Ele
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Domingo, 22 de fevereiro de 2015 – Veja, sinta, beije, ame.
Escrito por G. de Oliveira
Uma redoma não é necessária para fazê-lo se sentir protegido. Deitado com Sakura em seus braços, eles apenas trancaram-se na casa de campo que ele tanto amava na infância e se deixaram descansar, fazendo nada, apenas aproveitando a presença um do outro. Fazia frio, o céu estava nublado e vez ou outra caía uma leve garoa, deixando um cheiro de terra molhada e conforto.
Ele pegou o cobertor mais quente que tinham na casa e cobriu a si e Sakura. Ela estava deitada e completamente tranquila e tão relaxada como Ele nunca pensou que veria. Estavam bem aquecidos e em silêncio, apenas ouvindo os sons que a natureza podia lhes oferecer. Era em momentos como esse que Ele conseguia todas as certezas para aquelas dúvidas bobas sobre seus sentimentos, e Ele sabia que, tendo-a ali tão perto, tão sua, a amava mais do que tudo e faria tudo para mantê-la segura daquele mundo cruel.
Ele se sentia um verdadeiro herói, alguém com valor suficiente para salvar a vida de uma pessoa quando esta se via perdida em seus conflitos e medos. Ele havia se tornado importante para Sakura ao ponto de ser tudo que ela precisava para ser feliz, uma razão para sorrir e lutar. E por mais estranho e intenso que fosse, Ele se sentia entregue e preparado para tudo que ela fizesse, quisesse, falasse e desejasse.
Sakura respirava calmamente, algumas vezes suspirava forte, talvez por causa dos sonhos, mas não parava de apertá-lo com seus braços. Ele se sentia um pouco nervoso, como se fosse um daqueles adolescentes que se apaixonam pela primeira vez e são correspondidos. Era bem idiota essa sensação, e completamente alucinante. Algo totalmente novo e muito bem vindo. Depois que Ele entendeu que precisava desse sentimento, é claro.
Ali, tão encolhida, Ele via quão desprotegida Sakura estava. Sua vulnerabilidade acabava levando-a a se machucar gravemente, mas ela sempre se escondia naquele sorriso torto e olhos tristes; sua sorte era que havia aprendido muito bem como se esconder. Quando ela tirava aquela máscara e mostrava toda sua verdade para Ele, era aí que entendia a confiança que ela tinha sobre Ele e que seu dever era protegê-la, ou pelo menos, curar aquela dor.
Sakura começou a se mexer, espreguiçou-se ainda de olhos fechados e voltou a ficar quieta e encolhida nos braços dele. Ele sabia que ela estava acordada, mas apenas enrolando, com aquela sua típica preguiça matinal. Ele ficou ali, apenas observando-a, esperando o momento em que ela abriria os olhos e houvesse aquela pequena explosão de faíscas que sempre sentia quando ela pregava aqueles olhos esverdeados nos seus negros.
Não demorou muito e ela abriu os olhos. Sakura teve um pouco de dificuldade, mas logo estava com os olhos bem abertos e observando-o enquanto um sorriso tímido surgia de seus lábios. Era disso que Ele gostava: vê-la sorrindo, tímida, feliz por tê-lo por perto. Ele gostava dessa sensação, gostava de ser feliz por causa da felicidade dela. Era algo que compartilhavam sem sequer notar.
— Oi.
— Oi. — Ele respondeu em tom baixo e rouco. — Pode dormir mais se quiser.
— Hm, não quero. — ela riu, aconchegando-se mais a ele.
— E o que você quer?
Sakura beijou demorada e lentamente o pescoço dele, deixando um rastro de faísca naquele local e ergueu-se um pouco para olhá-lo e surpreende-lo com um sorriso totalmente diferente do de poucos segundos atrás. Algo entre sexy e provocante, chamando-o para ela em uma ordem silenciosa. Ela aproximou-se o máximo até seus narizes estarem encostados. Esfregou seus lábios aos dele, apenas ameaçando um beijo que ela negou-se a dar até o momento certo, até o momento em que Ele não pôde mais aguentar e deixou-a abaixo de si. Ficaram por alguns segundos olhando-se, lendo um ao outro sem se importar com mais nada lá além de si mesmos.
Ela puxou-o e deu início ao beijo, que ela mesma comandou, deixando lento e carinhoso, não da forma que ele costumava fazer, sempre selvagem e forte. Era bom isso, e Ele sabia que Sakura gostava de dominá-lo, fazê-lo seguir suas regras, seus desejos. E por que Ele não faria? Assim como ela, Ele queria tudo que ela pudesse lhe dar, e sempre desejaria mais e mais.
