Notas iniciais
Foi uma tentativa. Me veio a idéia na cabeça e eu fiz, pronto.


A primeira coisa que fiz quando cheguei do trabalho foi tomar uma ducha, colocar uma roupa fresca e mexer no celular. Surpresa. Admito que não esperava nada daquele tipo vindo de Eduardo, meu melhor amigo, e o sorriso que acabara de se formar nos meus lábios era qualquer efeito de droga — brincadeira — eu só não queria acreditar que estava feliz por conta de um pedido de desculpas.



Tudo foi por conta de uma festa que fomos na noite passada, eu estava abraçado com Eduardo, que já estava com sono por causa das bebidas, ele adormeceu no meu colo enquanto eu fazia carinho em seu cabelo. Tiraram foto e mandaram para ele no dia seguinte, um escândalo. Eu esperava mais das pessoas que tiraram a foto — colegas da faculdade — e de Eduardo.

As batidas na porta fizeram com que eu despertasse dos meus pensamentos. Olhei o relógio na estante. 00:14. Que diabos queriam comigo 00:14? Me levantei bufando e abri a porta com uma das sobrancelhas arqueadas.

Era Eduardo, era o edu. Ele era um garoto moreno de vinte anos, os olhos castanhos claros exuberantes me hipnotizavam, e por incrível que pareça eu não sabia muito coisa sobre sua vida. Nos conhecemos pela internet, trocamos telefones e nos encontramos em uma cafeteria no centro da cidade. Eduardo sempre foi um rapaz sincero e íntegro, mesmo sendo chato e grosso na maioria das vezes era, e sempre seria dono de um coração de ouro. Seus cabelos eram lisos e castanhos, cortados na altura do pescoço. Sua pele era branca e macia. As curvas de seu corpo — Eu as conhecia de vista — eram perfeitas.

Agora estavamos ali, Eduardo me encarando com flores nas mãos e eu lutando para não demonstrar minhas emoções. Eu queria entender o motivo daquilo tudo, eram as desculpas? Se fosse por isso aquela mensagem já bastava. Mas não...

- Me desculpa Oliver? Eu fui um idiota. — Ele entrou no meu apartamento sem a minha permissão.
- Caiu em sí? Hum. — Disse de braços cruzados.
- Eu sei que você detesta flores, eu sei. Sei também que você não admite meus erros e que tem vontade de me jogar dessa janela. Eu sei de tudo isso cara. Só que ultimamente a minha vida anda tão sem graça sem você... Eu preciso de você Oliver. Eu vou a uma livraria e não sei que livro escolho, eu vou ao cinema e vejo um monte de gente acompanhada, e eu? Sozinho.
- Se o seu problema é companhia Eduardo, simples. Arrume uma namorada, meu papel é de amigo e é bem diferente. O teu problema é carência. — Gesticulei no final da frase com raiva e fiquei de costas.

Senti um braço forte me puxando e meu coração acelerou. Ele me fitava de uma maneira curiosa e me olhava com uma carinha tão sincera e tão bonita quanto suas palavras.

- O meu problema é você. Aquela noite na festa eu não estava dormindo, eu estava bem acordado, mas preferi fingir para que você cuidasse de mim. Eu gosto de você Oliver! O que você quer em?
- Como assim? Você é louco. Quero me de uma melancia inteira para jogar na sua cabeça! — Disse irritado.
- Vai lá no sacolão, lá vende. — Ele disse e me largou.
- Tá vendo? É um bruto mesmo! Você só sab...

Quando me virei para mandá-lo embora senti o peso de seus lábios próximo dos meus. O atrito dos nossos corpos se tocando me deixou embaraçado, com medo. Ele botou uma das mãos no meu rosto enquanto brincava com a minha língua, aos poucos foi recuperando o fôlego dos beijos.

- Me s-o.. — Tentei dizer em meio aos beijos.
- Não fala nada, por favor. — Ele disse me pegando no colo.
- Eu falo sim! Você é um bruto e me ponha no chão. Quer saber? Farei um inferno da sua vida ao meu lado.
- Não... Vai ser um céu minha onça braba.

Eu queria fugir dos braços dele mas era impossível. Eu o amava mais que tudo nessa vida. Todas os dias que eu estive com ele e não pude dizer um "eu te amo" me machucaram muito, mas aquele momento, ah... Aquele momento valia por milhões de "eu te amo" ditos por mim. Lentamente encostei minha boca em seus lábios rosados. Aos poucos senti seu coração acelerando assim como o meu. Um beijo apaixonado. Diante daquilo ninguém poderia distinguir quem era onça braba e quem era bruto; pois nós dois amansados, nos tornávamos um só.

Notas finais
Como assim você vai sair e não vai deixar um comentário?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!