Notas iniciais
Oláááá! Gente, estou tão contente com os comentários! E também, em especial, pela recomendação da AAJ. Nossa! Muito obrigada anjo *o* *coração aos pulos* Enfim, aqui está mais um capítulo quentinho para vocês >< Boa leitura

Mistérios da meia-noite

Que voam longe

Que você nunca

Não sabe nunca

Se vão, se ficam

Quem vai, quem foi...”

(Zé Ramalho –Mistérios da Meia-Noite)



Dois de setembro de 2010, Quinta-feira.



Oi Diário.

Estou desesperada.

Tive novamente outra paralisia do sono, quero dizer, nós já sabemos que não se trata disso, mas que é alguma coisa que me assombra. Não importa, o que importa é que aconteceu novamente e isso já está me desgastando. Desta vez eu gritei sem medo algum, fazendo um escândalo e acordando Florence. No momento que ela apareceu em meu quarto a sombra sumiu e eu estava em lágrimas, isso sem contar nua. Ela me abraçou a perguntou o que aconteceu.

“Eu estava dormindo e fui acordada por um toque em meus ombros. Quando abri meus olhos vi somente o formato de um homem, como estava escuro não pude enxerga-lo de forma clara. Ele tirou todas as minhas vestes e começou a fazer o que não devia. Gritei, mas quando você chegou ele desapareceu.” É claro que ela não acreditou nessa história, falou que tudo foi um pesadelo e que eu estava sem roupa porque eu mesma tirei-as sem perceber. Após, saiu e tentei voltar a dormir. Não consegui.

Não foi um sonho, diário. Realmente aquele fantasma tarado tirou meu pijama e minhas roupas íntimas; ele beijou meus lábios e passou sua mão imunda em minha cintura, meu rosto, meus seios. Nessa parte dedicou uma atenção especial e ficou apertando, como se fosse alguma espécie de buzina. Depois desceu a mão para onde não devia, tocando em minha parte sensível e brincando ali. Ele é um tarado e senti seu órgão genital masculino encostando-se a minha pele. Que nojo! Quando ele ia colocar aquele pedaço de carne endurecido dentro de mim comecei a gritar histérica. Ele tentou me calar, mas não conseguiu e então Florence apareceu. Sabe o que me é mais angustiante, diário? É saber que meu corpo reagiu a favor de seus toques e inclusive que gostei daquele contato mesmo estando apavorada.

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Deixei de escrever sem ao menos despedir-me, peço desculpas.

Eu não consegui dormir direito após aquilo, fiquei acordada o tempo toda com medo do tarado voltar me estuprar enquanto durmo. Infelizmente isso resultou em um dia cansativo. Minha manhã foi deprimente e fiquei o tempo todo comendo cereal com leite. Assisti desenhos animados e por algum motivo estranho todos me deixaram fixa em seus assuntos malucos e acontecimentos impossíveis. Senti-me como uma criança e isso foi gratificante para a minha alma.

Quando fui para a aula comecei a sentir as consequências de não ter dormido corretamente. Meu corpo pesou e dormi a maioria do tempo, ganhando um novo apelido: menina preguiça. Não liguei para isso, não foram eles que receberam a visita inesperada de uma criatura estranha que queria manter relações sexuais. Voltar para casa estava sendo horrível até Steve aparecer com seu incrível sorriso. Esqueci-me de te relatar que por esses dias nos vimos bastante e estamos iniciando uma amizade. Ele é legal e pouco sei sobre sua pessoa, mas gosto de estar com ele. Ao encontra-lo, ele me abraçou e retribui. Foi confortável e interessante.

“Você está bem?”, falou e balancei minha cabeça negando.

“Queria estar. Não dormi bem essa noite.”, ele me olhou confuso e abriu um sorriso.

“Mais uma visita hoje?”, parei de caminhar e o fitei incrédula. Eu não o havia contado sobre aquele fantasma, a verdade é que eu mantinha segredo disso. Mas como ele sabia?

“Como você sabe disso, Steve?”, ele deu de ombros.

“Sei de muitas coisas”, falou como se isso fosse normal. Nesse momento fiquei com medo e me recordei sobre ele falar que achava minha vida interessante.

Steve é mais esquisito do que eu imaginava, mas mesmo assim andei ao seu lado o caminho restante para minha casa. Ao chegar, novamente ele pegou minha mão e beijou. Sempre nos despedíamos assim e eu gosto, é um tanto romântico. Entrei em casa sem ao menos olhar para trás e corri até meu quarto, joguei a mochila no chão e deitei em minha confortável cama que me chamava para um cochilo.

Sonhei algo esquisito. Era outono e as folhas das árvores caiam suaves no chão ao ritmo do vento. Eu usava um vestido florido e este se balançava, revelando pequenas curvas de meu corpo. No meu campo de vista se encontrava Steve. Estávamos na praça e ele sorria para mim, elevando sua mão até meu rosto e tocando com delicadeza. Nada falávamos, apenas nossos olhares estavam fixos e ele aproximava-se mais. O seu rosto inclinava-se para que nossos lábios se encontrassem e quando estávamos para nos beijar, acordei. Finalmente um sonho bom e na melhor parte acabei acordando.

E agora estou aqui, sentada na cama te contando algumas coisas que aconteceram comigo. Eu sei que tudo está ficando cada vez mais esquisito e acredito que estou em um ponto de cansaço dessa situação toda. O pior é que não consigo tirar essa sensação de dentro de mim. Sensação de que muitas coisas ainda estão por vir e eu tenho medo disso.

Até a próxima.