha voz. Ron apenas resmungou algo que pareceu ser "A Gina está certa, mae"
Antes que minha mãe falasse, meu pai interveio, segurou a mão dela entre as suas e disse em alto e bom tom:
– Estou orgulho de vocês. Agora tenho certeza que os criei direito. Eu não queria que as coisas fossem assim, não queria meus filhos envolvidos em uma guerra. Mas o que posso fazer? A unica coisa a se fazer é pedir a vocês que se cuidem. Imploro que permaneçam vivos. E evitem ao máximo estar no meio do fogo cruzado, isso eu peço a você, Gina. — Ele me fitou com um sorriso fraco — Já você Ron, só tenho que reforçar que eu ordeno que ajude ao seu amigo. Mas não esqueça de voltar vivo pra nós. — Instintivamente, Ron e eu corremos para abraçá-los. E então voltamos a normalidade, comemos bastante no café da manhã e conversarmos sobre o Gui e Fleur que viriam daqui a duas semanas pra falar do casamento.
Eu estava olhando a paisagem fora da janela quando me veio uma vontade de passear pelos bosques.
– Mãe, vou dar uma volta pelo bosque. — avisei, já saindo pela porta dos fundos.
– Tudo bem! Volte antes do almoço.
A brisa estava fresca e eu desejei poder tomar um banho de lago. Estava um lindo dia.
– Como um dragão que cospe fogo... Meu corpo cospe palavras de amor por você. — cantarolei uma das minhas musicas favoritas das Esquisitonas.
Tudo aconteceu muito rápido, escutei um barulho que parecia um gemido de dor e depois eu a vi, sangrando deitada no chão e um livro ao lado. Corri até ela e comecei a fazer perguntas. Ela parecia ferida demais pra poder entender o que eu dizia, ajudei a levantar e percebi o quanto a garota a minha frente era bonita. Ela me olhava de uma maneira estranha, seus olhos verdes cor de esmeralda brilhavam. Depois de algum tempo me fitando ela perguntou meu nome e quando respondi, ela pareceu totalmente confusa.
O olhar dela ocilava entre mim e a minha casa. Os grandes olhos dela fitavam-me como se ela tivesse vendo o proprio Merlin. Sorri tentando ser simpatica e mostrei minha casa a ela e pedi que ela me acompanhasse, sabia que meus pais a ajudariam. Ela parecia desnorteada, sua testa ainda sangrava do corte e seus cabelos negros caiam desgrenhados pelos ombros. Parei para observar as roupas dela e percebi que eram de trouxas. Ela usava um camisa de uma banda que eu havia escutado duas ou três musicas quando Hermione trouxe um treco grande que ela disse ser um LP. Não faço a mínima ideia de como eles colocam a musica dentro daquele vinil. A banda era Led Zeppelin.
Quando chegamos perto em frente da minha casa, ela me perguntou se estava sonhando e percebi o quanto ela tremia. Arquei as sobrancelhas e me perguntei se ela estava bem. Ela parecia mais palida do que antes.
– Qual seu nome? — perguntei, olhando-a minunciosamente.
– Me chama de Maddie — ela disse com a voz rouca, vacilante. — Gi-Gina, não estou muito bem. — Ela disse e então seu corpo desfalecido caiu em meus braços.
Comecei a gritar freneticamente por meus pais e por Ron. Quem apareceu foi Ron, assustado, com a varinha em punho.
– O que foi, Gina?- gritou, chegando até a mim que agora estava caida no chão segurando o corpo de Maddie.
– Ron... Ela... Ferida... Trouxa... Sem... Varinha... Mamae... MAAAAAAAAEEEEE!- Eu estava sem folego.
Ron pegou Maddie no colo e entrou dentro de casa. Meu peito doía. Não sei porque me sentia angustiada ao pensar que ela poderia morrer. Tinha sangue por toda minha blusa. Levantei do chão e segui Ron, este estava lá em cima. Vi as marcas de areia na escada. Corri na cozinha e percebi que minha mãe não estava lá. Havia um burburinho de vozes lá em cima e subi as escadas correndo.
As vozes vinham do meu quarto. Minha mãe tirava os sapatos de Maddie e arrancava das maos dela o livro rasgado que ela ainda carregava.
– Mãe, ela vai ficar bem? — Eu perguntei, sentindo minha voz sair rasgando minha garganta.
Os bracos de meu pai me envolveram num abraço e eu choraminguei.
– Quem é essa garota? O que houve? — Ele me perguntou, soltando-me e olhando para meu rosto.
– Eu não sei — disse, realmente era verdade. Eu não sabia nada sobre ela. — Eu a encontrei ferida no meio do campo. Eu não soube o que fazer e pedi que ela me acompanhasse. Ela estava estranha, ela me perguntou se estava sonhando. Pai, acho que ela está passando por algo muito forte. — disse, as palavras saindo de meus lábios como agua. Percebi que lagrimas brotavam de meus olhos.
