Eldamälle

7 Capítulo 7 - A chegada


Notas iniciais
Não havia percebido que escrevi o nome do capítulo anterior errado. Essa é o último capítulo antes do casamento, e logo essa primeira fase irá terminar e entrar nas etapas finais.

O grande rei Thranduil havia estado muito ocupado durante os dias que precediam o casamento. Era um grande o evento o casamento de seu único filho, além ser uma festa de união entre dois povos, também demonstrava força, poder e trataria também de bens comerciais.
Estava preocupado com o bem de Legolas, claro que estava. Mas seu povo estava há muito tempo sem a presença de uma mulher em que se inspirar. E ele se casar com outra mulher estava completamente fora de questão, quando a mãe de Legolas morreu e muito, muito tempo atrás. Trancou seu coração e ainda lhe doía pensar no nome dela. Guardava as jóias e belos vestidos em uma lembrança torturante.
Tentou afastar esses pensamentos, tinha estado muito melancólico. Talvez fosse o casamento, o fazia se lembrar do seu próprio.

– Legolas – sussurrou ainda sem se virar – Parece que esqueceu os bons modos não é? – disse repreensivo.

– Ada... — começou. Fechou as portas do aposento de Thranduil.

O aposento do rei era o mais luxuoso entre todos, era o maior e em cada canto se via sinais de imponência. Tudo era muito branco, Legolas se lembrava das noites que dormira ao lado de seu pai quando era um pequeno elfo com medo de uma tempestade de raios, ou então ruídos estranhos vindos da floresta.

– Eu me lembro muito bem da minha educação.

– Pois não parece.

– Ada, por favor olhe para mim! – Legolas começava a se enervar com o pai que permanecia de costas para ele.

Thranduil deixou os papéis e penas de lado quando ouviu o tom de seu filho. Legolas não era do tipo que iria pedir algo dessa maneira. Parecia quase lhe implorar, e isso o alarmou. Levantou-se e deu à volta, sua túnica se arrastava no chão atrás de sim, era alguns centímetros mais alto que Legolas e parecia mais imponente e sábio.
Estava sem a coroa de galhos o que o fazia parecer diferente, apenas isso.

– Legolas, o que aconteceu? – sua voz se tornou mais afável enquanto se aproximava.

Legolas não sabia por onde começar sua voz estava fervilhando e seu corpo parecia fraco. Suas pernas estavam bambas e congeladas no lugar.

– Ada por que não me contou sobre eles? Sabia que ela irá me prometer coisas que eu não irei conseguir retribuir – fez uma longa pausa – Eu sinto que estamos usando eles.

– Eles também estão usando a nós. – disse casualmente.

– Eu não entendo para que tudo isso! – rugiu e Thranduil ficou surpreso com a elevação no tom de voz do filho.

– Legolas! – o repreendeu – Já lhe expliquei por diversas vezes os motivos.

– Mas o senhor não confia neles.

– Não, não confio e você também não deve confiar.

– Muito tranqüilizante, levando em consideração que eu vou me casar com um deles!

– Esse é o plano.

– Entendo, sou apenas mais um peão a serviço do rei. Não hesitaria em sacrificar o próprio filho caso isso lhe fosse conveniente!

– Você é meu filho e deveria entender seus deveres! Precisamos proteger nosso povo e não temos força para fazer isso sem ajuda! Precisamos deles!

– MAS QUEM SÃO ELES?! — Legolas gritou. Elfos nãos costumavam gritar, era quase um fator biológico a calma que eles mantinham mesmo em momentos difíceis. O que os fazia sempre ter algum pensamento claro.

Thranduil entreabriu os lábios sentindo-se surpreso e culpou a amizade do filho com um anão para uma explosão como aquela.
Mas também se sentiu preocupado, o rosto de Legolas estava levemente vermelho.

– Legolas – estendeu a mão chamando o filho para se aproximar. Legolas se sentia cansado. Nunca imaginou que o emocional conseguisse ser mais desgastante do que correr durante dias, parar para comer ou descansar.

