Ele Ou Ela?
2 Mudança de visual
Notas iniciais
Agradecimento especial à Caroline que comentou!!
_ Chegou a hora!_ disse encarando Meredith._ A área está limpa!_ percebi que ela estava tremendo._ Você está muito tensa! Acalme-se!_ sussurrei.
_ Revendo o plano: vou seduzi-lo e tirá-lo de lá. Depois te encontro na esquina.
_ Isso! Vá!
Observei Meredith tomando coragem e seguindo em frente, ela não demorou, logo a vi saindo e puxando Johanes.
Perfeito. Quando estavam bem longe entrei no gabinete de Johanes, que era só um nome legal para seu trailer individual. Não me preocupei em ser discreta, na verdade, aproveitei e baguncei o máximo possível na busca pelo seu cofre.
Johanes não era dos mais inteligentes e estava no lugar mais óbvio. Atrás da penteadeira, (é ele tem uma), não era como imaginei, era uma caixa de madeira que consegui abrir com uma chave inglesa que achei na caixa de ferramentas enquanto procurava debaixo da cama.
Havia vários bolos de dinheiro, peguei todos por tudo que ele fez comigo e com Merdith, por todas as humilhações e abusos, e salários roubados.
_Que pena que não vou poder ver tua cara quando perceber o que fiz, palhaço!_ falei comigo mesma.
Ouvi a porta abrindo e me levantei sobressaltada.
_ Aurya!_ me acalmei ao ver que era Meredith.
_ Você está louca! Quase me matou do coração, não disse para me esperar lá fora!
_ Sim, mas temos que sair logo, ele está me esperando! O que você veio pegar?
Mostrei lhe minha bolsa e ela ficou embasbacada com tanto dinheiro.
_ Nossa! Tem certeza?
_ Já planejei tudo, venha! Vamos pegar duas bicicletas e sair daqui. Não vamos muito longe, só precisamos estar em vantagem, depois compramos um carro e fugimos de vez.
_ Para onde vamos? Para a casa de meus pais?_ sugeriu.
_ Não, seria o primeiro lugar que ele procuraria._ eu disse pensativa.
_ Conhece alguém que nos acolheria?_ ela perguntou.
_ Nunca sai do circo que não fosse para colocar o lixo para fora!_ respondi secamente, enquanto pegava as bicicletas, elas eram usadas no número de equilibrismo do qual eu fazia parte, mais um prejuízo para Johanes se lembrar de mim!
_ Tenho uma prima de sei lá que grau que talvez fique feliz em nos receber por algum tempo. Emily!_ Meredith disse empolgada.
_ Perfeito! Pelo menos por agora! Onde ela mora?
_ Nos Estados Unidos, em uma cidade pequena da península Olimpic, acho que se chama Foks, Forks, Forts, sei lá!
_ Ótimo!_ pedalamos por uns dez quilômetros, até que não aguentamos mais e tivemos que parar e nos hospedar em um hotel de beira de estrada.
A noite passou rapidamente, Johanes com certeza já devia ter percebido que foi passado para trás. E com certeza estava espumando de raiva. A imagem me fez rir e acordar Meredith que dormia na cama ao lado.
_Oi, que horas são?
_ São dez!_ respondi.
_ Nossa! O que vamos fazer hoje?
_ Vamos comprar um carro e rumar para Forks...Forts... a cidade da sua prima!_ disse por fim.
_ Sim, só vou descer para tomar café da manhã!
_ A esse horário o mais indicado seria almoço, não café!
_ Coisa de gente poderosa, tomar café tarde! Agora que estou cheia da grana, vou aproveitar!_ ela deu uma risadinha e foi para o banheiro. Eu já havia me arrumado e aproveitei para contar quanto eu tinha pegado de Johanes. Eram notas de cem dólares, em bolos variados, daria para comprar um carro dos mais caros!
Quando terminei liguei a TV e para meu desgosto passava um noticiário local, e meu rosto e o de Meredith estampavam a notícia._ Vem aqui rápido, Meredith!
_ O que foi?_ devo ter gritado muito alto, pois ela me ouviu mesmo debaixo do chuveiro, saindo correndo do banheiro ainda de toalha, quase escorregando por causa dos pés molhados.
