Eldamälle
10 Segunda fase- Capítulo 1
Notas iniciais
Durante várias vidas humanas, Legolas reinou sobre Mirkwood. Um rei amado e admirado por vários povos e raças, um grande diplomata. A relação como os anões se tornou sólida como os pilares da terra, e mesmo após a morte de seu grande amigo Gimli, continuou a se relacionar com esse povo. Como já era a muito tempo esperado, no outono de seu centenésimo quarto aniversário de casamento, Idril deu a luz a uma criança. Um pequeno elfo que recebeu o nome de Laziel. Todos festejaram o nascimento, em um grande banquete que durou sete dias.
A felicidade era plena e mesmo que os elfos estivessem isolados em sua floresta – o mundo lá fora não os atraia mais – esqueceram da dor e do medo. Os vários anos que se seguiram nenhuma espada ou flecha fora atirada contra um inimigo.
Mas o mal sempre está à espreita.
Laziel era uma criança alegre, mas um pouco pensativa demais. Tinha grande amor pelos jardins, herdado de seu pai. E em especial gostada de uma árvore. Seu caule era torto e cheio de caroços, possuía muitos galhos que começavam antes das árvores de faia dali. No inverno suas folhas adquiriam uma coloração vermelha viva e mesmo no inverno quando todas as outras tinham sua folhagem cinzenta e quebradiça ela continuava colorida como se o frio não a atingisse.
O pequeno elfo escalava a árvore, mas não conseguia chegar até o topo. Sentava-se em um galho cheio de caroços, liso e retorcido. Balançava seus pés no ar enquanto olhava para baixo.
A grama sempre verde e bem aparada se esticava como um grande tapete macio.
– Laziel – a voz calma e sempre controlada de Idril chegou até os ouvidos de seu filho. Usava um vestido azul claro com redemoinhos prateados desenhados. Seus fios eram trançados com pérolas e fios de prata pura. – Está na hora de entrar e tomar banho. Logo seu pai irá sair da reunião não quer ver ele?
Laziel fez um pequeno beicinho e pensou em insistir para ficar mais tempo no jardim. Mas ele sabia que isso funcionava apenas com seu pai e tio.
Jogou seu corpo para frente e se agarrou ao pescoço de sua mãe, que esperava com os braços abertos. O segurou contra seu corpo e acariciou seu rosto tirando alguns fios.
– Seu cabelo está ficando muito longo. Teremos que fazer tranças nele.
– Oh...sério nana? Vai fazer tranças iguais aquelas que ada usa quando viaja ou vai praticar?
– Ainda não meu pequeno. São tranças de guerreiro e você ainda é muito pequeno para elas. – disse pacientemente enquanto caminhava com a criança em seu colo.
– Ah....nana!
Dentro dos salões estavam reunidos os senhores da antiga Cidade do lago. Que agora havia se tornado um grande centro, repleto de mercadores e viajantes. Pousadas belas e povo hospitaleiro. Ainda localizado próximo ao lago e com belíssima paisagem da montanha solitária e de Mirkwood, com seus animais e folhagem exóticas se tornou uma cidade de veraneio.
Casas coloridas com vasos floridos pendendo de suas janelas.
Francisco, um parente distante de Bard era seu novo prefeito. Um homem robusto com bochechas redondas e rosadas, olhos pequenos e quase invisíveis por baixo de suas sobrancelhas espessas. Tinha uma risada grave e grande tendência a ficar bêbado com apenas um pouco do vinho dos elfos. Vinha acompanhado de Vladimir, seu vice prefeito. Um homem carrancudo e magricela. Alto e com cabelo longo e oleoso, nariz torto e com uma corcunda nas costas. Mas muito sábio. Sua comitiva era mais alguns homens influentes e ricos. Entre eles Samuel, pai de Mirando. A mortal que Go’nor desposou.
– Fiquei muito feliz com esse novo acordo. Tenho certeza que será bom para ambos – Falou Francisco todo sorridente e cheio de pompa. Acariciou sua barriga redonda e saliente.
