Ele e Ela
2 Uma ofensa, uma caneta e um apelido.
Notas iniciais

Ela viu ele se sentar ao seu lado e bufar, pensou em perguntar oque lhe havia acontecido, mas o mesmo deixou transparecer depois de pedir um maço e cigarros e pagar.
–Mas que droga de jogo! — Virou-se para o autor da frase e surpreendeu-se. — Por que as pessoas gostam disso? É só um bando de gente suada correndo atrás de uma bola. Só idiotas gostam dessa porcaria!
Sentiu-se particularmente ofendida, futebol era seu esporte favorito — Apesar de não saber jogar -, mas ela não se considerava uma idiota.
–Sabe, não deveria falar assim de pessoas que nem conhece. — Suspirou levemente, levando o copo até a boca e bebendo o conteúdo do mesmo, sentiu o gosto amargo do whisky descer pela garganta.
–Me... Me desculpe, não quis ofendê-la. — E então ela o olhou, analisando-o cuidadosamente.
Cabelos castanhos, nem tão claro, nem tão escuro, talvez um castanho médio, seus olhos eram em um tom cinza, cinza bem claro, seu queixo fino, sua pele clara, seus lábios convidativos.
Ele tinha uma aparência, como ela diria, de gay. Não que todo gay seja assim, mas ele tinha uma cara peculiarmente homossexual. Mas era bonito, um gato.
E que gato!
Quando percebeu que ele lhe encarava, virou o rosto, envergonhada por ficar analisando-o e sentiu suas bochechas esquentarem.
–Tudo bem, não ofendeu. — Ofendeu sim, seu babaca! Sua consciência revoltou-se.
Ficaram um tempo em silêncio, até ela pagar seu copo de whisky e dar a entender que ia embora.
–Você... Você quer ir, digo, aceitaria dar uma volta comigo? — Ele gaguejava e ela evitava olhá-lo.
–Você tem uma caneta? — Ele tirou de sua camisa social uma caneta esferográfica azul, entregando a ela que pegou a mesma e puxou a mão do rapaz. Anotou seu telefone e devolveu a caneta ao dono. — Até mais.
–Espera! — Ela então virou-se para ele. — Como posso te chamar?
Ela pensou, até decidir dizer a ele apenas seu apelido.
–Pode me chamar de Ela...
E se foi, deixando-o para trás.
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