“Saudade é um sentimento que não cabe no coração, escorre pelos olhos.” (Bob Marley)

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Vinte e seis de setembro de 2010, Domingo.

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Oi Diário.

tristeza me invade tornando uma tortura enorme para meu coração. A primavera está iniciando da pior forma possível para mim. Já não sinto tanto empolgação para com a estação nova e parece que o mundo se tornou preto e branco.

Esqueça quando falei sobre raiva ou coisas relacionadas à vingança, Steve não apareceu por cinco dias e isso está me deixando para baixo. Eu gosto daquele rapaz, gosto de seus olhos cinzas e de seu sorriso tão envolvente. O que está havendo? Por que ele sumiu? Será que algo aconteceu? Esses pensamentos me machucam mais.

Hoje algo tão estranho me ocorreu e eu não estou com paciência para mais coisas esquisitas. O único esquisito que eu aceitaria nesse momento é o garoto de cheiro maravilhoso, lábios suaves e cabelos bem escuros, mas parece que a vida gosta de fazer pegadinhas comigo.

Passei o dia na praça, não me importei com o sol que começava a esquentar e nem com a fome que machucava meu estômago, só queria ter a certeza que o veria novamente e sentiria seus beijos em minha mão. Mas ele não apareceu. Muitas pessoas passaram por lá. Pessoas que sorriam e brincavam, namoravam e se beijavam, conversavam e contavam segredos, mas nada dele aparecer para transformar meu dia em pura alegria e explosão de sentimentos.

Com o coração partido e uma tristeza que quase se atreveu a sair por meus olhos em forma de lágrimas, avistei um belo rapaz que se aproximava com passos elegantes e sensuais. Ele não vinha em minha direção, apenas caminhava sereno com o olhar fixo a sua frente. Eu o encarei, pois aqueles fios loiros de seus cabelos eram bastante bonitos e seus olhos esmeraldas se destacavam de longe. Fiquei fascinada por seus olhos, mas ainda prefiro os acinzentados de Steve. Por um momento tive a sensação de reviver essa situação, pois o rapaz me encarou e sorriu, logo desaparecendo quando virei meu olhar para outras pessoas. Foi quase a mesma cena que aconteceu quando vi Steve pela primeira vez e isso me deixou quase perplexa.

Parecia uma confusão de pensamentos que passeavam em minha mente de forma muito rápida e louca. Eu não sabia se imaginei aquele rapaz, eu não sabia se imaginei Steve. Por um momento cheguei a acreditar que tudo se passou de minha imaginação e para ser sincera, ainda tenho essa dúvida. Será que minha mente inventou um cara perfeito para mim?!

Levantei daquele banco de concreto e corri até minha casa, sem ligar para as quentes lágrimas que corriam em meu rosto. Comecei a dar birra em meu quarto, pulando na cama enquanto gritava por seu nome que se misturavam com as lágrimas salgadas e o sufoco de meu choro. É doloroso querer alguém e não ter. Mais doloroso ainda é não ter certeza se ele foi real, mas se tudo for fruto da minha imaginação, então, minha mente querida, poderia fazer o favor de trazê-lo novamente?

Eu sei que devo estar ficando louca, talvez uma consulta psiquiátrica seja necessária para colocar minha mente em ordem, acho que falarei com Florence depois para marcar uma sessão. Mas agora eu só quero o Steve. Onde estará?