No noticiário uma moça conversava com um homem que reconheci claramente. Ela perguntou: “O que aconteceu, senhor Johanes?” e ele fingindo uma cara de preocupado respondeu: “Foi uma garota do meu elenco circense, ela era um tanto rebelde, não gostava de trabalhar e sempre reclamava, seu nome é Aurya. De uns tempos para cá ela começou a colocar meu elenco contra mim, dizendo muitas vezes que eu era um explorador sem escrúpulos, podem confirmar que sou um ótimo patrão com todos os meus artistas, é ela a manipuladora, ela conseguiu convencer minha namorada a fugir do circo levando com ela todas as minhas economias desses anos todos...” _ disse continuando: “Eu a criei, a tratava como filha! Mas ela não aceitava trabalhar, tentei conversar com ela várias vezes, sobre uma possível faculdade, mas outra vez ela...” _ não aguentei e desliguei.
_ Idiota! Imbecil! Que raiva! Faculdade? Ele não me deixou terminar nem o fundamental direito!
_ Aposto que forçou os artistas a dizerem que ele é um ótimo patrão!_ Meredith disse.
_ É claro que sim!
_ Nossos rostos estão expostos pelo país e taxados de ladras! O que faremos?_ perguntou desesperada.
_ Acalme-se! Vamos seguir o plano, mas teremos que fazer algumas mudanças!
_ Que tipo de mudanças?_ perguntou ela preocupada.
_ Espero que você fique bem de loira!
***
Ela me encarava surpresa e sem palavras.
_Eu não vou pintar meu cabelo!_ Meredith se debatia, ela tinha um cabelo enorme e muito negro._ Podemos pintar de ruivo então!
_ Oh, ótimo! Muito melhor!_ disse ela sarcasticamente.
_ É o único jeito! Estão procurando duas garotas morenas!
_ Você também vai pintar o cabelo?_ retrucou.
_ Claro... que não!
_ Então por que eu tenho que pintar?
_ Porque você fica bem de loira! Eu não!_ respondi a primeira coisa que em veio a mente.
_ Não vão deixar a gente cruzar a fronteira tão facilmente. Ainda mais sendo procuradas, temos que nos disfarçar o máximo possível. Imagine como se estivéssemos em um teatro e você precisa pintar o cabelo: Tudo pela arte!_ tentei convencê-la.
_ Só se você mudar o seu também!_ disse la fazendo birra.
_ Já disse que eu não ficaria bem de loira!
_ Então, corte! Faça papel de homem, com certeza ninguém vai nos parar!_ Meredith brincou.
_ Não! Está louca! Demorou um século para ficar desse tamanho!
_ Então eu não vou pintar meu cabelo!
Ficamos nos encarando por um tempo, mas até que pensando bem, seria sacanagem só ela se disfarçar.
_ Tá! Eu corto o meu! Você faz o papel de loira burra e eu de homem macho!
_ Sim! Sim!_ disse Meredith batendo palmas._ Posso dizer para minha prima que só mudei de visual e que você... Bem, o que eu vou dizer de você?
_ Diga que sou sua amiga, quero dizer, amigo!
_ Não vai colar!
_ Então... Sei lá! Podemos dizer que você é minha namorada!
_ É, talvez dê certo!_ ela me olhou desconfiada.
_ Perfeito! Agora vamos à mudança.
_Ok!
Fui até uma farmácia que ficava no centro e comprei uma tinta loira claríssima, uma tesoura, e aproveitei para comprar roupas para Meredith e algumas roupas, de homem, para mim. Já que estava cheia da grana comprei um iPhone Apple do mais caro e um Ray Ban, só para descontrair.
_ Meredith! Já cheguei! Vamos rápido tenho medo que alguém nos reconheça! O porteiro não me olhou muito feliz, talvez por ter visto o noticiário ou só por que eu sujei a portaria toda com meu café da manhã, mais cedo.
_ É, com certeza por causa da sujeira!_ disse rindo.
Joguei a caixinha para ela que observou com uma careta.
_ É bom eu ficar como a moça dessa caixa!_ disse de forma muito séria, que me fez rir.
_ Vou tentar! Escolhi a mais clara para você ficar bem diferente! Você vai ficar bonita!