Legolas sorriu calmamente e acenou com a cabeça. Usava a coroa que pertencera a seu pai tempos atrás. Usava um manto longo e verde reluzente que parecia captar a luz natural que entrava através de uma grande janela – construída sob ordem de Legolas – Sua roupa por baixo era cinza, com botões prateados e intricados. Seus fios caíam soltos por seus ombros e quase chegavam à altura de sua cintura. Usava as tranças apenas quando precisava se retirar do reino.
Elros também estava presente. Sentava-se a esquerda de Legolas. Seu povo mudou-se para a floresta, e o tempo que passaram ali lhe trouxe mudanças. Seus fios eram penteados e presos em tranças, suas vestes escuras foram trocadas pelas roupas da guarda real. Mantinha uma expressão concentrada e falava pouco. De acordo com ele era um homem de ação e poucas palavras.
A noite se aproximou rapidamente. E logo os homens regrediram para suas moradias. Elros morava no vilarejo dos elfos. Que era construído contornando o palácio, com casas redondas e janelas transparentes. Escadas circulares se estendiam e subiam alto, levando por corredores pavimentados com pedras translúcidas que refletiam as cores da floresta.
– Foi um dia longo. Meu pai teria lhe sido de mais ajuda do que eu. Preferia ter sido eu a liderar a comitiva. – queixou-se enquanto fitava o líquido dentro de sua taça.
Legolas deixou uma risada escapar.
– Calma amigo. Sua companhia foi o suficiente, e levando em consideração que a tarefa de Lorde Daeron se resuma em diplomacia não creio que também lhe fosse agradar.
Elros bufou e se levantou cambaleante.
– Para mim já é o suficiente, irei me retirar e descansar dessa chateação. – Dizendo isso tomou seu caminho atravessando o salão e saindo por uma porta aberta ladeada por dois elfos que ainda estavam ali para servi-los.
Go’nor também se despediu após uma rápida reverência se retirou.
Legolas ficou sozinho e dispensou seus servos. Olhando para um pouco inexistente ficou inexpressivo e pensativo. Seus dedos contornavam a taça de prata vazia, e a coroa parecia estar pesando. Suspirou e fechou os olhos. Quando voltou a abri-los Idril estava parada a sua frente, seus fios soltos, como habitualmente usava para dormir.
– Ainda não consigo ouvir seus passos. –disse com um sorriso abafado.
– Isso significaria que estaria ficando desatenta e fraca.
– Ou talvez que teria começado a confiar em mim. – Sorriu após dizer isso, mas Idril não alterou sua expressão.
– Seu filho ainda o espera meu senhor, recusa-se a dormir antes que o veja.
O quarto era pouco iluminado. As cortinas pesadas estavam fechadas e impediam a entrada da luz noturna, mas era indiferente já que era lua nova e o grande astro de brilho prateado havia se escondido longe demais para que os olhos dos elfos conseguissem louvá-lo.
Legolas vasculhou o quarto com os olhos. Era muito organizado para um pequeno elfo residir nele, a único objeto que diferia era a escrivaninha onde papéis e penas estava colocados fora de seus lugares.
Embaixo de cobertas tingidas de vermelho e bordadas à mão, havia uma elevação. Legolas sorriu e se aproximou sem fazer barulho, como apenas um elfo conseguiria se mover.
Legolas se sentou na beirada da cama e suspirou.
– Onde será que aquele pequeno elfo se enfiou? – disse pensativo
– Estou aqui ada – Laziel esticou sua cabeça para fora dos cobertores.
– Oh...então era ai que estava. – Legolas disse sorrindo.
– Por que demorou tanto ada? Esqueceu que precisa terminar de ler para mim?
– Claro que me lembrei nin íon. A reunião terminou tarde, imaginei que estivesse dormindo. Mas me enganei. Conseguiria me perdoar?
– Sim! Mas terá que ler outra história.
Legolas riu. Seu filho Laziel mantinha o rosto sério, apesar de sua inocência infantil e de seu lábio inferior estar para frente. Esfregou os fios loiros, fazendo com eles fossem para a frente de seu rosto redondo e com bochechas rosadas.
– Ada! – reclamou após gargalhar.
Legolas ainda sorrindo se levantou. Próximo a cama em frente a uma janela ficava uma escrivaninha de madeira de eucalipto. Lustrosa e ainda emitia seu aroma refrescante. O livro estava ali. A página onde tinham parado permanecia marcada por uma ramalhete ressequido de flores silvestres.