Legolas apoiou sua cabeça sobre o ombro de seu pai, e se permitiu ser invadido por lembranças calorosas de quando não estavam tão distantes um do outro. Por muito tempo foram os alicerces um do outro, mas tudo mudou, principalmente após a jornada do anel. Thranduil se tornou mais preocupado e distante, e até mesmo com o filho com quem costumava ser mais afetivo estava se tornando indiferente.
Fechou os olhos ao sentir seu pai afagar carinhosamente sua cabeça, igual a quando era um pequeno elfo.

– Não queria que tivesse que sofrer assim, eu pensei muito antes de tomar essa decisão. Os eldamälle sempre estiveram ali. Em um acordo oral, de comércio e convivência. Auxiliaram-nos quando a floresta começou a ser tomada pelo mal, e também quando lutamos na batalha dos cinco exércitos. Poucas vezes deixaram suas presenças serem notadas, por isso não os viu antes de chegar o momento.
Eles tem suas diferenças em seus comportamentos, modo de vestir e criarão suas próprias leis. – Ficou em silêncio durante alguns segundos e se Legolas estivesse olhando para o rosto de seu pai teria visto a melancolia que ele carregava – Mas eles continuam sendo eldar. A união faz a força meu filho, eu aprendi isso. Eles precisam de nós e nós precisamos deles. Após o casamento tudo irá melhorar.

Pelo menos é o que espero”, pensou. E então seus olhos se estreitarão ao ver uma sombra se mover, com a visão de apenas um olho ela se tornou aguçada, muito mais do que a de um elfo comum.
*
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Ao amanhecer da véspera de casamento, Legolas se encontrava em seu quarto. Dormia por cima dos lençóis ainda usando a roupa da noite anterior, havia desfeito as tranças, mas em algum momento perdido em pensamentos se perdeu na inconsciência, acordou com o som alto de um trombeta. Levantou-se em um salto tentando imaginar o que poderia ter acontecido, mas quando a névoa do sono o deixou conseguiu reconhecer aquele som. Não eram os elfos.
Rapidamente se colocou de pé e caminhou até as janelas, as abriu e não foi o céu tingido de um dourado igual a ouro líquido que brilhava por cima das copas das árvore verdes iguais a esmeraldas ou as roseiras que desabrocharam no jardim que capturou sua atenção.

Uma companhia com diversos cavalos entrou em fila indiana passando pela pequena ponta que dava entrava ao castelo, após entrarem formaram um meio-círculo. Estavam rodeados por vários elfos, inclusive seu pai que estava lá com sua coroa de galhos e sua pose altiva.

– Meus olhos devem estar me pregando uma peça...- murmurou para si mesmo sentindo seu coração ser invadido por uma onda de alegria.

Thranduil cumprimentou seus convidados, e ficou surpreso com a cordialidade com a qual fora cumprimentado pelo anão Gimli, filho de Glóin. Ficou um pouco decepcionado por não ter sido Aragorn a comparecer e sim Faramir.

– Arwen está grávida, e ele não quer sair do lado dela.

Quando ele disse isso um pensamento brilhou. Há muito tempo não havia uma criança, e mesmo sem perceber desejou que seu filho lhe desse um neto. Mas ao se lembrar de como as engrenagens estavam se movimentando isso poderia demorar muito tempo.

– Gimli!Faramir! – era Legolas.

Ou pelo menos um protótipo amassado e descabelado”, pensou Thranduil.

A aparência de Legolas não era ruim, e como os outros dois não o havia visto no dia anterior não teriam idéia de que ele dormira com as mesmas roupas, e seu cabelo liso e solto caia por seu ombro.

– AH! Veja só quem decidiu se tornar um homem de família – Gimli abriu seus braços de maneira saudosa e riu com sua voz grossa. Sua barba havia sido aparada e agora não passava do queixo, seu cabelo era trançado todo para trás, usava as vestes em um belo tecido com bordados feitos de pedras preciosas que brilhava formando cores quando ele se mexia, até suas pesadas botas de bico quadrado eram luxuosamente enfeitadas.

