Eldamälle
2 Capítulo 2 - Festa
– Ada. – Thandruil se virou para ver o filho, já sabia que era ele. A noite foi turbulenta usava as mesmas vestes do dia anterior.
Thandruil usava uma túnica de seda azul claríssima com detalhes em fios de ouro e uma capa vermelha que estava enrolada em seu antebraço lhe dando um caimento interessante, era preso por um broche que tinha o brasão da família.
– Eu aceito me casar.
Já esperava essa decisão. Mas a frase saiu mortificada como se estivesse entregando sua vida na mão de um carrasco. O rei abriu seus braços para acolher o filho. Afagou-lhe a cabeleira loira como há muito tempo não fazia, e de repente Legolas era um pequeno elfo novamente.
“Mellan nín havia lhe prometido uma visita em breve mas isso se tornou impossível. Não sei exatamente como lhe contar ainda estou um pouco atordoado com o rumo que tudo está tomando, bom, serei direto vou me casar. E antes que festeje essa idéia não me traz alegria, pelo contrário, todos esses dias ela tem me perseguido como um inimigo uma sombra orc que eu não matar. Não caso por amor e sim por política. Confesso que invejo você meu estimado amigo.”
[...]
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Legolas se dirigiu ao campo de treinamento onde os pequenos elfos tinham sua primeira lição de arco e flecha. Go’nor, o acompanhava sorrindo, era animador ver pequenos elfos tão aplicados, principalmente quando correram até Legolas lhe perguntando sobre suas aventuras. Ele respondeu a todas perguntas com ânimo renovado.
A área de treinamento era um espaço arborizado mas afastado o suficiente da casa para não ocorrerem acidentes.Possuía vários alvos e também bonecos de palha.
– Se me permite , vossa majestade dará um ótimo pai – comentou Go’nor, Legolas estremeceu com o comentário e lhe lançou um olhar de desagrado.
O guarda reprimiu uma risada.
Legolas parou de andar quando notou um círculo de figura encapuzadas, um ponto negro se destaca com facilidade ali. Eles pareciam se alimentar. Haviam algumas tendas montadas também, todas tão negras quanto suas roupas.
Go’nor não precisou seguir o olhar para saber para onde o príncipe olhava.
– Eldamallë – disse como se isso explicasse tudo.
Legolas sentiu falta de Lorde Daeron, mas lembrou-se das palavras dele no dia anterior.
– Eles nos tem ajudado, porém sempre são muito reclusos e não se misturam. Mesmo que tenhamos oferecido abrigo eles preferem ficar nas barracas, e até a comida eles mesmos caçam.
Reconheceu um dos que estavam ontem junto a Daeron, era o único com fios brancos semelhantes ao de Legolas, os outros possuíam os fios escuros e os olhos cinzentos, pelo menos era o que parecia a Legolas daquela distância.
O desconhecido ao notar o olhar curioso do príncipe levantou uma caneca em cumprimento, os outros se calaram e se viraram com ar desconfiado.
Legolas ficou sem saber o que fazer, deveria se apresentar a eles ou simplesmente continuar sua caminhada?
Sua chance de escolha foi perdida quando ele acenou animadamente para Legolas, que ofegou e olhou para o guarda que confirmou com a cabeça.
– Bom dia! – disse animadamente.
Ambos os elfos da floresta responderam educadamente.
– Elros Elendil, filho de Daeron. – disse alegremente. Diferente dos outros que olhavam para Legolas com desconfiança.
– Legolas e este é meu guarda-costas Go’nor. – respondeu formalmente.
Elros soltou uma risada, que Legolas não pode deixar de comparar com a de seu amigo Gimli. Aquele elfo era diferente. Observou com mais cuidado e pode notar o desleixo que eles tratavam seus cabelos e suas roupas pretas estavam sujas de tudo que se pode encontrar na floresta.
– Vamos cundu nín não se acanhe nos acompanhe nesse lanche. – ao dizer isso se afastou dando espaço, outro elfo de cabelos castanho e estranhamente picotados fez o mesmo dando espaço para o guarda se sentar.
Elros pegou uma tigela feita de um material semelhante ao barro, dentro tinha um caldo vermelho e espesso com pedaços de algo que Legolas não soube decifrar o que era.
Todos os olhavam com expectativa para que provasse o alimento. Pensou em perguntar onde estavam os talhares mas algo lhe dizia que eles não o utilizavam. Levou o recipiente até os lábios e sorveu um pouco aquele caldo que se mostrou saboroso ao paladar do príncipe, porém muito picante em algum momento ele fez um ruído com os lábios enquanto se alimentava. Parou de beber e pensou em se desculpar pela falta de etiqueta mas eles o saudaram com um cumprimento em sua língua. Elros passou as mãos pelos ombros de Legolas e apertou fortemente, levantou sua caneca fazendo respingar sobre eles.
– Saÿmim. – todos os outros repetiram em coro.
