Ela&Ela
5 Uma noite do caralho parte 3: reencontro
Não me lembrava de a rua ser tão escura. Acho que havia alguns postes, ou será que não?
Levanto com a mão no coração. Não sabia que horas eram ou aonde estava. Era um quarto escuro. Pude perceber pelo armário e pelos posters de bandas. Não era o meu. Isso queria dizer que eu talvez ainda não tenha me encrencado com a minha mãe. Eu já deveria estar em casa. A tontura me perturba. Tento andar de forma desequilibrada em direção a saída. Sou surpreendida por uma menina da mesma idade que eu. Ela abre a porta de uma vez só liberando uma luz sobre o meu rosto. Tento decifrar sua identidade enquanto me acostumo com o clarão. –É você?! Abro minha boca. Alex era uma das minhas antigas amigas na minha época "não popular". Ela tinha um cabelo loiro de dar inveja, além de um rosto fino e coxas grossas. Estava usando um jeans com um casaco verde que de alguma forma não combinava com ela.–Sim, sou eu. Sumida! O que estava fazendo no beco de uma loja desmaiada?! Ainda bem que faço curso de enfermagem e te salvei. Óbvio que já estava fazendo curso. Tirava as melhores notas da turma. Podia fazer faculdade do que quisesse que iria passar.–Enfermagem? Que legal. Isso explica o curativo na minha cabeça e a tonteira. –Eu acho que a tonteira é causada pelo excesso de bebida-Sorriu com dentes brancos e me fez sorrir também.-Mas o seu machucado não é nada sério. Pode acreditar em mim. –Acredito. Só não quero voltar pra casa com isso. Vou por um chapéu ou qualquer coisa. –Você pode tampar com o cabelo. –Boa idéia.Ela continuava brega, mas havia tirado o aparelho e deixado o cabelo na altura dos ombros. –Você quer beber alguma coisa? De repente um chá ou café. –Não, obrigada. Preciso ir embora.–Pode me passar seu face, sumida? Coro e fico sem graça. Parei de falar com ela depois que fiquei popular. Olho no celular. Nenhuma mensagem da minha mãe. Respiro de alívio. –Acho que você saiu escondido e agora está preocupada. Eu posso te levar de carro até sua casa. Só não mé lembro bem do endereço, mas é só me guiar. –Aprendeu a dirigir? Que legal. Eu ficaria muito agradecida. –É. Aprendi -Ela pareceu sem assunto por um momento, mas então retomou rapidamente a conversa. -Você parece meio deprimida. O que aconteceu? Sei que você é bem capaz de sair de casa de madrugada e beber em alguma festa, mas o que aconteceu de ruim? Após todos esses anos ela ainda me conhecia muito bem. Ou talvez fosse só a capacidade dela de perceber as coisas. –Meu Deus! Cinco da manhã!- Digo olhando para o relógio do celular.Não sei se estava mesmo desesperada ou só queria escapar da pergunta. –Meu namorado me traiu. Foi isso.- Confesso de uma hora para outra. –Aquele youtuber? Faço que sim com a cabeça. Ela não parecia surpresa. –Bom, não quero comentar sobre sua vida pessoal. Mas é uma pena. Vou pegar a chave do carro e dar uma passada no banheiro. Espere aqui. Não gostei muito da resposta. Foi o mesmo que dizer isso é problema seu de uma forma sutil. Não é o que uma amiga diria. Precisávamos nos aproximar de novo. Alex é uma boa pessoa. Ela me deixa sozinha por um momento. Não consigo resistir e olho nos outros quartos. Me deparo com livros de biologia. Eu sabia que aquele quarto era de outra pessoa. Provavelmente da irmã dela. Que tipo de mulher adulta que já está na faculdade tem posters de bandas adolescentes? Resolvo fucar nas suas coisas. Acho uma caixinha rosa no fundo do armário. Não resisto e olho. Preciso parar com essa mania feia. Dentro dela haviam fotos. Muitas. Uso a luz do celular para ilumina-las. Vejo as mesmas fotos que tirei com Guilherme para uma revista. Lembro do que aconteceu hoje e tremo de raiva, mas ao mesmo tempo fico curiosa. Alex pegou as fotos e cortou a cabeça dele, colocando a dela no lugar. Aquilo era perturbador e ao mesmo tempo interessante. Guardo rapidamente a caixa e volto para o outro quarto. Espero por ela. –Vamos? -Diz quando volta. Saímos do prédio no carro branco dela. Ela pareceu muito fria para estar tão interessada. Eu não conseguiria disfarçar tão bem assim. –Seus pais saíram de casa?- Só agora percebo esse detalhe. –Estão viajando com minha irmã mais nova. Tive que estudar e fiquei em casa. –Ah, entendi. –Me passa seu Facebook. Estamos quase chegando na sua casa. –Ah, é mesmo. -Digo rapidamente e ela anota no celular. –Tá fazendo que curso?–Nenhum-Coro.-Eu repeti–Ah, tá.-Ela não parece muito surpres a e isso me deixa levemente irritada.- Então, Tchau. Depois eu entro em contato. Alex estaciona em frente a minha casa.Avanço até sua boca e a beijo. Não sei porque fiz aquilo. Talvez porque a bebida me fazia ficar mais carente ou porque o espírito de Brenda se apossou de mim. Xô, espírito! O beijo dura alguns segundos. –Tchau -Digo e saio do carro sem esperar sua reacão. Entro em casa e vejo ela sair com o carro através da janela.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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