Imaginou que o fato de estar vestido assim fosse seu pai.

– Olá velho amiga – cumprimentou dando algumas palmadinhas em seu ombro, Gimli o abraçou meio sem jeito e resmungou algo como “Tudo bem, chega se sentimentalismo. Onde está a bebida?”

– Faramir – disse sorridente e o abraçou.

Este não estava (nem um pouco ) vestido tão luxuosamente quanto Gimli, usava uma pesada capa de pele segura em seu pescoço por um broche. Uma jóia feminina notou Legolas, e um diadema de apenas uma tira feito de bronze adornava sua cabeça.
Ficou feliz em saber a noticia de Aragorn. Tentou imaginar um segundo Idril grávida ou cuidando de uma criança. Mas esse pensamento pareceu tão absurdo que nada lhe veio à mente.

– Aragorn disse que espera sua visita em breve acompanhado de sua senhora – Para essa pergunta Legolas conseguiu apenas concordar.

– Foi uma grande surpresa – disse Gimli estupefato, seus olhos estreitos analisando o palácio do rei enquanto eram encaminhados para a sala do banquete – Não imaginávamos um dia receber o convite de seu casamento.

Legolas curvou um pouco a cabeça e o fitou. Tudo bem que jamais pensara em se casar (pelo menos não nessa Era ), mas o anão parecia realmente contrariado.

– E por que não?

Gimli balbuciou algumas coisas desconexas enquanto remexia seus braços com dedos gorduchos, tentou tocar o cabo de seu machado, mas se lembrou de que ele fora deixado sob os cuidados dos anões, pensou em reclamar e dizer que isso era uma grande falta de respeito, mas Faramir pousou a mão sobre o ombro do anão e ele se lembrou, “Sem discussões”.

– Ah...você sabe...da fama que os elfos possuem – resmungou muito baixo esperando que Legolas não o ouvisse, mas claro que ouviu.

– Que fama? – perguntou sentindo-se mais curioso.

Gimli o olhou.

Anão estúpido por que não pode manter sua grande boca fechada!”, pensava consigo mesmo.

– De que não gostam de mulher. Pronto, falei! – e a resposta a isso veio de alguém que não esperavam e que estava logo atrás deles.

– Deveras é uma grande mentira, mestre anão.

Legolas sentiu um arrepio correr por sua espinha, se virou tentando não demonstrar surpresa, diferente de Gimli que deu um pulo (literalmente) e colocou a mão sobre seu coração.

– Minha senhora, não devia se esgueirar para perto de um anão! Se estivesse com meu machado poderia ter ferido. – disse ele sem jeito e com as bochechas levemente rubras.

– Creio que sim mestre anão. Sinto muito. – respondeu sorrindo.

Legolas não sabia como reagir àquela cena. Deveria sorrir rir. Não sabia. Apenas arqueou uma sobrancelha. E a olhou sugestivamente.

– Está muito bela essa manhã minha senhora, sua beleza se iguala ao pálido amanhecer. – disse surpreso.

E Idril estava. se não fosse seu cabelo (em Mirkwood apenas Thranduil e Legolas possuíam fios loiros) não a teria reconhecido.

Usava um longo e belo vestido de um rosa bem claro, como o que tinge o céu ao amanhecer. Suas mangas eram ‘bufantes’ nos ombros, se colavam durante todo o cumprimento de seu braço. Em seu pulso havia um bordado em fios prateados com pequenas perolas em tom rosado. Usava um cinto com correntes que pendiam em seu quadril, era trabalhado minuciosamente e davam um certo charme sinuoso aos quadris de Idril, era trabalhado com pequenas moedas com rostos sorridentes e tristes, pérolas e uma minúscula pedra lilás que Legolas não reconheceu.Duas mechas de cabelo ladeavam seu rosto – que parecia mais animado e alegre do que Legolas jamais viu – usava uma rede que prendia seu cabelo atrás, fios finos e prateados que se misturavam em harmonia ao dourado dos fios de Idril.

