Eldrwin E O Medalhão Real
10 O convite de Suhoz
Eldrwin tremeu e perdeu o fôlego que poderia o fazer falar qualquer coisa que seja. Olhou para Kairou e percebeu que o amigo estava mais pálido do que folha de pergaminho novo. Mas, para piorar a situação constrangedora, o rei Gallic surgiu atrás de Villian. A coroa de ouro brilhando na cabeça entre os cabelos castanhos, o olhar faiscante como o de Anya e talvez ainda mais difíceis de serem encarados pelo fato de ser a autoridade máxima do reino. Além dele, Jedah também apareceu, a túnica cinzenta e o cajado prateado em sua mão direita, o olhar cansado, mas atento a tudo e a todos e, para completar o quarteto mais importante que Eldrwin poderia contemplar, Suhoz surgiu ao lado de Jedah.
Parecia ser mais novo visto de perto do que de longe. Seus olhos calculistas eram extremamente negros assim com sua barba. Sua túnica, esverdeada era bela com alguns detalhes dourados nas extremidades das mangas. Ele não usava, assim como Jedah, um cajado. Na realidade, Suhoz possuía embainhada em sua cintura uma longa espada. Os quatro pararam ali e fitaram Eldrwin e Kairou em silencio. Um silencio perturbador por sinal que fora quebrado novamente por Villian.
— Eldrwin e Kairou! Repito e exijo uma resposta. O que os dois est...
Antes que Villian pudesse concluir, Eldrwin simplesmente vomitou absolutamente tudo o que poderia falar de uma vez só.
—FOMOSATACADOSONTEMANOITEPORGUERREIROSNEGROS!!
Tanto Villian quanto os outros se entreolharam completamente confusos diante da declaração do jovem. Jedah então disse calmamente.
— Acho que conseguiríamos entender se falasse um pouco mais devagar concorda Eldrwin? Acha que seria mais prudente que nós entrássemos novamente Gallic?
Depois de mais um instante de silencio, o rei mirou os dois jovens. A expressão fechada e decidida fizeram Eldrwin e Kairou engolirem um nó. Por fim, declarou.
— Sem sombra de dúvidas. Acompanhem-nos.
Os quatro então seguiram para a sala de reuniões do castelo. Atravessaram as portas de carvalho que se fecharam depois que todos passaram e seguiram caminhando por uma uma enorme sala com uma mesa longa ao centro. Nas paredes espalhadas, havia belas pinturas e, pelas janelas, enormes cortinas cor vinho se estendiam do teto ornamentado com lustres de cristal, ao chão calçado com uma pedra lustrosa e azulada. A luz do sol invadia o local e todos foram se assentando com exceção dos dois jovens. Eldrwin estava participando de uma reunião a qual nunca imaginaria que poderia participar. Kairou ao seu lado permanecia em silencio, meio catatônico como se estivesse em transe, com a pele do rosto ainda branca. Jedah então disse aos dois que ainda permaneciam em pé como estátuas.
— Vocês podem se sentar.
Ambos obedeceram e dessa vez Villian se dirigiu aos dois.
— Agora, digam com calma. O que estão fazendo aqui.
O garoto respirou fundo. Parece que a primeira declaração lhe tirou um peso dos ombros e, agora se sentindo mais leve, começou a contar toda a história da noite anterior. O que lhe acontecera e ao amigo, o que ouvira e também o que estava fazendo ali. Contou mais detalhes sobre sua busca ao pergaminho de Orion, enquanto Villian analisava-o com atenção. O rei não podia disfarçar certa apreensão em sua expressão e Jedah sequer piscava. Depois de momentos de silencio, e ter concluído a história, Eldrwin percebendo que talvez não tivesse sucesso em sua tentativa disse um tanto pesaroso.
— Vamos entender se não nos quiserem na missão.
Mas para sua total surpresa, Suhoz declarou animadamente olhando para Jedah, Villian e Gallic.
— Ora, os rapazes são guerreiros valentes! Quantos anos vocês dois possuem soldados?
— Desessete! – Os dois disseram em uníssono.
— E se colocando à disposição desta forma para ajudar o reino vizinho! É um ato honroso da parte deles Jedah. Ainda tão novos!