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Naquela noite Legolas não conseguiu dormir novamente, estava tenso demais para conseguir ficar deitado sobre a cama por mais que ela fosse confortável sua mente estava inquieta. Através da varanda de seu quarto tinha uma bela vista. Ao longe via-se as copas das árvores que sempre ficavam coloridas durante a primavera, a lua parecia deslumbrante essa noite com céu salpicado de estrelas brilhando como a pedra mais preciosa. Mas seus olhos se focarem nas estranhas tendas de seus visitantes.
Eles se pareciam com elfos mas não agiam como tal. Não tinham o zelo com a aparência preferiam pelos cabelos curtos, não tinham etiqueta também. Imaginou a desaprovação de seu pai ao tê-lo para um banquete.
“Filho de Daeron,hum? Deve ser o nobre entre eles” pensava de forma especulativa.
– Legolas, vejo que nossos convidados o interessam – Thandruil disse com a voz arrastada na entrada do quarto do filho.
– Eles me atiçam a curiosidade – disse por fim virando-se para seu pai – Ada, o que esse povo...xucro tem que o interesse? Hoje compartilhei uma refeição com eles e não os imagino em um de seus banquetes.
Thandruil andou até a varanda, hoje sua túnica era lilás. Mantinha os braços atrás das costas em uma postura rígida.
– Não esperava uma fala tão preconceituosa de um elda que fez amizade com um nauco. Mas não pode dar uma chance aos próprios de sua espécie. – fez uma longa pausa enquanto analisava as expressões do filho.
– Ada que não quis dizer...
– Quando começamos a nos mover e encontrar nosso lugar na Terra Média, esse povo que partiu do mesmo lugar que seu avô a sorte não lhes sorriu, e continuaram a vagar. São os melhores guerreiros entre os elfos. São uma força para se ter ao lado.
Pousou uma mão sobre o ombro de Legolas enquanto fitava seus olhos.
– Yondo nín se acalme e tire uma noite para descansar sua mente, verá que quando fizer isso tudo se tornará menos complicado. Será um grande dia amanhã.
Legolas sentiu-se ficar meio enjoado, poderia um elfo ficar doente?
Era como se algo pesado e gelado houvesse caído dentro de seu estômago.
*
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Outro dia começou e nem a brisa leve aconchegante da manhã, muito menos o cantar dos pássaros melhorou o ânimo do príncipe. Em outros dias que agora lhe parecem tão distante teria ficado feliz em ver o amanhecer, os raios de sol refletindo nas gotas de orvalho e o cheiro refrescante e adocicado misturado com os pães assando nos fornos. Seria o indício de um ótimo dia, mas Legolas sentia como se estivesse caminhando em direção a um funeral.
Tomou um banho desnecessariamente longo, e abotoou sua túnica de forma tão lenta que Go’nor ameaçou vesti-lo, como fazia quando era criança. Legolas estremeceu com a idéia.
Vestia uma túnica laranja, não usava uma capa e sim a coroa do herdeiro. Vários fios pratas se entrelaçando sinuosamente ao redor da cabeça de Legolas. Hoje em especial parecia pesar.
Quando saiu Go’nor já o esperava com impaciência – seu pai havia mandando o apressar diversas vezes – com um suspiro deixou-se guiado até a entrada do palácio. Em especial hoje a decoração e roupas eram feitas em vários tons de laranja e amarelo. Deixava tudo com mais animação. Legolas teve que dar o braço a torcer. Fizeram um bom trabalho.
A porta de entrada era enfeitada por girasóis e margaridas formando um portal. O caminho até o trono era ladeado pela guarda real – em seus melhores uniformes – distinguiu os eldamälle graças a suas vestes pretas. Mas até eles pareciam estranhamente arrumados – e deslocados — pétalas de várias flores despendiam do teto até o chão, haviam prendido vasos com a maior quantidade de flores que conseguiram e a qualquer brisa centenas de pétalas se desprendiam e desciam calmamente rodopiando até o chão.
Legolas fechou os olhos enquanto seguia o caminho de uma que desceu em direção seu rosto.
“É um momento para felicidade, não está caminhando para um funeral”.
Ouviu várias cornetas soarem com entonações diferentes mas formando uma curiosa harmonia. Todos os presentes viraram os rostos em direção a entrada.
O primeiro a entrar foi Daeron. Vestia uma túnica preta com calças de couro, usava uma capa de pele de algum animal bastante grande. Era uma capa peluda e descia até seus pés pesadamente, era preso por um brasão feito de um material semelhante ao bronze. Mas ninguém se demorou nele, seguindo ele veio uma elfa de cabelos longos e lisos que atingiam a altura de seus joelhos, eram presos em uma trança trabalhada. Ela tinha o rosto severo, porém belo, usava roupas semelhantes à Daeron, o que Legolas achou estranho, para ele mulheres deveriam usar belos vestidos e possuírem flores lhe enfeitando os fios. Ela se colocou ao lado do elfo.
Preview:"Como de praxe o rei se sentou na ponta, seguido por lorde Daeron e sua esposa, Legolas e sua noiva ficaram um em frente ao outro. Ela não o olhou nem por um segundo, enquanto isso o príncipe pensavam em algum assunto para começar. Não tinha muita vontade, mas seria indelicado de sua parte se ignorasse sua noiva. E com um lampejo de pânico se lembrou de que não sabia o nome dela."
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