– Obrigado meu senhor. – respondeu.

– Ah! – disse Gimli e deu uma longa risada. Sua barriga saliente pulando enquanto ele fazia isso – Essa então é a bela elfa que capturou seu coração — deu um cutucão com o cotovelo na perna de Legolas, que balbuciou algo em resposta – Muito bela, muito bela mesmo. Se me permite... – curvou o corpo para frente e colocou uma mão ao lado a boca – Atrevo-me a dizer que sua beleza supera a de Lady Galadriel.

Idril soltou uma risadinha que fez Legolas se empertigar e imaginar que feitiço obscuro a teria feito agir desse modo.
Faramir se aproximou do grupo quando a atenção do rei fora necessária em outro lugar, ambos conversavam sobre o comércio entre os dois reinos.
Cumprimentou Idril com um beijo sobre sua mão, e teve que admitir que estava surpreso com tamanha beleza.

Serei o que preciso ser. Serei o que necessitam que eu seja”, pensava consigo mesma.

Todos foram levados para um grande salão iluminado e que cheirava muito bem. Uma mesa retangular quase a ocupava toda, tapeçarias minuciosamente bordadas desciam dos tetos até o chão, janelas altas e imponentes mostravam os belos jardins do rei.
Legolas conversava com Gimli que contava sobre como as coisas estavam entre os anões e dissertava sobre a surpresa de todos ao receber o convite de seu casamento.
Os companheiros de Faramir e Gimli tinha reações adversas, enquanto os anões olhava tudo com desconfiança os homens pareciam encantados e surpresos, seus olhos se deliciavam com a visão das elfas que tocava os instrumentos e entoavam uma canção bela e misterioso, se fartaram com a comida saborosa e a bebida incomum.
Apenas Idril não comeu nada, suas mãos permaneceram baixas em seu lado, respondia com educação toda pergunta que lhe faziam e em alguns momentos fingia comer ou beber algo. Foi apenas quando Gimli falou que se deu conta de que a observava descaradamente.

– Ho ho, vejo que não consegue tirar os olhos de sua senhora – disse com uma piscadela

Legolas sentiu seu rosto arder, não por ter sido pego olhando para Idril e sim pelo entendimento no tom malicioso e nos olhos brilhantes e estreitos do anão.

– Não precisa se explicar – disse interrompendo o elfo que começava a dizer algo – Quando me casei também não conseguia tirar as mãos de cima da minha mulher. Ah...- disse pensativo e com um ar bobo.

Legolas revirou os olhos, se lembrava bem de como era a esposa dele. E bem, não era uma “graça”, até parecia um anão macho. Mas não iria dizer isso para ele já que parecia tão apaixonado por ela.

Levantou o olhar e não tão surpreendente o cruzou com o de Idril, ela respondia alguma elfa que falava com ela sem parar, com uma olhada se lembrou que era Mirtha, a filha de um comerciante que sempre flertara com ele. Era comum e parecia estranhamente sem graça ao lado de Idril. Seus olhos castanhos e seus fios escuros e bem penteados, suas vestes coloridas e muito bem bordadas, as jóias que usava e sua postura alegre e despreocupada. Não se comparava a ela, que mesmo ali, mantinha suas costas eretas e por algum motivo fazia Legolas imaginar que ela estaria pronta para atacar a qualquer momento. Viu o gelo naquele para de olhos azuis, a mesma geleira que via dia após dia, apesar de usar roupas diferentes continuava a mesma pessoa e por um curto momento acreditou que aquilo foi para agradá-lo.

– Meu senhor...- disse ela. Sentavam-se um em frente ao outro, Gimli e Faramir estavam ao lado de Legolas, Idril era ladeada por Elros –seu irmão — e Mirtha.

– Vejo que não está se alimentando. A nossa comida não a agrada?

– Sim, me agrada de muito. Mas não tenho apetite hoje.

– Talvez seja o nervosismo – Exaltou-se Gimli. Legolas o olhou com uma sobrancelha arqueada e imaginou que tipos de bebida haviam dado ao anão que estava muito sorridente e (mais) falante.