Eldrwin e Kairou não conseguiram segurar o enorme sorriso de satisfação ao olhar para Suhoz. O guardião aparentemente havia entendido a intenção dos dois que o fitavam com os olhos brilhantes de animação.
— Sem dúvida que é – Disse Jedah serenamente e continuou – Seria importante que vocês saibam que sim, o rei de Betta foi atacado assim como o rei Gallic. E de acordo com Suhoz, os guerreiros negros estavam procurando pelo medalhão real.
Os jovens se entreolharam chocados. Aquilo era exatamente a confirmação que tanto gostariam de ouvir. Suhoz continuou a explicação.
— O rei e a família real estão a salvo! Porém tememos que mais ataques como este possam acontecer novamente. Se guerreiros negros estão voltando a atacar, é evidente que de alguma forma a influência de Ahzzarafh ainda permanece de alguma maneira pelas terras de Alezia. Como guardião do reino de Betta é meu dever alertar os reinos vizinhos deste mal. Mas, não queremos, assim como rei Gallic sempre diz, que a paz do reino seja abalada com a notícia de que Ahzzarafh esteja vivo ou, talvez, tentando voltar. Ouvir vocês dizendo isto apenas confirmou tudo aquilo que eu temia.
— Ouçam! – O rei começou a declarar. A voz potente ecoando pela sala – A partir deste momento é bom que saibam que estamos tentando impedir que uma guerra venha a acontecer novamente. É imprescindível que tudo o que vocês estão ouvindo e vendo, aqui permaneça entenderam?
Os dois assentiram quase que instantaneamente. Eldrwin então, ainda sentindo que talvez não tivesse um pingo de autoridade para falar o que iria falar, perguntou:
— Mas, o que é o medalhão real? Por que estão querendo ele?
Jedah então começou a explicação calmamente.
— Há pouco tempo atrás, vocês dois presenciaram a busca de alguns dos seguidores de Ahzzarafh pelo perdido pergaminho de Orion certo?
Eldrwin lembrou-se de relance tudo o que havia acontecido com ele, Kairou e Anya tempos atrás, e quase como morreu tentando impedir Dmitri. A voz de Jedah o fez voltar para o presente.
— Porém, o que vocês precisam saber, é que existem espalhados pelas terras de Alezia, cinco talismãs místicos. O pergaminho de Orion é um deles, e o medalhão real, criado por Betta, outro.
— E o que esse medalhão pode fazer? – Kairou rompeu o silencio pela primeira vez e logo foi respondido por Jedah.
— Por mais inútil que possa parecer, a história diz que o medalhão real foi envolvido por uma espécie de misticismo de troca. Pode-se obter qualquer coisa através dos poderes dele, mas algo deve ser oferecido para que se possa obter o que se deseja.
— O mais intrigante de tudo – Suhoz começou a dizer – É que o medalhão desapareceu do reino de Betta. No inicio de tudo, cada talismã foi entregue a cada rei para que pudesse guarda-lo. Mas, agora ele pode estar em qualquer lugar. Achávamos até mesmo que ele nem sequer existisse mais, porém com esses ataques, é provável que ainda esteja em algum lugar escondido em Betta.
Eldrwin e Kairou novamente se entreolharam. A empolgação de serem convidados a ajudarem um reino vizinho tornou-se agora mais real. Villian então se levantou e começou a dizer.
— Não sabemos o que os guerreiros negros querem com o medalhão, mas coisa boa definitivamente não é. Precisamos recuperá-lo e escondê-lo em segurança.
— Rei Gallic – Suhoz disse de repente — Definitivamente estes jovens possuem experiência para lidar com este tipo de situação mais do que nossos soldados. Não queremos que o horror se alastre. Eu, como guardião do reino de Betta ficaria honrado com a valorosa ajuda deles para ajudar na busca.
Tudo o que Eldrwin e Kairou queriam estava se tornando realidade. Estavam a um passo de conseguirem a tão sonhada autorização para irem até Betta. Até que a porta da sala se escancarou com uma forte pancada fazendo com que todos se sobressaltassem. O rei, com os olhos bem abertos, mirava aquela que, sem sombra de dúvidas, era a ultima pessoa que ele gostaria que participassem da aventura.
— Se eles forem! Eu também tenho o total direito de ir! – Dizia Anya parada frente à mesa. Os olhos azuis e intensos faiscando para o rei.
Fale com o autor