O beijo foi se tornando mais intenso, ainda sob o comando de Sakura, e os toques foram mais longe, explorando todos os lugares nunca explorados antes por eles, e nada poderia impedi-los. Sakura sempre gostou de mexer em sua barba ou enfiar as mãos naqueles cabelos macios e cheirosos, especialmente quando o beijava, porque sabia muito bem que o deixava tentado a mais — mais ainda quando ela arranhava um pouco a nuca dele.
Quando ela puxou a blusa dele, Ele apenas deixou que ela a tirasse e aproveitasse que estava de joelhos para deixa-lo queimando nas faíscas ao beija-lo leve e demoradamente ao longo do tórax; arranhões também ficaram por lá. Sakura foi ainda mais embaixo, chegando até onde estava o laço da calça que ela desfez com os dentes. Ele se sentia incrivelmente excitado em vê-la tão entregue e safada, algo raro que eles guardavam secretamente para si mesmos.
Sakura ajudou-o a tirar a calça e riu baixinho, quase tímida em vê-lo nu, ainda que não fosse a primeira vez. Após uma leve mordida nos lábios dele, ela voltou a beija-lo intensamente, ditando o melhor ritmo para eles. Ele explorava o corpo de Sakura com carinho, porém forte, firme, deixando rastros dele naquela pele — e qualquer um saberia a quem ela pertence, apenas pelo fato de que o cheiro dele está nela e sempre estará.
Ela o jogou na cama, e ficou por cima, sorrindo enquanto rebolava levemente, esfregando sua intimidade na dele, deixando-o irritado porque ainda estava com seu short que os impedia de sentirem um ao outro completamente. Ele tentou mudar as posições, mas ela não deixou, mantendo-o firme daquela forma. Parou por um momento para tirar a blusa e o short que os atrapalhava. Inclinou-se para beijá-lo mais uma vez e, em uma rapidez profissional, logo estava num “69”. Completamente exposta a Ele, Sakura deixou-se levar por todo e qualquer instinto que tinha e abocanhou o pênis dele, revezando os movimentos de sobe e desce rápidos e lentos. A sensação de ter a boca de Sakura tão quente e provocante em seu pênis era simplesmente indescritível.
Mesmo com os gemidos saindo de seus lábios descontroladamente, Ele também queria brincar, por isso começou a lamber e chupar a vagina de Sakura, passando sua língua lentamente para logo segurar seu clitóris entre os lábios e suga-los com muita vontade. O gosto era agridoce, mas tentador, como se seu odor o chamasse, o ordenasse a fazer aquilo, a agrada-la e fazê-la gritar.
Ambos sentiam prazer, tanto por dar como por receber, mas a brincadeira não duraria muito. Ele não podia aguentar mais apenas aquilo, precisava de mais, muito mais, e Ele sabia que Sakura não lhe negaria nada. Pegou-a pela cintura e puxou-a de volta para cima de si, beijou-a como sempre gostava de fazer, selvagem e forte, fazendo com que suas bocas misturassem os próprios gostos, dando uma sensação desconhecida, porém muito boa de troca e recepção.
Sakura ergueu-se um pouco para ser penetrada. Enquanto descia lentamente, a sensação de ser preenchida por aquele que ela escolheu era a melhor que poderia existir, e Ele se sentia a beira da loucura, uma loucura que receberia de braços abertos. Com Ele completamente dentro de si, ela ficou parada por um momento, apenas olhando-o, deixando que a conexão corporal chegasse até a sua alma, causando choques, arrepios e as típicas faíscas.
Ele a impulsou e Sakura começou a se movimentar, de mãos dadas com Ele. Ela sabia que não precisava se segurar diante dele, então apenas acelerou os movimentos ao máximo que podia. Em um momento ela inclinou-se sobre Ele, deixando-o penetrá-la da forma que quisesse, enquanto ela correspondia como podia. Não eram apenas os beijos selvagens e fortes.
Ele sentiu quando a vagina de Sakura começou a se contrair, apertando seu pênis, segurando-o, como se quisesse garantir que não haveria fuga naquele momento. Quando o tremor intenso fez o braço esquerdo de Sakura fraquejar e logo em seguida passou por todo o corpo, Ele soube que ela tinha tido um orgasmo. E Ele não demorou muito para finalizar, com mais alguns estocadas, se derramando intensamente dentro dela.
Passaram-se minutos e ficaram ali, ofegantes, esperando que o ar voltasse a se regular em seus pulmões, entre carícias e beijos leves e carinhosos. Não precisaram dizer nada. Sakura deu um sorriso tímido que foi o suficiente para que Ele soubesse que ela o ama mais do que tudo e que as três palavras mágicas do amor não eram suficiente para demonstrar tal sentimento.
Bom, Ele se sentia do mesmo jeito.
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