Nervosismo?”, pensou com desdém e com surpresa.

– Sim, deve ser – disse pensativo.

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O banquete se prolongou durante todo o dia, e inicio da noite quando muitos já exaltados começaram a se retirar, Legolas se sentiu cansado. Em todo momento o assunto “casamento” surgia e isso o aborrecia, perguntavam-lhe coisas que não tinha respostas.
– Vamos lá! – disse Gimli com a voz arrastada sacudindo sua caneca – Acompanhe a moça até seu quarto! Que tipo de cavaleiro você é?!

Idril havia se levantado e se despedido dizendo que estava cansada . Legolas estava absorto em uma conversa com Faramir, já que o rei Thranduil havia se retirado. Conversaram sobre as notícias de Gondor, e também de outros reinos dos homens. Legolas sentiu seu coração se aquecer ao receber notícias tão boas e ter a certeza de que ajudara a realizar isso.

– Ficaria muito agraciada com sua companhia meu senhor. Mas, não quero tirar sua atenção dos seus amigos. Teremos muito tempo para ficarmos juntos.

Elros que parecia estar entretido em uma conversa com uma elfa e mais sorridente do que Legolas jamais vira se aproximou balançando sua caneca para os lados, Idril se esquivava preocupada que ele a molhasse com bebida.

– É claro que ele não vai levar minha irmã...hic...com essa cara de certinho ...hic...aposto que iria tentar coisas ...hic...imprópria com ela.

Gimli riu alto fazendo sua barriga se sacudir e quase se desequilibrou na cadeira.

– Vamos irmão – disse Idril passando os braços ao redor do ombro de Elros, que se debatia enquanto ela tentava levá-lo para longe o mais gentil possível.

Legolas se ofereceu para ajudá-la com ele, mas ela recusou com educação e disse que ele deveria passar o tempo com seus amigos, e que ela não permitiria que ele fizesse essa desfeita com eles.
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Foi difícil andar com seu irmão, sentia-se oprimida e tinha medo do que ele faria cercado por tantas pessoas. Pensou onde estaria seu pai em um momento como esse.
Desceu por uma escada circular, cada vez mais baixo. Lamparinas iluminavam o caminho precariamente, Elros ainda se debatia e dizia coisas ofendiam Idril profundamente, mas ela escolhia ignorar, seria melhor assim.
–Minha senhora – disse um elfo saltando para frente se desprendendo da escuridão da parede cavernosa onde estavam alojados.

Deixou Elros tombar no chão e esforçou-se para não lhe dar um olhar de desprezo.

– Diga ao senhor meu pai as peripécias de seu filho esta noite. Envergonhou-me com sua atitude precipitada. Mais se comportou como um asqueroso anão do que o filho primogênito de Lorde Daeron, o rei sob os vales.

Deu palavras de ordem para o colocasse em água fria e o levasse para dormir, disse também para que não se preocupassem em ser gentil com ele e caso ele tentasse ferir alguém teriam a permissão para revidar.

Após isso subiu para seus aposentos, sentia-se inquieta e tinha certeza que não dormiria essa noite. O “acampamento” subterrâneo dos eldamälle ficava bem abaixo das masmorras do rei, ninguém se atrevia ir tão fundo e isso os dava paz e liberdade, e também já haviam se acostumado com as paredes úmidas e frias, os confortos do palácio lhe pareciam surreais e incômodos.

– Meu senhor. – disse ao se aproximar das portas do seu quarto.
Legolas estava ali encostado na parede com os braços cruzados na frente de seu corpo, usava um manto branco com pequenas flores bordadas em fios prata, estava preso ao lado de seu corpo por uma faixa de mesmo tecido. Seus fios estavam soltos e Idril conseguiu notar o quanto ele se parecia com seu pai. Mas não tinha o olhar frio e malicioso. Seus olhos eram cristalinos e calmos, e causavam desconforto a Idril, principalmente a mania que ele parecia ter adquirido em ficar a observando.