Peguei a tesoura que comprei e estremeci, era fácil dizer que ia cortar, mas quando penso no tempo em que demorou a crescer e como estava bonito ultimamente, me batia uma tristeza.
_ Sente-se, eu corto o seu primeiro._ disse ela me empurrando para uma cadeira que posicionou para mim.
_ Eu não posso! É meu cabelo! Não posso cortar, muito menos com você!
_ Calma! Minha mãe é cabelereira!_ disse Meredith tentando me manter quieta na cadeira.
_ A sua mãe é, você não!_ eu disse preocupada.
_ Eu herdei o dom dela! Apesar de não ter muita intimidade com cortes de cabelo.
Apenas meneei a cabeça, vencida. Mas quando ela ia cortar a primeira mecha me ergui violentamente.
_ Vai dar pra trás agora, Aurya?
_ Espera, eu faço isso!_ eu disse, arrancando a tesoura de sua mão e entrando no banheiro.
Estava ali de frente para o espelho, a tesoura em minha mão tremia compulsoriamente. Puxei a primeira mecha me preparando para cortar, mas as lágrimas me impediram, sacudi meu rosto afastando-as, tinha que tomar coragem. Ergui a mecha e cortei com determinação. E a seguinte foi mais fácil, e a terceira também.
Saí do banheiro depois que certifiquei que não havia resquício de lágrimas, me arrependi por não ter tirado uma foto de como estava meu cabelo estava, demorou tanto para ficar daquele tamanho, ele chegava um pouco acima da metade das minhas costas e agora estava curtinho como o de um garoto.
_ Nossa! Fiquei preocupada!_ disse Meredith se levantando da cama quando me viu sair._ Você entrou de um jeito no banheiro... Nossa! Seu cabelo!_ falou dando conta do que eu tinha feito.
_ Ficou bom?_ perguntei pesarosa.
_ Sim! Ficou perfeito! Apesar de achar que tinha que ser menor! Passar a máquina quem sabe...
_ Você está louca? Nunca! Estou quase careca!
_ É, mas você não parece nada com um menino!
_ Devem ser as roupas!_ disse tentando defender meu cabelo.
_ Também, mas tem algo mais, acho que é... não sei...
_ Comprei várias roupas para a gente! Escolha alguma que fique boa!
Ela me entregou um short cinza listrado estilo social, um tênis Late Stone da Coca- Cola, uma camisa branca e uma jaqueta jeans branca também.
_ Você vai ter que tirar esse colar._ disse Meredith._ Eu sei que foi sua mãe que fez, mas ele tem uma borboletinha na ponta!
_ Não! Eu não gosto de ficar sem ele! Eu posso apenas escondê-lo!
_ Você não pode deixar ninguém ver!
_ Ok._ respondi.
_ Seu top é bem apertado e da uma disfarçada nos seus seios, você não tem quase nada mesmo!
_ Obrigada!_ disse sarcástica._ Comprei camisas largas justamente por causa disso. E aí?_ perguntei.
_ Hum... Ainda falta uma coisa!
_ O quê? Não me venha com história de máquina 1._ falei.
_ Não é isso! Já sei! Fica aqui.
Ela foi pulando até a bolsa que tinha trazido e trouxe um desodorante. Antes mesmo de eu conseguir fechar os olhos, ela disparou contra mim.
_ Agora está perfeito!
_ Você jogou mais da metade no meu rosto, Meredith! E uma pergunta: você sempre anda com desodorante masculino na bolsa?
_ É do Johanes, ele pediu para eu comprar para ele um dia antes de fugirmos, essa foi a desculpa que usei para tirá-lo de seu gabinete. Me deixa ver como você está!_ disse ela se afastando. Seu olhar cruzou meu busto com aprovação, e parou pasma em minhas pernas.
_ O que foi dessa vez?
_ Você tem que deixar suas pernas sem depilar!
_ O quê?_ gritei com uma voz esganiçada.
_ Sim, garotos não depilam as pernas! Pelo menos o tipo de garoto que você está tentando parecer.
_ Ai que horrível!_ não contive minha rejeição ao fato.
_ Se quer fingir ser meu namorado vai ter que deixar essa perna cabeluda, querida!
Bufei e assenti._ Vamos pintar seu cabelo, agora!
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