Após se sentar, Laziel engatinhou pela cama e colocou a cabeça sobre o colo de seu pai.
–“Então surpresa, Lauriel a jovem e destemida elfa adentrou a caverna seguindo a luz azul brilhante. Sua forma bruxuleava como um fantasma nas paredes, apertou a tocha improvisada entre seus dedos e imaginou que fora uma grande sorte seu pai tê-la ensinado a como conjurar fogo. Apesar de ser em pequeno quantidade a auxiliava muitíssimo.
Andou e andou, por horas, por dias e por semanas. Descendo e subindo uma trilha interminável e estreita. As paredes ao seu lado eram pontiagudas e ásperas.
Seus pés estavam cansados e seus olhos se surpreenderam quando uma luz prateada começou a brilhar no fim do corredor de pedras. Ela correu, ouvia apenas o eco de seus passos e sua respiração.
Era uma pequeno jardim, de grama prateada e com flores com pétalas de ouro e miolo de diamantes.Um pequeno lago ficava no centro, sua água era tão prateada que parecia prata pura e derretida. Lauriel se ajoelhou e tocou a superfície. Era morna e agradável.
– Quem és tu? – disse uma vez.
Pega de surpresa ela jogou seu corpo para trás e viu. Um belíssimo peixe. Seu corpo era longo e liso, sem escamas.Com bigodes que se retorciam e ondulavam, como uma serpente com a cabeça cortada.
– Sou Lauriel de Findris – respondeu.
O peixe nadou formando círculos que. A água refletia no belo rosto de Lauriel que encantada, não percebeu a magia que acontecia. Não notou quando a água cintilou com mais força, nem quando o peixe voltou a falar.
– Teus caminhos a conduziram até mim. Que durante tanto tempo permaneci isolado e confinado a esse tão pequeno lago. Ah...como eu gostaria de nadar pelo azul profundo de águas desconhecidas, mas como vê, não posso andar.- Lamentou.
Lauriel ficou triste imaginando a solidão que o peixe sentia e lhe disse:
– Ôh sábia e bela criatura. Qual é teu nome? Pois eu lhe proponho levá-lo até as grandes águas azuis para que lá tenha uma morada tão esplendorosa quanto o céu.
– Meu nome em minha língua não entenderia, mas creio que a tradução seria ‘peixe’.
Lauriel sorriu e dentro de um jarro de barro guardou peixe, junto com sua água. Com cuidado e atenta começou seu caminho de retorno...”
Legolas sorriu. Seu pequeno elfling ressonava baixinho aconchegado em seu lado. Com cuidado para não acordá-lo, colocou o livro sobre a mesa de cabeceira sem esquecer-se de marcar a página em que interrompeu a leitura.
Debruçou-se sobre seu filho e o ajeitou embaixo dos cobertores. Depositou um beijo sobre sua fonte, e quando ele resmungou e gemeu em seu sono se lembrou de colocar seu cobertor para que dormisse abraçado a ele. O usava quando era apenas um bebê que não conseguia ficar sobre seus próprios pés, agora o segurava contra o rosto para conseguir dormir.
O quarto que dividia com Idril ficava no mesmo corredor. Nas paredes desse corredor ficavam quadros de seus antepassados e parentes distantes
Oropher era sério e austero, parecia eterno. Seus olhos azuis afiados e seu rosto impassível. A avó de Legolas estava em um quadro ao seu lado. Apesar de não sorrir seus olhos pareciam brilhar. Não sabia muito sobre ela, apenas que era parente de Celeborn. Thranduil dividia um quadro com Luandra. Ela sentado em um belíssimo trono com trepadeiras floridas o adornando. Thranduil parecia muito feliz e tranqüilo. Naquele quadro haviam se casado a poucos dias. Legolas sentiu seu peito ser invadido por saudade e melancolia. Um sentimento brilhou em sua cabeça. Um pensamento triste e perturbador. Tanto sua avó quanto sua mãe, havia morrido. Mirkwood nunca teve uma rainha por muito tempo.
Tomou um suspiro longo e fitou um quadro onde seu pai estava sozinho. A coroa de galhos imperiosamente em sua cabeça.