– Espero que seu irmão não tenha causado nenhum problema – disse sorrindo.

Idril sentiu um peso em seu estômago e suas costas arderem quando ele mencionou Elros.

– Nada com o que eu não posso lidar meu senhor. – disse ela – O que faz tão tarde em frente à porta do meu quarto?

– Estava lhe esperando.

Idril quase soltou um suspiro perante a resposta óbvia.

Legolas sorriu e continuou:
– Queria lhe dar algo. Um presente de casamento.

– Não poderia esperar até amanhã?

Legolas bufou e desencostou-se da parede. Seus olhos demonstrando a leve irritação que ela tinha lhe causado, mas não disse nada. Ele nunca dizia.

–Não. Poderia se virar?

Idril estava tensa, sua postura era quase defensiva, sentia vontade de se encolher toda vez que os dedos de Legolas tocavam sua pele. Seu abdômen se comprimia e ela tinha que se esforçar em imaginar que aquilo acabaria logo.

– Deixe-me ver como ficou. – pediu ele.

Idril tocou seu pescoço e dedilhou uma gargantilha com a ponta de seu dedos, o metal estava frio contra sua pele e ela tentou vê-lo sem conseguir.
Se virou e Legolas lhe sorriu, um sorriso confortante e sincero, um sorriso inocente.

– Ficou muito bem em você minha senhora. – disse cortês.

Idril sorriu e agradeceu ao elogio. Legolas a elogiava muito, mesmo quando estava com suas roupas estranhas e escuras e seu rosto sério e inexpressivo, mesmo assim a elogiava, ou tentava. Não demonstrava seu desagrado com seu jeito estranho e indiferente, maneiras que não conhecia e um comportamento que jamais esperava vindo de uma elfa.

– Obrigado meu senhor- ele continuou a olhar com interesse. – Pergunte. – disse perspicaz o lendo pelas suas expressões.

– Por que se vestiu assim hoje? Suas maneiras de agir também estavam diferentes.

– Não o agradei?

– Não é isso. Apenas pareceu uma pessoa totalmente diferente. – fez uma pausa e a olhou. Não conseguia enxergar a elfa que chegara alguns dias atrás, convivera tempo suficiente para saber que não era ela. Tinha o mesmo rosto, mas as palavras que deixavam seus lábios lhe pareciam estranhas e um completo absurdo.

Idril ficou sem respostas. Tinha sido exatamente o que esperavam dela, mas isso pareceu não o agradar.

– Meu senhor, apenas me comportei da maneira que esperava de mim.

– Mas não era você. Eu sei disso. Posso ver em seus olhos.

Idril se virou sentindo-se incomodada com a proximidade e com as palavras de Legolas, sentiu seu sangue ferver e uma resposta afiada chegar a ponta de sua língua.

– Então seus olhos o estão enganando meu senhor. Sou quem preciso ser- o respondeu e se virou em direção ao seu quarto. – Boa noite meu senhor. Com sua licença.

Legolas sussurrou algo em resposta antes que as portas se fechassem. Durante alguns segundos a encarou, pensou em bater e exigir uma resposta clara vindo dela. Estava cansado de todo esse mistério que a envolvia. Queria saber quem era de verdade, queria conversar e sorrir, saber o que a chateava e também o que lhe trazia alegria. Mas todas suas tentativas eram frustradas, queria apenas que ela fosse ela. Mas parecia que a própria Idril não se conhecia.

Preview:
"Quando Idril chegou em seu vestido branco ela parecia reluzir. Poderia cegar qualquer um ao seu redor. Seu cabelo era preso elaboradamente e enfeitado com flores brancas e fios pratas. A última noiva que vira foi Arwen, e naquele momento Idril parecia mais bela do que ela e Lady Galadriel juntas. A luz parecia dançar ao seu redor, por entre seus fios e seus olhos pareciam mais azuis e afiados do que em qualquer outro momento em que já os tenha visto, segurou seu olhar com desejo de entrar mais fundo naquele mar azul e naquela terra desconhecida que era entregue a ele."