– Okay, querida. Ela ficará bem. Precisamos saber quem é ela. E se ela é trouxa, ela precisa voltar imediatamente de onde veio. — Ele fitou a Maddie mais uma vez e saiu. Minha mãe o acompanhou, mas antes me abraçou forte e pediu que tomasse um banho. Ron olhava debilmente para o corpo de Maddie pousado em minha cama.
– Acha que ela vai ficar bem, Gin? Ela é muito bonita. — Ele disse, sorrindo timidamente.
– Merlin, Ron! — resmunguei.
Pov's Maddie
"'Maddie, acorde.' ela sussurrou ao meu ouvido.
'Não, mamãe. Eu estou com sono.' resmunguei, com os olhos ainda fechados.
'Madeline Susan Jordan, abra os olhos e viva.' ela usou o tom severo que somente Angelica Jordan conseguia fazer.
Resignei-me a fazer o que minha mãe mandava, era sempre assim, eu fazia tudo o que ela queria quando ela usava aquele tom. A voz dela interrompeu meus devaneios e impediu que eu tentasse acordar.
'Esta é a sua chance de ser feliz... Não a desperdice' Ela falava e sua voz soava como um sussurro distante.
'Ser feliz????' Nenhuma resposta. 'Mãe?'"
Por um momento, realmente acreditei que fosse encontra-la quando acordasse e foi então lembrei do acidente e com isso veio memórias das semanas na Mansão da Madame Helen e de tudo que aconteceu lá. Choraminguei.
– Ela está acordando... — Uma voz masculina e levemente assustada disse e eu senti um toque no meu braço.
– Maddie? — Ela me chamou, senti os dedos trêmulos envolverem uma de minhas mãos.
"Isso não pode estar acontecendo... Mas eu já tive um desse tipo de sonho em que estou dormindo e acordo em outro sonho... Mas eu não quero acordar..." os pensamentos fluiam dentro de minha mente como jatos de agua.
Fui abrindo os olhos devagar, tive certeza que seriam muitas informações a processar quando revisse Gina e descobrisse à quem pertencia aquela outra voz. "Ron" a vozinha na minha mente gritou.
Gina estava com os cabelos amarrados em o que posso descrever como um coque, algumas mechas caiam dos lados, mas estava basicamente bonito. Ela usava uma camiseta de mangas longas da cor vermelha.
– Gina. — Tentei sorrir, apertando as mãos dela na minha.
– Como você está se sentindo? — Ela arqueou as sobrancelhas e novamente detectei os vestigios de preocupação nos olhos cor de chocolate.
– Bem. Não sinto mais dor de cabeça... Obrigada...- Eu disse, sorrindo para ela.
Os olhos dela se iluminaram.
– Maddie, precisamos conversar... — Ela disse, desviando o olhar de mim para algo do lado dela.
Segui o olhar dela e me deparei com um garoto ruivo, alto e com lindos olhos castanhos. Ele me olhava e quando nossos olhos se encontraram ele corou furiosamente. "Ron... Oh! Como ele é lindo"
Instintivamente comecei a rir. Ele era definitivamente a coisa mais fofa que eu vi na minha vida. Como a Tia Jo havia esquecido de descrever isso? Era perfeito. Agora eu completamente entendo o que a Hermione viu nele além do corpo grande e sexy.
Sentei na cama ainda sorrindo e tentei ser civilizada ao estender minha mão para ele. E dizer docemente:
– Eu sou Madeline Jordan, mas pode me chamar de Maddie.
Ele corou ainda mais ao apertar a minha mão.
– Ronald Weasley...
– Meu estranho irmão... — Gina o interrompeu em tom zombeteiro. — Maddie, é sério. Precisamos conversar. Meu pai pediu pra falar com você assim que você acordasse... Vou chama-lo. — Ela levantou rapidamente e pude escutar os passos rapidos descendo o que eu deduzi ser a escada.
– Posso te chamar de Ron?
– Po-pode... — Ele gaguejou, fitando o chão.
– Você é o melhor amigo do Harry. — falei, me arrependendo no segundo que o vi levantar e me olhar assustado.
– Você conhece o Harry?
"Isso é o sonho, por que raios estou agindo como se fosse vida real?"
– Ah, hum, não. Mas eu li algo sobre ele. — menti. Claro que eu não podia olhar pra ele e dizer que eu o conhecia desde o dia que aos seis anos de idade eu passei na livraria e me encantei com o nome Harry Potter em dourado.
O Sr. Weasley adentrou no quarto, Gina vinha logo atras dele e Molly... Eles era exatamente como Rowling os descrevera.
– Bom dia, senhorita. Eu sou Arthur Weasley. — Ele me estendeu a mão cordialmente.
Apertei a mão dele, mas o que eu queria era abraçá-lo, abraçar Molly também. Abraçar todos eles. "Pelo amor de Deus. Eu não quero acordar.
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