– Estou com saudades adar – sorrindo de lado acrescentou – Ela sempre ficou melhor no senhor.
– Laziel demorou muito para pegar no sono? – Perguntou Idril quando seu marido entrou no quarto.
Ela estava sentada na cama, segurando um tecido onde parecia bordar algo que Legolas não conseguiu ver, já que ela rapidamente – e sem alarde – o guardou.
– Na verdade não. Apenas fiquei alguns segundos pensando. Sinto-me invadido por um sentimento de angústia e saudade, principalmente quando vejo os quadros de meu pai.
De costas para a cama e sentado em um banco feito de madeira braça que era entalhada com sulcos e relevos, formando folhas e flores de estofado coberto por uma seda prateada e reluzente.
Uma penteadeira feita do mesmo material que o banco, mas com duas gavetas em sua frente com puxadores de argola. O espelho era retangular e adornado por duas árvores, onde suas copas se encontravam na parte superior. Fitou-se por alguns instantes comparando sua aparência com a de seu pai, com toda certeza aquela coroa havia ficado melhor nele. Legolas sentia-se deslocado, e com um grande peso. Sobre sua cabeça e ombros e todo dia se levantava com medo de falhar. Para com seu povo e para com aqueles que acreditaram que ele seria um bom rei.
Idril silenciosamente se aproximou. Seus pés descalços tocaram o chão sem fazer nenhum ruído, poderia muito bem estar flutuando. A camisola que usava essa noite tinha as mangas de renda, era de um azul tão claro que poderia ser facilmente ser confundido com cinza.
– Não se aflija meu rei – sussurrou próximo ao ouvido de Legolas. O abraçou por trás – Sei que teme por imaginar não ser digno. Aos meus olhos é maior rei que já tive a honra de presenciar.
Legolas respirou fundo e colocou a mão sobre o braço de Idril.
– São belas palavras, rainha. – sorriu ao dar ênfase em seu título – Por que sempre parece saber o que me dizer? Seria algum tipo de encanto?
Idril não respondeu. Endireitou sua postura e graciosamente retirou a coroa da cabeça de Legolas e a colocou sobre a penteadeira.
Legolas quase suspirou sentindo um alívio tomá-lo por completo.
– Já preparei o seu banho.
– Obrigado – agradeceu ao se levantar e caminhar até a entrada de seu banheiro privativo.
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Idril estava deitada de lado. Observava a parede em frente a ela. A cortina aberta deixava a paisagem noturna em frente a seus olhos, o céu estava escuro. A lua não surgira ainda deixando as noites escuras e agourentas. Uma lamparina feita colocada sobre um cômodo próximo a cama iluminava seu rosto precariamente, sua chama se extinguia aos poucos.
– Ainda está acordada? – a voz lenta e sonolenta de Legolas a chamou.
– Sim – se virou para o lado em que ele se ajeitava. – As pontas do seu cabelo estão úmidas.
– Eu sei .
Mergulharam em silêncio profundo, onde apenas se fitavam. Idril nem Legolas conseguiriam explicar como isso começou, apenas aconteceu. Idril não era de falar muito, dizia apenas o necessário. Algo que o incomodara muitíssimo, mas com o tempo começaram a se comunicar com gestos e olhares.
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Do lado de fora do palácio, mantendo vigia estava um grupo de elfos. Sobre os portões de entrada, feitos de pedras retiradas do vale, conseguiam ter uma bela vista em dias ensolarados, mas em noites de grande escuridão como aqueles ficavam entediados.
Archotes estavam acesos deixando tudo com um tom alaranjado. Ao sul da entrada sentavam-se dois elfos no chão, jogavam um jogo onde tinham que manusear as pedras até que o adversário não tivesse nenhuma, uma partida que demoraria horas.
Outros três ouviam uma história, que parecia ser muito engraçada já que riam bastante. Apenas um mantinha seus olhos fixo em direção a floresta. E foi graças a isso que ele avistou Daeron em seu cavalo.
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– Majestade – Go’nor batia na porta do casal real. Ele mesmo estava com as vestes de dormir, usava um manto sobre ele, mas seu cabelo caía livremente pelos seus ombros e por seu rosto, que parecia transtornado.
Legolas levantou-se rapidamente e chegou até a porta em poucos passos. Sentiu seu coração se espremer em seu peito, ser despertado no meio da noite normalmente não significava coisas boas.
– O que aconteceu? – perguntou assustado e surpreso.
– Lorde Daeron retornou. – Legolas ficou em silêncio, não entendendo para que tanto alvoroço – Apenas ele.
– Vamos. – Disse apressado. Quando havia dado alguns passos para fora do quarto olhou por cima de seu ombro, e viu uma Idril surpresa e atônita. Com um aceno de cabeça deu a permissão para que ela o acompanhasse – atitude que ele também desaprovava nela.
Os três seguiram para a ala de cura. Uma fileira de quartos quadrados e completamente brancos. Com um janela colocada ao norte, por onde tinha a vista de um riacho e também de uma floresta de faias e pinheiros. A cama ficava logo abaixo dessa janela, na cabeceira havia o brasão de uma folha prateada, os lençóis eram de algodão ou linho. Com travesseiros macios feitos de uma espuma especial. Ao lado direito um pequeno móvel onde ficava uma jarra com água e frutas.
Daeron estava deitado sobre uma dessas camas. Um de seus olhos estava tão inchado que permanecia fechado. Seu rosto estava coberto de arranhões. Alguns curandeiros ainda limpavam ele, por isso apenas um tecido passava por cima de seu quadril – cobrindo sua virilidade – estava tão sujo e coberto de sangue que não tinham idéia da extensão dos ferimentos.
– Meu rei...- disse ele quando avistou Legolas parado na porta.
– Por favor milorde, não fale nada. Poupe suas energias. – disse um curandeiro que passava uma esponja por seu braço direito.
– Bobagem...- disse com a voz arrastada – Eu falhei meu rei. Fomos emboscados.
Legolas se aproximou sendo seguido por Idril e Go’nor.
Colocou sua mão sobre a testa de seu sogro e o consolou.
– Não se aflija, não precisa contar o que aconteceu nesse instante. Espere até ter se recuperado de seus ferimentos.
Daeron moveu sua cabeça negativamente, fazendo seus fios já embaraçados se embolarem ao lado de seu rosto.
– Tomamos o caminho sul. Sempre o usávamos antes de vir para seu reino. Lá existem muitas cavernas subterrâneas. Não imaginei que alguém tivesse tomado posse...foi um banho de sangue meu senhor. Eles estavam em maior número. Com muito esforço consegui colocar Eámanë sobre o cavalo..ONDE ESTÁ ELA?! COMO ELA ESTÁ?!
Os curandeiros assim como Legolas se surpreenderam com a explosão de Daeron. Ele começou a se debater e espernear conseguiu derrubar um curandeiro que bateu com as costas na parede.
– Daeron! – disse Legolas firmemente sobrepujando os sons daquele quarto. – Acalma-te! Deixe que os curandeiros façam seu trabalho.
Daeron não o respondeu. Adormeceu sobre o efeito de um analgésico, assim os curandeiros conseguiram terminar seu trabalho.
Foram conduzidos até o quarto ao lado. A porta estava fechada. O curandeiro – um elfo silvan, que usava os fios presos em uma tira de couro e possuía um rosto amigável entrou primeiro.
– Lady Eámanë está consciente e diz que quer falar apenas com o rei.
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– Deve ser a primeira vez que ficamos sozinhos – disse Eámanë. Sua voz era fraca e Legolas sentiu pena, dela, de Idril, de Daeron, Elros, Laziel...
Eámanë estava pálida e fria. Seus olhos sem brilho. Teve seu coração perfurado. Chegou inconsciente, já estava coberta com o lençol quando agarrou o pulso de uma elfa que a limpava e preparava para o enterro, pediu a presença de Legolas. E ali estava ele, sentado no leito de morte da mãe de sua esposa.
– Não confie em Daeron – disse ela. Legolas foi pego de surpresa, seus lábios se entreabriram e ela continuou – Ele planejou a emboscada. Seus planos são muito mais sombrios, ele deseja sua morte. E seu reino. É um homem bom, um rei amado. Proteja-os.
Com choque sentiu a mão fraca e fria de Eámanë envolver a sua.
– Eu prometo.
Então ela suspirou. Seu último suspiro.

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